domingo, 27 de outubro de 2019

Oh! Se fendesses os céus e descesses!


“Oh! Se fendesses os céus e descesses"! (Is 64.1).

Com a vitória dos persas sobre os babilônicos em 539 a.C., mudam as condições de vida tanto dos israelitas exilados como dos remanescentes. Aos exilados é permitido regressar à sua pátria. Começa a reconstrução do templo e da cidade de Jerusalém.

O salmista implora por uma epifania, pelo advento do Deus Eterno. Com a vinda do Senhor, as dores reinantes serão superadas e a dor e o lamento deixarão de existir. O “rasgar os céus” é uma imagem única no Antigo Testamento. Ela representa o ato de Deus atravessar as nuvens para descer. É provável que esteja inspirada na tradição do Sinai coberto de nuvens (Êx 19.9; 18.20; 24.15b-18a).

Uma nova súplica pela intervenção de Deus. Essa intervenção é imaginada como uma teofania, ou seja, uma manifestação de Deus ligada a fenômenos extraordinários e temíveis da natureza. Rasgar os céus, fazer estremecer os montes, fogo, “coisas terríveis”. Se Deus tivesse se mostrado na história recente como naquelas terríveis teofanias, fazendo coisas maravilhosas, nem sequer esperadas nem sabidas de antemão, teria sido diferente a situação nesse momento.

Por causa de suas iniquidades, o ser humano é levado a “murchar como uma folha”. A folha murcha, mais tarde transformada em poeira, é varrida embora pelo vento. Se o Deus Eterno não está presente, não resta mais nada senão agarrar-se às próprias iniquidades, e isso é o mesmo que andar cambaleando, como na escuridão. Que o Deus Eterno ajude seu povo, que tinha caído sob severa condenação por causa do pecado. Faz seu apelo final, relembrando a relação de Deus como Pai com seu povo. O Deus Eterno é o Pai de Israel. Israel é o barro especial que a mão divina estava moldando para tornar-se um vaso especial. Mas parecia que o Senhor havia rejeitado o vaso por causa de suas falhas. E o profeta convidou o oleiro a terminar o trabalho que tinha planejado, não permitindo que seu esforço passado se reduzisse a nada.

O apelo final em que o profeta Isaías inclui, mais uma vez, a ideia de que Israel é o povo de Deus. É como se o profeta dissesse ao Deus Eterno: “Ainda é possível que intervenhas em nossa angústia presente”. Diante do desespero, é possível a esperança.
O povo de Deus sabe que, no passado, o Deus Eterno revelou-se como um Deus que age em favor dos seus.

O que o povo no Antigo Testamento, voltando do exílio, experimentava era uma situação no mínimo calamitosa: cidade invadida e destruída por seus inimigos, templo, lugar e espaço sagrado também destruídos. Além disso, a ocupação e a opressão de estrangeiros geravam dificuldades econômicas, habitacionais. Sem falar no sentimento de abandono. O povo sentia-se esquecido e abandonado por seu Deus, vivia como se fossem órfãos espirituais. A tudo isso se somava a constatação da própria culpa, o reconhecimento de que estavam afastados do caminho de Deus.

Poderíamos assim dizer que o nosso sofrimento se divide em duas dimensões: material e espiritual. No que se refere ao material, também experimentamos situações semelhantes às que viveu o povo que voltava do exílio. Quantas catástrofes nos últimos tempos! Quantas situações de perda material! Algumas situações acompanhadas de mais longe, outras vividas na própria pele.

Em nossa volta manifestam-se os traços evidentes da calamidade física e material em termos de habitação, educação, desemprego, baixo poder aquisitivo, hospitais sucateados, precariedade no atendimento médico e hospitalar, crescimento da violência, ameaça da volta da inflação, impostos altíssimos que não nos deixam respirar.

Já na esfera espiritual, ainda há uma identificação maior. Na comunidade em que vivemos, certamente não é difícil encontrar situações idênticas, até nos mínimos detalhes, com a situação vivida pelo povo que voltava arrasado e precisava recomeçar.
Cada um saberá melhor do que ninguém quais os problemas, as angústias e as manifestações de abandono em que se encontra sua comunidade.

O povo sabe da ação de Deus no passado e por isso atreve-se a suplicar pela intervenção de Deus e até a manifestar sua confiança na ação poderosa do Deus Eterno. Em que baseamos nós, nossa súplica e confiança? Certamente é em Jesus Cristo.

No tempo presente, o povo encontra-se numa situação calamitosa e sente-se abandonado por Deus. Apesar disso e baseado no que sabe do passado, suplica a intervenção de Deus e deposita toda a sua esperança na intervenção do Deus Salvador.
No tempo do profeta Isaías, o povo reunia-se para suplicar pela intervenção de Deus. Será que tal súplica seria possível hoje numa comunidade cristã, em vista da calamidade material e espiritual vivida por nós?

Interceder e pedir a intervenção de Deus para transformar a situação catastrófica de nosso mundo, é preparar a vinda de Cristo entre os seres humanos.

Ser o barro nas mãos do oleiro, deixar-se transformar, deixar-se moldar num recipiente do amor de Deus. Quem sabe essa é a maneira mais adequada de celebrar, demonstrando num gesto frágil e imperfeito o barro que somos como sinal da vinda última e definitiva do Deus Salvador. Uma imagem muito simpática, e talvez até já meio batida, é a do oleiro, do vaso de barro, dos cacos desse vaso que se recompõe, formando um novo recipiente.

Além dessa imagem do oleiro e do vaso, existem ações concretas que “ilustram” a vida das pessoas. Organizar a arrecadação de alimentos, roupas e brinquedos torna-se muito significativo. Deus está conosco. Não somos mais solitários, mas solidários. Emudece a argumentação da razão, fala a narração do coração.

Narra-se a história de um Deus que se fez criança, que não pergunta, mas faz. Que não responde, mas vive uma resposta. O menino que nasceu em Belém nos revela: Tudo possui um sentido concreto. É tão profundo que Deus mesmo quis assumi-lo. A estreiteza de nosso mundo, no qual Deus entrou, tem uma saída abençoada e um desfecho feliz.

Hoje, há um exército de cristãos frios, apáticos, sem entusiasmo, sem calor. Empolgam-se com futebol, com política, com cinema, com negócios, com dinheiro, mas não com Jesus. São cristãos, mas mentem. São cristãos, mas são impuros. São cristãos, mas são desonestos. São cristãos, mas são amigos do mundo. São cristãos, mas não batizados com fogo. Avivamento não é emocionalismo. Não é fuga. Não é novidade. Não é desvio. Avivamento é volta para Deus. É arrependimento. É santidade. É oração fervorosa. É amor à Palavra. É evangelização regada por lágrimas. É fogo do céu. Quando o fogo de Deus cai sobre o altar, os pecadores caem de joelhos. Quando a igreja perde o fogo de Deus, os pecadores perecem no fogo do inferno.   
    
