sexta-feira, 13 de setembro de 2019

A importância do Evangelho na História e a Pós-modernidade”


“Cada pessoa, mergulhada em si mesma, comporta-se como se fora estranha ao destino de todas as demais. Seus filhos e seus amigos constituem para ela a totalidade da espécie humana. Em suas transações com seus concidadãos, pode misturar-se a eles, sem no entanto vê-los; toca-os, mas não os sente; existe apenas em si mesma e para si mesma. E se, nestas condições, um certo sentido de família ainda permanecer em sua mente, já não lhe resta sentido de sociedade.” — Tocqueville* 
A modernidade ou mundo civilizado contribui com o que de melhor o homem pode experimentar. Mas ela trás também a maior ameaça e o maior desafio que o Cristianismo jamais experimentou. Sendo a própria igreja uma ameaça à Igreja do Cristianismo. Para Rubem Amorese, a ameaça da modernidade para o Cristianismo é o desafio de preservar o propósito original da aliança de Deus com o seu povo, de conseguir simplesmente ser Igreja. 
“A cultura moderna é o molde com o qual todos fomos moldados e que somente podemos reconhecer, rejeitar e mudar por meio da perspectiva exterior de Deus em meio a nossa ignorância causada pela massificação uma ignorância agudizada, de certa forma, pelo excesso de informação”.  
Falar de tempos modernos é falar de contradições trazidas pelos fenômenos da pluralização, privatização e secularização, com todas essas mudanças precisamos viver nesse novo tempo. A postura ideal diante dessa nova dimensão existencial permanece sendo a de Josué: “Vamos e possuamos essa boa terra que o Senhor nos dá”. A modernidade pode e deve ser vista como um tempo de coisas boas de Deus para o seu povo; no entanto, como Moisés disse, nem tudo o que ali existe nos é permitido; nem tudo edifica; nem tudo agrada a Deus. Daí o refrão de Moises: “Guarda-te que não esqueças o Senhor que te tirou da terra da servidão”. 
A transformação de identidade e consciência deve ter estado no centro os das preocupações Paulinas (e certamente também nas de Moisés, quando se preparava para entrar em Canaã), distanciando o elo dentro das famílias e das igrejas, discriminando o conceito do bem e do mau, deixando o essencial perder seu valor focando em coisas superficiais. 
Na modernidade, entendida aqui como  antecessora da pós-modernidade, o Evangelho foi um dos fatores que transformou o mundo da Idade Média. A partir das iniciativas de homens como John Wycliffe, John Huss até Martinho Lutero, a ruptura da estrutura das relações comerciais, sociais, políticas que eram fortemente referenciadas pela Igreja Católica, foi baseada no entendimento encontrado na Bíblia. A coragem e a fé destes homens nas Escrituras foi determinante na divulgação da verdade libertadora. 
Para outros autores como Zigmunt Bauman, a pós-modernidade é uma modernidade líquida contraposta ao que até então era duradouro e agora é fragmentado, enfraquecido, efêmero. Os discursos longos passam a ser rejeitados em conjunto com o avanço das tecnologias nos transportes, nas comunicações e nas relações sociais. Este tempo é, portanto, um tempo de insegurança porque entende-se que a verdade é relativa; cada um tem a sua e a de ninguém é melhor do que a do outro.  Insegura também pois a idéia do “eu mereço ser feliz”, tem foco na privacidade e no individualismo.
O Reverendo Hernandes Dias Lopes fala da pós-modernidade em três características: pluralização, privatização e secularização. Pluralização pois o mundo tem muitas ideias, culturas, filosofias, cosmovisões. Privatização porque cada um cuida da sua vida e é dono do seu destino; cada um tem a sua opinião. Secularização pois Deus e outros “padrões antigos” estão cada vez mais longe da agenda dos homens. 
Diante disso temos uma resultante no caos, desconstrução da família e desvalorização do ser humano. Esta situação é contraposta a uma solução chamada “Evangelho de Jesus Cristo”. Este, por sua vez apresenta o Salvador como verdade absoluta, luz da vida, único caminho, autor da aliança eterna, Rocha dos Séculos. A Palavra de Deus devolve ao coração dos homens a segurança, a direção e a paz enfim. 


Bibliografia 

Icabode – Rubem Martins Amorese – 2000 – Editora Ultimato

Bauman Modernidade Líquida
https://www.youtube.com/watch?v=S6CL_YW6a6Y

Pós-modernidade características
https://www.youtube.com/watch?v=3Uabka-PvtM

* Alexis de Tocqueville (1805 – 1859) foi um pensador, político, historiador e escritor francês

sábado, 31 de agosto de 2019

Quem Está Precisando de Você Antes do Inverno?

