terça-feira, 24 de maio de 2011

A Essência do Cristianismo

Uma grande preocupação entre os mais lúcidos cristãos, ao longo dos anos, foi a fatal tendência da igreja em retirar Jesus do centro, mesmo que se diga o contrário. Doutrinas, ensinos teológicos, apostilas, livros, pensamentos e tantas outras formas de expressar conclusões personalizadas de verdades, são oferecidos como alimento espiritual no lugar da pessoa de Jesus. O irmão e profeta A W Tozer, falecido em 1963, expressou esta preocupação em quase todos os seus escritos, tal como o texto abaixo, parte do livro “A Conquista Divina”:

“Sem dúvida sofremos a perda de muitos tesouros espirituais porque deixamos que se escapulisse a simples verdade de que o milagre da perpetuação da vida está em Deus. Ele não criou a vida e a arremessou para longe de Si como algum petulante artista desapontado com sua obra. Toda a vida está Nele e fora Dele, Dele fluindo e retornando a Ele, um mar móvel e indivisível cuja fonte é Ele. A vida eterna que estava com o Pai é agora posse dos crentes, e essa vida não é somente um dom de Deus, mas o seu próprio ser.”

E Tozer continuou dizendo, de forma lúcida:

“Seja o que mais for que ela abranja, a experiência cristã sempre deve incluir um genuíno encontro com Deus. Sem isto, a religião é apenas uma sombra, um reflexo da realidade, uma cópia barata de um original outrora desfrutado por outra pessoa de quem ouvimos falar. Só pode ser uma grande tragédia na vida de qualquer homem, viver numa igreja desde a meninice até avançada idade, e não conhecer nada mais real do que algum deus sintético, composto de teologia e lógica, mas sem olhos para ver, sem ouvidos para ouvir e sem coração para amar.”

A Bíblia é riquíssima em textos que tratam do alimento sólido que o cristão deve buscar, vejamos alguns textos:
Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.João 14:6

Aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória.
Colossenses 1:27

E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede.
João 6:35

Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá.
João 11:25

Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus.
Efésios 2: 5-6

Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele. E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência. Porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse.
Efésios 1: 16-19

Visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou pela sua glória e virtude; Pelas quais Ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo.
II Pedro 1: 3-4
Os textos acima transmitem uma verdade cristalina: A contante experiência pessoal com a pessoa de Jesus é que pode gerar e manter a vida. Se perdermos este fluxo de vida, vamos nos apegar a um complexo de doutrinas e empregar esforço humano exaustivo, até que o nosso cristianismo se transforme em debates de idéias e filosofias. E este é o quadro normal de nossos dias, quando a manifestação da vida de Cristo tornou-se algo distante na maioria. E ninguém pode afirmar que está livre de cair nesta armadilha das trevas.

A obra de Cristo no homem se direciona ao mais profundo de seu ser. O Senhor quer reinar em nossas intenções e pensamentos mais secretos. Ele quer dominar nossas motivações. Ele quer ser a origem de nossas reações e ações. Ao olharmos para o sermão do monte (Mateus 5 a 7), nos deparamos com algo impossível de ser realizado pela doutrina. Só a vida de Cristo em nós pode viver naquele nível sobrenatural, por isso o apóstolo Paulo escreveu: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.” (Gal. 2:20).

Um irmão, após longos anos servindo ao Senhor, chegou a seguinte conclusão:

“Um dia ao começar a vida cristã, achava que Deus havia me chamado para fazer alguma coisa pra Ele. Depois de muito esforço e quase nada feito, descobri que todo esforço de Deus era para fazer algo em mim pelo Espírito. Sua obra não necessita de mim, eu é que necessito Dele. Neste momento o sentimento é paradoxal, cessam-se os esforços e humanamente só preciso descer à casa do oleiro, então percebo que o trabalho de Deus de fato tem inicio em mim. A sensação é terrível: Perda de tempo, vergonha, desmoronamento... A impressão é que Deus está falando: Agora consegui te vencer, posso fazer tudo novo, um vaso, livre, como sempre sonhei. A gloria da cruz é a vitória de Deus sobre o que é humano.”

Podemos possuir um vasto conhecimento intelectual das escrituras, empregar métodos humanos e lograr êxito em uma liderança entre os cristãos, mas sem presença da vida. E tudo será inútil. A grande confusão que se instalou na cristandade é a distância entre os homens e Jesus. Muitos ensinos são aplicados para tentar fazer uma obra que somente o Espírito Santo pode fazer: revelar Jesus. Ele se tornou um grande desconhecido dos cristãos.

O irmão Watchman Nee anotou: “Se verificarmos nossa experiência, veremos que jamais alguma verdade nos libertou. Podemos Ter falado de doutrinas anos a fio, e, ainda assim não enxergarmos nada. Se nossas palavras se resumem a mera doutrina, estamos manuseando algo morto, tendo como resultado algo artificial, sem vida. A verdade não se refere a palavras a respeito de Cristo; Ele próprio é que é a Verdade. Freqüentemente, os cristãos consideram o ensino como verdades, embora a verdade seja uma pessoa e não algo mais.” Com isto podemos compreender claramente a palavra de Jesus: “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8:32).

