segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Providência Infinita

«Olhai os. . . lírios do campo», as flores silvestres que florescem espontâneas, a erva. Os estudiosos gastam muitas páginas tentando resolver com exatidão o significado de «lírio». Mas certamente Cristo se refere a flores comuns que cresciam nos campos da Palestina, e com as quais todos estavam bem familiarizados. Diz Ele: Olhai essas flores — considerai-as; não trabalham nem fiam, e contudo, olhai-as. Vede essa maravilha, essa beleza, essa perfeição. Pois nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer delas. A glória de Salomão era proverbial entre os judeus. Você pode ler no Antigo Testamento acerca de sua magnificência — o vestuário esplêndido e todas as maravilhosas vestes do rei e sua corte, os seus palácios de cedro com o mobiliário revestido de ouro e com incrustações de pedras preciosas. Todavia, diz nosso Senhor, tudo isso se torna pálida insignificância quando comparado com uma dessas flores. Há uma qualidade essencial nas flores, na forma, nos seus contornos, na sua contextura e substância, e no colorido, que o homem, com todo o seu engenho, jamais pôde imitar realmente.A mais humilde flor pode inspirar-me pensamentos que jazem tão profundos que as lágrimas não podem provocar-me.É isso que Cristo vê. Ele vê a mão de Deus; Ele vê a perfeita criação; Ele vê a glória do Todo-Poderoso. A pequenina flor talvez jamais notada durante toda a sua breve existência neste mundo, e que aparentemente «desperdiça o seu dulçor nos ares do deserto», é, contudo, vestida por Deus com perfeição. É um fato, não é? Assim sendo, faça a dedução pertinente: «Ora, se Deus veste assim a erva do campo. . . quanto mais a vós outros, homens de pequena fé?»Se Deus faz isso pelas flores do campo, quanto mais por você?
... Eis o argumento. . . Que poderoso argumento ele é! A erva do campo é transitória e passageira. Nos tempos antigos era costume cortá-la e usá-la como combustível. Era a velha maneira de assar pão. Primeiro o povo cortava a erva, deixava-a secar, e então a punha no forno e lhe deitava fogo. Gerava-se grande calor. Depois as pessoas retiravam as cinzas com um rastelo, e punha no forno o pão, que já estava preparado para ser assado. Essa fora uma prática generalizada, e ainda o era nos dias do nosso Senhor. Assim você percebe a força do argumento. Os lírios e a erva são efêmeros; não duram muito. Como estamos cientes disso! Não podemos fazer durar as nossas flores: assim que as colhemos, começam a morrer. Estão aqui hoje. com toda a sua delicada beleza e com toda a sua perfeição, mas amanhã nada resta. Estas belas coisas vêm e vão, e seu fim é esse. Você, contudo, é imortal; você não é simples criatura do tempo, mas pertence à eternidade. Não está certo dizer que hoje você está aqui e amanhã se vai; no sentido real. Deus «pôs a eternidade» no coração do homem; o homem não foi feito para morrer. «Es pó, e ao pó retomarás», não foi dito com respeito à alma. Você continua, e continua e continua. Não é só dignidade e grandeza moral que você tem; você possui também existência eterna, além da morte e do sepulcro. Quando você entende essa verdade, a respeito de sua pessoa, pode acreditar que Deus, que o fez e o destinou para aquilo, irá negligenciar seu corpo, enquanto você estiver nesta vida e neste mundo? Claro que não. «Se Deus veste assim a erva do campo. . .?»

