domingo, 28 de agosto de 2016

Ministrando o Evangelho

Os que ministram a Palavra de Deus devem pregá-la com mais ênfase para alcançar as pessoas para o Reino dos Céus e não distanciá-las de lá (1 Co 9.22-23). Para tanto, não precisam alterar o conteúdo da mensagem bíblica, diluir suas verdades, maquiar seus mandamentos e suprimir suas posições (Tt 1.9). A dificuldade aparece quando alguns que se acham pregadores comportam-se como se anunciar o Evangelho fosse ofender e magoar os ouvintes – a Bíblia não ensina isso (Zc 8.16; Rm 12.18). Nenhuma autoridade espiritual está isenta de boa educação e respeito aos outros (Fp 2.3), como também qualquer repreensão não pode ser vazia de amor (Pv 13.24; Hb 12.6).
Em nossos dias há “pregadores” que se portam como matadores espirituais com armas de pesado calibre e farta munição de grosserias e atropelos de aplicação. Essa tropa de choque antiética e esculachante que como pretenso esquadrão de Deus gosta de citar o profeta João Batista para justificar a brutalidade verbal de suas exposições do tipo “dispersa multidão” (Mt 3.7; 12.34); não edifica os crentes locais e muito menos resgata os pecadores. Tal comportamento truculento expressa ignorância, estupidez acentuada, ausência de sabedoria e carência de espiritualidade. Uma pregação que afugenta as pessoas da igreja e que as afasta do centro de transformação que é Cristo (Col 1.21; Mt 11.28; Jo 6.37; 1 Co 5.17); nunca deve ser considerada como expressão do Evangelho. Igreja é lugar que recebe gente desconsertada para ser endireitada e transformada. Conheço gente assim; que chegou destruída na igreja e hoje é uma benção!
A salvação da alma humana é um dos objetivos principais do plano da redenção (Tt 1.2; Hb 9.26; 1 Pe 1.20; Ap 13.8). O céu é pra cima, mas têm falador mal educado que se pudesse enfiava o rosto de seus ouvintes na terra solta de suas particulares interpretações, os encharcaria com bastante rancor de suas ilações teológicas e ficaria na torcida para que viessem a chafurdar numa fétida lama existencial. Essa desconstrução do Evangelho (me recuso a chamar isso de pregação), não provoca arrependimento – é perigoso alguém querer se suicidar. Na verdade, espírito de porco quem tem são esses “fuzileiros de púlpito” que vociferam uma santidade similar a dos anjos de Deus, que tentam nos mostrar auréolas em torno de suas cabeças; mas que como iludidos mortais, não resplandecem glória e serenidade, mas terror e medo – que são as únicas coisas que refletem e espalham.
Se depender desses, não há como ninguém se aproximar do Deus Santo e misericordioso. Essa Swat com coletes de rancor e bombas de gás lacrimogêneo (pois fazem muita gente chorar de tristeza) tem tanta raiva dos que não andam conforme seus conselhos de pureza que chegam a respirar e a transpirar ódio nos púlpitos; eles conseguem liberar mais veneno em seus “sermões de extermínio” do que qualquer névoa de veneno tóxico. São arautos de uma “verdade que mata ou fere gravemente” a vacilante ovelha desgarrada que no desespero da solidão espiritual e eclesiástica procura por uma porta de amor e pastoreio – ela busca por um aprisco (Sl 119.176; Lc 15.4). Os oradores dessas mensagens de destruição em massa estão sempre externando o seu farisaísmo separatista e realçando sua altivez saducéia. Pregadores do Evangelho de Cristo essa turma deixou de ser a muito tempo!
Conheço pastores e líderes locais que jamais deixaram de proferir a verdade para a congregação local. Nunca foram omissos quanto à posição da igreja frente ao pecado inserido neste século depravado (Tg 4.4; Rm 12.1; 1 Jo 2.15). A diferença é que em todas às vezes eles pregam com mansidão, seguindo o exemplo do mestre Jesus (Mt 11.29); estão fundamentados na bíblia (2 Tm 3.16), agem através do verdadeiro amor cristão (1 Ts 3.12) e se portam educadamente como convém a ministros do Evangelho (1 Co 10.32). Um perfil pastoral dessa natureza nos corrige na Palavra e ainda nos faz glorificar a Deus no fim do sermão. Lembra das características da pregação e ensino de Jesus ? Pois é; àquela pregação nos alcança ainda hoje – e nos desafia verdadeiramente a uma nova vida – isso quando somos alvejados por abençoados pregadores, como os que citei neste parágrafo.
Na óptica divina, as pessoas são mais importantes que listas de comportamento local. Também refiro-me a aquilo que não é doutrina bíblica e que algumas líderes e igrejas estabeleceram como regra de fé e prática – na forma de regulamentos internos – e que acaba determinando em exclusão de gente crente pra valer – que não pecou contra Deus – mas que transgrediu o infundado e extra bíblico regimento.  No propósito de salvação do Senhor as vidas são mais importantes (Lc 12.20; 23.43; Tg 5.20) do que regras de ferro e fogo ou de proibições mais ardidas que pimenta mexicana e sem nenhum amparo escriturístico (Cl 2.20-23).
Santidade não se trata apenas de comportamento externo (quem nos dera que fosse) como uma saia que chega aos pés, cabelo comprido, homem não usar bermuda, mulher não usar calça, não tomar coca cola, não ir à praia, não assistir TV ou repugnar tecnologia. Santidade é em sentido prático o modo integral de vida do salvo por Jesus (1 Ts 5.23; Jo 17.17). É Cristo de dentro pra fora e da cabeça aos pés – é em Jesus e com Jesus o tempo todo! Silvio Costa
http://cristaocapixaba.blogspot.com

sábado, 27 de agosto de 2016

Jesus Quebra os Paradigmas

A Bíblia conta que Jesus, estava cansado e sedento, puxou conversa com uma samaritana junto ao poço de Jacó e lhe pediu água para beber. Nos tempos bíblicos os judeus não se davam com samaritanos.

A mulher, aliás, usa esse argumento para não oferecer-lhe água. Jesus, porém, ignorando essa realidade, continua a conversar com ela e mostra que ele era o Messias prometido, aquele que tinha uma água especial para oferecer às pessoas. E a quem bebesse dessa água, Cristo daria a vida eterna.

Quebrando paradigmas, Jesus aproximou-se de samaritanos, de cobradores de impostos, de prostitutas e os acolheu.

Sim, ao fazer aquilo que aparentemente não se podia fazer, segundo preceitos humanos, ele foi ao encontro de pessoas que eram discriminadas, revelando-lhes o seu evangelho, o seu amor.

Será que nós, a exemplo de Jesus, temos ido ao encontro dos que estão presos, daqueles que vivem errantes nas ruas, embaixo de pontes ou viadutos, dos que usam seu corpo para ganhar dinheiro através da prostituição, dos bêbados ou viciados na maconha ou no crack, para anunciar-lhes que em Cristo há perdão e poder para que mudem suas vidas? (1 Co 6.9-11).

O que eu acho mais lindo nas histórias relatadas na Bíblia a respeito de Jesus Cristo, é que Ele nunca se importou com as falácias dos fariseus, a respeito de sua atuação e do seu ministério, Jesus simplesmente está focado nos esforços de fazer o bem, restaurar, construir, mostrar para os doutores daquela época, que a erudição que eles tinham acerca da palavra de Deus estavam totalmente ultrapassadas.

Vejamos agora as passagens em que Jesus quebras as regras:

1. O homem da mão mirrada

( Mt 12:9-13) “Partindo dali, chegou à sinagoga deles.

(V10) E, estava ali um homem que tinha uma das mãos mirrada; e eles, para o acusarem, o interrogaram, dizendo: É lícito curar nos sábados? E ele lhes disse: Qual dentre vós será o homem que tendo uma ovelha, se num sábado ela cair numa cova, não lançará mão dela, e a levantará? Pois, quanto mais vale um homem do que uma ovelha? É, por conseqüência, lícito fazer bem nos sábados.

(V.13) Então disse àquele homem: Estende a tua mão. E ele a estendeu, e ficou sã como a outra. E os fariseus, tendo saído, formaram conselho contra ele, para o matarem. ”

Às vezes estamos tão presos a dogma, que criamos tantas regras, tantos meios para recebermos uma benção, que nos esquecemos do abençoador.

Enquanto Jesus diz simplesmente “ Estende a mão” logo a mão ficou curada.
E a minha pergunta é: Precisa oração disso? Oração daquilo? Unção com o óleo de Jerusalém? purificação com água do rio Jordão?

Se a palavra que estou lendo é a mesma que a sua, então leia e entenda que Cristo cura na hora que quer, liberta na hora que quer, sem precisar de meios, mas Ele é o meio, para curar, libertar, restaurar É Ele quem sonda nossos corações e conhece nossas necessidades, Nessa mesma palavra diz que não sabemos pedir o que é útil para nós (Rm 8:26).

Também está escrito que temos que ficar batendo, até Cristo se irritar e sair “Está bem eu vou te curar, mas tu é chato viu” peçam e vocês receberão, ( Mt 7:7-8)mas devemos entender que o momento é de Deus, Ele é quem sabe se você está preparado para receber.

2. Jesus cura a mulher com fluxo de sangue e ressuscita a filha de um dos dirigentes da sinagoga.

Como podemos ser uma bênção? É necessário ter uma mudança de paradigma.

O sacerdote deveria manter-se puro.

Nada poderá impedir que as profecias se cumpram! O Messias virá com poder e glória.

O imundo contamina o puro, um paradigma do povo de Israel

O judeu não podia comer com um gentio. (At 11. 1 – 3)

Uma prostituta não podia tocar em um homem, pois ele ficaria imundo. ( Lc 7: 36- 50) 

3. Jesus quebrou este paradigma, permitindo que seus pés fossem lavados por uma mulher

O Santo purifica o imundo, Jesus veio quebrar paradigmas.

Qualquer área de nossa vida para a qual não temos esperança está sob a influência de uma mentira.

"para que vos lembreis de todos os meus mandamentos, e os cumprais, e santos sereis a vosso Deus." (Nm 15. 40)

Jesus quebrou o paradigma: "o puro santificou o impuro", novo paradigma, aleluia!

4. Jesus orou e tocou em uma menina que estava morta.


5. Jesus tocou em leprosos: se tu quiseres, pode me curar, está bem eu quero “fica limpo” (Mt 8:1-3)


6. A mulher samaritana

Jesus fazia uma viagem a pé com os discípulos. Durante o percurso, pararam junto a uma fonte de água para descansar. (Jo 4. 3 – 30)

Ali Jesus encontrou uma mulher da cidade de Samaria que fora ao poço para apanhar água. Jesus pediu um pouco daquela água para beber e, então, se iniciou um diálogo que transformou a vida daquela mulher.

Jesus deixou a Judéia (v.3) - Região ao sul da Palestina, onde estava localizada a cidade de Jerusalém, retirando-se outra vez para a Galiléia (v. 3): Região ao norte da Palestina, próxima a Síria. Ali Jesus passou a maior parte de sua vida.

Samaria (v.4): Região intermediária entre o norte e o sul, que era evitada por judeus. Para ir do norte ao sul, os judeus circundavam a província de Samaria, seguindo o vale do Jordão para o norte. A primeira quebra de regra é que a rota seguida por Jesus incluía passar pela cidade samaritana de nome Sicar, que ficava perto das terras que Jacó dera a José, seu Filho.

V. 6 – Jesus cansado da viagem precisou parar, pois tinha fome e sede. Pára exatamente junto ao poço de Jacó.

Poço de Jacó (v.12): Fica a 800 metros ao sul de Sicar, na estrada alta de Jerusalém, onde o caminho faz uma curva para entrar num vale situado entre o monte Gerizim e o monte Ebal. Está situado perto da tumba de José, no terreno adquirido por Jacó e, segundo os estudiosos, é um dos lugares mais autênticos de todas as terras bíblicas.

O poço tem uma profundidade de 32 (trinta e dois) metros, mas devido aos muitos turistas que empurravam ou lançavam pedras no poço a fim de escutar quanto tempo a pedra demorava a chegar à água, sua profundidade foi reduzida pouco a pouco até chegar a 23 (vinte e três) metros.

Mede 2,3 metros de circunferência. A água é fria e refrescante, já que o poço é profundo e é não só uma cisterna, mas um manancial, ou seja, alimenta-se tanto de água da superfície como de uma fonte subterrânea.

Era a Hora Sexta (v.6): ou seja, meio-dia sob forte calor. Junto à fonte de Jacó, Jesus encontrou ali a mulher de Samaritana.