O profeta Isaías, num profundo clamor pela intervenção sobrenatural de Deus na vida do seu povo, clamou: “Oh! Se fendesses os céus e descesses...” Isaías está sedento pela presença manifesta de Deus. Estava plenamente consciente de que nenhum poder da terra e nenhum recurso dos homens poderia trazer alento para o seu povo a não ser a presença de Deus. Essa é também a necessidade da igreja hoje. Somente a presença de Deus pode encher-nos de entusiasmo espiritual. Precisamos desesperadamente de uma visitação extraordinária de Deus em nossa vida, em nossa família, em nossa igreja. O avivamento acontece quando a igreja anseia por Deus como um sedento clama por água e como a terra seca anseia pelas chuvas torrenciais. O avivamento é uma vindicação pela glória de Deus. Quando Deus fende os céus e desce para inflamar a igreja, a glória de Deus se manifesta entre as nações e os inimigos de Deus temem o seu glorioso nome. Quando a igreja perde seu vigor espiritual, quando seus cultos se tornam apáticos e cheios de formalidade; quando as brasas vivas se cobrem de cinzas e os crentes se tornam indiferentes, abandonando o seu primeiro amor, o mundo se insurge contra Deus para zombar de seu santo nome. Ah! É tempo de clamar pela visitação extraordinária de Deus, para que ele fenda os céus e desça a fim de que os inimigos de Deus temam o seu santo nome. O avivamento acontece na igreja, mas transborda para o mundo. Quando Deus inflama o seu povo, o mundo reconhece que o nosso Deus é o único Senhor e teme o seu nome.

Isaías orou para que Deus viesse para destruir a criação! Ele queria que o Senhor viesse e se manifestasse para as nações. Observe com atenção: ele queria que Deus viesse como Ele veio no passado:"Quando fazias coisas terríveis, que não esperávamos, descias, e os montes tremiam à tua presença"

Notoriamente, Deus nunca saiu do céu literalmente, visivelmente, e de forma corpórea! Ele nunca tinha descido e destruído a criação antes! No entanto, o profeta disse que ele tinha feito! Esta é, inegavelmente, linguagem metafórica e hiperbólica para descrever a intervenção de Deus na história. Assim, o A.T. define e descreve a Segunda Vinda como um dia como os dias do Senhor no passado.

Desde a ressurreição e ascensão de nosso Senhor Jesus Cristo, o céu está permanentemente aberto.

O que Jesus consumou através de Sua morte e ressurreição é algo único e singular, que não existia antes em lugar algum e que deveríamos aproveitar muito mais pela fé.

Antes que Jesus viesse ao mundo e antes de Sua ascensão, o céu se abria apenas em certas ocasiões (revelações) e depois se fechava novamente.

A culpa do céu cerrado foi a queda em pecado, e desde então, com poucas exceções, se manteve assim até Jesus realizar a obra de salvação por todos nós. O pecado se interpunha entre os homens e Deus e impedia seu acesso a Ele. Apenas aqui e ali Deus abria o céu para transmitir alguma mensagem específica.

Vejamos um exemplo bíblico do que estou dizendo: “Aconteceu no trigésimo ano, no quinto dia do quarto mês, que, estando eu no meio dos exilados, junto ao rio Quebar, se abriram os céus, e eu tive visões de Deus” (Ez 1.1).

Obviamente os céus se abriram porque estavam fechados. Nessa abertura, o profeta teve visões de Deus. Uma se destaca de forma especial. Ezequiel viu o Messias, que é Deus (veja Fp 2.6ss.): 
“Por cima do firmamento que estava sobre a sua cabeça, havia algo semelhante a um trono, como uma safira; sobre esta espécie de trono, estava sentada uma figura semelhante a um homem. Vi-a como metal brilhante, como fogo ao redor dela, desde os seus lombos e daí para cima; e desde os seus lombos e daí para baixo, vi-a como fogo e um resplendor ao redor dela. Como o aspecto do arco que aparece na nuvem em dia de chuva, assim era o resplendor em redor. Esta era a aparência da glória do Senhor; vendo isso, caí com o rosto em terra e ouvi a voz de quem falava” (Ez 1.26-28).

Quando comparamos todo esse relato com as descrições encontradas no Apocalipse, vemos uma forte harmonia e uma semelhança impressionante (Ap 1.12-17; Ap 4.2,8).
Deus apareceu a Ezequiel em forma humana, o que certamente aponta para o Messias ainda antes de Sua vinda ao mundo. Mas como naquela ocasião Ele ainda não tinha chegado a esta terra, o céu necessariamente voltou a se fechar quando a visão cessou, vindo a se abrir de forma definitiva apenas quando o Messias entrou em cena.

Com a vinda do Messias apareceu no mundo, Aquele que Ezequiel vira séculos antes no céu que se abrira.

Quando o Senhor Jesus começou Seu ministério e foi batizado no rio Jordão, aconteceu o seguinte: “Batizado Jesus, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba, vindo sobre ele. E eis uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3.16-17). Após a queda em pecado, o céu nunca tinha se escancarado dessa forma para qualquer ser humano. Com Ezequiel a abertura do céu aconteceu para que ele recebesse revelações. Mas com o Filho de Deus isso ocorreu para confirmá-lo em Seu ministério.
Da próxima vez que você for orar ou exercer algum ministério para o Senhor, por favor, lembre-se de que o céu não precisa ser aberto antes, mas que ele está sempre aberto sobre você.

Na Sua primeira vinda, Jesus já anunciava o tempo em que o céu estaria aberto para sempre: “Em verdade, em verdade vos digo que vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem” (Jo 1.51). Jesus é a escada para o céu; por Ele chegamos ao céu e por Ele o céu vem até nós.

É curioso observar uma coisa que certamente tem seu significado: tanto a passagem de Ezequiel como a de João falam primeiro em descer e depois em subir. Por Jesus ter subido dos mortos primeiro, agora as bênçãos celestiais descem até nós.

Na Sua ascensão, Jesus adentrou os céus e mantém a porta aberta para sempre (ver Hb 4.14). O acesso ao Pai está livre. Aquilo que fora destruído pelo primeiro Adão foi restaurado por Jesus. A partir da subida de Jesus até o Pai não vemos mais a Bíblia dizendo que “os céus se abriram”, como foi dito a Ezequiel ou por ocasião do batismo de Jesus no Jordão.

A partir desse momento vemos o céu aberto sempre, constante e continuamente, já que não voltou a se fechar depois que Jesus entrou por ele.

Uma grandiosa indicação de que agora o céu está permanentemente aberto e que temos acesso direto ao Pai é o dom do Espírito Santo, enviado a nós a partir do céu. Ele é o vínculo perene entre nós e o céu aberto. “...pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o Evangelho, coisas essas que os anjos anelam perscrutar” (1 Pe 1.12).

Por essa razão Estêvão, cheio do Espírito Santo, podia dizer: “Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, em pé à destra de Deus” (At 7.56). Agora não lemos mais que “o céu se abriu” e sim “vejo os céus abertos”, porque não voltou a ser fechado depois que Jesus o abriu. Essa mesma realidade pode ser vista em outras situações semelhantes relatadas no Novo Testamento, como no caso de Pedro, de quem está escrito: 
“Então, vi o céu aberto e descendo um objeto como se fosse um grande lençol, o qual era baixado à terra pelas quatro pontas” (At 10.11). João testemunha no Apocalipse: “Depois destas coisas, olhei, e eis não somente uma porta aberta no céu, como também a primeira voz que ouvi, como de trombeta ao falar comigo, dizendo: Sobe para aqui, e te mostrarei o que deve acontecer depois destas coisas” (Ap 4.1; Ap 19.11).

Da próxima vez que você for orar ou exercer algum ministério para o Senhor, por favor, lembre-se de que o céu não precisa ser aberto antes, mas que ele está sempre aberto sobre você. Assim como a pedra do sepulcro foi removida e o túmulo não conseguiu reter Jesus, da mesma forma a porta do céu está aberta para cada um de nós: “Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hb 4.16).

