sábado, 10 de fevereiro de 2018

Rei Momo, Origem e História


Tudo começou ...

MOMUS - Festividades a Momus - Momo, Mômos, burla, crítica ou zombaria e em latim Momus - Deusa da Mitologia Grega. Momus, originalmente é uma MULHER, filha de Nix (a Noite). Pouquíssima lembrada na Mitologia Grega e quando representada, foi pintada como homem.
Arte: Momus - Série Bacchus - Conelis de Vos



Gravura da Carta de Tarô
Mas, sem dúvida, Momus, a personificação do sarcasmo, do deboche, do delírio, da censura, do ridículo, da paródia, da crítica cortante, do desprezo e da culpa, depois da Mitologia Grega foi representado por homem (o masculino). Momus aprontou tanto que foi expulso do Olimpo. 

momus (feminino) ao rei momo (masculino) 

Como Momus, Deusa da Gozação que traz na mão um bastão, símbolo da loucura, o Rei Momo carrega o cetro e a coroa, e comanda a devassidão e o divertimento. 

O Rei Momo recebe também a chave da cidade a fim de abrí-la, simbolicamente para as festividades do carnaval. 

Salientamos que na Mitologia Grega o Deus Momus era uma mulher (o feminino) e todo candidato a Rei Momo sempre é um HOMEM (o masculino). 


Na idade Média, na Península Ibérica, o Momo era uma representação teatral com máscaras, cujo protagonista (mascarado) também se chamava Momo e se apresentava fazendo mimicas e trejeitos corporais. 

Assim, o Rei Momo tenha sido inspirado no personagem da Mitologia Grega Momus e o Rei Momo, atual Rei do Carnaval, que trás em si a inversão de valores e costumes, a inversão de papéis.


Origem do rei momo

Tudo indica que a rechonchuda figura carnavalesca, o Rei Momo, tenha sido inspirada nesse personagem da Antiguidade clássica. Na mitologia grega, Momo era o deus do sarcasmo e do delírio. Usando um gorro com guizos e segurando em uma mão uma máscara e na outra uma boneca, ele vivia rindo e tirando sarro dos outros deuses.
Com esse jeitão esculachado, aprontou tantas que acabou expulso do Olimpo, a morada dos deuses. Ainda antes da era cristã, gregos e romanos incorporaram essa figura mitológica a algumas de suas comemorações, principalmente as que envolviam sexo e bebida. Na Grécia, registros históricos dão conta que os primeiros reis Momos de que se tem notícia desfilavam em festas de orgia por volta dos séculos 5 ou 4 a.C. Geralmente, o escolhido era alguém gordinho e extrovertido – provavelmente vem daí a inspiração para a folia brasileira. Já nas bacanais romanas, os participantes selecionavam um Rei Momo entre os soldados mais belos do exército.
Esse monarca era o governante de um período de liberdade total e desfrutava de todas as regalias durante a festa, como comidas, bebidas e mulheres.(6).

Segundo o Profº Cid Marcus Vasques :"Momo, em grego, tem relação com o verbo mokasthai, zombar, escarnecer, ridicularizar. A raiz que está por traz desse verbo é mou, que exprime uma idéia de desdém, de menoscabo, um trejeito feito com os lábios que lembra deboche, pouco caso; o objetivo é o de desqualificar o que é apresentado ou dito. Lato sensu, Momo acabou por personificar o sarcasmo." 

Ainda antes da era cristã, gregos e romanos incorporaram essa figura mitológica a algumas de suas comemorações, principalmente as que envolviam sexo e bebida. Na Grécia, registros históricos dão conta que os primeiros reis Momos de que se tem notícia desfilavam em festas de orgia por volta dos séculos 5 ou 4 a.C. Geralmente, o escolhido era alguém gordinho e extrovertido, provavelmente vem daí a inspiração para a folia brasileira. Já nas bacanais romanas, os participantes selecionavam um Rei Momo entre os soldados mais belos do exército. 

Em 1553, na Espanha, o Rei Momo aparece sob a forma de um boneco que se queimava, como forma de suavizar um costume antigo mais brutal, simbolizando a morte de Jesus Cristo propiciadora da sua ressurreição.

Sociedade momus

A Sociedade Momus - A derrota de Napoleão em Waterloo e do Congresso de Viena abriu espaço ao prazer, onde diversas associações de carnaval floresceram na Renânia (região do oeste da Alemanha). Nessas folia escolhia-se "Príncipes do Carnaval" e estes usavam um CAPUZÃ0, gorro ou chapéu de Toloe este tinha uma semelhança desconfortãvel com o bicorn napoleônico. 