Samaritanos (v.9): Habitantes de Samaria. Eram colonos enviados pelo rei da Assíria a fim de habitarem na terra de Israel depois do cativeiro e, portanto, eram desprezados pelos judeus (II Reis 17: 24-41).

Ao lermos o texto de 2 Reis 17, é possível entender que quando lá chegaram não temia ao Senhor, por isso o Senhor mandou leões que devoraram a muitos.

Por essa razão o rei da Assíria ordenou que trouxessem um dos sacerdotes que fora levado e as palavras do rei eram: “e lhes ensine o que exige o Deus da terra” (verso 27). Foram ensinados a temer ao Senhor, diz o verso 28.

No tempo de Zorobabel (líder dos judeus que voltaram do cativeiro) tentaram, em vão, fazer uma aliança com os retornados do cativeiro na edificação do templo (Esdras 4:2-3). Eles disseram: “Deixa-nos edificar convosco, porque como vós buscastes o vosso Deus”.

Tinham um templo no monte Gerizim e foram caridosamente tratados por Cristo. Veja a parábola do bom samaritano (Lc 10.30).

Vale lembrar que dissemos que Jesus quebrou a primeira regra ao passar por Samaria, pois bem, a segunda regra quebrada por Jesus foi que se dirigiu a uma mulher.

Passou por Samaria

Falou com uma mulher em público – os fariseus evitavam contato com qualquer mulher não parente; Dirigiu-se a uma Samaritana – na opinião dos rabinos os samaritanos eram ritualmente imundos;

Ensinou a uma mulher – os fariseus opinavam que era melhor queimar a Tora (a lei de Deus) do que entregá-la a uma mulher. No verso 22 o Senhor Jesus diz a mulher: ”vós os samaritanos adorais o que não conheceis. Nós adoramos o que conhecemos”.

Todavia Jesus era um ganhador de almas, por isso mesmo ele: Abre o diálogo fazendo um pedido: “Dá-me de beber”;

Suscita curiosidade: “como sendo tu Judeu pede de beber a mim que sou mulher samaritana”;

Provoca interesse profundo ao dizer: “se conheceras o dom de Deus e quem é o que vos pede: dá-me de beber, tu lhe pedirias e ele te daria água viva”;

Transforma o interesse em convicção de pecado (vv. 16-18); Revela quem Ele é (vv. 19 e 26);

Cria o deseja de testemunhar (vv. 28 e 29) – “vinde, vede um homem que me disse tudo o que tenho feito. Poderia ser este o Cristo?”

Reflexões

Os judeus evitavam os samaritanos por questões raciais e religiosas, mas Jesus não tinha tais preconceitos. Para ele era necessário passar por todos os lugares onde houvesse alguém necessitando de sua presença para ouvir as boas novas de salvação.

Ainda hoje é necessário, para ele, passar na vida de todos nós. No diálogo com a mulher samaritana, Jesus ofereceu-lhe "água viva". Qual a diferença entre a água do poço e a "água viva" oferecida por Jesus? (vv.10-14).

A expressão "água viva" é uma figura usada por Jesus Cristo para mostrar o interesse de Deus em preencher todas as nossas necessidades espirituais e saciar a ansiedade do homem em busca do verdadeiro significado da vida. Jesus sabia que aquela mulher tinha alguns problemas pessoais e mostrou-lhe que os conhecia (vv.16-18).

Da mesma maneira como Jesus sabia dos problemas que a mulher samaritana enfrentava, ele conhece os nossos e Seu profundo amor por nós, faz com que Ele se interesse também pelos nossos problemas.

Quando a mulher samaritana falou que o Messias viria e anunciaria todas as coisas e Jesus disse "Eu o sou, eu que falo contigo" (vv.25-26), Ele estava afirmando que Ele mesmo era o Messias prometido por Deus através dos profetas do Velho Testamento. Messias ou Cristo eram termos para designar o "Ungido de Deus" que ia libertar o povo de seus pecados

Do encontro com Jesus, a mulher samaritana pôde receber dele a "água viva" que sacia todas as necessidades espirituais do ser humano. Para que isso acontecesse a mulher samaritana passou pelo seguinte processo:

Reconheceu que Deus está onde quer que o busquemos em espírito e verdade (vv.20-24);

Reconheceu que Jesus Cristo não era apenas um profeta, mas o próprio Messias;
Creu em Jesus Cristo de tal forma que pôde testemunhar sobre os seus ensinos para os habitantes de sua cidade (vv.28-30).

Por tudo isso tornar-se importante fixarmos em nossas mentes que “a hora vem e já chegou” e que “Deus é Espírito e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade”.

O Apóstolo Paulo ao passar pela Grécia, na Cidade de Atenas, e deparar-se com um altar erigido “AO DEUS DESCONHECIDO”, inicia a sua evangelização dizendo: “Ora, esse que vós honrais sem conhecer é o que vos anuncio” (At 17. 23).

Era o que acontecia com os samaritanos: honravam ao Senhor porque foram ensinados a temê-lo, mas não o conhecia. No entanto, é necessário conhecê-lo e assim o declarou o profeta Oséias: “Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor (Os 4. 6)

Onde quer que um cristão vá, ele santifica a outros.

Deus habita em nós. Hoje o puro santifica o impuro, aleluia!

Deus nos separou do mundo e nos enviou para ele, para fazermos diferença onde vivemos.

Onde o cristão está o ambiente muda, pois é santuário do Deus vivo!

Somos sal da terra e luz do mundo. Precisamos fazer a diferença.

E você, quer ser santo, como Jesus é Santo? Agora é o momento!

Você é um vaso de santificação e pode ser uma bênção! Basta convidar ao Espírito Santo para habitar em seu coração.

Precisamos comunicar a vida de Jesus a outros, esta deve ser nossa missão.

Continue a influenciar e fazer a diferença para glória do Senhor Jesus.

Jesus quer transformar sua vida. Você está disposto? 

Jânio Santos de Oliveira

domingo, 21 de agosto de 2016

As Olimpíadas e o Atletismo Espiritual


A vida espiritual é diversas vezes comparada a esportes, principalmente envolvendo corrida e luta. Em 1 Coríntios capítulo 9 versos 24 e 25 Paulo compara a vida cristã com uma corrida no estádio. Certamente, ele estava fazendo referência aos jogos olímpicos da Grécia Antiga. Por mais que se esforçassem e vencessem, os prêmios recebidos pelos atletas era apenas coroas feitas de folhas de oliveira (por isso, ele diz que são coroas corruptíveis, e as comparam com as coroas desta vida).

A recomendação é que sejamos atletas de Cristo, atletas vencedores.

Observaremos alguns pontos comuns entre vida espiritual e esporte. Ei-los:

1. Esforçar-se pelo prêmio - "Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só é que recebe o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis." (1 Coríntios 9:24):

No esporte, é sempre exigido do atleta que ele se esmere, treine, ensaie, tenha garra, força, vontade, etc. Um atleta apático nunca vence. Um jogador que não está em forma não joga. É sempre assim. E que o se esmera ganha habilidade, técnica, se torna bom atleta.

NA VIDA ESPIRITUAL TAMBÉM SOMOS CHAMADOS PARA NOS ESFORÇAR

"E desde os dias de João, o Batista, até agora, o reino dos céus é tomado a força ..." (Mateus 11:12)

"Porfiai por entrar pela porta estreita; porque eu vos digo que muitos procurarão entrar, e não poderão." (Lucas 13:24)

"Esforçai-vos, e portai-vos varonilmente, ó filisteus, para que porventura não venhais a ser escravos dos hebreus, como eles o foram vossos; portai-vos varonilmente e pelejai." (1 Samuel 4:9)

"Eu vou pelo caminho de toda a terra; sê forte, pois, e porta-te como homem." (1 Reis 2:2)

"Esforça-te, e pelejemos varonilmente pelo nosso povo e pelas cidades do nosso Deus; e faça o Senhor o que bem lhe parecer." (1 Crônicas 19:13)

"Agora toma cuidado, porque o Senhor te escolheu para edificares uma casa para o santuário; esforça-te, e faze a obra." (1 Crônicas 28:10)

"Vós, porém, esforçai-vos, e não desfaleçam as vossas mãos; porque a vossa obra terá uma recompensa." (2 Crônicas 15:7)

2. Obstáculos diante do corredor - "Corríeis bem; quem vos impediu de obedecer à verdade?"(Gálatas 5:7):

Um dos esportes que definem bem o que são os obstáculos é a corrida com barreiras. O corredor corre e pula barreiras. Todo cuidado é pouco. Na vida espiritual existem diversas barreiras a serem vencidas. As barreiras da parte de Deus são chamadas de provação. As outras são chamadas de tentação e perseguição e vêm da parte do Diabo, da carne e do mundo.

Como todo atleta que se supera em busca da vitória, devemos superar as barreiras.

No Salmos capítulo18 verso 29 diz: "Pois contigo desbarato exércitos, com meu Deus salto muralhas."

"Tenho-vos dito estas coisas, para que em mim tenhais paz. No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo." (João 16:33)

"Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto nas vides; ainda que falhe o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que o rebanho seja exterminado da malhada e nos currais não haja gado. Todavia eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação."(Habacuque 3:17-18)

3. Prosseguindo para o alvo - "Prossigo para o alvo pelo prêmio da vocação celestial de Deus em Cristo Jesus." (Filipenses 3:14):

Nenhum atleta compete só por competir. Todos querem a vitória, querem o reconhecimento. E é na busca desse ideal que o atleta fixa o seu alvo. Daí é que vemos como, por exemplos, ginastas chegam a passar de oito a dez horas por dia treinando para poder competir à altura dos grandes atletas.

Se não houver nenhum alvo definido na nossa vida, que motivação teremos para crescer na fé e na obra de Deus?

O atleta deve se apresentar aprovado: "Procura apresentar-te diante de Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade." (2 Timóteo 2:15)

4. Preparando-se para a competição - "Portanto, nós também, pois estamos rodeados de tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com perseverança a carreira que nos está proposta." (Hebreus 12:1):

O atleta deve estar preparado, tanto física como espiritualmente. O nervosismo, o medo e a falta de concentração podem definir vencedores e perdedores em diversas competições esportivas. Uma boa alimentação, um bom sono, concentração, e preparo físico são indispensáveis quando se quer atingir o alvo.

NA VIDA CRISTÃ, NOSSA PREPARAÇÃO É BASEADA EM: ORAÇÃO, LEITURA BÍBLICA, JEJUM E PRÁTICA.

5. Cuidados - "E também se um atleta lutar nos jogos públicos, não será coroado se não lutar legitimamente." (2 Timóteo 2:5):

"... O atleta não é coroado se não lutar segundo as normas", já dizia Paulo. Todo esporte tem suas regras, e o atleta tem que estar conforme a essas regras para não ser desqualificado.

No futebol, por exemplo, o jogador de linha não pode colocar a mão na bola, agredir o adversário nem xingar a mãe do juiz, sob pena de ser punido. No boxe, o pugilista é proibido de desferir golpe baixo no adversário (soco abaixo da linha da cintura).

Da mesma forma, na vida espiritual existem diversas regras, que são os próprios mandamentos de Deus para nós. Em 1 João capítulo 5 verso 3, o Apóstolo diz que os mandamentos de Deus não são pesados, basta que tenhamos disciplina em nossa vida.

Um outro perigo e tentação que às vezes bate às portas dos atletas é o uso de substâncias anabolizantes, estimulantes físicos, para ganharem força e tirarem vantagens sobre os adversários. Muitos atletas têm sido pegos em exames anti-dopping, e são severamente punidos.

Quem não se lembra de Ben Johnson ou de Diego Maradona? Ganharam tudo, e perderam tudo.

O dopping leva o atleta a tirar vantagem do próximo, não importando o que este venha a sofrer. Um grande exemplo de dopping espiritual são os fermentos (que fazem a vida inchar):

"E Jesus disse-lhes: Adverti, e acautelai-vos do fermento dos fariseus e saduceus." (Mateus 16:6)

"E ordenou-lhes, dizendo: Olhai, guardai-vos do fermento dos fariseus e do fermento de Herodes."(Marcos 8:15)

"AJUNTANDO-SE entretanto muitos milhares de pessoas, de sorte que se atropelavam uns aos outros, começou a dizer aos seus discípulos: Acautelai-vos primeiramente do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia." (Lucas 12:1)

"Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa? Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós. Por isso façamos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade." (1 Coríntios 5:6-8)

"Um pouco de fermento leveda toda a massa." (Gálatas 5:9)

O FERMENTO É SÍMBOLO DE HIPOCRISIA, MALDADE E TODA ESPÉCIE DE PECADOS.