O apóstolo Paulo estava preso em Roma, na sua segunda prisão, numa masmorra úmida, fria e insalubre; ele estava no corredor da morte, já havia recebido a sentença de pena capital e ele está abandonado pelos irmãos da Ásia. E na sua primeira defesa, na primeira audiência, ninguém foi a seu favor. Pesa sobre ele a acusação de ser um malfeitor, o líder dos incendiários de Roma, o ambiente é pesado, as nuvens escuras no horizonte se formavam anunciando a chegada de uma grande tempestade sobre a igreja. É nesse momento, quando o apóstolo está enfrentando solidão, abandono, traição, privação e ingratidão, que ele escreve ao seu filho Timóteo, e diz: Timóteo, procura vir ter comigo depressa. É nessa conjuntura que ele diz: venha filho, mas venha antes do inverno. O que isso significa?
Para entendermos o que Paulo está dizendo, é importante entender o que está em Atos 27 e 28, quando ele vai para Roma na sua primeira prisão, Paulo recomenda que não era prudente viajar no inverno, mas o comandante do navio não deu atenção a Paulo e embarcaram assim mesmo. E então enfrentaram um terrível naufrágio, e por providência divina nenhuma pessoa morreu, mas o navio se despedaçou e toda a carga do navio se perdeu. Isso significa que determinadas coisas na vida você precisa fazer hoje, ou você jamais fará amanhã. O que Paulo está dizendo para Timóteo é o seguinte: Timóteo, se você não vier agora e o inverno chegar, você não vai poder viajar; e se você vier depois do inverno, eu já não estou mais aqui, já terei sido executado; ou você vem agora, Timóteo, ou você nunca mais terá a oportunidade de estar comigo, você nunca mais terá a oportunidade de estender a mim a mão, de oferecer meu ombro amigo na hora da minha dor, na hora da minha angústia. Esta é uma verdade que nos desafia também, porque nós precisamos ter pressa, nós não podemos deixar para depois o que precisa ser feito hoje; se você tem que dizer a alguém: “eu amo você”, fale isso agora; se você precisa pegar seus filhos no colo e abraçá-los, faça isso hoje; se você tem que dizer para o seu marido, para sua esposa: eu te amo; faça isso hoje; se você tem que pôr a mão no bolso e dar uma oferta para alguém que está passando uma necessidade, faça isso hoje; porque se você deixar para amanhã, talvez você não vai ter mais a chance, nem a oportunidade de fazer isso.
Eu fico observando a nossa cultura brasileira; uma das coisas que mais me chocam são os nossos funerais; você já percebeu como as pessoas elogiam a pessoa que está morta, em cima do caixão? Tantos elogios, é uma espécie de rasgação de seda, mas a pessoa não tá escutando mais nada. Talvez aquela pessoa que está morta nunca escutou aquele elogio em vida; elogiar alguém depois que ele morre não faz mais sentido. Se você tem que elogiar alguém, encorajar alguém, abençoar alguém, faça isso enquanto você pode. Você já percebeu como as pessoas mortas recebem mais flores do que as pessoas vivas? Um dia eu contei em um funeral 86 coroas de flores! Precisaram contratar um caminhão só para levar flores e eu fiquei pensando: meu Deus, será que esta pessoa pelo menos recebeu um buquê de flores enquanto estava viva? Depois que morre não adianta mandar flor, se você tem que mandar flor para alguém, faça isso enquanto a pessoa está viva, se você tem que dar uma palavra de encorajamento para alguém, faça isso enquanto você pode fazer, amanhã pode ser tarde demais. Hoje é o dia oportuno de você demonstrar seu amor, sua atenção e seu cuidado para as pessoas.
Se você tem que ajudar alguém, ajude hoje; se você tem que dar uma palavra boa para alguém, dê hoje; se você tem que estender a mão para alguém, estenda hoje; venha antes do inverno, porque se você esperar o inverno passar, as oportunidades também terão passado, e você não vai ter mais chance. Quem sabe é a hora de você olhar para sua casa, quem sabe tem tanto tempo que você não fala para sua mulher, para o seu marido, eu te amo, quem sabe tem tanto tempo que você não dá um abraço nos seus filhos, quem sabe tem tanto tempo você não visita a sua mãe ou seu pai, quem sabe tem tanto tempo que você nunca se aproximou de alguém para fazer uma visita, para dar uma palavra de encorajamento, para dar uma oferta para quem está precisando de ajuda. Eu quero encorajar a você a ter pressa, a falar o que Paulo dispara Timóteo: procura vir ter comigo depressa, vem antes do inverno, eu estou precisando da sua ajuda, estou precisando da sua companhia, eu estou precisando de um ombro amigo, eu não quero partir sem antes reclamar minha cabeça no seu peito Timóteo, venha estar comigo, venha depressa, venha antes do inverno. Eu encorajo você a ter essa pressa, para demonstrar amor às pessoas que estão à sua volta, àquelas que estão longe, mas que precisam do seu ombro amigo, ou aquelas que precisam da sua mão estendida na hora do sofrimento e da dor, não encolha sua mão, tenha pressa para socorrer as pessoas que você ama.A Bíblia fala de Davi, que ficou 11 anos numa situação de relacionamento estremecido com seu filho Absalão. Diz a Bíblia que um dia Absalão mandou um recado para o seu pai: papai, o senhor tem alguma coisa contra mim, que o senhor me mate, mas fale comigo, eu não suporto essa ausência, eu não suporto esse silêncio. Diz a Bíblia que depois de sete anos de mágoas, de indiferença, de distância, Davi então recebe o seu filho Absalão no palácio e dá um beijo no rosto, não diz uma palavra para ele. Absalão saiu do palácio do pai e foi para a porta do palácio furtar o coração do povo. Quatro anos, Davi não fez nada, Davi era um guerreiro, Davi era um estadista, Davi era capaz de identificar conspiração no ar, talvez o filho fez isso até para chamar a atenção do pai. Mas o pai não foi lá conversar com ele, nem sequer brigar com ele. Depois de 11 anos Absalão não quer conversar mais conversar com o pai, não quer mais o perdão do pai, agora quer tomar o trono do pai, matar o pai. Davi tem de travar a mais amarga guerra da história dele: contra o próprio filho. Qualquer resultado é ruim, ganhar a guerra é matar o filho, perder a guerra é ser morto pelo filho. Nesta inglória batalha, Absalão, filho de Davi, é morto, e Davi chora; e Davi abre o peito e declara o amor dele pelo seu filho Absalão, dizendo: meu filho Absalão, Absalão meu filho, quem me dera ter dado a minha vida por ti. Agora é tarde Davi, agora o menino está morto, ele aguardou tantos anos ouvir isso de você e você não falou enquanto ele estava vivo. (https://verdadeevida.org.br)