Não pense que este texto é um ensino, e sim a agonia do autor em conquistar esta vida sobrenatural. O Senhor quer realizar sua obra em nós. Evidente que um homem em desobediência não poderá desfrutar nenhuma manifestação de Deus, mas quando estamos nos aproximando do Senhor, vamos enxergando e lamentando nossas misérias, pois elas vão ficando evidentes. E é neste momento que o Senhor vai eliminando o nosso ego e estabelecendo sua natureza em nós. O profeta Isaías, um homem temente a Deus, mas que ao se aproximar Dele, teve uma reação típica de qualquer um que tenha essa experiência: “Então disse eu: Ai de mim! Pois estou perdido; porque sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios; os meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos” (Is. 6:5).

Que o Senhor possa realizar em mim e em você sua completa obra. Abandonemos nossas resistências e deixemos que o Senhor liquide nosso ego, com todas suas manifestações pecaminosas, muitas das quais, ocultas aos homens, mas estampadas diante dos olhos de Deus. Que o Senhor consiga fazer em nós este ensino dado ao profeta Jeremias:

Levanta-te, e desce à casa do oleiro, e lá te farei ouvir as minhas palavras. E desci à casa do oleiro, e eis que ele estava fazendo a sua obra sobre as rodas, como o vaso, que ele fazia de barro, quebrou-se na mão do oleiro, tornou a fazer dele outro vaso, conforme o que pareceu bem aos olhos do oleiro fazer. Então veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo:

Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? diz o SENHOR. Eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel. Jeremias 1: 2-6

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Estátuas Quebradas

E acabando tudo isto, todos os israelitas que ali se achavam saíram às cidades de Judá e quebraram as estátuas, cortaram os bosques, e derrubaram os altos e altares por toda Judá e Benjamim, como também em Efraim e Manassés, até que tudo destruíram; então tornaram todos os filhos de Israel, cada um para sua possessão, para as cidades deles.(II Crônicas 31:1).
Acaz foi um rei idólatra e trouxe ruína para o povo. Seu filho Ezequias, porém, durante o seu reinado, restaurou o culto a Jeová e derrubou a idolatria. O exemplo do rei, dos levitas e dos sacerdotes purificados, impressionou o povo: “Acabando tudo isso, todos os israelitas que ali se achavam saíram às cidades de Judá e quebraram as estátuas, cortaram os bosques e derrubaram os altos e os altares…”
Nós, como seres humanos, não achamos muito importante a lógica de que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço. Não só a lógica, mas também a prática da vida nos ensina que, quando nosso espaço somente comporta uma realidade, por mais que a queiramos não caberá uma segunda realidade. Esta verdade se aplica a relacionamentos, à vida profissional, à nossa prática espiritual.
O denominador comum de todos os avivamentos religiosos foi, primeiro, reconhecimento do pecado; segundo, reconhecimento de mudança de vida; terceiro, mudança de vida. Nossos dias estão precisando de um profundo avivamento. Que, por enquanto, não está acontecimento: 1. Porque não reconhecemos nosso pecado; 2. Porque não sentimos a obrigação de mudar de vida; 3. Porque permanecemos, preguiçosamente, nas nossas práticas idólatras. Não quebramos nossas estátuas. Não quebramos nossas práticas hipócritas. Não elaboramos, diante do Senhor, rogando intensamente para viver a “vida abundante”. É tempo de quebrar estátuas.