Outros tipos de dopping são:
A opressão: "Também não oprimirás o estrangeiro; pois vós conheceis o coração do estrangeiro, pois fostes estrangeiros na terra do Egito." (Êxodo 23:9); - "Não oprimirás o diarista pobre e necessitado de teus irmãos, ou de teus estrangeiros, que está na tua terra e nas tuas portas." (Deuteronômio 24:14); - "Não confieis na opressão, nem vos ensoberbeçais na rapina; se as vossas riquezas aumentam, não ponhais nelas o coração." (Salmos 62:10); -"O que oprime o pobre insulta àquele que o criou, mas o que se compadece do necessitado o honra." (Provérbios 14:31); - "O homem pobre que oprime os pobres é como a chuva impetuosa, que causa a falta de alimento." (Provérbios 28:3); - "Se vires em alguma província opressão do pobre, e violência do direito e da justiça, não te admires de tal procedimento; pois quem está altamente colocado tem superior que o vigia; e há mais altos do que eles."(Eclesiastes 5:8); - "Para desviarem os pobres do seu direito, e para arrebatarem o direito dos aflitos do meu povo; para despojarem as viúvas e roubarem os órfãos!" (Isaías 10:2); -"Presentes receberam no meio de ti para derramarem sangue; usura e juros ilícitos tomaste, e usaste de avareza com o teu próximo, oprimindo-o; mas de mim te esqueceste, diz o Senhor DEUS." (Ezequiel 22:12); - "Portanto, visto que pisais o pobre e dele exigis um tributo de trigo, edificastes casas de pedras lavradas, mas nelas não habitareis; vinhas desejáveis plantastes, mas não bebereis do seu vinho." (Amós 5:11)
A extorsão: "E chegaram também uns publicanos, para serem batizados, e disseram-lhe: Mestre, que devemos fazer? E ele lhes disse: Não peçais mais do que o que vos está ordenado." (Lucas 3:12-13)
Os maus tratos: "E uns soldados o interrogaram também, dizendo: E nós que faremos? E ele lhes disse: A ninguém trateis mal nem defraudeis, e contentai-vos com o vosso soldo." (Lucas 3:14)
A malícia: "Porém teve como pouco, nos seus propósitos, o pôr as mãos só em Mardoqueu (porque lhe haviam declarado de que povo era Mardoqueu); Hamã, pois, procurou destruir a todos os judeus, o povo de Mardoqueu, que havia em todo o reino de Assuero." (Ester 3:6); -"Aguçaram as línguas como a serpente; o veneno das víboras está debaixo dos seus lábios."(Salmos 140:3); - "Há uma geração cujos dentes são espadas, e cujas queixadas são facas, para consumirem da terra os aflitos, e os necessitados dentre os homens." (Provérbios 30:14); - "Chocam ovos de basilisco, e tecem teias de aranha; o que comer dos ovos deles, morrerá; e, quebrando-os, sairá uma víbora." (Isaías 59:5); - "Ouvindo eles isto, enfureciam-se em seus corações, e rangiam os dentes contra Estêvão." (Atos 7:54). Também é condenada na Bíblia: "Pelo que celebremos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da malícia e da corrupção, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade." (1 Coríntios 5:8); -"Irmãos, não sejais meninos no entendimento; na malícia, contudo, sede criancinhas, mas adultos no entendimento." (1 Coríntios14:20); - "Toda a amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmia sejam tiradas dentre vós, bem como toda a malícia." (Efésios 4:31); - "Mas agora despojai-vos também de tudo isto: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca." (Colossenses 3:8); - "Deixando, pois, toda a malícia, todo o engano, e fingimentos, e invejas, e toda a maledicência." (1 Pedro 2:1)


6. Disciplina:

Veja o que o atleta de Cristo deve ser:
Manso e humilde: "Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas." (Mateus 11:29);
Simples e prudente: "Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas." (Mateus 10:16);
Sóbrio e vigilante: "Sede sóbrios, vigiai. O vosso adversário, o Diabo, anda em derredor, rugindo como leão, e procurando a quem possa tragar." (1 Pedro 5:8);
Firme e constante: "Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor." (1 Coríntios 15:58);
Imitador de Cristo: "Sede meus imitadores, como também eu o sou de Cristo." (1 Coríntios 11:1); - "Irmãos, sede meus imitadores, e atentai para aqueles que andam conforme o exemplo que tendes em nós." (Filippenses 3:17);
Imitador de Deus: "Sede pois imitadores de Deus, como filhos amados." (Efésios 5:1);
Bênção: "Eu farei de ti uma grande nação; abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome; e tu, sê uma bênção." (Gênesis 12:2);
Fiel até a morte: "Não temas o que hás de padecer. Eis que o Diabo está para lançar alguns de vós na prisão, para que sejais provados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida." (Apocalipse 2:10);
Verdadeiro: "Eis as coisas que deveis fazer: Falai a verdade cada um com o seu próximo; executai juízo de verdade e de paz nas vossas portas." (Zacarias 8:16); - "Pelo que deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo, pois somos membros uns dos outros."(Efésios 4:25);
Responsável em tudo: "De modo que, tendo diferentes dons segundo a graça que nos foi dada, se é profecia, seja ela segundo a medida da fé; se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino; ou que exorta, use esse dom em exortar; o que reparte, faça-o com liberalidade; o que preside, com zelo; o que usa de misericórdia, com alegria."(Romanos 12:7-8);
Santo: "Porquanto está escrito: Sereis santos, porque eu sou santo." (1 Pedro 1:16);
Alegre: "Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai- vos." (Filipenses 4:4);
Grato a Deus: "Em tudo dai graças; porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco." (1 Tessalonicenses 5:18);
Perfeito: "Quando Abrão tinha noventa e nove anos, apareceu-lhe o Senhor e lhe disse: Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda em minha presença, e sê perfeito." (Gênesis 17:1); - "Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial." (Mateus 5:48);
Oportuno: "Andai em sabedoria para com os que estão de fora, usando bem cada oportunidade." (Colossenses 4:5);
Gentil: "Dá a todo o que te pedir; e ao que tomar o que é teu, não lho reclames." (Lucas 6:30)

7. Um bom final - "Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé." (2 Timóteo 4:7):

Melhor do que começar bem é poder dizer como Paulo: "Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé". Não adianta um time começar o campeonato de maneira arrassadora quando na metade começar a perder e ficar para trás.

Há alguns exemplos de homens na Bíblia, que começaram bem mais depois terminaram mal:
Saul (1 Samuel 10; cap. 31);
Uzias (1 Reis cap. 14; cap. 15; 2 Crônicas cap. 26);
Demas (Filemon v. 24; 2 Timóteo 4:10)

8. O prêmio ganho - "Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda." (2 Timóteo 4:8):

Diferentemente dos atletas deste mundo, que se matam por um troféu ou uma medalha, que um dia se destroem e dos quais não podem desfrutar depois da morte, a coroa dos atletas de Cristo vencedores é incorruptível:

"E todo aquele que luta, exerce domínio próprio em todas as coisas; ora, eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível, nós, porém, uma incorruptível." (1 Coríntios 9:25)

"Porque, qual é a nossa esperança, ou gozo, ou coroa de glória, diante de nosso Senhor Jesus na sua vinda? Porventura não o sois vós?" (1 Tessalonicenses 2:19)

"Bem-aventurado o homem que suporta a provação; porque, depois de aprovado, receberá a coroa da vida, que o Senhor prometeu aos que o amam." (Tiago 1:12)

"E, quando se manifestar o sumo Pastor, recebereis a imarcescível coroa da glória." (1 Pedro 5:4)

"Não temas o que hás de padecer. Eis que o Diabo está para lançar alguns de vós na prisão, para que sejais provados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida." (Apocalipse 2:10)

"Venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa." (Apocalipse 3:11)

Para cada uma das sete Igrejas da Ásia Menor, a quem Jesus Cristo mandou cartas, havia promessas "Ao vencedor":

"Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus." (Apocalipse 2:7)

"Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. O que vencer, de modo algum sofrerá o dado da segunda morte." (Apocalipse 2:11)

"Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao que vencer darei do maná escondido, e lhe darei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe." (Apocalipse 2:17)

"Ao que vencer, e ao que guardar as minhas obras até o fim, eu lhe darei autoridade sobre as nações." (Apocalipse 2:26)

"O que vencer será assim vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; antes confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos." (Apocalipse 3:5);

"A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, donde jamais sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, da parte do meu Deus, e também o meu novo nome." (Apocalipse 3:12)

"Ao que vencer, eu lhe concederei que se assente comigo no meu trono." (Apocalipse 3:21)

Com Cristo, "Nós somos mais que vencedores" (Romanos 8:37). Amém

http://casadosenhor.com.br/estudos/estudo.php?id=162&titulo=Atletismo%20Espiritual



sábado, 20 de agosto de 2016

Sobre o Voto Livre e Consciente

Não sou apolítico, sou servidor público que sirvo aos interesses partidários, ou seja, sou cidadão votante. O apolítico é o indivíduo que tem aversão à política, não segue, não acredita, não se posiciona a nada que se relaciona com política. Também não sou Político, pois não me ocupo de política para me relacionar com a vida social de uma coletividade; não sou estadista.

Estamos às vésperas das eleições municipais, quando teremos mais uma vez o direito de votar, exercendo plenamente a nossa cidadania. Bem, com toda essa liberdade democrática que temos e os cuidados da justiça brasileira, ainda há muita falta de conscientização por parte do eleitorado. No meio da nossa população, em todo o país, há ainda muitos eleitores incautos. O voto deve ser livre, consciente e secreto. Se for diferente disso, fere a democracia.

Votar Livre e Consciente. 
Isso ocorre quando o eleitor consciente da sua cidadania, após analisar minuciosamente a vida dos possíveis candidatos (caráter, história, vida pregressa, etc.), suas propostas (metas, plano de governo, valores éticos, idealismo político, etc.), vai à urna sem se deixar manipular por ideias de terceiros e nem tão pouco se vender por propostas mirabolantes. 

Esse deveria ser o único tipo de voto aceitável, mas, infelizmente não é assim que acontece. Veja outras maneiras ERRADAS de votar:


Votar por Protesto.  Quem assim faz, vota por votar, pois diz que todos os candidatos são iguais. Tanto faz “escolher” a candidato um animal “famoso” de um zoológico da cidade como um comediante de programa humorístico de TV.

Votar por Manipulação. Quem assim vota, não é consciente de seu papel de cidadão e não faz bom uso da liberdade de escolha. Deixa-se levar pelos números de pesquisas, por propagandas de marqueteiros, por ideias forjadas acerca de candidatos que nem conhecem.

Votar por Procuração. A pessoa que assim age, vota em candidato que nunca viu e nem sabe sua procedência, apenas pela indicação de um parente, de um amigo ou de um vizinho.

Votar por Chantagem.  O eleitor que já recebeu alguns benefícios ou favores de candidatos sente-se reféns na época da eleição, tendo que se submeter à imoral chantagem de “dar o retorno” em forma de apoio e de voto(s).

Votar por Corporativismo. Corporativismo é o agrupamento das classes. O ato de votar dos evangélicos e/ou dos católicos pode ser corporativista, se os líderes religiosos (pastores, padres) orientarem (ou obrigarem) seus fieis a votarem em seus candidatos. Se os sindicatos da CUT e organizações correlatas (outro setor que fomenta o voto coorporativo), indicarem “Fulano de Tal” como candidato, que palavra se daria a essa ação a não ser corporativista.

Votar por Compra. É votar em troca de dinheiro, através de cabo eleitoral ou diretamente entre candidato e eleitor. Antes de ser um ato nojento, se constitui um crime.

Votar por Estética. Quem vota assim, vota simplesmente pelo visual (“ele é bonito...”, “ela tem presença de palco...”, “Ele pratica esporte, é sarado...”). Esse tipo de voto nos faz lembrar o “caçador de marajás” das Alagoas (o ex-presidente Fernando Collor). Quem assim vota talvez faça um trocadilho entre “valores éticos” e “valores estéticos”.

Votar por Religiosidade. É votar em alguém que pertence a alguma comunidade cristã, baseado simplesmente no conceito de que “irmão vota em irmão”. Mas se esse “irmão” não tem nenhuma proposta política viável, não tem uma vida de conduta moral plausível, não tem capacidade de representar o seu segmento religioso?