Studies in the Sermon on the Mount, ii, p. 124

A Divina Providência

“...não vos entristeçais, nem vos pese aos vossos olhos por me haverdes vendido para cá; porque, para conservação da vida, Deus me enviou diante da vossa face.” (Gn 45.5)
Depois de o Senhor Deus criar os céus e a terra (Gn 1.1), Ele não deixou o mundo à sua própria sorte. Pelo contrário, Ele continua interessado na vida dos  seus, cuidando da sua criação. Deus não é como um hábil relojoeiro que formou o mundo, deu-lhe corda e deixa acabar essa corda lentamente até o fim; pelo contrário, Ele é o Pai amoroso que cuida daquilo que criou. O constante cuidado de Deus por sua criação e por seu povo é chamado, na linguagem doutrinal, a providência divina.
ASPECTOS DA PROVIDÊNCIA DIVINA.
Há, pelo menos, três aspectos da providência divina.
1) Preservação.
Deus, pelo seu poder, preserva o mundo que Ele criou. A confissão de Davi fica clara: “A tua justiça é como as grandes montanhas; os teus juízos são um grande abismo; SENHOR, tu conservas os homens e os animais” (Sl 36.6). O poder preservador de Deus manifesta-se através do seu filho Jesus Cristo, conforme Paulo declara em Cl 1.17: Cristo “é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por Ele”. Pelo poder de Cristo, até mesmo as minúsculas partículas de vida mantêm-se coesas.
2) Provisão.
Deus não somente preserva o mundo que Ele criou, como também provê as necessidades das suas criaturas. Quando Deus criou o mundo, criou também as estações (Gn 1.14) e proveu alimento aos seres humanos e aos animais (Gn 1.29,30). Depois de o Dilúvio destruir a terra, Deus renovou a promessa da provisão, com estas palavras: “Enquanto a terra durar, sementeira e sega, e frio e calor, e verão e inverno, e dia e noite não cessarão” (Gn 8.22). Vários dos salmos dão testemunho da bondade de Deus em suprir do necessário a todas as suas criaturas (e.g., Sl 104; 145). O mesmo Deus revelou a Jó seu poder de criar e de sustentar (Jó 38—41), e Jesus asseverou em termos bem claros que Deus cuida das aves do céu e dos lírios do campo (Mt 6.26-30; 10.29). Seu cuidado abrange, não somente as necessidades físicas da humanidade, como também as espirituais (Jo 3.16,17). A Bíblia revela que Deus manifesta um amor e cuidado especiais pelo seu próprio povo, tendo cada um dos seus em alta estima (e.g., Sl 91; ver Mt 10.31). Paulo escreve de modo inequívoco aos crentes de Filipos: “O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus” (ver Fp 4.19 nota). De conformidade com o apóstolo João, Deus quer que seu povo tenha saúde, e que tudo lhe vá bem (ver 3Jo 2).
3) Governo.
Deus, além de preservar sua criação e prover-lhe o necessário, também governa o mundo. Deus, como Soberano que é, dirige, os eventos da história, que acontecem segundo sua vontade permissiva e seu cuidado. Em certas ocasiões, Ele intervém diretamente segundo o seu propósito redentor. Mesmo assim, até Deus consumar a história, Ele tem limitado seu poder e governo supremo neste mundo. As Escrituras declaram que Satanás é “o deus deste século” [mundo] (2Co 4.4) e exerce acentuado controle sobre a presente era maligna (ver 1Jo 5.19 nota; Lc 13.16; Gl 1.4; Ef 6.12; Hb 2.14). Noutras palavras, o mundo, hoje, não está submisso ao poder regente de Deus, mas, em rebelião contra Ele e escravizado por Satanás. Note, porém, que essa autolimitação da parte de Deus é apenas temporária; na ocasião que Ele já determinou na sua sabedoria, Ele aniquilará Satanás e todas as hostes do mal (Ap 19—20).
A PROVIDÊNCIA DIVINA E O SOFRIMENTO HUMANO.
A revelação bíblica demonstra que a providência de Deus não é uma doutrina abstrata, mas que diz respeito à vida diária num mundo mau e decaído.
1) Toda pessoa experimenta o sofrimento em certas ocasiões da vida e daí surge a inevitável pergunta “Por quê?” (cf. Jó 7.17-21; Sl 10.1; 22.1; 74.11,12; Jr 14.8,9,19). Essas experiências alvitram o problema do mal e do seu lugar nos assuntos de Deus.