Pr. Olavo Feijó

sábado, 21 de maio de 2011

Cristianismo à La Carte

A expressão francesa “à la carte”, que refere-se à possibilidade, no cardápio, de se escolher livremente o que quiser entre os vários pratos oferecidos por um restaurante, não se aplica somente ao ramo gastronômico. Essa expressão também pode ser empregada, e com muita justiça, ao ramo eclesiológico.
Nossa sociedade pós-moderna, repleta de relativismos e de valores utilitaristas, tem contribuído, e muito, para o surgimento e manutenção desse tipo de cristianismo. Aliás, esse “cristianismo à la carte”, ao gosto do freguês, pode ser verificado em várias esferas do nosso cotidiano, conforme podemos ver a seguir:
Na Esfera do Consumismo Cristão
No que diz respeito à esfera mercadológica, os “serviços à la carte” podem ser vistos basicamente em dois setores, no setor literário e no setor musical, para mencionar apenas estes dois.
No setor literário, além da enorme quantidade de livros “evangélicos” que temos à nossa disposição, chama a atenção também um grande universo de Bíblias à La Carte. Estamos experimentando hoje uma “overdose de versões bíblicas”. Os bibliófilos de plantão têm hoje à sua disposição todos os tipos de Bíblias, das mais simples até as mais inusitadas, tais como, a “Bíblia de Estudo Batalha Espiritual e Vitória Financeira”, bem como, a “Bíblia do Adorador”, a “Bíblia do Surfista”, a “Bíblia do Executivo” e, até mesmo, a recém-publicada “Bíblia da Vovó”, que permite que a vovó coloque no verso da capa de tal Bíblia a foto do seu netinho querido!
Já no setor musical também se verifica a existência de um Mundo Musical Gospel à La Carte disponível, o que pode ser traduzido em termos de uma verdadeira “explosão na produção da nossa hinologia evangélica”. Todavia, uma vez que “tamanho não é documento”, deve-se ver com grandes reservas este crescimento cada vez maior da “música gospel” em nosso contexto brasileiro, pois, muitas vezes, as letras dessas músicas produzidas em larga escala estão repletas de conceitos e pensamentos bíblica e teologicamente estranhos ao verdadeiro cristianismo, e, inclusive, estão saturadas de idéias utilitaristas, humanistas, sincréticas, e, até mesmo, oriundas da teologia da prosperidade. Não nos enganemos: quantidade não significa necessariamente qualidade!
Na Esfera do Culto Cristão
Na esfera do culto cristão, o “cristianismo à la carte” também pode ser percebido com exagerada e triste freqüência. Digo “triste”, porque a “diversidade de opções cúlticas” disponível não significa necessariamente que estas opções sejam “boas”. Isto deve nos servir de alerta.
Em nossos dias, temos observado a crescente proliferação de igrejas de uma forma sem precedentes. A ordenança feita ao homem: “crescei e multiplicai-vos”, além do seu sentido voltado para a “reprodução da espécie humana”, tem sido obedecida à risca no âmbito do significado eclesial.  Hoje, o fiel pode contar com Igrejas à La Carte. Há igrejas de todos os tipos e para todos os gostos: igrejas ortodoxas, liberais e neoliberais; igrejas tradicionais, pentecostais e neopentecostais; igrejas “com usos e costumes” e igrejas “sem usos e costumes”; igrejas “judaicizadas” e igrejas mais convencionais; igrejas cuja ênfase é missionária e evangelística e outras cuja ênfase é voltada para o ensino; igrejas altamente dotadas de recursos tecnológicos (com notebook, data-show, canhões de luz, mesa de som de última geração etc) e igrejas onde tudo funciona de forma, digamos, mais “artesanal”. Com tantas opções diante dos olhos, o cristão se pergunta: qual delas devo escolher para congregar?
Além disso, junto com esta enorme variedade eclesial existente, o fiel também encontra à mão várias Liturgias à La Carte. Há igrejas em cujos cultos permite-se que os homens sentem-se ao lado das mulheres e outras onde ambos devem se assentar separados. Há cultos onde “é de praxe” bater palmas e outros nos quais as palmas são terminantemente proibidas. Há cultos onde o silêncio é gritante e cultos nos quais o barulho é vazio de significado. Há cultos em que as manifestações espirituais ocorrem a granel e outros nos quais nem tanto. Há cultos nos quais a hinologia utilizada é a tradicional da denominação e outros nos quais os “corinhos” avulsos predominam.
Como se isso ainda não bastasse, há ainda as Pregações e Ensinos à la Carte. Há pregadores que “pegam pesado” com o fiel durante a mensagem e há aqueles que “pegam leve até demais”. Há pregadores que gritam e não dizem nada e há aqueles que falam mansamente, mas dizem tudo. Há pregadores que pregam durante uma hora e cuja mensagem parece que durou “uma eternidade” e há aqueles que falam durante apenas vinte minutos, mas cuja mensagem ecoa para sempre. Há aqueles que ensinam que se a vida do fiel “está de mal a pior” é porque ele está em pecado ou não está dando o dízimo corretamente e há também aqueles que dizem exatamente o que o fiel quer ouvir. Aqui, o “cliente” (ou melhor, o “crente”) tem sempre razão!
Na Esfera da Vida Cristã
Ora, tais múltiplas facetas deste “cristianismo à la carte” conduzem muitas vezes o fiel a uma Conversão à La Carte e também a um Arrependimento à La Carte, isto é, ao seu bel prazer.
Há muitas pessoas dentro de nossas igrejas que pensam que não há nada de errado em: falar um palavrãozinho de vez em quando, contar piadas sujas, olhar cobiçosamente para outra mulher, sonegar o imposto de renda, contar pequenas mentirinhas, enganar o patrão, alimentar pensamentos pecaminosos de todos os tipos, e assim por diante, para citar apenas alguns poucos exemplos. Tais pessoas relativizam o significado do pecado, ao mesmo tempo em que legitimam as suas práticas pessoais e individuais como sendo corretas. Em outras palavras, a repetição constante de certas práticas reprovadas acaba conferindo-lhes certo ar de normalidade e naturalidade.
Aonde Quero Chegar?
Em vista de tudo o que foi dito até aqui, o leitor (a) pode estar se perguntando: afinal de contas, aonde você quer chegar?
Bem, embora eu entenda, por um lado, que esta grande variedade de opções literárias, musicais, eclesiais e litúrgicas seja benéfica, pois ela acaba alcançando a cada setor da sociedade, tendo, aliás, um efeito inclusivo sobre aquelas partes da sociedade que partilham elementos e afinidades em comum. Por outro lado, temo que toda esta diversidade de “elementos gospel” exista em benefício de alguns poucos, e, ao mesmo tempo, em detrimento de muitos. Acredito que toda essa “personalização”, “particularização” e confecção feita “sob medida”, também pode ser perigosa, porque tende a dar uma visão “fragmentada” e “diluída” daquilo que deveria ser visto em seu conjunto e escopo mais amplos e não de forma reducionista.
O meu receio é que toda esta ideologia do “feito sob medida” possa vir de alguma forma a sacrificar o “todo” pela “parte” e o “conteúdo” pela “forma”. Temo que esse “cristianismo à la carte” (muitas vezes, com feições capitalistas),  ainda que inconscientemente, possa desfigurar a face do verdadeiro cristianismo (se é que isso já não esteja acontecendo!), de modo a favorecer aquele que “gritar mais alto”, a fim de que este possa levar um “evangelho” mais “açucarado”, “barato” e “digerível”, isento de responsabilidades e compromissos. Ou seja, um “evangelho light”.
Na vida cristã temos que entender que, apesar do nosso livre-arbítrio, não estamos autorizados a escolher “engolir” apenas os “pratos” de que mais gostamos. Aliás, como uma criança que “torce o nariz” diante de certos alimentos, mas que, por fim, acaba comendo-os, pois descobre que lhe são necessários, temos também que aceitar a vontade de Deus em Sua totalidade, tal como expressa em Sua Palavra. Enfim, que o “cristianismo à la carte” possa dar lugar ao “Cristianismo Segundo Cristo”.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Autodivinização