Votar por Ilusão.  Aquele que assim faz, é levado pela ilusão da promessa de um cargo, de um emprego, um carro, uma casa, etc.

Votar por Tradição. É votar em um candidato que usa algum grau de parentesco para se eleger. “Vote em 'Betraninho', filho do senador Beltrano”, “vote em ‘Sperta’, esposa do deputado Sicrano”, “vote em ‘Conti Nuísta’, irmão do prefeito Fulano”…

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Sobre os Livros Apócrifos

Na Constituição Dogmática sobre Revelação Divina, o Concílio Vaticano II, no capítulo sobre Escritura Sagrada na Vida da Igreja, declarou que “Ela (a igreja) sempre considerou as Escrituras junto com a tradição sagrada como a regra suprema de fé, e sempre as considerará assim

Da declaração anterior, nós, os cristãos evangélicos, rejeitamos, desde logo, a tradição sagrada como regra de fé. Ficamos, pois, em terreno comum com os católicos romanos no que diz respeito às Escrituras. No entanto, nisto também existe uma diferença de suma importância. Isto tem relação com os livros do cânon do Velho Testamento. No livro Consultas dei Clero, parágrafo 207, se transcreve assim o decreto emitido pelo Concilio de Trento sobre as Sagradas Escrituras:

“Se alguém não receber como sagrados e canônicos estes livros inteiros, com todas as suas partes, tal como se encontram na Antiga Versão Vulgata, seja anátema.” Seguindo a mesma posição doutrinária, o Concilio Vaticano II, no capítulo sobre “A inspiração Divina e a Interpretação da Escritura Sagrada”, se pronunciou da seguinte maneira: “Aquelas realidades divinamente reveladas, contidas e apresentadas na Escritura Sagrada, foram reduzidas à escritura sob a inspiração do Espírito Santo. A Santa Madre Igreja, descansando sobre a crença dos apóstolos, sustenta que os livros, tanto do Velho como do Novo Testamento, em sua totalidade, com todas as suas partes, são sagrados e canônicos, porque, havendo sido escritos sob a inspiração do Espírito Santo, têm a Deus como seu autor e foram transmitidos Como tais à igreja mesma.”

Mas, quando a Igreja Católica Romana se refere ao cânon do Velho Testamento, ela inclui uma série de livros que os protestantes chamam de “Apócrifos” mas os católicos de “Deuterocanônicos”, os quais não aparecem nas versões evangélicas e hebraica da Bíblia. O resultado disto foi que na opinião popular dos católicos existem duas Bíblias: uma católica e a outra protestante. Mas semelhante asseveração não é certa. Só existe uma Bíblia, uma Palavra (escrita) de Deus. Em suas línguas originais (o hebraico e o grego), a Bíblia é uma só e igual para todos. O que nem sempre é igual são as versões ou traduções dela aos diferentes idiomas. Neste estudo iremos mostrar porque nós, cristãos evangélicos, não aceitamos os chamados, “Livros Apócrifos”, e conseqüentemente rejeitamos com provas sobejas, as alegações romanistas de que tais livros possuem canonicidade e inspiração divina.

APÓCRIFOS: O QUE SIGNIFICA?

Na realidade, os sentidos da palavra “apocrypha” refletem o problema que se manifesta nas duas concepções de sua canonicidade. No grego clássico, a palavra apocrypha significava “oculto” ou “difícil de entender”. Posteriormente, tomou o sentido de “esotérico” ou algo que só os iniciados podem entender; não os de fora. Na época de Irineu e de Jerônimo (séculos III e IV), o termo apocrypha veio a ser aplicado aos livros não-canônicos do Antigo Testamento, mesmo aos que foram classificados previamente como “pseudepígrafos”. Desde a era da Reforma, essa palavra tem sido usada para denotar os escritos judaicos não-canônicos originários do período intertestamentário. A questão diante de nós é a seguinte: verificar se os livros eram escondidos a fim de ser preservados, porque sua mensagem era profunda e espiritual ou porque eram espúrios e de confiabilidade duvidosa.

Natureza e número dos apócrifos do Antigo Testamento

Há quinze livros chamados apócrifos (catorze se a Epístola de Jeremias se unir a Baruque, como ocorre nas versões católicas de Douai). Com exceção de 2 Esdras, esses livros preenchem a lacuna existente entre Malaquias e Mateus e compreendem especificamente dois ou três séculos antes de Cristo.

Significado da palavra CÂNON e CANÔNICO

CÂNON – (de origem semítica, na língua hebraica “qãneh” em Ez 40.3; e no grego: “kanón” em Gl 6.16″), tem sido traduzido em nossas versões em português como, “regra”, “norma”.
Significado literal: vara ou instrumento de medir.

Significado figurado: Regra ou critérios que comprovam a autenticidade e inspiração dos livros bíblicos; Lista dos Escritos Sagrados; Sinônimo de ESCRITURAS – como a regra de fé e ação investida de autoridade divina.

Outros significados: Credo formulado (a doutrina da Igreja em Geral); Regras eclesiásticas (lista ou série de procedimentos)

CANÔNICO – Que está de acordo com o cânon. Em relação aos 66 livros da Bíblia hebraica e evangélica.

Significado da palavra PSEUDOEPÍGRAFO – Literalmente significa “escritos falsos” – Os apócrifos não são necessariamente escritos falsos, mas, sim não canônicos, embora, também contenham ensinos errados ou hereges.

DIFERENÇAS ENTRE AS BÍBLIAS HEBRAICAS, PROTESTANTES E CATÓLICAS.

Diferenças Básicas: 

1. Bíblia Hebraica – [a Bíblia dos judeus]

a) Contém somente os 39 livros do V.T.

b) Rejeitam os 27 do N.T. como inspirado. Também não aceitam Jesus como messias.

c) Não aceitam os livros apócrifos incluídos na Vulgata [versão Católico Romana)

2. Bíblia Protestante –

a) Aceita os 39 livros do V.T. e também os 27 do N.T.

b) Rejeita os livros apócrifos incluídos na Vulgata, como não canônicos

3. Bíblia Católica –

a) Contém os 39 livros do V.T. e os 27 do N.T.

b) Inclui na versão Vulgata, os livros apócrifos ou não canônicos que são: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruque, 1º e 2º de Macabeus, seis capítulos e dez versículos acrescentados no livro de Ester e dois capítulos de Daniel. A seguir a lista dos que se encontravam na Septuaginta:

LIVRO APÓCRIFO DA SEPTUAGINTA 

8 Baruque

1 3 Esdras 9 A Carta de Jeremias

2 4 Esdras 10 Os acréscimos de Daniel

3 Oração de Azarias 11 A Oração de Manassés

4 Tobias 12 1 Macabeus

5 Adições a Ester 13 2 Macabeus

6 A Sabedoria de Salomão 14 Judite

7 Eclesiástico (Também chamado de Sabedoria de Jesus, filho de Siraque)


COMO OS APÓCRIFOS FORAM APROVADOS

A Igreja Romana aprovou os apócrifos em 8 de Abril de 1546 como meio de combater a Reforma protestante. Nessa época os protestantes combatiam violentamente as doutrinas romanistas do purgatório, oração pelos mortos, salvação pelas obras, etc. Os romanistas viam nos apócrifos base para tais doutrinas, e apelaram para eles aprovando-os como canônicos.
Houve prós e contras dentro dessa própria igreja, como também depois. Nesse tempo os jesuítas exerciam muita influência no clero. Os debates sobre os apócrifos motivaram ataques dos dominicanos contra os franciscanos. O biblista católico John L. Mackenzie em seu “Dicionário Bíblico” sob o verbete, Cânone, comenta que no Concílio de Trento houve várias “controvérsias notadamente candentes” sobre a aprovação dos apócrifos. Mas o cardeal Pallavacini, em sua “História Eclesiástica” declara mais nitidamente que em pleno Concílio, 40 bispos dos 49 presentes travaram luta corporal, agarrado às barbas e batinas uns dos outros… Foi nesse ambiente “ESPIRITUAL”, que os apócrifos foram aprovados. A primeira edição da Bíblia católico-romana com os apócrifos deu-se em 1592, com autorização do papa Clemente VIII.

Os Reformadores protestantes publicaram a Bíblia com os apócrifos, colocando-os entre o Antigo e Novo Testamentos, não como livros inspirados, mas bons para a leitura e de valor literário histórico. Isto continuou até 1629. A famosa versão inglesa King James (Versão do Rei Tiago) de 1611 ainda os trouxe. Porém, após 1629 as igrejas reformadas excluíram totalmente os apócrifos das suas edições da Bíblia, e, “induziram a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira, sob pressão do puritanismo escocês, a declarar que não editaria Bíblias que tivessem os apócrifos, e de não colaborar com outras sociedades que incluíssem esses livros em suas edições.” Melhor assim, tendo em vista evitar confusão entre o povo simples, que nem sempre sabe discernir entre um livro canônico e um apócrifo e também pelo fato do que aconteceu com a Vulgata! Melhor editá-los separadamente.

PORQUE REJEITAMOS OS APÓCRIFOS

Há várias razões porque os protestantes rejeitam os Apócrifos. Eis algumas delas:

1. PORQUE COM O LIVRO DE MALAQUIAS O CÂNON BÍBLICO HAVIA SE ENCERRADO.

Depois de aproximadamente 435 a.C não houve mais acréscimos ao cânon do Antigo Testamento. A história do povo judeu foi registrada em outros escritos, tais como os livros dos Macabeus, mas eles não foram considerados dignos de inclusão na coleção das palavras de Deus que vinham dos anos anteriores.

Quando nos voltamos para a literatura judaica fora do Antigo Testamento percebemos que a crença de que haviam cessado as palavras divinamente autorizadas da parte de Deus é atestada de modo claro em várias vertentes da literatura extrabíblica.

· 1 Macabeus: (cerca de 100 a.c.), o autor escreve sobre o altar:

“Demoliram-no, pois, e depuseram as pedras sobre o monte da Morada conveniente, à espera de que viesse algum profeta e se pronunciasse a respeito” (l Mac 4.45-46). Aparentemente, eles não conheciam ninguém que poderia falar com a autoridade de Deus como os profetas do Antigo Testamento haviam feito. A lembrança de um profeta credenciado no meio do povo pertencia ao passado distante, pois o autor podia falar de um grande sofrimento, “qual não tinha havido desde o dia em que não mais aparecera um profeta no meio deles” (l Mac 9.27; 14.41).

· Josefo: (nascido em c. 37/38 d.C.) explicou: “Desde Artaxerxes até os nossos
dias foi escrita uma história completa, mas não foi julgada digna de crédito igual ao dos registros mais antigos, devido à falta de sucessão exata dos profetas” (Contra Apião 1:41) Essa declaração do maior historiador judeu do primeiro século cristão mostra que os escritos que agora fazem parte dos “apócrifos”, mas que ele (e muitos dos seus contemporâneos) não os consideravam dignos “de crédito igual” ao das obras agora conhecida por nós como Escrituras do Antigo Testamento. Segundo o ponto de vista de Josefo, nenhuma “palavra de Deus” foi acrescentada às Escrituras após cerca de 435 a.c.

· A literatura rabínica: reflete convicção semelhante em sua freqüente
declaração de que o Espírito Santo (em sua função de inspirador de profecias) havia se afastado de Israel “Após a morte dos últimos profetas, Ageu, Zacarias e Malaquias, o Espírito Santo afastou-se de Israel, mas eles ainda se beneficiavam do bath qôl” (Talmude Babilônico, Yomah 9b repetido em Sota 48b, Sanhedrín 11 a, e Midrash Rabbah sobre o Cântico dos Cânticos, 8.9.3).· A comunidade de Qumran: (seita judaica que nos legou os Manuscritos do Mar Morto) também esperava um profeta cujas palavras teriam autoridade para substituir qualquer regulamento existente (veja 1QS 9.11), e outras declarações semelhantes são encontradas em outros trechos da literatura judaica antiga (veja 2Baruc 85.3 Oração de Azarias 15). Assim, escritos posteriores a cerca de 435 a.C. em geral não eram aceitos pelo povo judeu como obras dotadas de autoridade igual à do restante das Escrituras.