2) Deus permite que os seres humanos experimentem as conseqüências do pecado que penetrou no mundo através da queda de Adão e Eva. José, por exemplo, sofreu muito por causa da inveja e da crueldade dos seus irmãos. Foi vendido como escravo pelos seus irmãos e continuou como escravo de Potifar, no Egito (37; 39). Vivia no Egito uma vida temente a Deus, quando foi injustamente acusado de imoralidade, lançado no cárcere (39) e mantido ali por mais de dois anos (40.1—41.14). Deus pode permitir o sofrimento em decorrência das más ações do próximo, embora Ele possa soberanamente controlar tais ações, de tal maneira que seja cumprida a sua vontade. Segundo o testemunho de José, Deus estava agindo através dos delitos dos seus irmãos, para a preservação da vida (45.5; 50.20).
3) Não somente sofremos as conseqüências dos pecados dos outros, como também sofremos as conseqüências dos nossos próprios atos pecaminosos. Por exemplo: o pecado da imoralidade e do adultério, freqüentemente resulta no fracasso do casamento e da família do culpado. O pecado da ira desenfreada contra outra pessoa pode levar à agressão física, com ferimentos graves ou até mesmo o homicídio de uma das partes envolvidas, ou de ambas. O pecado da cobiça pode levar ao furto ou desfalque e daí à prisão e cumprimento de pena.
4) O sofrimento também ocorre no mundo porque Satanás, o deus deste mundo, tem permissão para executar a sua obra de cegar as mentes dos incrédulos e de controlar as suas vidas (2Co 4.4; Ef 2.1-3). O NT está repleto de exemplos de pessoas que passaram por sofrimento por causa dos demônios que as atormentavam com aflição mental (e.g., Mc 5.1-14) ou com enfermidades físicas (Mt 9.32,33; 12.22; Mc 9.14-22; Lc 13.11,16.
Dizer que Deus permite o sofrimento não significa que Deus origina o mal que ocorre neste mundo, nem que Ele pessoalmente determina todos os infortúnios da vida. Deus nunca é o instigador do mal ou da impiedade (Tg 1.13). Todavia, Ele, às vezes, o permite, o dirige e impera soberanamente sobre o mal a fim de cumprir a sua vontade, levar a efeito seu propósito redentor e fazer com que todas as coisas contribuam para o bem daqueles que lhe são fiéis (ver Mt 2.13; Rm 8.28.
O RELACIONAMENTO DO CRENTE COM A PROVIDÊNCIA DIVINA.
O crente para usufruir os cuidados providenciais de Deus em sua vida, tem responsabilidades a cumprir, conforme a Bíblia revela.
1) Ele deve obedecer a Deus e à sua vontade revelada. No caso de José, por exemplo, fica claro que por ele honrar a Deus, mediante sua vida de obediência, Deus o honrou ao estar com ele (39.2, 3, 21, 23). Semelhantemente, para o próprio Jesus desfrutar do cuidado divino protetor ante as intenções assassinas do rei Herodes, seus pais terrenos tiveram de obedecer a Deus e fugir para o Egito (ver Mt 2.13). Aqueles que temem a Deus e o reconhecem em todos os seus caminhos têm a promessa de que Deus endireitará as suas veredas (Pv 3.5-7).
2) Na sua providência, Deus dirige os assuntos da igreja e de cada um de nós como seus servos. O crente deve estar em constante harmonia com a vontade de Deus para a sua vida, servindo-o e ajudando outras pessoas em nome dEle (At 18.9,10; 23.11; 26.15-18; 27.22-24).
3) Devemos amar a Deus e submeter-nos a Ele pela fé em Cristo, se quisermos que Ele opere para o nosso bem em todas as coisas (ver Rm 8.28).
Para termos sobre nós o cuidado de Deus quando em aflição, devemos clamar a Ele em oração e fé perseverante. Pela oração e confiança em Deus, experimentamos a sua paz (Fp 4.6,7), recebemos a sua força (Ef 3.16; Fp 4.13), a misericórdia, a graça e ajuda em tempos de necessidade (Hb 4.16; ver Fp 4.6). Tal oração de fé, pode ser em nosso próprio favor ou em favor do próximo (Rm 15.30-32; ver Cl 4.3.