Inacreditavelmente, o primeiro pecado do querubim Lúcifer que Deus criou, aconteceu num ambiente perfeitamente sagrado: o Céu. Isso pareceria incompreensível, tendo em vista o que nos diz a Escritura sobre o Céu, o local da habitação de Deus. Também igualmente espantoso é que Adão e Eva, os quais se encontravam num ambiente perfeitamente sagrado e nem haviam conhecido o pecado, tivessem sido seduzidos pelo mesmo Lúcifer (portador da luz), mais tarde chamado Satanás (Adversário) e "aquela antiga serpente" (Apocalipse 12:9 e 20:2).

A Escritura não nos conta, especificamente, o que se encontrava no coração e na mente de Lúcifer e de Adão, que os tenha preparado para pecar mas, com relação a Eva, temos um pouco mais de insight: "E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela" (Gênesis 3:6). Uma coisa fica óbvia com relação aos três seres criados: eles colocaram o seu EGO acima de Deus. Isto é o que determina todo pecado.

Novamente, tudo havia começado com Lúcifer no Céu. Os seus "eu quero" são todos embasados no EGO, desde o automelhoramento até a auto-estima, a auto-exaltação, a autossatisfação. Esta progressão conduz, inevitavelmente, a outros dois egoísmos: o auto-engodo e a autodestruição. Como Satanás é totalmente auto-enganado e estando, provavelmente, em busca de mais apoio, a fim de comprovar sua tese de "subir sobre as alturas das nuvens", ele trouxe essa mentira para a Terra, onde seduziu Eva com a promessa de que ela poderia ser "semelhante ao Altíssimo".

A divinização, como um objetivo da humanidade, é a religião do Adversário e vai culminar com um homem possuído pelo próprio Diabo. Conforme lemos na 2 Tessalonicenses 2:4, o Anticristo "se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus". Talvez, seja este o único meio dele alcançar o seu principal objetivo, que é ter o mundo inteiro adorando-o. O mesmo pensamento de ter o Senhor seu Criador ajoelhando-se e adorando-o (conforme Mateus 4:9) demonstra não apenas sua egoísta ambição, mas também quão auto-absorto e auto-enganado ele é. Esta é também a principal característica da humanidade.

A Escritura mostra que depois do seu pecado, Adão e Eva deram sua primeira resposta a Deus, a qual foi uma forma de se defenderem. Após sua fútil tentativa de se esconderem de Deus, cada um deles começou a censurar o outro: Adão acusou Eva e Eva acusou a serpente pela sua desobediência. Como resultado, uma tendência de autosserviço (o trágico resultado do seu pecado) tem impregnado o coração da humanidade. Como se pode ver, do princípio até nossos dias, esta característica tem prevalecido em meio a toda a raça humana, como uma praga ininterrupta.

Regras próprias estão no coração de cada pessoa, até mesmo entre os nascidos de novo em Cristo. Satanás não tem perdido oportunidade alguma de induzir o mundo a buscar o seu ilusório preço da autodivinização. A idéia de que o homem poderia se tornar um deus, ou parte de Deus, ou a de que ele é bom, porém não descobriu ainda a sua divindade, pode parecer absurda a algumas pessoas, mas somente porque elas estão despercebidas de como esta crença é prevalecente. Além disso, a partir de uma perspectiva bíblica, o critério para ser um deus é talvez muito simples. Qualquer pessoa que não tiver se submetido a Jesus Cristo e não tenha se reconciliado com Deus, através do sacrifício perfeito de Cristo pelos nossos pecados, pode se qualificar como sendo um deus - ou seja - um autônomo ou autogovernante, que se elevou acima do Criador. A causa básica de muitos problemas no mundo de hoje não é que o homem deixe de reconhecer sua divindade, mas que existem sete bilhões de deuses neste planeta, cada um deles fazendo sua própria vontade.