· O Novo Testamento: não temos nenhum registro de alguma controvérsia entre
Jesus e os judeus sobre a extensão do cânon. Ao que parece,Jesus e seus discípulos de um lado e os líderes judeus ou o povo judeu, de outro, estavam plenamente de acordo em que acréscimos ao cânon do Antigo Testamento tinham cessado após os dias De Esdras, Neemias, Ester, Ageu, Zacarias e Malaquias. Esse fato é confirmado pelas citações do Antigo Testamento feitas por Jesus e pelos autores do Novo Testamento. Segundo uma contagem,Jesus e os autores do Novo Testamento citam mais de 295 vezes, várias partes das Escrituras do Antigo Testamento como palavras autorizadas por Deus, mas nem uma vez sequer citam alguma declaração extraída dos livros apócrifos ou qualquer outro escrito como se tivessem autoridade divina. A ausência completa de referência à outra literatura como palavra autorizada por Deus e as referências muito freqüentes a centenas de passagens no Antigo Testamento como dotadas de autoridade divina confirmam com grande força o fato de que os autores do Novo Testamento concordavam em que o cânon estabelecido do Antigo Testamento, nada mais nada menos, devia ser aceito como a verdadeira palavra de Deus.

2. PORQUE A INCLUSÃO DOS APÓCRIFOS FOI ACIDENTAL.

A conquista da Palestina por Alexandre, o Grande, ocasionou uma nova dispersão dos judeus por todo o império greco-macedônico. Pelo ano 300 antes de Cristo, a colônia de judeus na cidade de Alexandria, Egito, era numerosa, forte e fluente. Morrendo Alexandre, seu domínio dividiu-se em quatro remos, ficando o Egito sob a dinastia dos Ptolomeus. O segundo deles, Ptolomeu Filadelfo, foi grande amante das letras e preocupou-se com enriquecer a famosa biblioteca que seu pai havia fundado. Com este objetivo, muitos livros foram traduzidos para o grego. Naturalmente, as Escrituras Sagradas do povo hebreu foram levadas em conta, apreciando-se também a grande importância que teria a tradução da Bíblia de seus antepassados da Palestina para os judeus cuja língua vernácula era o grego.

Segundo um relato de Josefo, Sumo Sacerdote de Jerusalém Eleazar enviou, a pedido de Ptolomeu Filadelfo, uma embaixada de 72 tradutores a Alexandria, com um valioso manuscrito do Velho Testamento, do qual traduziram o Pentateuco. A tradução continuou depois, não se completando senão no ano 150 antes de Cristo.

Esta tradução, que se conhece com o nome de Septuaginta ou Versão dos Setenta (por terem sido 70, em número redondo, seus tradutores), foi aceita pelo Sinédrio judaico de Alexandria; mas, não havendo tanto zelo ali como na Palestina e devido às tendências helenistas contemporâneas, os tradutores alexandrinos fizeram adições e alterações e, finalmente, sete dos Livros Apócrifos foram acrescentados ao texto grego como Apêndice do Velho Testamento. Os estudiosos acham que foram unidos à Bíblia, por serem guardados juntamente com os rolos de livros canônicos, e quando foram iniciados os Códices, isto é , a escrituração da Bíblia inteira em um só volume, alguns escribas copiaram certos rolos apócrifos juntamente com os rolos canônicos.

Todos estes livros, com exceção de Judite, Eclesiástico, Baruque e 1 Macabeus, estavam escritos em grego, e a maioria deles foi escrita muitíssimos anos depois de o profeta Malaquias, o último dos profetas da Dispensação antiga, escrever o livro que leva o seu nome. O que se pode concluir daí é que, quando a Septuaginta era copiada, alguns livros não canônicos para os judeus eram também copiados. Isso também poderia ter ocorrido por ignorância quanto aos livros verdadeiramente canônicos. Pessoas não afeiçoadas ao judaísmo ou mesmo desinteressadas em distinguir livros canônicos dos não canônicos tinham por igual valor todos os livros, fossem eles originalmente recebidos como sagrados pelos judeus ou não. Mesmo aqueles que não tinham os demais livros judaicos como canônicos certamente também copiavam estes livros, não por considerá-los sagrados, mas apenas para serem lidos. Por que não copiar livros tão antigos e interessantes? Estes livros, entretanto, têm a importância de refletir o estado do povo judeu e o caráter de sua vida intelectual e religiosa durante as várias épocas que representam, particularmente, a do período chamado intertestamentário (entre Malaquias e João Batista, de 400 anos); é, talvez, por estas razões que os tradutores os juntaram ao texto grego da Bíblia, mas os judeus da Palestina nunca os aceitaram no cânon de seus livros sagrados.

3. TESTEMUNHAS CONTRA OS APÓCRIFOS

Traremos agora o depoimento de várias personagens históricas que depõe contra a lista canônica “Alexandrina”, como consta na Septuaginta, Vulgata e em todas as versões das Bíblias católicas existentes. Pelo peso de autoridade que representam esses vultos, são provas mais do que suficientes e esmagadoras contra a inclusão dos Apócrifos no Cânon bíblico.

Vejamos:

JOSEFO: A referência mais antiga ao cânon hebraico é do historiador judeu Josefo (37-95 AC). Em Contra Apionem ele escreve: “Não temos dezenas de milhares de livros, em desarmonia e conflitos, mas só vinte e dois, contendo o registro de toda a história, os quais, conforme se crê, com justiça, são divinos.” Depois de referir-se aos cinco livros de Moisés, aos treze livros dos profetas, e aos demais escritos (os quais “incluem hinos a Deus e conselhos pelos quais os homens podem pautar suas vidas”), ele continua afirmando:
“Desde Artaxerxes (sucessor de Xerxes) até nossos dias, tudo tem sido registrado, mas não tem sido considerado digno de tanto crédito quanto aquilo que precedeu a esta época, visto que a sucessão dos profetas cessou. Mas a fé que depositamos em nossos próprios escritos é percebida através de nossa conduta; pois, apesar de ter-se passado tanto tempo, ninguém jamais ousou acrescentar coisa alguma a eles, nem tirar deles coisa alguma, nem alterar neles qualquer coisa que seja”

Josefo é suficientemente claro. Como historiador judeu, ele é fonte fidedigna. Eram apenas vinte e dois os livros do cânon hebraico agrupados nas três divisões do cânon massorético. E desde a época de Malaquias (Artaxerxes, 464-424) até a sua época nada se lhe havia sido acrescentado. Outros livros foram escritos, mas não eram considerados canônicos, com a autoridade divina dos vinte e dois livros mencionados.

ORÍGENES: No terceiro século d.C, Orígenes (que morreu em 254) deixou um catálogo de vinte e dois livros do Antigo Testamento que foi preservado na História Eclesiástica de Eusébio, VI: 25. Inclui a mesma lista do cânone de vinte e dois livros de Josefo (e do Texto Massorético) inclusive Ester, mas nenhum dos apócrifos é declarado canônico, e se diz explicitamente que os livros de Macabeus estão “fora desses [livros canônicos]”

TERTULIANO: Aproximadamente contemporâneo de Orígenes era Tertuliano.
(160-250 dc) o primeiro dos País Latinos cujas obras ainda existem. Declara que os livros canônicos são vinte e quatro.

HILÁRIO: Hilário de Poitiers (305-366) os menciona como sendo vinte e dois.

ATANÁSIO: De modo semelhante, em 367 d.C., o grande líder da igreja, Atanásio, bispo de Alexandria, escreveu sua Carta Pascal e alistou todos os livros do nosso atual cânon do Novo Testamento e do Antigo Testamento, exceto Éster. Mencionou também alguns livros dos apócrifos, tais como a Sabedoria de Salomão, a Sabedoria de Sirac, Judite e Tobias, e disse que esses “não são na realidade incluídos no cânon, mas indicados pelos Pais para serem lidos por aqueles que recentemente se uniram a nós e que desejam instrução na palavra de bondade”.

JERONIMO: Jerônimo (340-420.dc.) propugnou, no Prologus Galeatus. A citação pertinente de Prologus Galeatus é a seguinte:

“Este prólogo, como vanguarda (principium) com capacete das Escrituras, pode ser aplicado a todos os Livros que traduzimos do Hebraico para o Latim, de tal maneira que possamos saber que tudo quanto é separado destes deve ser colocado entre os Apócrifos. Portanto, a sabedoria comumente chamada de Salomão, o livro de Jesus, filho de Siraque, e Judite e Tobias e o Pastor (supõe-se que seja o Pastor de Hermas), não fazem parte do cânon. Descobri o Primeiro Livro de Macabeus em Hebraico; o Segundo foi escrito em Grego, conforme testifica sua própria linguagem”.

Jerônimo, no seu prefácio aos Livros de Salomão, menciona ter descoberto Eclesiástico em Hebraico, mas declara em sua; convicção que a Sabedoria de Salomão teria sido originalmente composta em Grego e não em Hebraico, por demonstrar uma eloqüência tipicamente helenística. “E assim”, continua ele, “da mesma maneira pela qual a igreja lê Judite e Tobias e Macabeus (no culto público) mas não os recebe entre as Escrituras canônicas, assim também sejam estes dois livros úteis para a edificação do povo, mas não para estabelecer as doutrinas da Igreja”). e noutros trechos, prima pelo reconhecimento de apenas os vinte e dois livros contidos no hebraico, e a relegação dos livros apócrifos a uma posição secundária. Assim, no seu Comentário de Daniel, lançou dúvidas quanto à canonicidade da história de Suzana, baseando-se no fato que o jogo de palavras atribuído a Daniel na narrativa, só podia ser derivado do grego e não do hebraico (inferência: a história foi originalmente composta em grego). Do mesmo modo, em conexão com a história de Bel e a do Dragão, declara; “a objeção se soluciona facilmente ao asseverar que esta história especifica não está incluída no texto hebraico do livro de Daniel. Se, porém, alguém fosse comprovar que pertence ao cânone, seríamos obrigados a buscar uma outra resposta a esta objeção”

MELITO: A mais antiga lista cristã dos livros do Antigo Testamento que existe hoje é a de Melito, bispo de Sardes, que escreveu em cerca de 170 d.C.

“Quando cheguei ao Oriente e encontrei-me no lugar em que essas coisas foram proclamadas e feitas, e conheci com precisão os livros do Antigo Testamento, avaliei os fatos e os enviei a ti. São estes os seus nomes: cinco livros de Moisés, Gênesis, Êxodo, Números, Levítico, Deuteronômio,Josué, filho de Num, Juizes, Rute, quatro livros dos Remos,’0 dois livros de Crônicas, os Salmos de Davi, os Provérbios de Salomão e sua Sabedoria,” Eclesiastes, o Cântico dos Cânticos,Jó, os profetas Isaías,Jeremias, os Doze num único livro, Daniel, Ezequiel, Esdras.”

É digno de nota que Melito não menciona aqui nenhum livro dos apócrifos, mas inclui todos os nossos atuais livros do Antigo Testamento, exceto Éster. Mas as autoridades católicas passam por cima de todos esses testemunhos para manter, em sua teimosia, os Apócrifos! AS HERESIAS DOS APÓCRIFOS

Uma das grandes razões, talvez a principal delas, porque nós evangélicos rejeitamos os Apócrifos, é devido a grande quantidade de heresias que tais livros apresentam. Fora isso, existem também lendas absurdas e fictícias e graves erros históricos e geográficos, o que fazem os Apócrifos serem desqualificados como palavra de Deus. A seguir daremos um resumo de cada livro e logo a seguir mostraremos seus graves erros.


RESUMO:

TOBIAS (200 a.C.) – É uma história novelística sobre a bondade de Tobiel (pai de Tobias) e alguns milagres preparados pelo anjo Rafael.

Apresenta:

· justificação pelas obras – 4:7-11; 12:8
· mediação dos Santos – 12:12
· superstições – 6:5, 7-9, 19
· um anjo engana Tobias e o ensina a mentir 5:16 a 19


JUDITE (150 a.C.) É a História de uma heroína viúva e formosa que salva sua cidade enganando um general inimigo e decapitando-o. grande heresia é a própria história onde os fins justificam os meios.

BARUQUE (100 a.D.) – Apresenta-se como sendo escrito por Baruque, o cronista do profeta Jeremias, numa exortação aos judeus quando da destruição de Jerusalém. Porém, é de data muito posterior, quando da segunda destruição de Jerusalém, no pós-Cristo.
Traz entre outras coisas, a intercessão pelos mortos – 3:4.


ECLESIÁSTICO (180 a.C.) – É muito semelhante ao livro de Provérbios, não fosse as tantas heresias:

· justificação pelas obras – 3:33,34
· trato cruel aos escravos – 33:26 e 30; 42:1 e 5
· incentiva o ódio aos Samaritanos – 50:27 e 28

SABEDORIA DE SALOMAO (40 a.D.) – Livro escrito com finalidade exclusiva de lutar contra a incredulidade e idolatria do epicurismo (filosofia grega na era Cristã).
Apresenta:

· o corpo como prisão da alma – 9:15
· doutrina estranha sobre a origem e o destino da alma 8:19 e 20
· salvação pela sabedoria – 9:19

1 MACABEUS (100 a.C.) – Descreve a história de 3 irmãos da
família “Macabeus”, que no chamado período ínterbíblico (400 a.C. 3 a.D)
lutam contra inimigos dos judeus visando a preservação do seu povo e terra.