Compilado por Maurício de Souza Lino

Principal fonte de pesquisa: Douglas, J.D., O novo dicionário da bíblia, 2ª ed. 1995, Ed. Vida Nova.
Fonte de pesquisa para algumas imagens: wikipedia.org e crystalinks.com
Este texto se encontra no 3º volume do livro:
O livro do profeta Isaías vol. 1; vol. 2; vol. 3 / The book of prophet Isaiah vol. 1; vol. 2; vol. 3
Norbert LiethChamada.com.br.
Pão Diário

sábado, 26 de outubro de 2019

Bálsamo de Gileade

A Bíblia fala diversas vezes sobre um bálsamo vindo da cidade de Gileade, uma região montanhosa a leste do rio Jordão, em Israel. O território de Gileade era fonte importante de especiarias e de ervas medicinais. Região a Leste do Rio Jordão e ao Norte do Rio Jaboque. Nessa região havia um bálsamo aromático, um líquido espesso que podia ser extraído das plantas. Esse bálsamo tinha poder terapêutico, era extremamente suave e perfumoso 

A planta de onde é extraída é real e o produto usado com fins medicinais, cosméticos e em rituais de adoração no Templo. Era um remédio muito conhecido nos tempos bíblicos. Na verdade, o bálsamo é uma solução medicinal e cosmética usada pelo homem desde os tempos mais remotos. 

A palavra Gileade é traduzida como Galaad, quer dizer pedregoso, lugar seguro, de conforto, de consolo. 

Durante cerca de 1000 anos, os antigos agricultores hebreus eram os únicos no mundo a cultivar esta planta exótica. 

Além dessa planta produzir um dos remédios mais importantes do mundo antigo, seu perfume era considerado o melhor do Império Romano. Acredita-se que era o primeiro ingrediente do incenso usado no Templo Sagrado e desde o período do Segundo Templo, usado como o óleo que ungia os reis de Israel. Desde o século VI, desapareceu, juntamente com o povo judeu. 

Parece que na Antiguidade era comum o bálsamo servir como um presente ou agrado a alguém (cf. Gênesis 43:11). O bálsamo é extraído de certas plantas. Com relação ao bálsamo de Gileade, não se sabe exatamente de qual planta ele era produzido. Algumas tentativas já foram feitas para determinar o tipo de árvore que dava origem a esse importante produto da época. 

Alguns estudiosos sugerem que o bálsamo de Gileade poderia ter sido produzido de algumas árvores encontradas na Palestina e na região do Egito. Por exemplo: a Balanites Aegyptiaca; a Pistachia Lentiscus; ou até a Commiphora Opobalsamum, uma árvore nativa do sul da Arábia. Inclusive, ainda hoje é produzida em Jericó uma substância do fruto da Balanites Aegyptiaca que é comercializada como sendo o “bálsamo de Gileade”. 

No entanto, tudo isso não passa de especulação. Um dos motivos é que muitas vezes o termo “Gileade” é aplicado na Bíblia de forma muito ampla. Dessa forma, esse nome designa uma região bem extensa, como por exemplo, toda a Transjordânia israelita. 

Também não se sabe exatamente se o bálsamo de Gileade era um tipo de loção ou uma goma; já que a palavra empregada originalmente para se referir a ele não é tão clara nesse sentido. Contudo, sabe-se que era muito valorizado tanto por suas qualidades curativas quanto por suas aplicações como cosmético. 

O bálsamo de Gileade era exportado para regiões como o Egito e Tiro. Isso era feito por caravanas comerciais que provavelmente vinham da Arábia e passavam por Gileade. 

O bálsamo de Gileade é citado na Bíblia desde o livro de Gênesis. O texto bíblico diz que José, filho de Jacó, foi vendido por seus irmãos a uma caravana de ismaelitas que vinha de Gileade com seus camelos carregados de bálsamo, mirra e outros produtos. 

Mas o significado do bálsamo de Gileade como um produto celebrado por suas propriedades curativas, também deu origem a uma aplicação metafórica na literatura profética. Nesse sentido, o profeta Jeremias escreve: “Acaso, não há bálsamo em Gileade? Ou não há lá medico? Por que, pois, não se realizou a cura da filha do meu povo?” (Jeremias 8:22). 

Nesse versículo Jeremias fala sobre o castigo de seu povo por causa do pecado. Ele lamentava profundamente a situação vivida pelos seus compatriotas, mas reconhecia que não havia qualquer remédio que pudesse aliviar a dor da destruição sobre Judá. Nenhum médico e nem mesmo o bálsamo de Gileade poderia curar aquela destruição. 

O povo havia procurado a cura para o seu mal em falsos médicos e remédios errados, que com seu engano, curavam superficialmente a ferida (Jeremias 8:11). Mas somente em Deus havia o verdadeiro bálsamo que poderia restaurar aquele povo de sua ruína. 

O mesmo profeta, ao registrar a palavra de juízo do Senhor contra o Egito, também usa a figura do bálsamo de Gileade. Ele escreve: “Sobe a Gileade e toma bálsamo, ó virgem filha do Egito; debalde multiplicas remédios, pois não há remédio para curar-te” (Jeremias 46:11). Algo semelhante também é dito sobre o juízo de Deus contra a Babilônia (Jeremias 51:8). 

De acordo com estudos, as caravanas, ricos comerciantes, enviados de reis e rainhas e até mesmo pessoas comuns viajavam até a região montanhosa de Gileade, atrás do milagroso bálsamo, com poderes medicinais. Apesar da dificuldade apresentada pela geografia local e do preço altíssimo, não mediam esforços a fim de obterem o precioso líquido de cor ouro retirado da resina ou goma das folhagens perfumadas da planta existente na região. 

Ele era usado para perfumar a pele e os cabelos, era uma especiaria de luxo, servia como presente valioso. Era também usado como remédio para o corpo doente. 

Em nossa jornada até o céu passamos por momentos de dores (alma e no corpo), dias de lutas que nos causam choro e desespero, faltam-nos forças para prosseguir. Em outros momentos nos deparamos com o mau cheiro desse mundo de pecado e de degradação moral, fedor este que tenta nos infectar e tirar de nós o doce perfume de Cristo. 

Hoje não precisamos viajar até a montanha de Gileade, nem gastarmos o que não temos. Jesus Cristo é o nosso bálsamo e o preço ele pagou na cruz do Calvário (Is 53), ele levou sobre si nossos pecados, nossas dores, nossas fraquezas e ainda nos perfuma com seu Espírito Santo. Basta somente crermos que assim como há um bálsamo em Gileade, que tem efeitos curativos e odorizadores, existe um Deus que nos cura e ainda nos perfuma, para fazermos a diferença em nossas famílias, igreja, onde quer que coloquemos as plantas de nossos pés.

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Olhando Para o Alto

Fomos chamados para viver acima das circunstâncias e ter os nossos olhos no Senhor. As Escrituras Sagradas nos dizem que Satanás veio para roubar, matar e destruir (Jo 10.10). Esta era uma das menções bíblicas que eu mais gostava de pregar, dando ênfase ao fato de que Cristo, por sua vez, veio para nos dar vida e vida com abundância.

Eu sempre dizia que o diabo vive tentando roubar a saúde, o dinheiro e a família de cada vivente, pois ele não quer que ninguém seja feliz sob as bênçãos de Deus. Mas o fato é que o diabo não está tão preocupado com estas coisas, elas não são seu verdadeiro alvo. O que ele verdadeiramente quer é roubar nossa fé e relacionamento com Deus. Este é seu fim, seu grande objetivo; mas roubar a saúde, o dinheiro e a família, são MEIOS QUE ELE USA para tentar conseguir chegar onde realmente quer.