A Providência

O Significado fundamental da palavra providência é “ver antes ou com antecedência“, ou “prover algo para“. Com tais sentidos, a palavra fica longe de conseguir cobrir o profundo signifcado da doutrina da providência, a qual significa muito mais do que Deus ser um espectador dos eventos humanos. Contém muito mais do que uma mera referência à presciência de Deus.
A confissão de Fé de Westminster, feita no século XVII, definia providência da seguinte maneira:
“Pela mui sábia providência, segundo a sua infalível presciência e o livre e imutável conselho de sua própria vontade, Deus, o grande Criador de todas as coisas, para o louvor da glória de sua sabedoria, poder, justiça, bondade e misericórdia, sustenta, dirige, dispõe e governa todas as criaturas, todas as ações delas e todas as coisas, desde a maior até à menor” (Cap.VI).
Aquilo que Deus cria, ele também sustenta. O universo não só depende de Deus para sua origem, mas depende dele também para continuar existindo. O universo não pode existir nem operar por seu próprio poder. Deus sustenta todas as coisas por seu poder. Nele nós vivemos, nos movemos e existimos.
O ponto central da doutrina da providência é a ênfase no governo de Deus sobre o universo. Ele governa sua criação com absoluta soberania e autoridade. Ele governa tudo aquilo que acontece, desde os maiores eventos até os menores. Nada jamais acontece além do âmbito do seu governo soberano e providencial. Ele faz a chuava cair e o sol brilhar. Levanta e derruba reinos. Ele conta os cabelos da nossa cabeça e os dias da nossa vida.
Existe uma diferença fundamental entre a providência de Deus e fortuna, destino ou sorte. A chave para esta diferença está no caráter pessoal de Deus. A fortuna é cega, enquanto Deus vê todas as coisas. O destino é impessoal enquanto Deus é nosso Pai. A sorte é muda enquanto Deus pode falar. Não existem forças cegas e impessoais operando na história humana. Tudo se passa por meio da mão invisível da providência de Deus.
Num universo governado por Deus não existem eventos casuais. De fato, não existe algo como acaso. O acaso não existe. Não passa de uma palavra que usamos para descrever possibilidades matemáticas, mas que não tem nenhum poder em si, porque não tem existência. O acaso não é uma entidade capaz de influenciar a realidade. Acaso não é algo real. Não é nada.
Outro aspecto da providência chama-se concorrência. Concorrência refere-se às ações conjuntas de Deus e seres humanos. Somos criaturas com vontade própria. Fazemos coisas acontecerem. Mesmo assim, o poder causal que exercemos é secundário. A soberba providência de Deus está acima e além das nossas ações. Ele opera sua vontade por meio das ações da vontade humana, sem violar a liberdade dessa vontade humana. O exemplo mais claro de concorrência encontrado nas Escrituras é o caso de José e seus irmãos. Apesar de os irmãos de José serem verdadeiramente culpados pela traição que fizeram contra ele, a providência de Deus estava operando até mesmo através do pecado deles. Jose disse aos irmãos: “Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida” (Gn 50.20).
A providência redentora de Deus pode operar através das ações mais diabólicas. A pior ofensa que já foi cometida por um ser humano foi a traição de Jesus Cristo por Judas Iscariotes. Mesmo assim, a morte de Cristo não foi um acidente na História. Aconteceu de acordo com o conselho determinado por Deus. O ato de perversidade de Judas ajudou a promover a melhor coisa que já aconteceu na História, a Expiação. Não é fortuito quando nos referimos àquele dia histórico como sexta-feira “santa”.