sábado, 17 de agosto de 2019

Superando a Depressão

Depressão não é sinal de falta de fé. Homens e mulheres de Deus na Bíblia também passaram por tempos de depressão. Mas Deus não os abandonou. Ele os ajudou a superar a depressão.
Estas 3 pessoas são exemplos de como Deus ajuda quem está passando por depressão.

1. Elias

Elias venceu a depressão
Elias era um homem de muita fé e coragem. Ele orava e milagres aconteciam! Mas, depois que teve uma grande vitória no monte Carmelo, Elias perdeu suas forças. Ele se sentia sozinho, derrotado, assustado, um falhado, com vontade de morrer.
Durante sua depressão, Elias teve um encontro especial com Deus. Deus restaurou Elias e lhe deu ânimo para continuar. Deus também quer falar com você durante a depressão. Você não está sozinho, Jesus está com você. Tal como Elias, você pode voltar a ter vitória.

2. Jeremias

O Senhor sustentou Jeremias
Jeremias sofreu muito durante seu ministério. Ele viu desgraças terríveis e foi perseguido por falar a verdade de Deus. Jeremias se sentia muito triste e desejava não ter nascido.
Mas Jeremias nunca desistiu. Ele recebeu mensagens muito duras mas nunca se esqueceu que Deus também prometeu a salvação. Mesmo quando os problemas não parecem acabar, você tem a promessa da salvação. A esperança em Deus lhe dá força para continuar.

3. Noemi

Rute não abandonou Noemi
Noemi ficou com depressão porque perdeu seu marido e seus filhos. Ela perdeu a alegria de viver e tentou se isolar da pouca família que restava. Ela se sentiu abandonada por Deus.
Deus não tinha abandonado Noemi. Através de sua nora, Rute, Deus restaurou a alegria de Noemi. A amizade leal de Rute mudou a vida de Noemi. Na depressão você não pode se isolar. Deus coloca amigos no seu caminho para lhe ajudar. Um amigo pode ser um agente de Deus para sua restauração.
Elias, Jeremias e Noemi venceram a depressão. Com a ajuda de Jesus, você também pode! 