Satanás tem vendido a divinização há muito tempo, através de alguma religião particular. Quase um bilhão de hindus acreditam que são deuses e também qualquer pessoa que aceita a tola visão de que Deus "é tudo e tudo é Deus". A (suposta) divindade deles é alcançada ou descoberta através da Ioga, da autorrealização e da tentativa de alcançar o estado espiritual final - sua união com Braman (o Deus maior). Quinhentos milhões de budistas rejeitam um Criador transcendente, em busca do equivalente à divindade (conhecido como Buddhahood), a qual é obtida através da iluminação, ou perfeita sabedoria, quando a pessoa segue as Quatro Verdades Nobres e os Oito Passos. O budismo tibetano é promovido em todo o mundo ocidental pelo Dalai Lama, o qual tem induzido centenas de milhares (inclusive, milhares somente nas cidades americanas) à Iniciação Kalachakra Tântrica. Kalachakra é tanto uma divindade tântrica como uma prática de meditação. A primeira é uma manifestação de Buda, a qual é invocada para conduzir o iniciado a se tornar um bodhisattva, um deus iluminado, um status afirmado pelo próprio Dalai Lama.

O misticismo oriental, com o seu objetivo de divinização, tem transformado o Ocidente numa tsunami [espiritual], depositando sua blasfema poeira sobre a Cristandade. A Ioga (ligando quem medita a Braman), a qual, algumas décadas atrás, tornou-se uma armadilha oferecida na Associação Cristã de Moços (ACM), agora é oferecida e praticada dentro de inúmeras igrejas, inclusive nas que professam ser evangélicas. Os gurus, tais como Bhagwan Shree Rajneesh, Swami Muktananda e Maharishi Mahesh Yogi contribuíram na difusão da Nova Era, a qual é uma mistura de crenças e práticas orientais, reembaladas para se tornarem atraentes e prontamente aceitas na cultura ocidental. Muktananda fala assim, para todos os gurus e para os defensores da Nova Era: "Honrem a si mesmos; adorem a si mesmos e meditem sobre si mesmos, pois Deus habita dentro de vocês e é como vocês mesmos".

O falecido Maharishi Mahesh Yogi, o guru dos Beatles, revisou o seu Movimento de Regeneração Espiritual (Leiam Hinduísmo), transformando-o numa técnica inacreditavelmente mais aceitável de Meditação Transcendental. Os praticantes da Meditação Transcendental simplesmente se apossaram da cidade de Fearfields, Iowa, local da Maharishi University. A escola diz ter transformado a comunidade através do Efeito Maharishi, um pequeno programa TM iniciado nos anos 1980, afirmando reduzir a taxa de crimes através do efeito positivo da meditação coletiva. As estatísticas do condado de Fairfield / Jefferson, durante a década de 1990, negam essa afirmação mostrando um progressivo aumento de crimes.

A mentira da divinização é sempre seguida pelo engodo dos chamados "homens bons". Rajneesh foi deportado de volta à Índia, depois que os seus principais discípulos foram presos no Oregon, sob a acusação de assassinato. Maharishi arrecadou milhares de milhares de dólares vendendo a fraudulenta habilidade de levitar através da MT. Muktananda, o guru de muitas celebridades de Hollywood, nos anos 1980, embora pregasse o celibato, foi acusado pelos líderes superiores de sua seita de seduzir mulheres. Ironicamente, o seu sucessor é uma mulher - a Gurumayi Chidvilasananda, que ensina o mantra "Om Namah Shivaya" (honro a divindade que reside dentro de mim). Ela é a guru de Elizabeth Gilbert, autora do bestseller Eat, Pray, Love (Comer, Orar e Amar). Oprah Winfrey endossou os documentos do livro, no tempo que Gilbert passou num ashram na Índia, o qual agora se transformou em filme teatral produzido por Brad Pitt e estrelado por Julia Roberts.

Divinizar-se é dificilmente uma exclusividade das religiões orientais. Onde se encontra o levedo do misticismo, ele inevitavelmente se espalha a alguma forma de união com Deus, significando tornar-se Deus. Considerem o Mormonismo, o Islamismo e o Catolicismo Romano, por exemplo. Todas estas três religiões são legalistas, conquanto, ao mesmo tempo, muito experimentais. Aos homens mórmons, é ensinado que eles se tornam deuses, se seguirem fielmente os ensinos da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias – "um homem é como Deus foi antes; como Deus é, o homem pode se tornar". A maioria dos mórmons afirma que a veracidade da doutrina da divinização (para mulheres a divinização da gravidez eterna) é afirmada através da oração seguida por uma sensação de queimação no peito, proveniente de Deus. Ao contrário do seu sistema legal sharia, o misticismo islâmico é encontrado no Sufismo, onde os devotos alcançam a união com Alá. Os antigos místicos do Catolicismo romano, conhecidos como Pais do Deserto, que se tornaram ícones espirituais do Movimento da Igreja Emergente, desenvolveram crenças e práticas pouco diferentes dos iogues, gurus e sacerdotes do Hinduísmo e do Budismo. Esta é uma das razões por que os místicos católicos tais como o monge trapista Thomas Merton e os padres Henri Nouwen e Thomas Keating têm tantos seguidores entre os padres e freiras das igrejas (bem como entre muitos evangélicos). Não precisamos ir até os seus escritos para encontrar a posição da igreja de Roma referente à divinização. Ela é pronunciada muito claramente no parágrafo 460 do Catecismo da Igreja Católica: "o verbo se fez carne para tornar-nos ‘co-participantes da natureza divina’ (2 Pedro 1.4): Pois esta é a razão pela qual o Verbo se fez homem, e o Filho de Deus, filho do homem: é para que o homem entrando em comunhão com o Verbo e recebendo a filiação divina se torne filho de Deus. Pois o Filho de Deus Se fez homem para nos fazer Deus - o Filho unigênito de Deus querendo-nos participantes de Sua divindade assumiu a nossa natureza, para que Aquele que se fez homem dos homens fizesse deuses".