Pr. Alexandre R. de Souza

O Alcance da Providência de Deus

As obras da providência de Deus são seus atos máximos de santidade, de sabedoria e seu poder para governar suas criaturas e suas ações.
Cristo diz a respeito da obra da providência de Deus: "Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também" (Jo 5.17). Deus descansou da obra da criação, não criou mais nenhuma espécie de coisas. "Descansou nesse dia de toda a sua obra que tinha feito" (Gn 2.2). Portanto, esse deve ser o significado das obras da providência: "Meu Pai trabalha e eu trabalho". "O seu reino domina sobre tudo" (SI 103.19); isto é, seu reino providencial. Para esclarecer esse ponto, é preciso primeiramente mostrar que há uma providência; em seguida definir o que seja essa providência; e depois, formular alguns conceitos ou proposições a respeito da providência de Deus.
1. A realidade da providência de Deus
Há uma providência. Não há o que se chama destino cego, mas há uma providência que guia e governa o mundo. "A sorte se lança no regaço, mas do SENHOR procede toda decisão" (Pv 16.33).
2. A definição de providência de Deus
O que é essa providência? Minha resposta: a providência é a ordenação de Deus sobre todas as causas e conseqüências das coisas, segundo o conselho de sua vontade, para sua própria glória.
a. A providência se distingue dos decretos de Deus
Chamo de providência a ordenação de Deus sobre as coisas para fazer distinção entre isso e seus decretos. Os decretos de Deus ordenam as coisas que acontecerão. A providência de Deus as determina.
b. A providência se conforma ao conselho de Deus
Chamo de providência a ordenação das coisas segundo o conselho da vontade de Deus.
c. A providência visa à glorificação de Deus
Deus comanda todos os eventos, segundo o conselho de sua vontade, para sua glória, que é o fim maior de todos os seus atos e o ponto em que todas as linhas de providência se encontram. A providência de Deus é Regina mundi - "a rainha e governante do mundo"; é o olho que vê, a mão que gira todas as engrenagens do universo. Deus não é como um artesão que constrói uma casa e, então, deixa-a; antes é como um piloto que conduz o navio de toda a criação.
3. O alcance da providência de Deus
Podemos apresentar a seguinte proposição acerca da providência de Deus: ela está presente em tudo na vida dos homens, isto é, todos os lugares, todas as pessoas e todos os acontecimentos.
a. A providência de Deus alcança todos os lugares
"Acaso sou Deus apenas de perto, diz o SENHOR, e não também de longe?" (Jr 23.23). O alcance da providência de Deus é imenso, ela alcança o céu, a terra e o mar. "Os que, tomando navios, descem aos mares... esses vêem as obras do SENHOR" (SI 107.23,24). Pois bem, que o mar, que é maior que a terra, não a inunde é uma maravilha da providência. O profeta Jonas viu as maravilhas de Deus nas profundezas, quando o grande peixe que o engoliu depois o deixou a salvo na praia.
b. A providência de Deus alcança todas as pessoas
Ela alcança especialmente as pessoas devotas que, de maneira especial, procuram conhecê-la. Deus tem cuidado de cada santo em particular, como se não houvesse mais ninguém de quem cuidar. "Porque ele tem cuidado de vós" (l Pe 5.7), isto é, o eleito de maneira especial. "Eis que os olhos do SENHOR estão sobre os que o temem, sobre os que esperam na sua misericórdia... e, no tempo da fome, conservar-lhes a vida" (SI 33.18,19). Deus, por seu providencial cuidado, defende seu povo dos perigos e coloca anjos protetores ao seu redor (SI 34.7). A providência de Deus preserva os ossos dos santos (SI 34.20), recolhe no odre suas lágrimas (SI 56.8), fortalece-os na sua fraqueza (Hb 11.34), e supre todas as suas necessidades (SI 23.5). Assim, a providência supre maravilhosamente as necessidades dos eleitos.
Quando os protestantes em Rochelle foram sitiados pelo rei da França, Deus, por sua providência, mandou um grande número de pequenos peixes para alimentá-los, como nunca tinham visto antes naquele porto. Da mesma maneira o corvo, aquela criatura desnaturada (que dificilmente alimenta a própria prole), providencialmente trouxe sustento ao profeta Elias (lRs 17.6).
Veja o caso de Maria que, gerando e dando à luz ao Messias, ajudou a enriquecer o mundo, ainda que ela mesma fosse muito pobre. Um pouco depois de ter nascido o bebê, foi alertada pelo anjo para que fugisse para o Egito (Mt 2.13), no entanto, não tinha recursos suficientes para levar seus pertences àquela terra; porém, observe como Deus, antecipadamente, prove: em sua providência, ele envia os magos, desde o oriente, os quais levaram presentes caros, como o ouro, a mirra e o incenso, que presentearam Cristo. Assim, Maria teve o suficiente para custear suas despesas no Egito. Os filhos de Deus, às vezes, não sabem como são alimentados, sabem somente que a providência os alimentou. "Verdadeiramente serás alimentado" (SI 37.3, RC). Se Deus vai dar um reino a seus filhos, quando morrerem, não lhes negará o pão de cada dia enquanto viverem.
c. A providência de Deus alcança todos os acontecimentos
Ou seja, ela alcança todos os negócios e ocorrências no mundo. Não há nada que se mova no mundo que Deus não tenha, por sua providência, ordenado. Há honra na exaltação do homem? (SI 75.7). A um ele abate, a outro exalta. O sucesso e a vitória na batalha são resultados da providência. Saul tinha a vitória, mas Deus deu a salvação (ISm 11.13). O fato de que dentre todas as virgens trazidas à presença do rei só Ester tenha achado graça diante de seus olhos, não teria acontecido sem a providência especial de Deus. Por causa disso o Senhor salvou os judeus que estavam destinados à destruição. A providência atinge as mínimas coisas: dos pássaros às formigas. A providência alimenta os filhotes dos corvos, quando a mãe os abandona e não mais lhes providencia comida (SI 147.9). A providência atinge até mesmo os cabelos de nossa cabeça. "Até os cabelos todos da cabeça estão contados" (Mt 10.30).
Certamente, a providência atinge todos os lugares, todas as pessoas, todas as ocorrências e todos os negócios.