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

AO SOAR DA ÚLTIMA TROMBETA

"Nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados; num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados". 1 Coríntios 15:51-52
  Flávio Josefo (37–100 d.C.), um historiador judaico a serviço dos romanos, descreveu um acampamento do exército de ataque romano de modo preciso:
  “Quando chegava a hora para o acampamento se mover, uma trombeta soava. Ninguém ficava parado ali. Ao primeiro sinal, as tendas eram desarmadas e tudo era preparado para a marcha. Então vinha um segundo sinal da trombeta, todos deveriam se aprontar. Apressadamente os soldados carregavam as mulas e outras bestas de carga, e se colocavam por trás da barreira, preparados para a partida, como corredores numa prova. Um terceiro ressoar da trombeta significava ‘Marchar!’, chamando qualquer retardatário para que se apressasse a ocupar seu lugar”.
  Esse exemplo de três trombetas é usado pelo apóstolo Paulo ao escrever acerca do futuro dos crentes em 1 Coríntios 15. Quando Deus fizer a última trombeta soar, então certamente ninguém que conhece o Senhor Jesus Cristo, como seu Salvador pessoal, deixará de estar em “sua posição”. Os crentes mortos serão ressuscitados e aqueles que estão vivos passarão por uma transformação em seus corpos.
  Então, para todos os que conscientemente rejeitaram a Jesus Cristo, não desejando servi-Lo ou que não O quiseram como seu Salvador, a porta da salvação será completamente fechada (cf. Mateus 25:10). Mas todos os que pertencem a Cristo e à Sua companhia de crentes “levantarão acampamento” aqui na terra e entrarão na glória celestial juntos com o Senhor. (chamada.com.br)

sábado, 3 de agosto de 2019

Onde e Quando Morreu Maria?


Tanto os que falam em morte natural de Maria quanto os que falam em sono profundo da Mãe de Deus têm seus bons argumentos.