Portanto, precisamos aprender a viver olhando para o alto, com nossos olhos fixos no Senhor em todo tempo, independentemente das circunstâncias à nossa volta. E o processo de ser mais que vencedor tem a ver com isto. No fim da prova Deus não somente nos dá a vitória, como também nos ensina a apegarmo-nos mais a Ele, vivendo acima das situações externas.

A geração atual de crentes vive olhando somente para as coisas terrenas, não tem seus olhos em Deus. Nossa pregação praticamente só enfatiza o que é terreno, quase não se leva as pessoas a olharem o celestial; mas segundo a exortação bíblica, devemos levantar nossos olhos:

“Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra; porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus.” (Colossenses 3.1-3)

Note o mandamento da Palavra que vem como um imperativo: Buscai e pensai nas coisas do alto, não nas que são da terra. Em toda a Bíblia encontraremos advertências quanto à termos nossos olhos no alto em vez de na terra.

No Tabernáculo de Moisés, que Deus o mandou construir segundo o exato modelo das visões que ele teve no monte, é impressionante a ênfase figurada que o Senhor deu deste assunto. Quando mandou Moisés fazer as quatro coberturas que se sobrepunham como teto da tenda da revelação, o Pai Celestial mandou que elas fossem todas bordadas, embelezadas; eram um verdadeiro espetáculo artesanal que ninguém hoje poderia reproduzir, pois a arte não era meramente humana, Deus havia enchido os artesãos com seu Espírito para que pudessem executar o modelo divino ordenado.

Portanto, quando alguém entrava na tenda da revelação, se queria ver algo belo tinha que olhar para cima, para o alto. Mas se conservasse seus olhos no chão não veria beleza alguma, pois Deus nunca mandou que fizessem nenhum tipo de piso, aonde acampavam utilizavam-se da própria terra do local. Enquanto o teto era indescritivelmente belo, o chão era feio, de terra. Assim também é na vida cristã, a beleza do andar com Deus está quando aprendemos a olhar para o alto, para Deus mesmo e as coisas celestiais; não há beleza numa vida de preocupação somente com o terreno.

Não há nada espiritualmente belo num evangelho que só prega sobre o dinheiro e os caprichos deste mundo como se isso fosse a prosperidade bíblica! Não se engane, nossos olhos devem se levantar bem acima do que é terreno, sejam os atrativos deste mundo ou as circunstâncias negativas que nos cercam; devemos olhar para o alto em todo tempo.

Crentes que só se preocupam com o dinheiro e seus negócios, não servirão ao propósito divino da colheita de almas, pois para se ter a sensibilidade espiritual de ver a necessidade dos perdidos é preciso tirar os olhos das coisas terrenas e levantá-los para os céus. Jesus mesmo disse:

“Erguei os olhos e vede os campos, pois já branquejam para a ceifa” (Jo 4.35).

Por que o Mestre disse isto aos discípulos? Porque enquanto eles só haviam pensado em buscar comida e saciar sua fome naquela aldeia de samaritanos, Jesus se preocupara em ganhar aquela mulher que estava junto ao poço de Jacó, e ela por sua vez, trouxe praticamente toda a aldeia para ouvi-lo.

Então ele lhes diz que se nossos olhos estiverem no chão, cuidando apenas das coisas terrenas, não enxergaremos os campos brancos para a ceifa; ou seja, não teremos a sensibilidade de ver a necessidade espiritual das pessoas. Temos que olhar para o alto se queremos ser úteis ao Senhor, pois aqueles que só olham para o chão desanimam-se nas horas difíceis e deixam de servi-Lo. Já quanto aos que têm seus olhos no Senhor, não há o que os faça parar.

Prender nossos olhos no chão é o grande plano satânico contra nossas vidas; ao atacar nossa saúde, família e bens, o que o maligno quer de fato é tirar nossos olhos do Senhor, fazendo com que fitemos somente o chão, o terreno. Embora, como diz meu pai, tirar os olhos da terra não significa tirar os pés do chão (a perda do pragmatismo e da disciplina). Há um texto bíblico que revela esta astúcia do inimigo em seus ataques; examinemo-lo com suas figuras espirituais:

“E veio ali uma mulher possessa de um espírito de enfermidade, havia já dezoito anos; andava ela encurvada, sem de modo algum poder endireitar-se. Vendo-a Jesus, chamou-a e disse-lhe: Mulher, estás livre da tua enfermidade; e, impondo-lhe as mãos, ela imediatamente se endireitou e dava glória a Deus.” (Lucas 13.11-13)

Esta mulher andava encurvada por quase duas décadas, e não havia meios de se endireitar pois sua doença era espiritual e não física. Tratava-se de um espírito maligno de enfermidade, um agente de Satanás prendendo seu corpo. Sabe, há uma figura aqui; esta mulher vivia olhando somente para o chão; sua costa encurvada a impedia de andar olhando para cima. Podemos ver em operação na vida desta mulher o verdadeiro plano maligno contra cada cristão; Cristo disse que ela estava numa prisão de Satanás:

“Por que motivo não se devia livrar deste cativeiro, em dia de sábado, esta filha de Abraão, a quem Satanás trazia presa há dezoito anos?” (Lucas 13.16)

Estar numa prisão de Satanás não quer dizer que o próprio príncipe das trevas a prendia pessoalmente, pois já vimos que era um enviado dele, um espírito de enfermidade, quem realizava o trabalho. Mas Jesus mostrou que tal espírito maligno só estava cumprindo ordens de seu chefe, o que nos permite ver que o plano era de Satanás e a execução era do subalterno dele. Por que é importante notar isto? Para entendermos que o inimigo não nos ataca só por atacar, ele tem planos e estratégias para tentar nos derrubar e devemos nos prevenir contra ele!

Que tipo de prisão era esta que Jesus mencionou? Não era a doença e nem o espírito de enfermidade em si, mas a que ponto ele levava esta mulher. Ela não podia olhar para o alto! É isto que o diabo quer, que tiremos os nossos olhos de Deus; esta era uma crente da época, pois foi chamada de “filha de Abraão”, referência dada não só por ser naturalmente descendente do patriarca, mas por esperar na promessa divina feita a ele.

Também vemos que ela estava na sinagoga, o que poderíamos chamar de a igreja da época. Não se tratava de uma pecadora qualquer que nada queria saber acerca de Deus, mas de alguém que o temia, cria n’Ele e queria andar em sua presença.

Semelhantemente, Satanás tenta nos prender com os olhos no chão, para que não olhemos para cima. E por que ele nos ataca desta forma? Porque ele não pode nos arrancar das mãos de Deus, como Jesus mesmo falou:

“As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar. Eu e o Pai somos um.” (João 10.27-30)

O diabo jamais poderá nos tirar das mãos de Jesus! Nunca! Temos um claro pronunciamento de Jesus Cristo neste sentido. Mas ele vai atacar com sutileza; ele quer nos indispor com o Senhor, fazendo com que nos voltemos contra Ele, porque então nós mesmos desceremos dos braços do Senhor e estaremos expostos. No livro do Apocalipse, o Senhor faz menção da doutrina de Balaão, que costumava ensinar Balaque a por tropeços diante dos filhos de Israel para que pecassem (Ap 2.14).