Thomas Watson

A Providência de Deus

A palavra providência não é encontrada na Bíblia. Ela é usada como um nome para o ensino bíblico que Deus é o Governador sempre presente de toda a criação.
Como Governador soberano da criação, Deus cuida e supre as necessidades de todas as suas criaturas. Observe que a palavra prover é encontrada na palavra providência.2 Providência, contudo, não se refere somente a essa provisão, mas também ao controle, direção e uso de todas as coisas por Deus para os seus propósitos. "Todos os moradores da terra são por ele reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?" (Daniel 4:35). Isso, também, é sua providência.
Providência significa que nada acontece por acontecer. Não existe tal coisa como acaso ou sorte (Mt. 10:29-30). Todas as coisas são obra de Deus. Mesmo os atos pecaminosos dos ímpios e a atividade do diabo estão completamente sob o controle de Deus (Ex. 4:21; I Sm. 2:25; II Sm. 16:10; 24:1; I Reis 22:19-22; Sl. 139:1-16; Pv. 16:1, 4, 9; 21:1; Is. 10:15; 45:7; 63:17; Jr. 10:23; Dn. 4:17; Amós 3:6; Mt. 8:31; Atos 2:23; 17:28; Rm. 9:18). Todavia, Deus é tão grande que ele não é responsável por nenhuma das impiedades que os homens praticam. Verdadeiramente, seus caminhos não são os nossos caminhos, e os seus pensamentos não são os nossos pensamentos (Is. 55:8).
Quando a Escritura fala da providência de Deus, ela na maioria das vezes fala de sua "mão" (Sl. 109:27; I Pe. 5:6). É por sua mão que ele provê para as suas criaturas e lhes dá vida e fôlego. É com sua mão que ele guia e dirige o curso de todas as cosias, de forma que sirvam ao seu propósito maravilhoso. Sua mão é seu poder soberano e todo-poderoso.
Algumas vezes até mesmo homens são descritos como a mão de Deus, quando ele usa-os para realizar o seu propósito (Sl. 17:13-14) ou quando eles são os instrumentos de seu propósito (Gn. 49:24; Sl. 17:13; Is. 10:15). E o que é mais, esses homens são incapazes de questionar os tratamentos de Deus (Is. 45:9), mesmo quando eles são os instrumentos que Deus usa.
Deve existir terror indizível neste pensamento para o ímpio, pois não importa o que eles façam ou pra onde vão, eles estão nas mãos de Deus e não podem fazer nada à parte daquele que é o seu Juiz e Executor. Ao mesmo tempo, há conforto sem fim na providência de Deus para os crentes, pois a mão que os sustém é a mão de seu Pai (João 10:28-29), que os amou eternamente e soberana e graciosamente cuida deles. A Escritura fala até mesmo deles sendo gravados nas mãos de Deus (Is. 49:16).
Sabendo, então, que ele é o seu Pai celestial, os crentes aprendem dessa doutrina da providência que o seu Pai é todo-poderoso. Ele é capaz de fazer todas as coisas necessárias para a sua salvação. Ele controla todas as circunstâncias de sua vida, incluindo as coisas que parecem ser contra eles. Doença, morte, pobreza, aflição, e perseguição não chegam por mero acaso, mas estão sob o controle soberano daquele que ama o seu povo e deu o seu Filho unigênito por eles. Sem dúvida, então, todas as coisas devem cooperar juntamente para o bem daqueles que amam a Deus (Rm. 8:28), e nada pode separá-los do amor de Deus em Jesus Cristo (v. 39).