Ao longo da história, tanto os teólogos quanto a piedade popular se dividiram na opinião se Maria morreu de fato ou se apenas adormeceu e foi levada ao céu em corpo e alma pelos anjos. A basílica em sua honra em Jerusalém chama-se exatamente “Dormitio Mariæ” e um dos documentos mais antigos que temos sobre os últimos dias de Maria também leva esse título. O dogma da Assunção de Maria, proclamado em 1950, não dirimiu a questão, afirmando que “a Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso de sua vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celeste”. O corpo de Maria, elevado ao céu, podia já ser um corpo glorificado, como o de Jesus após a ressurreição.
Tanto os que falam em morte natural de Maria quanto os que falam em sono profundo da Mãe de Deus têm seus bons argumentos. Estes últimos argumentam com sua conceição imaculada. Se a morte é conseqüência do pecado, Maria, sem pecado e sem sombra de pecado, não podia morrer. Lembram também que a imortalidade é uma característica da Igreja. Ora, sendo Maria o protótipo da Igreja, bem podia Deus realizar nela o que fará com a Igreja no final dos tempos, ou seja, ressuscitar os que morreram e “arrebatar com eles para as nuvens, ao encontro do Senhor nos ares os que ainda estão vivos” (1Ts 4,16-17).
Os que afirmam sua morte natural lembram que também Jesus era imaculado e santíssimo e passou pela morte, destino de todos os filhos de Adão, porta e parto necessários para a imortalidade. Maria é o modelo de todos os resgatados pelo Cristo através de sua morte e ressurreição. Também Maria, que se uniu a Ele no Calvário, ter-se-á configurado a ele na morte e na ressurreição. Assim como ela, sem pecado, passou por dores, angústias, desconfortos, perseguição, também terá passado pela prova maior: a morte corporal. Sem que com isso se afirme que seu corpo sofreu a decomposição.
As duas tradições são antiqüíssimas. Em nossos dias prevalece a tese de que Maria passou pela morte à imitação de Jesus. Mas é ainda e continuará a ser uma questão em aberto. Também não temos certeza de onde e quando Maria encerrou sua passagem terrena. Sabe-se que, na dispersão dos Apóstolos, Maria acompanhou João, como recomendara Jesus na Cruz (Jo 19,16-27). O Apóstolo João teria migrado para Éfeso, hoje sudoeste da Turquia, uns 600 km ao sul de Istambul. Maria teria findado seus dias em Éfeso. Esta tradição tomou corpo a partir do século XVIII com as visões da camponesa alemã Ana Catharina Emmerich (1774-1824) que, em sonho ou numa revelação, “viu” no alto da montanha popularmente denominada “Colina do Rouxinol”, distante 7 km da antiga cidade portuária de Éfeso, a capela Meryem Ana Evi (Casa da Mãe de Deus), que seria a casa em que Maria teria terminado seus dias. Catharina viajou para lá, encontrou tudo como “vira” em sonho e começou a restaurar a antiga capela-casa de Maria, que até hoje os peregrinos podem visitar. Mães turcas, católicas e muçulmanas visitam continuamente aquele santuário, para terem um bom parto e sorte na educação dos filhos. No entanto, não há documentos históricos que favoreçam essa tradição e as escavações arqueológicas mostraram que a capela é certamente posterior ao século VI.
Uma outra tradição faz Maria terminar sua jornada terrena em Jerusalém, no Monte Sion e ser sepultada no lugar onde se encontra hoje a Basílica da “Dormição de Nossa Senhora”, na região do Vale do Cedron, local tradicional de sepulturas. Os estudos arqueológicos e outros indícios fazem remontar o túmulo aos tempos romanos, ou seja, ao primeiro século da nossa era. Além disso, foram encontradas grafites, escritas pelos primeiros cristãos, que iam honrar o local do túmulo de Maria. Foram encontradas também algumas sepulturas judeu-cristãs, que ladeiam a câmara mais interna. Temos ainda a tradição oral de dois mil anos: os cristãos sempre foram lá venerar o túmulo da Mãe de Deus. E temos, além disso, alguns relatórios de peregrinos (famoso é o de Etérea), que por lá passavam e registravam suas impressões sobre a visita e a liturgia celebrada no local. Maria teria voltado de Éfeso para Jerusalém, onde moravam seus parentes, quando o Apóstolo João retornou para participar do primeiro Concílio Ecumênico da Igreja (At 15,6-29).
Na década de 60, quase ao mesmo tempo em que o franciscano Frei Bellarmino Bagatti fazia as escavações científicas junto ao túmulo de Maria, foi descoberto, na biblioteca do Louvre, em Paris, um documento em grego que possibilitou chegar a outros documentos, sobretudo a três, muito próximos entre si tanto na informação quanto no estilo. São eles: De Transitu Mariæ (em língua etíope), Dormitio Mariæ (em grego) e Transitus Mariæ (em latim). Estes textos devem ser datados do final do segundo século até começos do século quarto. Os três textos concordam em que Maria tenha terminado seus dias em Jerusalém.
A última referência bíblica a respeito de Maria a temos nos Atos, ainda quando os Apóstolos estavam no Cenáculo, depois da Ascensão de Jesus: “Todos permaneciam unânimes na oração com algumas mulheres, Maria, Mãe de Jesus, e seus irmãos” (At 1,14). Mas até o século VIII o texto grego “Dormitio Mariæ” encontrava-se no final da bíblia, depois do livro do Apocalipse. Hoje esse texto é considerado apócrifo, isto é, não pertencente ao conjunto dos livros da Sagrada Escritura, portanto, não revelado. Mas de todo respeito. Podia-se perguntar por que a Igreja não aceitou esse livro como revelado. Porque seu estilo é todo diferente e, no IV século, quando se fixou a canonicidade dos livros da Escritura, esse livro tinha muitos acréscimos heréticos e tendenciosos contra a divindade de Jesus, contra a maternidade divina de Maria, contra a Santíssima Trindade, e já não se sabia mais qual era o texto original. O texto descoberto agora é anterior a esses acréscimos e, por isso, merece algum crédito e, diria, alguma veneração.
Segundo este texto e segundo o texto intitulado “Transitus Mariæ”, teríamos os seguintes passos: Maria recebe o anúncio de sua morte e garantia de amparo no momento da passagem; os Apóstolos se reúnem milagrosamente em torno de seu leito; Maria morre à semelhança de todos os seres humanos; durante o funeral, os judeus promovem uma manifestação hostil; depois do sepultamento, segue-se a ressurreição, sendo levada ao céu. Não podemos esquecer que não estamos num terreno de fé. Mas de piedosa crença popular. Na verdade, os últimos dias de Maria e sua passagem para a eternidade estão envoltos num véu de mistério que dificilmente a história ou a teologia conseguirão desvendar.
Que idade teria Nossa Senhora quando terminou seus dias na terra? Há um texto antigo que diz: “Dois anos depois de Cristo ter vencido a morte e subido ao céu, Maria começou a chorar no refúgio de seu quarto”, ou seja, Maria passou a viver seus últimos dias. O texto passa a contar esses últimos dias, inclusive sua assunção ao céu. Se Maria concebeu Jesus aos 14 anos, deu à luz aos 15 (idade normal naquele tempo na Ásia Menor para casar) e Jesus morreu em torno dos 33 anos, Maria teria 50 anos ao morrer. Sabe-se que era a idade média de vida das mulheres naquele tempo e naquela região.
Há uma tradição, que vem dos primeiros tempos da Igreja, que conta que, chegado o momento do trânsito de Maria, Jesus teria vindo buscá-la, acompanhado dos Arcanjos Miguel e Gabriel. O Arcanjo Miguel foi o anjo vencedor de Lúcifer no paraíso terrestre (Ap 12,7-9) e o vencedor do dragão de sete cabeças, que quis devorar o filho da mulher revestida de sol (Ap 12,3-5). No passamento de Maria, hora mais de triunfo e vitória do que de morte, retorna, na piedade popular, o grande Arcanjo, como que para re-arrumar o paraíso perdido e introduzir nele, agora celestial, a humanidade inteira, representada em Maria Imaculada, virgem, esposa e mãe, Mãe de Deus. Retorna Miguel, o protetor da Igreja contra Satanás, para acompanhar na entrada da glória aquela que é o protótipo da comunidade cristã redimida e santificada.
Retorna também, na piedosa crença popular, com o Cristo glorioso, o Arcanjo Gabriel, o embaixador de Deus na Anunciação (Lc 1,26), a testemunha da escolha da jovem Maria de Nazaré como Mãe do Filho de Deus, o Messias Salvador. O Arcanjo, presente no início da história da salvação trazida pelo Cristo e na qual Maria se envolvera cem por cento, retorna no momento em que ela termina sua missão e seus dias na terra, entra gloriosa no seio da Trindade para ser, no tempo e na eternidade, a Mãe da Igreja, a terníssima Rainha do Céu e da Terra.
Maria esteve associada a Jesus a vida inteira (de fato, os teólogos a chamam “Sócia de Cristo”). Associada no corpo, fazendo uma unidade com ele. Associada na missão redentora a ponto de ser chamada “Mãe da Redenção”. Associada na morte e associada por toda a eternidade na glória. Passando pela morte, Maria tornou-se para a humanidade a “feliz porta do céu, para sempre aberta”.
(Frei Clarêncio Neotti, OFM, via Franciscanos)