II MACABEUS (100 a.C.) – Não é a continuação do 1 Macabeus, mas um relato paralelo, cheio de lendas e prodígios de Judas Macabeu.

Apresenta:

· a oração pelos mortos – 12:44 – 46
· culto e missa pelos mortos – 12:43
· o próprio autor não se julga inspirado -15:38-40; 2:25-27
· intercessão pelos Santos – 7:28 e 15:14

ADIÇÕES A DANIEL:

capítulo 13 – A história de Suzana – segundo esta lenda Daniel salva Suzana num julgamento fictício baseado em falsos testemunhos.

capítulo 14 – Bel e o Dragão – Contém histórias sobre a necessidade da idolatria.
capítulo 3:24-90 – o cântico dos 3 jovens na fornalha.


LENDAS, ERROS E HERESIAS

1. Histórias fictícias, lendárias e absurdas

– Tobias 6.1-4 – “Partiu, pois, Tobias, e o cão o seguiu, e parou na primeira pousada junto ao rio Tigre. E saiu a lavar os pés, e eis que saiu da água um peixe monstruoso para o devorar. À sua vista, Tobias, espavorido, clamou em alta voz, dizendo: Senhor, ele lançou-se a mim. E o anjo disse disse-lhe: Pega-lhe pelas guerras, e puxa-o para ti. Tendo assim feito, puxou-o para terra, e o começou a palpitar a seus pés.

2. Erros Históricos e Geográficos

Os Apócrifos solapam a doutrina da inerrância porque esses livros incluem erros históricos e de outra natureza. Assim, se os Apócrifos são considerados parte das Escrituras, isso identifica erros na Palavra de Deus. Esses livros contêm erros históricos, geográficos e cronológicos, além de doutrinas obviamente heréticas; eles até aconselham atos imorais (Judite 9.1O,13). Os erros dos Apócrifos são freqüentemente apontados em obras de autoridade reconhecida. Por exemplo:

O erudito bíblico DL René Paehe comenta: “Exceto no caso de determinada informação histórica interessante (especialmente em 1. Macabeus) e alguns belos pensamentos morais (por exemplo Sabedoria de Salomão).

Tobias…

contém certos erros históricos e geográficos, tais como a suposição de que Senaqueribe era filho de Salmaneser (1 .15) em vez de Sargão II, e que Nínive foi tomado por Nabucodonosor e por Assuero (14.15) em vez de Nabopolassar e por Ciáxares… Judite não pode ser histórico porque contém erros evidentes… [Em 2 Macabeus] há também numerosas desordens e discrepâncias em assuntos cronológicos, históricos e numéricos, os quais refletem ignorância ou confusão..

HERESIAS

3. Ensinam Artes Mágicas ou de Feitiçaria como método de exorcismo

a) Tobias 6.5-9 – “Então disse o anjo: Tira as entranhas a esse peixe, e guarda, porque estas coisas te serão úteis. Feito isto, assou Tobias parte de sua carne, e levaram-na consigo para o caminho; salgaram o resto, para que lhes bastassem até chegassem a Ragés, cidade dos Medos. Então Tobias perguntou ao anjo e disse-lhe: Irmão Azarias, suplico-lhe que me digas de que remédio servirão estas partes do peixe, que tu me mandaste guardar: E o anjo, respondendo, disse-lhe: Se tu puseres um pedacinho do seu coração sobre brasas acesas , o seu fumo afugenta toda a casta de demônios, tanto do homem como da mulher, de sorte que não tornam mais a chegar a eles. E o fel é bom para untar os olhos que têm algumas névoas, e sararão”

b) Este ensino que o coração de um peixe tem o poder para expulsar toda espécie de demônios contradiz tudo o que a Bíblia diz sobre como enfrentar o demônio.
c) Deus jamais iria mandar um anjo seu, ensinar a um servo seu, como usar os métodos da macumba e da bruxaria para expulsar demônios.

d) Satanás não pode ser expelido pelos métodos enganosos da feitiçaria e bruxaria, e de fato ele não tem interesse nenhum em expelir demônios (Mt 12.26).
e) Um dos sinais apostólicos era a expulsão de demônios, e a única coisas que tiveram de usar foi o nome de Jesus (Mc 16.17; At 16.18)

4. Ensinam que Esmolas e Boas Obras – Limpam os Pecados e Salvam a Alma

a) Tobias 12.8, 9 – “É boa a oração acompanhada do jejum, dar esmola vale mais do que juntar tesouros de ouro; porque a esmola livra da morte (eterna), e é a que apaga os pecados, e faz encontrar a misericórdia e a vida eterna”.

Eclesiástico 3.33 – “A água apaga o fogo ardente, e a esmola resiste aos pecados”
b) Este é o primeiro ensino de Satanás, o mais terrível, e se encontrar basicamente em todas a seitas heréticas.

c) A Salvação por obras, destrói todo o valor da obra vicária de Cristo em favor do pecador. Se caridade e boas obras limpam nossos pecados, nós não precisamos do sangue de Cristo. Porém, a Bíblia não deixa dúvidas quanto o valor exclusivo do sangue como um único meio de remissão e perdão de pecados:

– Hb 9:11, 12, 22 – “Mas Cristo… por seu próprio sangue, entrou uma vez por todas no santo lugar, havendo obtido uma eterna redenção …sem derramamento de sangue não há remissão.”

– I Pe 1:18, 19 – “sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com precioso sangue, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha, o sangue de Cristo,”

d) Contradiz Bíblia toda. Ela declara que somente pela graça de Deus e o sangue de Cristo o homem pode alcançar justificação e completa redenção:

– Romanos 3.20, 24, 24 e 29 – “Ninguém será justificado diante dele pelas obras da lei… sendo justificados gratuitamente por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus. A quem Deus propôs no seu sangue. Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei”.5. Ensinam o Perdão dos pecados através das orações
a) Eclesiástico 3.4 – “O que ama a Deus implorará o perdão dos seus pecados, e se absterá de tornar a cair neles, e será ouvido na sua oração de todos os dias”.

b) O perdão dos pecados não está baseado na oração que se faz pedindo o perdão, não é fé na oração, e sim fé naquele que perdoa o pecado, a oração por si só, é uma boa obra que a ninguém pode salvar. Somente a oração de confissão e arrependimento baseadas na fé no sacrifício vicário de Cristo traz o perdão (Pv. 28.13; I Jo 1.9; I Jo 2.1,2)

6. Ensinam a Oração Pelos Mortos

a) 2 Macabeus 12:43-46 – “e tendo feito uma coleta, mandou 12 mil dracmas de prata a Jerusalém, para serem oferecidas em sacrifícios pelos pecados dos mortos, sentindo bem e religiosamente a ressurreição, (porque, se ele não esperasse que os que tinham sido mortos, haviam um dia de ressuscitar, teria por uma coisa supérflua e vã orar pelos defuntos); e porque ele considerava que aos que tinham falecido na piedade estava reservada uma grandíssima misericórdia. É, pois, um santo e salutar pensamento orar pelos mortos, para que sejam livres dos seus pecados”.

b) É neste texto falso, de um livro não canônico, que contradiz toda a Bíblia, que a Igreja Católica Romana baseia sua falta e herege doutrina do purgatório.

c) Este é novamente um ensino Satânico para desviar o homem da redenção exclusiva pelo sangue de Cristo, e não por orações que livram as almas do fogo de um lugar inventado pela mente doentia e apostata dos teólogos católicos romanos.

d) Após a morte o destino de todos os homens é selado, uns para perdição eterna e outros para a Salvação eterna – não existe meio de mudar o destinos de alguém após a sua morte. Veja Mt. 7:13,13; Lc 16.26

7. Ensinam a Existência de um Lugar Chamado PURGATÓRIO

a) Este é o ensino herético e satânico inventado pela Igreja Católica Romana, de que o homem, mesmo morrendo perdido, pode ter uma Segunda chance de Salvação.

b) Sabedoria 3.1-4 – “As almas dos justos estão na mão de Deus, e não os tocará o tormento da morte. Pareceu aos olhos dos insensatos que morriam; e a sua saída deste mundo foi considerada como uma aflição, e a sua separação de nós como um extermínio; mas eles estão em paz (no céu). E, se eles sofreram tormentos diante dos homens, a sua esperança está cheia de imortalidade”.

c) A Igreja Católica baseia a doutrina do purgatório na ultima parte deste texto, onde diz: ” E, se eles sofreram tormentos diante dos homens, a sua esperança está cheia de imortalidade”.

– Eles ensinam que o tormento em que o justo está, é o purgatório que o purifica para entrar na imortalidade.

– Isto é uma deturpação do próprio texto do livro apócrifo. De modo, que a igreja Católica é capaz de qualquer desonestidade textual, para manter suas heresias.

– Até porque, ganha muito dinheiro com as indulgências e missas rezadas pelos mortos.

d) Leia atentamente as seguinte textos das Escrituras, que mostram a impossibilidade do purgatório : I Jo 1.7; Hb 9.22; Lc 23.40-43; I6: 19-31; I Co 15:55-58; I Ts 4:12-17; Ap 14:13; Ec 12:7; Fp 1:23; Sl 49:7-8; II Tm 2:11-13; At 10:43)

8. Nos Livros Apócrifos Os Anjos Mentem

a) Tobias 5.15-19 – “E o anjo disse-lhe: Eu o conduzirei e to reconduzirei. Tobias respondeu: Peço-te que me digas de que família e de tribo és tu? O anjo Rafael disse-lhe: Procuras saber a família do mercenário, ou o mesmo mercenário que vá com teu filho? Mas para que te não ponhas em cuidados,, eu sou Azarias, filho do grande Ananias. E Tobias respondeu-lhe: Tu és de uma ilustre família. Mas peço-te que te não ofendas por eu desejar conhecer a tua geração.

b) Um anjo de Deus não poderia mentir sobre a sua identidade, sem violar a própria lei santa de Deus. Todos os anjos de Deus, foram verdadeiros quando lhes foi perguntado a sua identidade. Veja Lc 1.19

9. Mulher que Jejuava Todos os Dias de Sua Vida

a) Judite 8:5,6 – “e no andar superior de sua casa tinha feito para si um quarto retirado, no qual se conservava recolhida com as suas criadas, e, trazendo um cilício sobre os seus rins, jejuava todos os dias de sua vida, exceto nos sábados, e nas neomênias, d nas festas da casa de Israel”

b) Este texto legendário tem sido usado por romana relacionado com a canonização dos “santos” de idolatria. Em nenhuma parte da Bíblia jejuar todos os dias da vida é sinal de santidade. Cristo jejuou 40 dias e 40 noites e depois não jejuou mais.

c) O livro de Judite é claramente um produção humana, uma lenda inspirada pelo Diabo, para escravizar os homens aos ensinos da igreja Católica Romana.

10. Ensinam Atitudes Anticristãs, como: Vingança, Crueldade e Egoísmo

a) VINGANÇA – Judite 9:2

b) CRUELDADE e EGOÍSMO – Eclesiástico 12:6

c) Contraria o que a Bíblia diz sobre:

– Vingança (Rm 12.19, 17)

– Crueldade e Egoísmo ( Pv. 25:21,22; Rm 12:20; Jo 6:5; Mt 6:44-48)

A igreja Católica tenta defender a IMACULADA CONCEIÇÃO baseando em uma deturpação dos apócrifos (Sabedoria 8:9,20) – Contradizendo: Lc. 1.30-35; Sl 51:5; Rm 3:23)

Diante de tudo isso perguntamos: Merecem confiança os livros Apócrifos ? A resposta obvia é, NÃO.

RESPOSTAS ÀS OBJEÇÕES ROMANISTAS

Os livros apócrifos do Antigo Testamento têm recebido diferentes graus de aceitação pelos cristãos. A maior parte dos protestantes e dos judeus aceita que tenham valor religioso e mesmo histórico, sem terem, contudo, autoridade canônica. Os católicos romanos desde o Concilio de Trento têm aceito esses livros como canônicos. Mais recentemente, os católicos romanos têm defendido a idéia de uma deuterocanonicidade, mas os livros apócrifos ainda são usados para dar apoio a doutrinas extrabíblicas, tendo sido proclamados como livros de inspiração divina no Concílio de Trento. Outros grupos, como os anglicanos e várias igrejas ortodoxas, nutrem diferentes concepções a respeito dos livros apócrifos. A seguir apresentamos um resumo dos argumentos que em geral são aduzidos para a aceitação desses livros, na crença de que detêm algum tipo de canonicidade e suas respectivas refutações.