Lemos em Números que Balaque contratou Balaão para amaldiçoar a Israel pois tinha medo de ser por ele destruído na batalha. Deus advertiu a Balaão que não fosse após Balaque, mas ele amou o prêmio da injustiça e desobedeceu. Mas não conseguiu amaldiçoar ao povo do Senhor, pois em cada uma das quatro vezes em que tentou fazê-lo, Deus mudou suas palavras em bênçãos sobre os israelitas. Vendo que nada podia contra o povo, Balaão aconselhou Balaque, rei dos moabitas, a enviar as mulheres do seu povo ao arraial dos israelitas para que se prostituíssem com eles e então os levasse a adorar os deuses delas.

Qual foi o pensamento de Balaão? Ele viu que não havia como tocar o povo pois eles estavam debaixo da proteção divina e com Deus ninguém pode; então a única saída seria colocar o povo contra Deus, visto que Deus não abandonaria o povo. E quando através do pecado da prostituição e também da idolatria o povo se afastou do Senhor, então ficou vulnerável, e a ira do Senhor se acendeu contra o povo.

O que Balaão não podia fazer contra o povo, fez com que o próprio povo fizesse contra si mesmo! É assim que o diabo age. Uma vez que ele não pode tirar-nos da mão do Senhor, nem fazer nada contra nossas vidas por permanecemos em Cristo, então tenta nos colocar contra o Senhor, para que saiamos do colo d’Ele e fiquemos vulneráveis.

Esta é a razão porque o maligno tanto tenta prender nossos olhos nas coisas materiais, para que quando conseguir tocar nelas isto venha a doer em nós a tal ponto de nos indispormos contra Cristo. Mas na vida daquele que ama o Senhor e tem os olhos n’Ele, o inimigo não consegue isto.

Isso nos permite ver porque Satanás investe tanto contra o que possuímos, não porque seja isto o que ele queira, mas por ser o meio para que ele tente chegar onde realmente quer chegar: minar nossa fé e relacionamento com o Senhor.

Mas diante disto podemos também enxergar porque Deus permite o inimigo investir contra estas áreas de nossas vidas; cada ataque maligno pode ser visto como um tempo de treinamento e adestramento para os soldados do exército divino. No paralelo natural, nunca vemos num quartel os soldados prepararem-se para a guerra passando um ano inteiro deitados em redes com sombra e água fresca.

Não! Pois isto não prepara ninguém! Também o Senhor não treina seu exército no bem-bom da vida, mas em meio às provas e tribulações. E muitas vezes Deus permitirá o ataque do maligno contra seus bens materiais para que ao fim você não apenas vença, mas seja mais que vencedor, seja alguém tratado pelo Senhor; pois enquanto Satanás nos tira algo tentando fazer com que nosso coração egoísta se volte contra Deus, o Senhor por sua vez, permite que aquilo seja temporariamente tirado até que nosso coração aprenda a não se apegar àquilo mais do que a Deus.

Às vezes será do interesse não só do diabo, mas também de Deus que algo nos seja temporariamente tirado. Percebi isto depois de um acidente de carro que tive; não era somente Satanás que queria me tirar o carro e o ministério, mas naquele momento singular da minha vida Deus também queria muito fazê-lo! Não só para me conduzir ao seu plano para a minha vida, mas para me fazer entrar no “tratamento de Deus comigo”.

Mas o golpe do diabo doeu em mim porque minhas coisas valiam mais para mim do que eu imaginava; meus olhos estavam no chão e não no alto. Mas Deus me ensinou, e como Paulo posso dizer que aprendi. Quando um homem ou uma mulher de Deus colocam seus olhos no Senhor e assim permanecem, serão vitoriosos. Tenho aprendido que os ataques mais atrozes do inimigo, como aqueles em que pessoas chegaram ao ponto de morrer por Cristo, não visavam tocar nas circunstâncias e nem mesmo na vida destas pessoas; o diabo não queria que morressem, mas que, por medo da morte negassem Jesus.

Cada vez que um mártir derramou seu sangue pelo evangelho, Satanás não ganhou, só perdeu. Pois o heroísmo dos mártires somente fortaleceu o evangelho, nunca o enfraqueceu. Nosso conceito de vitória ainda é muito carnal, terreno; mas os mártires foram além disto e venceram ao diabo (Ap 12.11), pois sabiam manter seus olhos no Senhor. Veja um exemplo disto:

“Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus e Jesus, que estava à sua direita, e disse: Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, em pé à destra de Deus. Eles, porém, clamando em alta voz, taparam os ouvidos e, unânimes, arremeteram contra ele. E, lançando-o fora da cidade, o apedrejaram. As testemunhas deixaram suas vestes aos pés de um jovem chamado Saulo. E apedrejavam Estêvão, que invocava e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito! Então, ajoelhando-se, clamou em alta voz: Senhor, não lhes imputes este pecado! Com estas palavras, adormeceu.” (Atos 7.55-60)

O relato bíblico diz que Estevão, cheio do Espírito, FITOU OS OLHOS NO CÉU. Algo que o Espírito Santo vai operar em nós à medida em que nos rendemos a Ele, é tirar nossos olhos do chão para o céu; das coisas terrenas para as celestiais. Estevão foi o primeiro mártir e nos deixou um modelo perfeito de vitória sobre o inimigo: seus olhos estavam em Deus, não no que é terreno.

E neste texto tenho descoberto um princípio espiritual figurado muito forte: Quando nossos olhos estão no Senhor, somos anestesiados para os ataques malignos contra nossa vida! Estevão foi milagrosa e sobrenaturalmente anestesiado por Deus contra as pedradas que o mataram; o texto diz que enquanto o apedrejavam ele invocava ao Senhor e orava, e mais: diz que ele se colocou de joelhos, e à semelhança de Cristo na cruz, pediu que o pecado de seus assassinos fosse perdoado.

Ninguém que está sendo apedrejado faz isto; nossa imediata reação é cobrir o rosto e se proteger como puder; mas os olhos de Estevão não estavam em si mesmo, estavam nos céus, e em razão disto podemos dizer que ele foi fortalecido por Deus, ou até mesmo que foi “anestesiado”. Seria impossível em condições normais ele se ajoelhar e ficar olhando para o alto sem se defender, mas algo aconteceu com ele.

E quando colocamos os nossos olhos no Senhor independentemente de que tipo de situação estamos enfrentando, algo também vai acontecer conosco; seremos confortados e anestesiados pelo Senhor, e Satanás não será vitorioso. Pelo contrário, nós é que seremos mais que vencedores! No caso de Estevão, o que veio além da vitória não foi o tratamento, pois ele passou à glória celestial, mas além de vencedor ele recebeu um galardão mais glorioso. É isto que acontece com os mártires; Hebreus 11.35 diz que alguns não aceitaram seu livramento porque visavam uma maior recompensa.

Quando passamos pelas provas e tribulações, Deus não somente nos prepara a vitória que inevitavelmente virá, mas usa o tempo em que nela estamos para tratar com nossa alma. O Senhor lida com todo apego excessivo que temos nas coisas terrenas e nos ensina a ter os olhos n’Ele.

Isto é ser mais que vencedor. É ser tratado por Deus e chegar ao fim da adversidade melhor do que entramos. (Luciano P. Subirá)

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Shalom, a paz de Deus!


Paz, todos querem, poucos a buscam, alguns a encontram e milhares desprezam...
Definição da palavra PAZ: Tranquilidade, serenidade, situação de um país que não está em guerra, sossego, descanso, silêncio.
Porém, PAZ em Hebraico é Shalom, denota muito mais que a ausência de guerra e conflito.
O significado básico de Shalom é harmonia, plenitude, firmeza, bem-estar e êxito em todas as áreas da vida como também paz entre os homens.
Paz em grego é Eirene que é tranquilidade de coração e mente baseada na convicção que está tudo bem entre a alma do homem e o seu criador.