Rev. Ronald Hanko

Deus Proverá

Quando Deus pede algo, Ele já nos possibilita a realização. “Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade.” (Fl.2:13), assim, quando Deus pede algo, na verdade Ele apenas espera que manifestemos nossa Fé e nos prontifiquemos a realizar o que foi pedido.
Cristo nos diz que seu jugo é suave "Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve." (Mt.11:30), convida aos cansados e sobrecarregados que venham a Ele "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei." (Mt.11:28), assim, quando Ele nos pede algo certamente não será algo que não poderemos suportar, assim, como a palavra de Deus não volta vazia e com certeza quando ele nos afirma que precisa de algo, Ele já tem preparados os recursos para que nós possamos atender à Sua voz. Basta tão somente que a Fé seja manifesta. Isto não é fácil, isto não é indolor e nem deve ser. Isto é o verdadeiro sacrifício. Confira, crer é entregar-se. Eis-me aqui! "Entrega o teu caminho ao SENHOR; confia nele, e ele o fará." (Sl. 37:5)
Assim como Abraão sentiu por ter que obedecer à voz de Deus e tenho certeza de que não foi fácil, também é hoje difícil ouvir a voz que nos indica o caminho tortuoso através da porta estreita. Assim como também não foi fácil para o Senhor Jesus, Ele, Deus feito carne, que se coloca diante do Pai e afirma: “Pai meu, se este cálice não pode passar de mim sem eu o beber, faça-se a tua vontade." (Mt.26:42). Mas tenho certeza, de que assim como Ele venceu ao obedecer ao chamado doloroso de Deus, também venceremos!
Assim, proponho tão somente que, munidos da Fé subamos ao altar de Deus, entregando-nos em perfeito sacrifício. "Pela fé Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho dos seus dons, e por ela, depois de morto, ainda fala." (Hb. 11:4).
Deus proverá para sí o cordeiro. Quanto aos inimigos, bem, eles já caíram pois não são nada para o nosso Deus. Nossos inimigos já foram entregues e isto, é pouco! "E ainda isto é pouco aos olhos do SENHOR; também entregará ele os moabitas nas vossas mãos." (II Rs. 3:18)
Eia, subamos e possuamos!

Rogerio Bolanho