OBJEÇÃO CATÓLICA:

1. Alusões no Novo Testamento. O Novo Testamento reflete o pensamento e registra alguns acontecimentos dos apócrifos. Por exemplo, o livro de Hebreus fala de mulheres que receberam seus mortos pela ressurreição (Hebreus 11.35), e faz referência a 2 Macabeus 7 e 12. Os chamados apócrifos ou pseudepígrafos são também citados em sua amplitude pelo Novo Testamento (Jd 14,15; 2Tm 3.8).

REFUTAÇÃO: Apela-se freqüentemente ao fato que o Novo Testamento usualmente emprega a tradução da LXX ao citar o Antigo Testamento. Portanto, já que a LXX continha os Apócrifos, decerto os Apóstolos do Novo Testamento reconheciam a autoridade da LXX inteira conforme então se constituía. Além disto, argumentam, é um fato que ocasionalmente apela-se a obras fora do “Cânone Palestiniano”. Wíldeboer’ e Torrey” colecionaram todas as instâncias possíveis de tais citações ou alusões a obras apócrifas, incluindo-se várias que apenas são hipotéticas. Mas toda esta linha de argumentos é realmente irrelevante para a questão em pauta, sendo que nem se alega que qualquer uma destas fontes seja proveniente dos Apócrifos Romanos.Na maioria dos casos as obras que supostamente foram citadas desapareceram há muito tempo – obras tais como o Apocalipse de Elias e a Assunção de Moisés (da qual sobrou um fragmento latino). Só num único caso, a citação de Enoque 1:9 em Judas 14-16, é que a fonte citada sobreviveu. Há citações de autores gregos pagãos, também no Novo Testamento. Em Atos 17:28, Paulo cita de Arato, Phaenomena, linha 5; em 1 Coríntios 15:33, cita da comédia de Menander, Thais. Certamente ninguém poderia supor que citações tais como estas estabelecem a canonicidade ou de Arato ou de Menander. Pelo contrário, o testemunho do Novo Testamento é muito decisivo contra a canonicidade dos quatorze livros Apócrifos. Demais disso, a alegação de que em muitas partes os escritos do Novo Testamento refletem influências dos livros Apócrifos, é deveras frágil demais para ser sustentada, pois se fosse assim, o livro de Enoque citado por Judas seria digno de muito mais crédito no sentido de canonicidade do que os Apócrifos romanos. Judas citada versículos inteiros deste livro, enquanto os Apócrifos adotados nas Bíblias romanas não aparece nenhuma vez com citações inteira ou em partes. Seguindo o mesmo raciocínio dos católicos poderíamos então canoniza-lo também! Então dizemos que virtualmente todos os livros do Antigo Testamento são citados como sendo divinamente autorizados, ou pelo menos há alusão a eles como tais. Embora acabe de ser esclarecido que a mera citação não estabelece necessariamente a canonicidade, é inconcebível que os vários autores do Novo Testamento pudessem ter considerado como canônicos os quatorze livros dos Apócrifos Romanos, sem ter feito uso deles em citações ou alusões.

OBJEÇÃO CATÓLICA:

2. Emprego que o Novo Testamento faz da versão Septuaginta. A tradução grega do Antigo Testamento hebraico, em Alexandria, é conhecida como Septuaginta (LXX). Foi a versão que Jesus usou e é a versão mais citada pelos autores do Novo Testamento e pelos cristãos primitivos. A LXX continha os livros apócrifos. A presença desses livros na LXX dá apoio ao cânon alexandrino, mais amplo, do Antigo Testamento, em oposição ao cânon palestino, mais reduzido que os omite.

REFUTAÇÃO: Mas não é de modo nenhum certo que todos os livros na LXX foram considerados canônicos, mesmo pelos próprios judeus de Alexandria. Bem decisiva contra isto é a evidência de Filon de Alexandria (que viveu no primeiro século d.C.), assim como o judaísmo oficial em outros lugares e épocas. Apesar de ter citado freqüentemente os livros canônicos do “Cânone Palestiniano”, não faz uma citação sequer dos livros Apócrifos. Isto é impossível reconciliar com a teoria de um “Cânone Alexandrino” maior, a não ser que porventura alguns judeus de Alexandria não tivessem recebido este “Cânone Alexandrino” enquanto outros o reconheciam.

Em segundo lugar, relata-se de fontes fidedignas que a Versão Grega de Áquila foi aceita pelos judeus alexandrinos no segundo século d.C., apesar de não conter os livros Apócrifos. A dedução razoável desta evidência seria que (conforme o próprio Jerônimo esclareceu) os judeus de Alexandria resolveram incluir na sua edição do Antigo Testamento tanto os livros que reconheciam como sendo canônicos, como também os livros que eram “eclesiásticos” i,é., foram reconhecidos como sendo valiosos e edificantes, porém sem ser infalíveis.

Apoio adicional para esta suposição (que livros subcanônicos possam ter sido conservados e utilizados juntamente com os canônicos) foi recentemente descoberto nos achados da Caverna 4 de Cunrã. Ali, no coração da Palestina, onde seguramente o “Cânone Palestiniano” deve ter sido autoritativo, pelo menos dois livros Apócrifos se fazem representar – Eclesiástico e Tobias. Um fragmento de Tobias aparece num pedacinho de papiro, outro em couro; há também um fragmento em hebraico, escrito em couro. Vários fragmentos de Eclesiástico foram descobertos ali, e pelo menos na pequena quantidade representada, concordam bem exatamente com mss de Eclesiástico do século onze, descobertos na Genizá de Cairo na década de 1890. Quanto a isto, a Quarta Caverna de Cunrã também conservou obras pseudoepigráficas tais como o Testamento de Levi, em aramaico, o mesmo em hebraico, e o livro de Enoque (fragmentos de dez mss.diferentes!). Decerto, ninguém poderia argumentar com seriedade que os sectários tão estreitos de Cunrã consideravam como canônicas todas estas obras apócrifas e pseudoepigráficas só por causa de terem conservado cópias delas. A Palestina é que era o lar do cânon judaico, jamais a Alexandria, no Egito. O grande centro grego do saber pertencia no Egito, não tinha autoridade para saber com precisão que livros pertenciam ao Antigo Testamento judaico. Alexandria era o lugar da tradução apenas, não da canonização. O fato de a Septuaginta conter os apócrifo apenas comprova que os judeus alexandrinos traduziram os demais livros religiosos judaicos do período intertestamentário ao lado dos livros canônicos.

OBJEÇÃO CATÓLICA:

3. Os mais antigos manuscritos completos da Bíblia. Os mais antigos manuscritos gregos da Bíblia contêm os livros apócrifos inseridos entre os livros do Antigo Testamento. Os manuscritos Aleph (N), A e B, incluem esses livros, revelando que faziam parte da Bíblia cristã original.

REFUTAÇÃO: Isto, porém, é verdade apenas em parte. Certamente os Targuns aramaicos não os reconheceram. Nem sequer o Pesita siríaco na sua forma mais antiga continha um único livro apócrifo; foi apenas posteriormente que alguns deles foram acrescentados. Uma investigação mais cuidadosa desta reivindicação reduz a autoridade sobre a qual os Apócrifos se alicerçam a apenas uma versão antiga, a Septuaginta, e àquelas traduções posteriores (tais como a Itala, a Cóptica, a Etiópica, e a Siríaca posterior) que foram dela derivadas. Mesmo no caso da Septuaginta, os livros Apócrifos mantêm uma existência um pouco Incerta. O Códice Vaticano (“B”) não tem 1 e 2 Macabeus (canônicos segundo Roma), mas Inclui 1 Esdras (não-canônico segundo Roma). O Códice Sinaítico (“Alef”) omite Baruque (canônico segundo Roma), mas inclui 4 Macabeus (não-canônico segundo Roma). O Códice Alexandrino (“A”) contêm três livros apócrifos “não-canônicos”: 1 Esdras e 3 e 4 Macabeus. Então acontece que até os três mais antigos mss. da LXX demonstram considerável falta de certeza quanto aos livros que compõem a lista dos Apócrifos, e que os quatorze aceitáveis à Igreja Romana não são de modo algum substanciados pelo testemunho dos grandes unciais do quarto e do quinto séculos. Os escritores do Novo Testamento quase sempre fizeram citações da LXX, mas jamais mencionaram um livro sequer dentre os apócrifos. No máximo, a presença dos apócrifos nas Bíblias cristãs do século IV mostra que tais livros eram aceitos até certo ponto por alguns cristãos, naquela época. Isso não significa que os judeus ou os cristãos como um todo aceitassem esses livros como canônicos, isso sem mencionarmos a igreja universal, que nunca os teve na relação de livros canônicos.

OBJEÇÃO CATÓLICA:

4. A arte cristã primitiva. Alguns dos registros mais antigos da arte cristã refletem o uso dos apócrifos. As representações nas catacumbas às vezes se baseavam na história dos fieis registrada no período intertestamentário.

REFUTAÇÃO: As representações artísticas não constituem base para apurar a canonicidade dos apócrifos. As representações pintadas nas catacumbas, extraídas de livros apócrifos, apenas mostram que os crentes daquela era estavam cientes dos acontecimentos do período ínter-testamentário e os consideravam parte de sua herança religiosa. A arte cristã primitiva não decide nem resolve a questão da canonicidade dos apócrifos.

OBJEÇÃO CATÓLICA:

5. Os primeiros pais da igreja. Alguns dos mais antigos pais da igreja, de modo particular os do Ocidente, aceitaram e usaram os livros apócrifos em seu ensino e pregação. E até mesmo no Oriente, Clemente de Alexandria reconheceu 2 Esdras como inteiramente canônico. Orígenes acrescentou Macabeus bem como a Epístola de Jeremias à lista de livros bíblicos canônicos.

REFUTAÇÃO: Muitos dos grandes pais da igreja em seu começo, dos quais Melito (190), Orígenes (253), Eusébio de Cesaréia (339), Hilário de Poitiers (366), Atanásio (373 d.C), Cirilo de Jerusalém (386 d.C), Gregório Nazianzeno (390), Rufino (410), Jerônimo (420), depuseram contra os apócrifos. Nenhuns dos primeiros pais de envergadura da igreja primitiva, anteriores a Agostinho, aceitaram todos os livros apócrifos canonizados em Trento. Então será mais correto dizer que alguns dos escritores cristãos antigos pareciam fazer isto.

OBJEÇÃO CATÓLICA:

6. A influência de Agostinho. Agostinho (c. 354-430) elevou a tradição ocidental mais aberta, a respeito dos livros apócrifos, ao seu apogeu, ao atribuir-lhes categoria canônica. Ele influênciou os concílios da igreja, em Hipo (393 d.C.) e em Cartago (397 d.C.), que relacionaram os apócrifos como canônicos. A partir de então, a igreja ocidental passou a usar os apócrifos em seu culto público.

REFUTAÇÃO: O testemunho de Agostinho não é definitivo, nem isento de equívocos. Primeiramente, Agostinho às vezes faz supor que os apócrifos apenas tinham uma deuterocanonicidade (Cidade de Deus,18,36) e não canonicidade absoluta. Além disso, os Concílios de Hipo e de Cartago foram pequenos concílios locais, influenciados por Agostinho e pela tradição da Septuaginta grega. Nenhum estudioso hebreu qualificado teve presente em nenhum desses dois concílios. O especialista hebreu mais qualificado da época, Jerônimo, argumentou fortemente contra Agostinho, ao rejeitar a canocidade dos apócrifos. Jerônimo chegou a recusar-se a traduzir os apócrifos para o latim, ou mesmo incluí-los em suas versões em latim vulgar (Vugata latina). Só depois da morte de Jerônimo e praticamente por cima de seu cadáver, é que os livros apócrifos foram incorporaos à Vulgata latina. Além disso quando um antagonista apelou para uma passagem de 2 Macabeus para encerrar um argumento, Agostinho respondeu que sua causa era deveras fraca se tivesse que recorrer a um livro que não era da mesma categoria daqueles que eram recebidos e aceitos pelos judeus.