Deus nos manda buscar Shalom que é a paz entre os homens.

(Romanos 12:18) – “Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens.”
(Hebreus 12:14) - “Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor;”
(I Pedro 3:11) – “Aparte-se do mal, e faça o bem; busque a paz, e siga-a.”

Todas estas passagens no original é Shalom, paz entre os homens.

Deus criou o homem em plena paz e assim que o pecado entrou no mundo essa paz foi interrompida. Adão e Eva tinham diariamente no Jardim do Éden, Shalom que é paz entre os homens e Eirene que é paz entre Deus e o homem, entre o criador e a criatura.

Logo depois que Adão e Eva pecaram eles perderam a paz com Deus, Eirene, a ponto de se esconderem da presença de Deus.

(Gênesis 3:9-10) – “E chamou o SENHOR Deus a Adão, e disse-lhe: Onde estás? E ele disse: Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me.”

E uma vez que falta na vida do homem Eirene, paz entre a alma do homem e o seu Criador, logo vai faltar Shalom, paz entre homem e homem. Observe que Adão já acusou sua mulher, Eva, dizendo que a culpa não era dele. Temos aí, o primeiro desentendimento conjugal, por falta de Shalom.

(Gênesis 3:12) – “Então disse Adão: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi.”

A família de Adão não tinha Eirene, ou seja, paz de Deus, a certeza de que tudo estava bem entre o homem e seu Criador. Por falta desta paz faltou também Shalom e veja só, Caim, o filho mais velho de Adão, matou Abel seu irmão.

(Gênesis 4:8) – “E falou Caim com o seu irmão Abel; e sucedeu que, estando eles no campo, se levantou Caim contra o seu irmão Abel, e o matou.”

Mas Deus por amar muito o ser humano ele vai restaurar Shalom e Eirene através de Jesus Cristo.

(Isaías 9:6) – “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.”
(João 14:27) – “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.”
(Romanos 5:1) – “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo;”

Chegamos à conclusão que todos que receberam a Jesus com seu Único, Suficiente, Exclusivo e Eterno Salvador, terão na sua vida Eirene, paz com Deus, e Shalom, paz com todos os homens.  Shalom!

terça-feira, 1 de outubro de 2019

A Verdade Sobre O Anticristo e o Seu Reino


O Anticristo será um líder que busca a paz e trava guerras. Na busca de paz ele será bem-sucedido e enganador; ao travar guerras ele será destemido e destrutivo. O Anticristo geralmente é descrito na Bíblia como um guerreiro. Suas atividades são resumidas em Daniel 9.27:

"Ele fará firme aliança com muitos, por uma semana; na metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; sobre a asa das abominações virá o assolador, até que a destruição, que está determinada, se derrame sobre ele."

Em Apocalipse 6.2, João apresenta o Anticristo ao escrever: "Vi, então, e eis um cavalo branco e o seu cavaleiro com um arco; e foi-lhe dada uma coroa; e ele saiu vencendo e para vencer."

Nosso mundo precisa desesperadamente de paz, pessoas sinceras de vários contextos de vida trabalham e oram diariamente por uma paz duradoura. Na verdade, como crentes, somos incentivados pela Bíblia a orar por paz. Ainda assim, a instabilidade política é profunda em muitas regiões do mundo. A busca de uma paz permanente no Oriente Médio exige muita atenção e produz muitas manchetes; muitas vidas e carreiras foram sacrificadas na tentativa de trazer paz à região. Em última análise, no entanto, não haverá paz duradoura no mundo enquanto ele não for governado por Jesus Cristo, o Príncipe da Paz.

Quando o Anticristo emergir, será reconhecido e aceito por causa de sua habilidade como pacificador. Como líder da confederação multinacional, ele imporá paz a Israel e ao Oriente Médio, iniciando e formulando um tratado de paz para Israel. O Dr. Walvoord escreve sobre essa paz:

Quando um gentio, líder de dez nações, apresentar um tratado de paz a Israel, este será imposto com força superior e não como um tratado de paz negociado, ainda que aparentemente inclua os elementos necessários para tal acordo. Ele incluirá a delimitação das fronteiras de Israel, o estabelecimento de relações comerciais com seus vizinhos – algo que Israel não tem atualmente, e, principalmente, oferecerá proteção contra ataques externos, o que permitirá que Israel relaxe seu estado de constante alerta militar. Também é possível prever que algumas tentativas serão feitas para abrir áreas sagradas de Jerusalém para todas as religiões a elas relacionadas.

No decorrer dos séculos, cristãos e judeus fiéis seguiram a exortação de Salmo 122.6 de"orar pela paz de Jerusalém." Mas a falsa paz do Anticristo não é a "paz de Jerusalém." O tratado ou aliança de paz do Anticristo só trará uma paz temporária e superficial à região. A princípio ela poderá ser eficaz e reconfortante, mas não durará. Depois de três anos e meio ela será quebrada e os gritos de alegria serão substituídos por gritos de aflição. Como todas as obras de Satanás, a vitória proclamada acabará em dor e violência:

Apesar dos detalhes da aliança não serem revelados na Bíblia, aparentemente ela trará grande alívio para Israel e para todo o mundo. O tempo de paz é previsto nas profecias de Ezequiel que descrevem Israel como um povo "em repouso, que vive seguro" nessa época (Ez 38.11). Em 1 Tessalonicenses 5.3 a frase que estará na boca do povo antes da Grande Tribulação cair sobre eles é: "Paz e segurança." ...A paz de que Israel desfrutará por três anos e meio se transformará tragicamente numa paz falsa e no prelúdio de um tempo de angústia incomparável, quando dois de cada três israelitas morrerão na terra (Zacarias 13.8).

Num determinado ponto, por volta da metade da Tribulação, a paz de Israel será desafiada por exércitos invasores do norte (Ezequiel 38-39). Esses exércitos atacarão Israel, desafiando a paz estabelecida pelo Anticristo e sua autoridade. Mas Deus intervirá a favor de Israel, protegendo-o e aniquilando os exércitos invasores (Ezequiel 38.19-39.5). Isso se realizará em parte por um terremoto (38.19,20), em parte por confusão militar (38.21), e por uma praga acompanhada de granizo e fogo (38.22).

Depois desse conflito e da quebra da aliança com Israel, o Anticristo se declarará líder mundial. Isso poderá ser resultado da sua vitória sobre os exércitos invasores. O Dr. Walvoord escreve que "o líder da confederação de dez nações se encontrará numa posição em que poderá proclamar-se ditador mundial, e aparentemente ninguém será forte o suficiente para lutar contra ele. Sem ter que lutar para conseguir isso, ele governará o mundo como instrumento de Satanás." Seu poder e força aumentarão, assim como sua tirania, e isso resultará num desafio final da sua força militar e política, que culminará na batalha de Armagedom (Apocalipse 16.14-16). Como tantos líderes e governantes antes dele, o Anticristo prometerá paz e travará guerras. 

Ele entrará num conflito de conseqüências globais – um conflito definitivo do tipo "quem ganhar fica com tudo" – e será derrotado e destruído por Jesus Cristo (veja Salmo 2).

Obra Missionária Chamada da Meia-Noite
Thomas Ice e Timothy Demy

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

A Sala de Comando do Universo


O Reino de Judá estava vivendo uma crise avassaladora, uma crise política, econômica, moral e espiritual. Nesse tempo, o grande Rei Uzias, homem que reinou 52 anos em Jerusalém, que granjeou fortunas, respeito e admiração, estava morto. O trono estava vazio. 