quinta-feira, 25 de julho de 2019

O Primeiro Culto Protestante no Brasil

                                         O Primeiro Culto Protestante no Brasil

Cabe aos presbiterianos a honra de terem realizado o primeiro culto evangélico na história do Brasil e das Américas. Esse evento singular ocorreu *em 10 de março de 1557 em uma pequena colônia fundada pelos franceses na baía de Guanabara.

1. A FRANÇA ANTÁRTICA
Após o descobrimento do Brasil, Portugal demorou a interessar-se pela ocupação e a colonização dos novos domínios. Com isso, a colônia atraiu a atenção de outras nações européias, especialmente a França. Após a experiência mal-sucedida das capitanias hereditárias e as constantes incursões estrangeiras, Portugal resolveu tomar providências concretas. Em 1549 enviou o primeiro governador-geral do Brasil, Tomé de Souza, que se instalou em Salvador. Todavia, o controle da imensa costa era ainda muito limitado. Foi nesse contexto que o militar e aventureiro Nicolas Durand de Villegaignon teve a idéia de fundar uma colônia numa região bem conhecida dos franceses: a baía de Guanabara.

Villegaignon aproximou-se do vice-almirante Gaspard de Coligny, um dos principais conselheiros do reino, que nutria fortes simpatias pela Reforma. Com isso, conseguiu o apoio do rei Henrique II (1547-1559), que lhe forneceu dois navios aparelhados e recursos para a viagem. A expedição chegou à Guanabara no dia 10 de novembro de 1555, sendo bem recebida pelos índios tupinambás, acostumados à presença de franceses na região. O grupo instalou-se na pequena ilha de Serigipe, mais tarde denominada Villegaignon, onde foi construído o Forte Coligny.

2. A VINDA DOS REFORMADOS
Diante de várias dificuldades surgidas, Villegaignon escreveu à Igreja Reformada de Genebra solicitando o envio de pastores e colonos evangélicos que contribuíssem para a elevação do nível moral e espiritual da colônia. Coligny convidou para liderar o grupo um ex-vizinho seu, Filipe de Corguilleray, conhecido como senhor Du Pont. Por sua vez, João Calvino e seus colegas alegremente escolheram para acompanhar os colonos os pastores Pierre Richier (50 anos) e Guillaume Chartier (30 anos). Os seus objetivos específicos eram implantar a fé reformada entre os franceses e evangelizar os indígenas.