A divinização como doutrina desempenha uma parte importante na metodologia dos ensinos da Confissão Positiva da Palavra da Fé. A versão de Kenneth Copeland para "mentir" foi idêntica à que a maioria dos mestres da prosperidade estava promovendo: "E vocês compartilham humanidade a um filho que nasceu de vocês. Porque vocês são humanos é que compartilham a natureza da humanidade com o filho. Deus é Deus. Ele é Espírito... e Ele compartilhou com vocês, quando vocês nasceram de novo. Pedro disse isto claramente na 2 Pedro 1:4, que somos co-participantes da ‘natureza divina’. Esta natureza permanece eternamente viva em absoluta perfeição, e foi compartilhada com vocês por Deus, do mesmo modo que vocês a compartilham com um filho a natureza humana. Esse filho não nasceu como uma baleia. Ele nasceu humano ... Bem, agora vocês não têm apenas uma natureza humana. Você não têm um Deus em vocês. Vocês são deuses."

Outro líder do Movimento Palavra da Fé declara a necessidade de praticar a divinização: "Até entendermos que somos pequenos deuses e começarmos a agir como pequenos deuses, não poderemos manifestar o Reino de Deus". As raízes modernas desta heresia podem ser traçadas retroativamente às seitas da ciência religiosa como: Ciência Cristã e Escola da Unidade do Cristianismo, as quais coletaram muitas de suas crenças básicas do Hinduísmo.

As profecias bíblicas cumpridas são uma prova irrefutável de que a Palavra de Deus é exatamente isto. E podemos reconhecer facilmente o que Ele disse que iria acontecer quando estamos vendo acontecer.

O Senhor vai nos arrebatar deste mundo, antes do Anticristo se declarar como "Deus", de forma que não estaremos aqui, quando isso acontecer. Contudo, existe um verso relacionado à autodivinização, com tanta evidência, que nenhuma pessoa razoável pode negar o seu cumprimento atualmente. Na 2 Timóteo 3.1-2 Paulo escreve: "Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos..."

Embora os humanos estivessem enamorados de si mesmos, desde o Jardim do Éden, não existiu nenhuma outra geração na história que estivesse tão preocupada consigo mesma, a ponto de fazer de si mesma a chave para a solução dos problemas da humanidade. Temos aqui uma litania dos populares autoconceitos e atividades positivas: autoestima, auto-imagem, autoconficança, auto-aceitação, autoperdão, auto-afirmação, automelhoramento, autoconsideração positiva, autodeclaração, afirmação positiva, atitude mental positiva, pensamento positivo, pensamento da possibilidade, potencial humano, etc., etc., etc.

O pré-requisito para tudo isto é o auto-amor, a pedra fundamental da psicologia humanista; consequentemente, por causa da extraordinária influência da chamada Psicologia Cristã, uma doutrina falsa, porém muito popular entre os evangélicos. A conexão entre a Psicologia e o misticismo oriental, com a sua necessária ênfase sobre o EGO, é clara, conforme o historiador Jacob Needleman observou:

"Um grande e crescente número de psicoterapeutas está agora convencido de que as religiões orientais oferecem uma compreensão da mente muito mais completa do que tudo que antes foi visualizado pela ciência ocidental. Ao mesmo tempo, os próprios líderes das novas religiões... os numerosos gurus e mestres espirituais, agora no ocidente, estão reformulando e adaptando os sistemas tradicionais conforme a linguagem e atmosfera da Psicologia moderna".

Com todos estes movimentos disparatados, não é de admirar que homens e mulheres perturbados em toda a America já não saibam se precisam de ajuda psicológica ou espiritual. A linha que divide o terapeuta do guia espiritual está confusa.

O anticristo, empossado com os sinais e maravilhas da mentira, e buscando adoração, será o último terapeuta e guia espiritual. Embora afirmando ser Deus, ele oferecerá o potencial da divinização, inclusive os poderes demoníacos que ele será capaz de exibir a todos os que o seguirem, divinizando-se a si mesmos. A mentira do início é a mentira do fim.

O levedo da mentira parece ter operado o seu caminho no mundo inteiro, inclusive em muitas igrejas, as quais têm olhado mais para o mundo do que para a Palavra. Qual é a resposta da Palavra de Deus? 2 Tessalonicenses 2.10-11: "E com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem. E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira".