Há momentos em que os tronos da terra entram em crise, os reinos do mundo se abalam, os homens, perplexos, olham para o horizonte e não veem uma luz no fim do túnel, não veem uma saída. Há momentos em que somos encurralados pelas crises e a solução se recusa a vir da terra.

Muitas vezes somos encurralados por circunstâncias absolutamente adversas, tempestades terríveis desabam sobre nós, somos entrincheirados por situações que não temos controle sobre elas; somos assolados por sentimentos pavorosos, por crises medonhas, por situações que são como um rolo compressor que passam sobre nós.

Nesse momento, o profeta, em pânico, aflito, desesperado, diante de tantas crises açoitando a nação, diante do desespero, do desânimo, do temor em relação ao futuro, vai ao templo. Talvez buscando uma resposta, procurando um sinal do favor de Deus. E quando entra no templo, ele se depara com a realidade que transforma a sua visão, que impacta o seu coração, que vai mudar por completo o rumo da sua história. Quando ele entra no templo, num dia de luto para a nação, com o trono vazio, ele descobre que Deus, o Todo-poderoso, o Senhor dos Exércitos, está assentado sobre um alto e sublime trono. Mais do que nunca, é importante entender que Deus, o Soberano Senhor do Universo, está no trono. 
Mesmo que nas crises os homens tenham perdido o controle, mesmo que as rédeas da nação pareçam soltas, mesmo que a economia esteja abalada, mesmo que as famílias estejam vivendo um drama existencial, mesmo que cresça o desemprego, mesmo que a inflação mostre sua carrasca, precisamos entender que Deus não perdeu o controle e as rédeas da história. O homem está nas mãos do Deus Todo-poderoso e Ele está no trono, Ele reina, Ele governa!

Quando Isaías olha, diz que este Deus é Santo, e que toda a terra está cheia da Sua glória. É importante entender que Deus é real, que Deus existe, que Deus não é invenção do homem, que Deus não é a criação da religião, que Deus não é um ser mitológico criado pelo medo do coração humano.

Deus é o Senhor Absoluto, Criador dos céus e da terra; Ele é soberano, Ele governa as nações, Ele reina supremo em todo o Universo, Ele é o Deus que tem o controle da história em Suas poderosas mãos. Ele está assentado na Sala de Comando do Universo. O trono é um lugar de honra, autoridade e julgamento. Todos os tronos da terra estão sob a jurisdição desse trono do céu. Aquele que criou todas as coisas, está no controle de tudo e levará a história para uma consumação final, onde sairá vitorioso.

Todas as cousas são governadas por Aquele que está assentado no Trono. Todos os detalhes estão orientados com vistas ao trono: sobre o trono, em redor do trono, a partir do trono, diante do trono, no meio do trono. O trono é um símbolo da soberania inabalável de Deus. O Trono é o verdadeiro centro do Universo. Esse trono não está na terra, mas no céu. O universo na Bíblia não é geocêntrico, nem heliocêntrico, mas teocêntrico. Aqui temos a verdadeira filosofia da história.

Jamais poderemos sair da crise que nos assola sem antes voltarmos para Deus, e reconhecermos que Ele é Santo, porque isso é o que vai trabalhar o nosso coração, para os valores morais absolutos, para valorizarmos as coisas que verdadeiramente tem importância, para resgatarmos o valor da família, o valor da ética, o valor dos compromissos firmados. É isso que vai nos levar a respeitar a vida do outro, o nome do outro, os bens do outro, a honra do outro, a fim de que sejamos restaurados pela mão onipotente de Deus.

Assentado no trono, Deus não cede a pressão alguma. Porque quem trabalha no campo da urgência sempre é o homem. Deus não trabalha no campo da urgência. Deus não perde o controle, não se desespera. Deus não é urgente, Deus está assentado no trono! 

Estamos gritando, arrancando os cabelos, quebrando os pratos, e Deus está assentado no trono recebendo adoração, como sempre esteve. O nosso desespero não desespera Deus, a nossa urgência não torna Deus urgente, mas o diabo pega para o nosso desespero, olha para a nossa vulnerabilidade, e usa pessoas, complôs, mentiras, para tentar trazer dissimulação, medo ou respostas mentirosas.

Vemos hoje nas igrejas os processos eclesiásticos cheios, cargas religiosas, ritualistas, pessoas querendo responder: "não, não, Deus vai ter que responder! Vamos para o monte, eu estou sentindo, é resposta, é manto, e é não sei o que! E vamos responder e vamos colocar o rosto no pó porque Deus vai falar; vamos lá, é na humilhação, igreja, vamos lá, Deus vai falar, e vamos ritual, e não sei o que, eu sou autoridade espiritual, eu sou sua cobertura, eu sou seu pai, eu não sei o que". Aí traz um engodo dentro da igreja, traz uma aparência de satisfação, pessoas lutando por respostas, que Deus está falando. 

"Não vou lhe dizer isso, não lhe compete saber isso, eu não tenho que lhe prestar um relatório, o meu compromisso é lhe dar vida, e vida em abundância e não lhe dar um manual da vida em abundância". 

Deus está no trono! Você quer colocar a comida no micro-ondas e em trinta segundos está quentinha, ou você quer abrir o micro-ondas e entender fusível, fio, arame e lataria, cor da tinta. Não estou nem aí o que entender de micro-ondas, eu só quero que em trinta segundos a minha janta esteja quente! 

Não temos respostas, mas temos um caminho, temos direção daquele que está assentado no trono e governa o Universo. Não temos respostas, mas temos uma Verdade, temos uma suficiência. Não temos respostas, mas temos Vida, temos segurança. não morremos porque a nossa vida está nas mãos de Deus. não fracassamos porque a nossa vida está nas mãos de Deus. E se Ele não responder, vamos nos revoltar?

O homem precisa voltar-se para Deus. Hoje, é da mais alta importância conhecermos este Deus. A essência da vida é conhecer a Deus; a vida eterna, é conhecer a Deus que nos criou para Ele e a nossa vida não tem sentido enquanto não nos voltarmos para Ele. Nada neste mundo pode dar significado pleno à nossa vida, nem o dinheiro, nem o sucesso profissional, nem os prazeres da vida, nem a saúde inabalável, nem mesmo a família, nem os amigos mais chegados; somente Deus pode preencher o vazio do nosso coração. 
Conheçamos a Deus, prossigamos em conhecer a Deus, sabendo que Ele é Soberano, Santo, que está no controle da história, que dirige o Universo, que pode mudar a nossa vida, que pode transformar nossa história, que pode dar a nós, a vida eterna.