Os huguenotes que os acompanharam foram Pierre Bourdon, Matthieu Verneil, Jean du Bourdel, André Lafon, Nicolas Denis, Jean Gardien, Martin David, Nicolas Raviquet, Nicolas Carmeau, Jacques Rousseau e o sapateiro Jean de Léry, o cronista da viagem, que escreveria a obra Viagem à Terra do Brasil (publicada em 1578). Eram ao todo 14 pessoas. O grupo deixou Genebra em 16 de setembro de 1556. Após visitarem o almirante Coligny, seguiram para Paris, onde outros se uniram à comitiva. Alguns pensam que entre eles estava Jacques Le Balleur. No dia 19 de novembro embarcaram para o Brasil no porto de Honfleur, na Normandia.

A frota de três navios, comandada por Bois Le Conte, sobrinho de Villegaignon, levava cerca de 290 pessoas, inclusive algumas mulheres. Como de costume, a viagem foi muito penosa. A certa altura, diante da situação em que se achavam, os reformados recitaram o Salmo 107 (ver os vv. 23-30). No dia 7 de março de 1557, os viajantes finalmente entraram no “braço de mar” chamado Guanabara pelos selvagens e Rio de Janeiro pelos portugueses.

3. O PRIMEIRO CULTO
O desembarque no forte Coligny deu-se no dia 10 de março, uma quarta-feira. O vice-almirante recebeu o grupo afetuosamente e demonstrou alegria porque vinham estabelecer uma igreja reformada. Logo em seguida, reunidos todos em uma pequena sala no centro da ilha, foi realizado um culto de ação de graças, o primeiro culto protestante ocorrido nas Américas, o Novo Mundo.

O ministro Richier orou invocando a Deus. Em seguida foi cantado em uníssono, segundo o costume de Genebra, o Salmo 5: “Dá ouvidos, Senhor, às minhas palavras”. Esse hino constava do Saltério Huguenote, com metrificação de Clement Marot e melodia de Louis Bourgeois, e até hoje se mantém nos hinários franceses. Bourgeois foi diretor de música da Igreja de Genebra de 1545 a 1557 e um dos grandes mestres da música francesa no século 16. A versão mais conhecida em português (“À minha voz, ó Deus, atende”) tem música de Claude Goudimel (†1572) e metrificação do Rev. Manoel da Silveira Porto Filho.

Em seguida, o pastor Richier pregou um sermão com base no Salmo 27:4: “Uma coisa peço ao Senhor e a buscarei: que eu possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do Senhor e meditar no seu templo”. Após o culto, os huguenotes tiveram sua primeira refeição brasileira: farinha de mandioca, peixe moqueado e raízes assadas no borralho. Dormiram em redes, à maneira indígena. A Santa Ceia segundo o rito reformado foi celebrada pela primeira vez no domingo 21 de março de 1557.

4. EVENTOS POSTERIORES
Infelizmente, o vice-almirante acabou entrando em conflito com os huguenotes sobre questões doutrinárias e os expulsou da colônia. Em 4 de janeiro de 1558, eles partiram para a França a bordo de um velho navio. O comandante avisou que a viagem iria ser difícil e não haveria alimento para todos. Diante disso, cinco huguenotes se ofereceram para voltar à terra. Inicialmente Villegaignon os recebeu de modo cordial, mas logo os acusou de serem traidores e espiões. Formulou um questionário sobre pontos doutrinários e lhes deu doze horas para responderem por escrito. O resultado foi a bela Confissão de Fé da Guanabara ou Confissão Fluminense.

O almirante declarou heréticos vários artigos e decidiu pela morte dos reformados. No dia 9 de fevereiro de 1558, Jean du Bourdel, Matthieu Verneil e Pierre Bourdon foram estrangulados e lançados ao mar. André Lafon foi poupado devido às suas vacilações religiosas e ao fato de ser o único alfaiate da colônia. Jacques Le Balleur fugiu e foi para São Vicente. Levado preso para a Bahia, ficou encarcerado por oito anos, sendo então conduzido ao Rio de Janeiro, onde foi enforcado. Ele e seus companheiros ficaram conhecidos como os mártires calvinistas do Brasil.

Essa efêmera presença calvinista no início da história do Brasil não produziu efeitos permanentes. Não foi possível aos reformados alcançar seus dois intentos principais: criar uma igreja reformada e evangelizar os nativos. Todavia, esse episódio é considerado um marco significativo na história das missões cristãs, pois foi a primeira vez que os protestantes buscaram anunciar a sua fé a um povo pagão. O fruto mais duradouro do singelo empreendimento foi a bela confissão de fé selada com sangue. (Alderi Souza de Matos). http://www.barrabaslivre.com/2015/03/o-primeiro-culto-protestante-no-brasil.html

segunda-feira, 15 de julho de 2019

O Planeta Pós-Apocalipse.