Esta defesa ambígua dos Apócrifos, da parte de Agostinho, é mais do que contrabalançada pela posição contrária adotada por Atanásio (que morreu em 365), tão reverenciado e altamente estimado tanto pelo Oriente como pelo Ocidente como sendo o campeão da ortodoxia trinitária. Na sua Trigésima Nona Carta, parágrafo 4, escreveu: “Há, pois, do Antigo Testamento vinte e dois livros”, e então relaciona os livros que são aqueles que se acham no TM (Texto Massorético), aproximadamente na mesma ordem na qual aparecem na Bíblia Protestante. Nos parágrafos 6 e 7 declara que os livros extrabíblico (Lê., os quatorze dos Apócrifos) não são incluídos no Cânone, mas meramente são “indicados para serem lidos”. Apesar disto, a Igreja Oriental mais tarde demonstrou uma tendência de concordar com a Igreja Ocidental em aceitar os Apócrifos (o segundo Concílio Trulano em Constantinopla, em 692). Mesmo assim, havia muitas pessoas que tinham suas reservas quanto a alguns dos quatorze, e finalmente, em Jerusalém, em 1672, a Igreja Grega reduziu o número de Apócrifos canônicos a quatro; Sabedoria, Eclesiástico, Tobias e Judite.OBJEÇÃO CATÓLICA:

7. O Concílio de Trento. Em 1546, o concilio católico romano do pós-Reforma, realizado em Trento, proclamou os livros apócrifos como canônicos, declarando o seguinte:

O sínodo […] recebe e venera […] todos os livros, tanto do Antigo Testamento como do Novo [incluindo-se os apócrifos] – entendendo que um único Deus é o Autor de ambos os testamentos […] como se houvessem sido ditados pela boca do próprio Cristo, ou pelo Espírito Santo […] se alguém não receber tais livros como sagrados e canônicos, em todas as suas partes, da forma em que têm sido usados e lidos na Igreja Católica […] seja anátema.

Desde esse concílio de Trento, os livros apócrifos foram considerados canônicos, detentores de autoridade espiritual para a Igreja Católica Romana.

REFUTAÇÃO: A ação do Concílio de Trento foi ao mesmo tempo polêmica e prejudicial. Em debates com Lutero, os católicos romanos haviam citado Macabeus, em apoio à oração pelos modos (v. 2Macabeus 12.45,46). Lutero e os protestantes que o seguiam desafiaram a canonicidade desse livro, citando o Novo Testamento, os primeiros pais da igreja e os mestres judeus, em apoio. O Concílio de Trento reagiu a Lutero canonizando os livros apócrifos. A ação do Concílio não foi apenas patentemente polêmica, foi também prejudicial, visto que nem os catorze livros apócrifos foram aceitos pelo Concílio. Primeiro e Segundo Esdras (3 e 4 Esdras dos católicos romanos; a versão católica de Douai denomina 1 e 2Esdras, respectivamente, os livros canônicos de Esdras e Neemias) e a Oração de Manassés foram rejeitados. A rejeição de 2Esdras é particularmente suspeita, porque contém um versículo muito forte contra a oração pelos mortos (2Esdras 7.105). Aliás, algum escriba medieval havia cortado essa seção dos manuscritos latinos de 2Esdras, sendo conhecida pelos manuscritos árabes, até ser reencontrada outra vez em latim por Robert L. Bentley, em 1874, numa biblioteca de Amiens, na França.

CATÓLICOS CONTRA OS APÓCRIFOS?

Essa decisão, em Trento, não refletiu uma anuência universal, indisputável, dentro da Igreja Católica. Os católicos não foram unânimes quanto a inspiração divina nesses livros. Lorraine Boetner (in Catolicismo Romano) cita o seguinte: “O papa Gregório, o grande, declarou que primeiro Macabeus, um livro apócrifo, não é canônico. Nessa exata época (da Reforma) o cardeal Cajetan, que se opusera a Lutero em Augsburgo, em 1518, publicou Comentário sobre todos os livros históricos fidedignos do Antigo Testamento, em 1532, omitindo os apócrifos. Antes ainda desse fato, o cardeal Ximenes havia feito distinção entre os apócrifos e o cânon do Antigo Testamento, em sua obra Poliglota com plutense (1514-1517), que por sinal foi aprovada pelo papa Leão X. Será que estes papas se enganaram? Se eles estavam certos, a decisão do Concílio de Trento estava errada. Se eles estavam errados, onde fica a infalibilidade do papa como mestre da doutrina?. Tendo em mente essa concepção, os protestantes em geral rejeitaram a decisão do Concílio de Trento, que não tivera base sólida.

OBJEÇÃO CATÓLICA:

8. Uso não-católico. As Bíblias protestantes desde a Reforma com freqüência continham os livros apócrifos. Na verdade, nas igrejas anglicanas os apócrifos são lidos regularmente nos cultos públicos, ao lado dos livros do Antigo e do Novo Testamento. Os apócrifos são também usados pelas igrejas de tradição ortodoxa oriental.

REFUTAÇÃO: O uso dos livros apócrifos entre igrejas ortodoxas, anglicanas e protestantes foi desigual e diferenciado. Algumas os usam no culto público. Muitas Bíblias contém traduções dos livros apócrifos, ainda que colocados numa seção à parte, em geral entre o Antigo e o Novo Testamento. Ainda que não-católicos façam uso dos livros apócrifos, nunca lhes deram a mesma autoridade canônica do resto da Bíblia. Os não-católicos usam os apócrifos em seus devocionais, mais do que na afirmação doutrinária.

OBJEÇÃO CATÓLICA:

9. A comunidade do Mar Morto. Os livros apócrifos foram encontrados entre os rolos da comunidade do Mar Morto, em Qumran. Alguns haviam sido escritos em hebraico, o que seria indício de terem sido usados por judeus palestinos antes da época de Jesus.

REFUTAÇÃO: Muitos livros não-canônicos foram descobertos em Qumran, dentre os quais comentários e manuais. Era uma biblioteca que continha numerosos livros não tidos como inspirados pela comunidade. Visto que na biblioteca de Qumran não se descobriram comentários nem citações autorizadas sobre os livros apócrifos, não existem evidências de que eram tidos como inspirados. Podemos presumir, portanto, que aquela comunidade cristã não considerava os apócrifos como canônicos. Ainda que se encontrassem evidências em contrário, o fato de esse grupo ser uma seita que se separa do judaísmo oficial mostraria ser natural que não fosse ortodoxo em todas as suas crenças. Tanto quanto podemos distinguir, contudo, esse grupo era ortodoxo à canonicidade do Antigo Testamento. Em outras palavras, não aceitavam a canonicidade dos livros apócrifos.Resumo e conclusão

Resumindo todos esses argumentos, essa postura afirma que o amplo emprego dos livros apócrifos por parte dos cristãos, desde os tempos mais primitivos, é evidência de sua aceitação pelo povo de Deus. Essa longa tradição culminou no reconhecimento oficial desses livros, no Concílio de Trento, como se tivessem sido inspirados por Deus. Mesmo não-católicos, até o presente momento, conferem aos livros apócrifos uma categoria de paracanônicos, o que se deduz do lugar que lhes dão em suas Bíblias e em suas igrejas.

O cânon do Antigo Testamento até a época de Neemias compreendia 22 (ou 24) livros em hebraico, que, nas Bíblias dos cristãos, seriam 39, como já se verificara por volta do século IV a.C. As objeções de menor monta a partir dessa época não mudaram o conteúdo do cânon. Foram os livros chamados apócrifos, escritos depois dessa época, que obtiveram grande circulação entre os cristãos, por causa da influência da tradução grega de Alexandria. Visto que alguns dos primeiros pais da igreja, de modo especial no Ocidente, mencionaram esses livros em seus escritos, a igreja (em grande parte por influência de Agostinho) deu-lhes uso mais amplo e eclesiástico. No entanto, até a época da Reforma esses livros não eram considerados canônicos. A canonização que receberam no Concílio de Trento não recebeu o apoio da história. A decisão desse Concílio foi polêmica e eivada de preconceito, como já o demonstramos.

Que os livros apócrifos, seja qual for o valor devocional ou eclesiástico que tiverem, não são canônicos, comprova-se pelos seguintes fatos:

1. A comunidade judaica jamais os aceitou como canônicos.

2. Não foram aceitos por Jesus, nem pelos autores do Novo Testamento.

3. A maior parte dos primeiros grandes pais da igreja rejeitou sua canonicidade.

4. Nenhum concilio da igreja os considerou canônicos senão no final do século IV.

5. Jerônimo, o grande especialista bíblico e tradutor da Vulgata, rejeitou fortemente os livros apócrifos.

6. Muitos estudiosos católicos romanos, ainda ao longo da Reforma, Rejeitaram os livros apócrifos.

7. Nenhuma igreja ortodoxa grega, anglicana ou protestante, até a presente data,
reconheceu os apócrifos como inspirados e canônicos, no sentido integral dessas palavras.

À vista desses fatos importantíssimos, torna-se absolutamente necessário que os cristãos de hoje jamais usem os livros apócrifos como se foram Palavra de Deus, nem os citem em apoio autorizado a qualquer doutrina cristã. Com efeito, quando examinados segundo os critérios elevados de canonicidade, estabelecidos, verificamos que aos livros apócrifos falta o seguinte:

1. Os apócrifos não reivindicam ser proféticos.

2. Não detém a autoridade de Deus. O prólogo do livro apócrifo Eclesiástico (180 a.C.)
diz:

“Muitos e excelentes ensinamentos nos foram transmitidos pela Lei, pelos profetas, e por outros escritores que vieram depois deles, o que torna Israel digno de louvor por sua doutrina e sua sabedoria, visto não somente os autores destes discursos tiveram de ser instruídos, também os próprios estrangeiros se podem tomar (por meio deles) muito hábeis tanto para falar como para escrever. Por isso, Jesus, meu avô, depois de se ter aplicado com grande cuidado à leitura da Lei, dos profetas e dos outros livros que nossos pais nos legaram, quis também escrever alguma coisa acerca da doutrina e sabedoria…Eu vos exorto, pois a ver com benevolência, e a empreender esta leitura com uma atenção particular e a perdoar-nos, se algumas vezes parecer que, ao reproduzir este retrato da soberania, somos incapazes de dar o sentido (claro) das expressões.” Este prólogo é um auto-reconhecimento da falibilidade humana.

3. Contêm erros históricos (v. Tobias 1.3-5 e 14.11) e graves heresias, como a oração pelos mortos (2Macabeus 12.45,46; 4).

4. Embora seu conteúdo tenha algum valor para a edificação nos momentos devocionais, na maior parte se trata de texto repetitivo; são textos que já se encontram nos livros canônicos.

5. Há evidente ausência de profecia, o que não ocorre nos livros canônicos.

6. Os apócrifos nada acrescentam ao nosso conhecimento das verdades messiânicas.

7. O povo de Deus, a quem os apócrifos teriam sido originalmente apresentados, recusou-os terminantemente.

A comunidade judaica nunca mudou de opinião a respeito dos livros apócrifos. Alguns cristãos têm sido menos rígidos e categóricos; mas, seja qual for o valor que se lhes atribui, fica evidente que a igreja como um todo nunca aceitou os livros apócrifos como Escrituras Sagradas.

“Eis as razões porque definitivamente rejeitamos os Apócrifos”

*Este estudo foi fruto de várias pesquisas em livros, enciclopédias, manuais, léxicos, dicionários e internet. Compilados e adaptados pela equipe editorial do C.A.C.P.


1. Merece Confiança o Antigo Testamento?, Gleason L. Archer. Jr. Ed. Vida Nova.

2. Introdução Bíblica, Norman Geisler e William Nix. Ed. Vida.

3. Panorama do Velho Testamento, Ângelo Gagliardi Jr. Ed. Vinde.

4. O Novo Comentário da Bíblia vol I, vários autores. Ed. Vida Nova.

5. Evidência Que Exige um Veredito vol I, Josh McDowell. Ed. Candeia.

6. Os Fatos sobre “O Catolicismo Romano”, John Ankerberg e John Weldon. Ed. Chamada da Meia-Noite.

7. O Catolicismo Romano, Adolfo Robleto. Ed. Juerp.

8. Estudos particulares de, Pr. José Laérton – IBR Emanuel – (085) 292-6204.(internet)

9. Estudos particulares de, Paulo R. B. Anglada.(internet)

10. Teologia Sistemática, Green. Ed. Vida Nova.

11. Anotações particulares do autor. Presb. Paulo Cristiano

CACP Ministério Apologéico
Prof. Paulo Cristiano da Silva
http://www.cacp.org.br/por-que-rejeitamos-os-apocrifos/
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