Assim, em 1839 foi fundada na cidade de Maastricht (Holanda) a Sociedade Momus, em homenagem ao deus grego da sátira, Durante os seus cem anos de existência, a Sociedade organizou os CAVALCADES no Carnaval, ou seja, desfiles com muitos cavalos. Em 1872, a Sociedade lança a regra: "loucura verdadeira, mas não além dos limites da decência". emoldurando a farra aos gritos de ALAAF. 

11 (ONZE) - NÚMERO SIMBÓLICO DE CARNAVAL
Na Holanda, o Príncipe do CARNAVAL governa a cidade durante a folia momesca ao lado de um CONSELHO DE ONZE. Há várias teorias que explicam o número de participantes desse conselho, a mais curiosa, é a que diz que o número 11 é maldito e ultrapassa o 10 (dos Dez Mandamentos). Todo ano, o Conselho se reúne pela primeira vez no dia 11 de novembro(11/11), marcando a data da abertura do período carnavalesco.

Evohé, evocação do carnaval



EVOHÉ ou EVOÉ é uma evocação do Carnaval, ou seja, assim como as bacantes que gritavam em hora a Dionisio nas Bacanais,os foliões do carnaval gritam Evohé para o Rei Momo.
 .

Personificação do rei momo

Em 1910, o ator, cantor e compositor Benjamin de Oliveira personificou o Rei Momo pela primeira vez na cidade brasileira do Rio de Janeiro, no Circo Spineli no bairro de São Cristóvão, com seu personagem célebre, o PALHAÇO NEGRO. 


O primeiro soberano momesco brasileiro de cor negra, o mineiro Benjamin, popularmente conhecido como Benjamin de Oliveira, sendo seu nome de batismo era Benjamim Chaves (*11/06/1870 +03/05/1954). Seu filho, Paulo Benjamin de Oliveira entrou para a história do samba como "Paulo da Portela". Salientamos que os Periódicos antigos retratam no nome Benjamin com "N", já os livros de carnavais atuais com "M".





                                                                                                                    Primeiro monarca da folia

No Carnaval do Rio de Janeiro 1913 surge quando o cronista carnavalesco Palamenta (Edgard Pilar Drumond) juntamente com Vasco Lima , jornalista do Jornal A Noite, criaram um boneco de papel colorido, em sua barriga havia uma imensa fivela dourada e era brilhante a sua coroa de lata, tinha o rosto pintado com um sorriso largo. 

Chamado de REI MOMO I e ÚNICO foi criado pelo artista Hipólito Colomb.

No ano seguinte, os jornalistas do "A Noite" Edgard Pilar Drumond (Palamenta), Raimundo Magalhães Junior (fundador da Escola de Samba Rosa Magalhães hoje Imperatriz Leopoldinense), Anísio Mora (Fritz) e Vasco Lima, se reuniram para escolher um rei momo que fosse parecido com o "Rei Momo I, o Único" de papelão. 
Foi eleito um Rei Momo alegre, falante e bonachão, o cronista do Jornal Moraes Cardoso, que foi coroado pelo Carnaval Carioca de 1934 até 1948. Apó seu falecimento a a escolha do rei do Carnaval foi feita por entidades carnavalescas e jornalísticas.


Cidadão momo

O Presidente Joáo Canali e outros dirigentes do Cordáo OsLaranjas decidiram criar o Cidadão Momo, representando o Monarca da Folia no Carnaval do Rio de Janeiro (RJ, Brasil) de 1935. 

A iniciativa da CRIAÇÃO do CIDADÃO MOMO foi de destronar o Rei Momo, assim o Cordão Os Laranjas envia um ultimato ao Rei Momo: "Rei Momo (onde estiver). Chegou a hora das reinvicações da cuíca, do pandeiro, do tamborim e do ganzá. Teus olhos azuis, cabelos louros, tez nívea e rosada, nunca foram símbolo da nossa nacionalidade. Para felicidade geral da nação e o sossego do povo retira-te, porque a gente da minha terra quer que eu fique. - Momo Cidadão." (9) 

O primeiro Cidadão Momo escolhido foi o cantor e compositor Sylvio Caldas. E no dia 28 de fevereiro 1935, Sylvio Caldas com camisa de malandro e lenço no pescoço "desembarcava de um trem suburbano na Central do Brasil, no Rio de Janeiro (RJ, Brasil), e alí estavam: o Cordão Os Laranjas e seu presidente João Canalli, além de Flávio Costa (presidente da Uniáo das Escolas de Samba), o Cordão Carnavalesco As Tangerinas e sambistas. Partiu daí, um numeroso cortejo passando pela Av. Rio Branco (epicentro do carnaval) seguindo à Praça Onze de Julho, considerada na época o tradicional reduto do samba, para receber a chave da cidade d o Cidadáo Momo. Depois da cerimônia, Silvio Caldas continuou o cortejo sambando no alto de um carro". (2)


Momo, eleito pelo povo

Abre alas ao guardião da folia, onde o reinado prevalece na folia momesca. Rei Momo é a figura máxima no carnaval baiano que vai levar aos quatros cantos da cidade, a paz, a diversão e muita alegria. O percurso começa na Cerimônia de Abertura Oficial do Carnaval, onde o Prefeito na presença da Rainha do Carnaval, entrega da chave da cidade ao Rei Momo, que antes era representado por uma pessoa selecionada pelas características predominantes e preferencialmente acima de 100 kg.