Uma artista plástica criou maquetes detalhadas que mostram como seria um futuro pós-apocalíptico. Lori Nix passa semanas reconstruindo cada detalhe nestas maquetes que mostram como lugares do cotidiano – como lojas, residências, bibliotecas – ficariam após uma catástrofe.

O apartamento da artista, no bairro americano do Brooklyn, está tomado por maquetes que têm o tamanho de uma casa de bonecas. "Cada quarto do meu apartamento é dedicado ao processo de construção e fotografia de maquetes.

Ela conta que passa noites e finais de semana inteiros trabalhando nos modelos. Durante o dia, ela é fotógrafa profissional. As obras da artista americana serão exibidas em Toronto, no Canadá”. BBC
O que impressiona nas maquetes da artista é sua realidade sobre as cenas após o Apocalipse ou destruição do planeta. De acordo com a Bíblia essa destruição se dará por ocasião da Segunda Vinda de Jesus – 

“Ora, os céus que agora existem e a terra, pela mesma palavra, têm sido entesourados para fogo, estando reservados para o Dia do Juízo e destruição dos homens ímpios. (...)



Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada (...)  Virá, entretanto, como ladrão, o Dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem serão atingidas.

Visto que todas essas coisas hão de ser assim desfeitas, deveis ser tais como os que vivem em santo procedimento e piedade, esperando e apressando a vinda do Dia de Deus, por causa do qual os céus, incendiados, serão desfeitos, e os elementos abrasados se derreterão” 2 Pe. 3:7-12.

O planeta será parcialmente destruído na Segunda Vinda e não haverá sobreviventes – os justos (vivos e ressuscitados) serão arrebatados – “Porquanto o Senhor mesmo... descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois nós os que ficarmos vivos seremos arrebatados aos céus ao encontro do Senhor nas nuvens”    1 Tes 4:16 e 17.Jesus explicando o destinos dos justos e ímpios, afirmou – 

“E irão estes para o  castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna.” Mt 25:46

Em uma parábola ilustrou o destino dos ímpios – 
“E o servo inútil, lançai -o para fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes.” Mateus 25:30

No capítulo 19 do Apocalipse é descrito a Segunda Vinda como uma batalha – 
“Vi o céu aberto, e eis um cavalo branco. O seu cavaleiro se chama Fiel e Verdadeiro e julga e peleja com justiça (...) e seguiam-no os exércitos que há no céu, montando cavalos brancos, com vestiduras de linho finíssimo, branco e puro.” 19:11 e 14.

É o Armagedom, a última batalha pela posse do Planeta, descrita em símbolos militares no Apocalipse. Jesus é visto em um cavalo branco, como os antigos imperadores faziam, cercado por exércitos de cavaleiros.

Outra evidência é a informação do Apocalipse quanto aos inimigos a serem combatidos – 

“E vi a besta e os reis da terra, com os seus exércitos, congregados para pelejarem contra aquele que estava montado no cavalo e contra o seu exército.” 19:19

Mas a destruição final nesta Segunda Vinda retratada de forma militar é descrita como macabra; os corpos dos ímpios sendo devorados por aves de rapina – 

“Então, vi um anjo posto em pé no sol, e clamou com grande voz, falando a todas as aves que voam pelo meio do céu: Vinde, reuni-vos para a grande ceia de Deus, para que comais carnes de reis, carnes de comandantes, carnes de poderosos, carnes de cavalos e seus cavaleiros, carnes de todos, quer livres, quer escravos, tanto pequenos como grandes.” 19:17 e 18

Na descrição deste Cavaleiro Cósmico que vem resgatar os justos no planeta, Ele é visto com sua Arma letal – 

“Sai da sua boca uma espada afiada, para com ela ferir as nações; e ele mesmo as regerá com cetro de ferro e, pessoalmente, pisa o lagar do vinho do furor da ira do Deus Todo-Poderoso.” 19:15

As nações são feridas e exterminadas pela ‘palavra de ordem' durante a manifestação cósmica de Jesus no espaço atmosférico da terra – 

“Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus...” 1 Tes. 4:16 e 17.

A Voz que ressuscita os Justos, fere mortalmente os ímpios; a glória de Jesus manifestada aos olhos dos ímpios é devastadora.

A Terra ficará desolada e vazia. Como nas maquetes da artista visionária. 

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