No ano da morte do rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo. Serafins estavam por cima dele. Cada um tinha seis asas: com duas cobria o rosto, com duas cobria os pés e com duas voava. E clamavam uns para os outros, dizendo: “Santo, santo, santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória.” Os umbrais das portas se moveram com a voz do que clamava, e o templo se encheu de fumaça. 
Então eu disse: — Ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de lábios impuros; e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos! Então um dos serafins voou para mim, trazendo na mão uma brasa viva, que havia tirado do altar com uma pinça. Com a brasa tocou a minha boca e disse: — Eis que esta brasa tocou os seus lábios. A sua iniquidade foi tirada, e o seu pecado, perdoado. Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: — A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Eu respondi: — Eis-me aqui, envia-me a mim. Então ele disse: — Vá e diga a este povo: “Ouçam; ouçam, mas sem entender. Vejam; vejam, mas sem perceber.” Torne insensível o coração deste povo, endureça-lhes os ouvidos e feche os olhos deles, para que não venham a ver com os olhos, ouvir com os ouvidos e entender com o coração, e se convertam, e sejam curados. Então eu perguntei: “Até quando, Senhor?” Ele respondeu: “Até que as cidades estejam em ruínas e fiquem sem habitantes, as casas fiquem sem moradores e a terra esteja em ruínas e devastada, e o SENHOR afaste dela o povo, e no meio da terra sejam muitos os lugares abandonados. Mas, se ainda ficar a décima parte dela, tornará a ser destruída. Como o terebinto e como o carvalho, dos quais, depois de derrubados, ainda fica o toco, assim a santa semente será o seu toco.” Isaías 6.1-13

https://verdadeevida.org.br/deus-esta-no-trono/
Reverendo Hernandes dias Lopes
https://www.youtube.com/watch?v=gNpapqB012Q
Diego menin
Bíblia Sagrada

sábado, 14 de setembro de 2019

Lembrai-vos da mulher de Ló


“Lembrai-vos da mulher de Ló” (Lucas 17:32
Deus nos manda trazer a memória o que nos dá esperança e lembrarmos dos livramentos que Ele fez no passado. A Páscoa é um memorial, assim com a Santa Ceia. 
Deus nos manda lembrar das suas promessas, rememorar seus milagres e dos seus mandamentos.

“Lembrai-vos das maravilhas que fez, dos seus prodígios e dos juízos dos seus lábios”… (I Crônicas 6:12)

O Senhor quer nos fazer lembrar de algumas coisas.

1. Jesus está em primeiro lugar nos fazendo lembrar dos exemplos negativos de outros para não os repetirmos.

Buscando referenciais para a vida, encontrei bons modelos. Sempre procurei os melhores manequins espirituais para me igualar a eles, receber do espírito deles, imitá-los como imitaram a Cristo.

No entanto, vi na vida os anti-referenciais, os pseudoparadigmas ou antimodelos. A vida está repleta daqueles em quem não se espelhar. Alguns morreram, outros ficaram tomados de inveja, houve mesmo aqueles que se desviaram e continuam na igreja e pensam que estão servindo a Deus do seu próprio jeito, enfim muitos, não poucos, ficaram para trás.

Hoje eu olho para alguns exemplos na história que me dão arrepios. Pessoas que são aquilo tudo que não devemos ser, a antítese, o inverso, o oposto da maquete de Deus, do projeto que fomos desenhados para nos tornar. A Bíblia está repleta deles. Gente para quem devemos olhar e nos lembrar de não fazer o que fizeram e não se tornar naquilo que se tornaram.

Lembrai-vos da mulher de Ló!

2. Jesus está nos lembrando que aqueles que olham para trás ficam petrificados, paralisados, impossibilitados de avançar. Eles se tornam estátuas.

Existem muitos cristãos hoje que sofrem de paralisia. Crentes que estão no mesmo lugar de onde começaram. Não avançaram, não progrediram, não cresceram, não prosperaram. Alguns até regrediram, voltaram atrás, sucumbiram a maldição do viver indo a lugar algum.

Há na verdade pessoas andando em círculos. Conquistam e retrocedem. Dão um passo para frente e um para trás, dez para frente e dez para trás. Hoje, eu passo na cidade onde morei para visitar meus pais e depois de quinze anos vejo as mesmas pessoas nas mesmas esquinas. Um homem com uma garrafa de bebida na mão pensando ser o dono do mundo. Jovens onde os anos que passaram aparecem duramente sobre seus rostos envelhecidos precocemente pelos trabalhos, fadigas e desgastes oriundos de uma vida de pecado. Vidas para quem a vida passou e eles ficaram ali, do mesmo jeito, no mesmo lugar. Que desperdício. Gente sem sonhos, sem objetivos, sem desejo de avançar, paralisados, endurecidos, petrificados, embrutecidos, homens estátuas.

A recomendação de Jesus é de não olhar para trás. Porque aqueles que olham para trás passam pela vida sem nome na história.

Qual é o nome da mulher de Ló? Existe alguma referência que fale acerca dela para sabermos como se chamava? Ela é simples e unicamente a mulher de alguém. Tem gente que vai ser sempre na vida a sombra anônima. Gente que tem o destino de ser o irmão de alguém; ou o tio de fulano, ou ainda o vizinho sem nome, o cicrano inominado. Ou ainda o pior: o marido de alguma mulher. Uma mulher de posição e destaque que ele não a acompanhou, não correu com ela, não conseguiu escolta-la. Homens que ficam na rabeira da mulher, marginais (aqueles que vivem na margem) que não fazem seu papel, designados a ficar na sombra da própria mulher. É quando a esposa toma a frente e faz acontecer e ninguém se lembra de você. Há aqueles que impedem a expressão delas com medo delas o ultrapassarem. Aí podam, limitam, restringem, suprimem o potencial. Homens inseguros, tomados de fobia de não poder acompanhar o passo de sua companheira. Homens sem coragem, sem peito, sem fibra, sem auto-estima.

“… não os temais; lembrai-vos do Senhor, grande e temível, e pelejai pelos vossos irmãos, vossos filhos, vossas filhas, vossa mulher e vossa casa”. (Neemias 4:14b)

Se não for por você, que seja pelo menos pelo seu Deus, pelos seus filhos, pela sua mulher, por sua casa.

Lute! Saia da paralisia!

Chega de olhar para trás, para aquilo que poderia ter sido e não foi. Você não pode fazer nada para mudar seu passado, mas pode hoje mesmo começar a escrever o seu futuro. Lembre-se: Seu futuro é maior que seu passado.

Ah! Se tivesse sido diferente!

Não foi e Deus fará com que todas as coisas que aconteceram cooperem para o seu bem. Pense agora em uma experiência dramática, traumática, difícil, dolorosa e agora sorria e diga: vai cooperar para o meu bem!

Quem vive olhando para trás não pode seguir adiante. Fica pedrado, vira estátua de sal, se torna escultura em que o artista é o infortúnio e o nome da obra ninguém sabe e nem deseja saber já que não há quem em sã consciência celebra e festeja a vida de quem se tornou sal.

Quem vive olhando para trás passa na história sem nome.

3. Jesus está nos fazendo lembrar de alguém que ficou com saudades dos pecados que não cometeu.

Quando chegou a hora de deixar Sodoma para trás, a mulher de Ló mostrou que era profundamente atraída pelas coisas que aconteciam ali. Havia um imã, um magnetismo, uma força atratora que a puxava para aquele estilo de vida. Todos nós somos tentados, é verdade, mas ela resolveu dar uma espiadinha, só uma olhadinha, e aí você conhece a história.

Ao que parece ela tinha inveja daqueles a quem ela não podia imitar por forças das conjunturas. Há aqueles em nosso meio que estão com saudades do pecado. Saudades de Sodoma. Que estão alimentando suas fantasias e lembranças carnais e que já estão dando algumas espiadinhas, olhando para algumas doses, dando umas voltinhas, retornando a alguns dos lugares que haviam deixado para servir a Deus. Pois bem, lembre-se que um abismo leva a outro abismo e que nossas pequenas atitudes começarão a ser tornar-se parte de nossas vidas, formando nossos hábitos e nosso estilo de existir no mundo. Deus mandou Ló e sua família sair de Sodoma. Eles saíram apressados, com instruções de não olhar para trás.

Esta é a hora de correr, queimar as pontes e olhar somente para frente diante dos seus olhos!  J. B. Carvalho - www.orvalho.com