"A Rainha das Sereias" de 1949 - Depois de coroada por S.M. Rei Momo I e Único, Marlene, a rainha, posou ladeada pelas duas princesas de concurso instituido pela Rádio Nacional e cuja festa realizou-se ontem, no Carlos Gomes RJ (5).

O Rei Momo é o Rei do Carnaval e é eleito através de um concurso onde se escolhe o homem que melhor se encaixe nas características: humor, desembaraço, simpatia e espírito carnavalesco, entre os candidados. 

Como Momo, deus da gozação que traz na mão um bastão , símbolo da loucura, o Rei Momo carrega o cetro e a coroa, e comanda a devassidão e o divertimento. Recebe também a chave da cidade a fim de abrí-la, simbolicamente para as festividades do carnaval. 

O peso mínimo de 120 quilos é uma exigência vem sendo abandonada nos últimos anos, considerando-se os problemas de saúde causados pela obesidade. Por exemplo, no Carnaval de Salvador (Bahia, Brasil) em 2008, foi selecioná-lo um Rei Momo "magro", com o projeto "Personagem da História Viva de Salvador". 

Salientando que outrora a cerimônia oficial de abertura do Carnaval de Salvador era uma iniciativa das entidades negras da Bahia. Já no Carnaval do Rio de Janeiro de 2004 foi eleito um Rei Momo de 85 quilos, Wagner Monteiro, previlegiando seu poder de comunicação, sua irreverência e samba no pé. 

A chave da cidade

É tradição entregar a chave da cidade simbólica ao Rei Momo na Cerimônia de Abertura do Carnaval. Antigamente, no Carnaval do Rio de Janeiro, a chave da solenidadede era feita papelão ou isopor. 

E somente à partir do Carnaval carioca de 1976, é que foi confeccionado uma chave definitiva de madeira, coberta de lantejoulas com aproximadamente 2m, idealizada e criada por Candonga (José Geraldo de Jesus) , que ficou o guardador oficial da Chave da Cidade até a sua morte, onde passou-se a guarda da chave para suas filhas.

Que rei é esse?

Sem reinado e sem coroa, sem castelo, sem criados, nem librés, onde seu mandato apenas gira em torno da folia. Toquem os tambores! É o Rei Momo, o guardião da folia! Sua Majestade, do alto da eleição, está pronto para a folia, com muito humor, desembaraço, simpatia e espírito carnavalesco, que são características básicas para um "gordinho" se tornar Rei Momo. 

Espiando a multidão multicolorida e eletrizada que se esbalda no carnaval, quem pode imaginar que esta farra começou com um formato totalmente diferente, antes mesmo da era cristã 


O rei da rua


BIBLIOGRAFIA

- Pesquisadora Lilian Cristina Marcon
- A Noite, - Jornal de fevereiro 1913
- A Noite Ilustrada, de 14 de março de 1934, pg-4 - Fotos e Figuras a referência se encontram-se nas mesmas
- Fundação Arquivo e Memória de Santos, FundaSantos - SEE+
- Instituto Cultural Candonga, SEE+
- LIRA, Joana - site oficial da artista, SEE+
- Revista Mundo Estranho, 18 de abril 2011, Editora Abril
- Verbetes para um Dicionário do Carnaval Brasileiro, pag.151, Editora FUA, 1991
- Um reinado na memória santista: Waldemar, o Rei Momo
(1) Dicionário das manifestações folclóricas de Pernambuco, Yaracylda Farias Coimet, páginas 07, 150 e 151.
(2) COSTA, Haroldo - livro 100 anos de carnaval no Rio de Janeiro, Editora Irmãos Vitale, 2001
(3) ARAUJO, Hiram - livro Carnaval Seis Milênios de História, Editora Gryphus, 2000
(4) PINHEIRO, Marlene M. Soares - livro Sob o Signo do Carnaval, Editora Annablume, pg92-94
(5) A Noite, jornal de fevereiro de 1949
(6) Historiador Hiram Araújo, diretor cultural da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa).

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