sexta-feira, 16 de julho de 2010

Jesus, a plenitude da divindade


"Porque nEle habita corporalmente, toda a plenitude da Divindade." (Cl 2:9).
Quem é Jesus? Esta é a pergunta mais crucial do Cristianismo, pois afinal não existe Cristianismo sem Cristo. Não pode haver, portanto, verdadeiro Cristianismo sem o conhecimento correto da Pessoa de Cristo!
Neste pequeno estudo, analisaremos o revelador texto de Cl 2:9, onde o apóstolo Paulo utiliza o termo grego pléroma, "plenitude", palavra largamente utilizada no texto do NT, totalizando dezessete ocorrências, sendo que em Colosensses encontra-se aqui e em 1:19.
O termo pleroma era largamente utilizado pelos gnósticos. Para eles, pleroma representava a totalidade das "emanações" de Deus, dentre as quais incluíam os seres vivos. Para os gnósticos, as emanações mais elevadas seriam as várias gradações de ordens angelicais. Segundo esta concepção, cada um desses seres compartilhava uma partícula da Divindade, sendo uma tênue manifestação de Deus, que mesmo que fosse divina em si mesma seria possuidora de apenas uma partícula da Natureza Divina total.
1. DE QUE FORMA CRISTO PODE SER A PLEROMA DE DEUS?
Não se pode negar que o termo pleroma foi utilizado por Paulo por empréstimo do Gnosticismo, mas a realidade é que Paulo lhe atribui um sentido totalmente novo, totalmente divorciado do sentido gnóstico, pois para Paulo, Cristo possui a Natureza inteira de Deus e não apenas uma partícula dela. Segundo ele, todos os atributos e manifestações da Divindade estavam concentrados "em uma Pessoa". Aquilo que os gnósticos distribuíam entre tantas ordens, Paulo atribuía somente a Cristo.
Esta linguagem de Paulo tinha grande significado, pois ele estava afirmando exatamente que toda a plenitude de Deus habitava corporalmente em uma Única Pessoa, isto é, Paulo declarava que Cristo é maior do que todas as supostas emanações de seres angelicais juntas! Esta era a principal doutrina dos Gnósticos, pois eles reputavam que Jesus era meramente uma manifestação da Divindade, um ser angelical superior, mas não Deus.
Assim sendo, essa aplicação de Paulo se constitui em uma poderosíssima declaração da Divindade de Jesus Cristo. Há aqui, inclusive, um paralelo teológico glorioso com o texto de Hb 1:3 que afirma, entre outras coisas, que Jesus é o "resplendor" (mais precisamente, Jesus é a "fulgurância" da glória de Deus e a "expressa imagem" da Sua Pessoa, assim como um paralelo com a doutrina do Logos (Jo 1:1).
2. HABITA CORPORALMENTE
A primeira dessas duas palavras no original grego possui um significado de relevância: katoikéo, que significa "habitar permanentemente" ou "fixar residência", em claro contraste com outro termo grego, skenóo, que significa "residir temporariamente".
Em relação ao termo "corporalmente", é importante ressaltar que no original grego é somatikôs, que significa "de forma corpórea", "pertencente ao corpo" ou "de modo corpóreo".
Todo este contexto de Cl 2:9 demonstra-nos claramente que o intento de Paulo é demonstrar que Jesus não era aquela personagem que os gnósticos imaginavam ser: um simples aeon dentre muitos outros. Isto é enfatizado pelo fato de que o verbo se encontra no presente do indicativo (PIA), o que significa que a plenitude da Divindade está habitando em Cristo.
3. DA DIVINDADE
No original grego, temos o vocábulo theótes, que significa "Divindade", "deidade" ou "natureza divina".
Nesta expressão, encontrada neste texto, a própria essência da Divindade está sendo enfocada. Isto se pode observar, consultando um bom léxico grego-português, pois poder-se-á verificar que essa palavra fala sobre o "estado do ser divino".
Entretanto, vincula¬do à plenitude, deve estar incluída, também, a idéia de "manifestação" de todos os atributos e perfeições divinos.
CONCLUSÃO
Podemos concluir que Cristo é o guardião de toda a natureza divina e seus atributos; não participa meramente de algum fragmento da mesma, conforme dizia a idéia gnóstica dos 'aeons', entre os quais eles classificavam também o Cristo, mas nEle reside toda plenitude do ser Divino.
A Ele glória, na Igreja, e pelos séculos sem fim!

Pr. Lázaro Soares de Assis

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