Contudo, o Senhor não deixou os crentes sem uma defesa contra a sedução da mentira. Jesus orou ao Pai: "Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade". (João 17:17)

Sua exortação em João 8:31-32, quando obedecida, irá nos livrar da fortaleza do EGO: "Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará".

http://www.estudosgospel.com.br/

A Apostasia na Igreja

"Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência, que proíbem o casamento, exigem abstinência de alimentos, que  Deus criou para serem recebidos, com ação de graças, pelos fiéis e por quantos conhecem plenamente a verdade; pois tudo que Deus criou é bom, e, recebido, com ação de graças, nada é recusável, porque, pela palavra de Deus e pela oração é santificado." 1 Timóteo 4.1-5

1 - A REALIDADE DA APOSTASIA

Há uma diferença tremenda entre a imagem futura da igreja e a de qualquer outro tipo de ideologia social.

Geralmente as ideologias sociais visam o progresso, a melhora e o desenvolvimento para uma convivência melhor.  São passos que a sociedade espera tomar para que chegue um momento em que não sejam necessárias mais guerras ou misérias. As ideologias partem do pressuposto de que o ser humano vai se aperfeiçoando e se torna cada vez melhor.

Todavia a Bíblia pinta um quadro diferente. Segundo a Bíblia, conforme a história vai caminhando, a queda e abandono de Deus se fazem maiores.

Isto ocorre não porque o ser humano é pior a cada dia que passa. Os seres humanos na verdade continuam iguais: não são melhores, nem piores. As pessoas no tempo de Paulo não eram melhores nem piores do que as pessoas de hoje em dia. As opiniões e circunstâncias mudam com o tempo, mas o coração das pessoas permanece pecador. Ou seja todos os seres humanos, de todos os séculos estão inclinados a odiar a Deus e a seu próximo.

Mas ao caminhar da humanidade parece o amor se esfria mais, inclusive o amor a Deus.

E isso vai influenciar também as igrejas. De dentro das igrejas apareceriam pessoas que desviariam alguns da verdadeira fé.

É isso que estava acontecendo na Igreja de Éfeso. A realidade da APOSTASIA, do abandono da fé tinha chegado até eles.

Mas tal chegada não foi sem aviso.

"Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé," 1 Timóteo 4.1

Lembre-se que quando o apóstolo Paulo partiu da Ásia pela última vez, ele avisou os presbíteros de Éfeso sobre "lobos vorazes" e "homens falando coisas pervertidas" que se levantariam no meio deles (veja Atos 20:29-30).

Nós não sabemos se foi ao próprio Paulo ou a alguém, mas tal informação veio do próprio Espírito Santo, foi o Espírito Santo que expressamente revelou que na igreja de Éfeso iriam se levantar falsos mestres que fariam com que muitos na igreja se afastassem da verdade.

Essa apostasia se daria nos últimos tempos. Aqui não significa que os apóstatas se levantarão apenas imediatamente antes da segunda vinda de Cristo. Na verdade significa que ELES JÁ EXISTEM desde a primeira vinda de Cristo. O intervalo entre a primeira vinda de Cristo e sua segunda vinda é conhecido como ÚLTIMOS TEMPOS. (Atos 2.17 – Hebreus 1.2 – 1 Pedro 1.20 – 1 João 2.18 – 2 Timóteo 3.1)

A apostasia já era uma realidade na época de Paulo, foi realidade na HISTÓRIA DA IGREJA e é realidade ainda hoje!

Mas qual é o motivo de tal apostasia? Este é o segundo ponto que aprendemos deste texto.

2 - O MOTIVO DA APOSTASIA (PORQUE ALGUNS DESVIAM)

O versículo 1 já nos responde.

"... por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios," 1 Timóteo 4.1

A razão ou motivo do desvio de alguns é o deixar de ter a Palavra de Deus como regra de fé e prática e usar agora de outras fontes, de outros valores estranhos à Bíblia.

Numa época em que as profecias no meio da igreja eram comuns, estes falsos provavelmente eram pessoas que falavam profecias como se fossem vindas de Deus, mas na verdade, eram palavras inspiradas pelo próprio demônio.

E as palavras destas pessoas iam de contra o que a Bíblia dizia. Os ensinos destas pessoas desacreditavam as verdades que a igreja teria de promover e defender.

APLICAÇÃO

Queridos, é muito perigoso trocar a Bíblia e o que aprendemos nela por outras fontes que se dizem inspiradas por Deus.

Afirmo, porque, não é incomum encontrar pessoas que se consideram cristãs, mas têm contato com ensinamentos estranhos.

Por exemplo:
• Crente liga a TV à noite e assiste o Programa do Paiva Neto, o programa da Legião da Boa Vontade. A Legião da Boa Vontade dá uma aparência cristã nos seus ensinos. Mas é só aparência. Eles misturam tudo isso com espiritismo e consulta a espíritos. Portanto, cuidado!

• Crente que lê livro espírita ou místico achando que é livro evangélico. Crente que lê horóscopo achando que é de Deus. Crente que tem “livro de interpretação dos sonhos” em casa achando que é ciência.

• Palestras sobre o diabo. Tem crente que é mais fala do diabo do que em Deus. Nem a Bíblia dá tanta ênfase ao diabo como alguns dão. Fazem pesquisas para descobrir nomes de demônios, hierarquias, e coisas do gêneros. De onde eles tiram informações destas pesquisas? Da Bíblia? Se não é da Bíblia, de onde?

Cuidado! Porque é assim que começa o caminho do DESVIO. Quando se começa a buscar outras fontes, supondo que elas são divinas. SÓ A BÍBLIA É REGRA DE FÉ E PRÁTICA DO CRISTÃO.

Se proteja destas coisas.

3 - O MÉTODO UTILIZADO PELOS APÓSTATAS

"pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência,"  1 Timóteo 4.2

Para disseminar, difundir as falsas doutrinas e a mentira, os APÓSTATAS usam muito bem da HIPOCRISIA.

A palavra HYPOCRISIA é no grego a forma poética hypócrísis, que significa o DESEMPENHO DE UM PAPEL NO TEATRO. É o que o ator faz, ele interpreta.

O hipócrita é aquele que manifesta virtudes ou sentimentos que realmente ele não tem. É uma pessoa fingida, de falsa devoção, um charlatão.

Repare na expressão que Paulo usa:  “Tem cauterizada a sua própria consciência”.

A metáfora de Paulo se refere a um costume de sua época: Quando havia um malfeitor perigoso, geralmente eles queimavam com ferro quente a pele do sujeito, faziam um sinal nele, de forma que ele pudesse ser reconhecido por onde quer que andasse.

A mesma idéia tem a expressão “cauterizada a sua consciência”. Os falsos mestres mentiam usando da hipocrisia e por isso estão marcados. Só que essa marca não é no seu corpo, mas na sua consciência.

Por isso, por mais que, por fora, eles pudessem parecer muito piedosos, na verdade, essa piedade era hipocrisia, um grande engano, uma mentira. E a marca desse ensino diabólico deixava suas consciências insensíveis em relação à verdadeira Palavra de Deus.

APLICAÇÃO

Ainda hoje, um dos grandes métodos utilizados pelos APÓSTATAS, pelos falsos líderes e falsos cristãos que plantam heresias dentro das igrejas é sem dúvida A HIPOCRISIA, a CHARLATANICE.

Há um tempo atrás assisti a um vídeo que mostrava alguns supostos pastores sendo instruídos por outro suposto pastor em como lidar com a igreja, e em como arrecadar dinheiro da igreja. E a instrução daquele líder era chocante porque orientava os pastores a fingirem ser o que não eram na frente da igreja. Eles sabiam que o que estavam pregando não era bíblico.

Esse mesmo suposto pastor falou aos seus pastores: “ou dá ou desce”.

Hoje em dia, com o crescimento dos evangélicos, há muita gente observando que pode ganhar dinheiro fácil. Há muito CHARLATÃO por aí, interessado em dinheiro e fama.

4 - O CONTEÚDO DA APOSTASIA

"que proíbem o casamento, exigem abstinência de alimentos, "  1 Timóteo 4.3.a

De uma maneira geral, o falso ensino sempre distorce partes da Palavra de Deus. No geral esse é o conteúdo da apostasia.

Mas, falando especificamente no caso da Igreja de Éfeso, eles estavam com a sua falsa piedade e engano proibindo o casamento e o desfrutar de certos alimentos.

Na verdade ambas as proibições fazem referência ao gnosticismo, que nós já estudamos aqui. O gnosticismo entre outras coisas afirmava que a matéria era má, o corpo era mau. Mas o espírito era bom.

Casamento e alimentação são coisas que se referem ao corpo. São coisas más.

CASAMENTO

Quanto ao casamento, especificamente falando, provavelmente se tratava da questão sexual, que envolve o corpo.

Os falsos mestres acreditavam que era impossível conciliar uma vida sexual com o servir a Deus. São coisas que ao ver deles não poderiam caminhar juntas. Isso porque eles concebiam o sexo como algo sujo, animal e pecaminoso. Por isso, que para servir a Deus dever-se-ia renunciar o casamento.

ALIMENTOS

Quanto aos alimentos, eles provavelmente defendiam a tese de comer muito pouco, jejuar muito ou até declarar greve de fome por motivos religiosos. Para eles, quem tinha prazer no comer e beber não tinha o verdadeiro amor a Deus.

Paulo contra-argumenta:

"...que  Deus criou para serem recebidos, com ação de graças, pelos fiéis e por quantos conhecem plenamente a verdade;"  1 Timóteo 4.3

O argumento de Paulo diante das afirmações dos falsos mestres contra o casamento e alimentos vai no sentido da Criação.

CRIAÇÃO

Tanto o casamento quanto os alimentos ambos foram criados por Deus.

Tem muita gente que pensa que é o diabo que inventou os hormônios, que é o diabo que inventou o sexo. Já ouvi até dizer que tem gente que acha que o sexo foi o pecado lá no Éden.

Mas isso não é verdade. A sexualidade, o sexo, não é um invento do diabo. Foi Deus quem criou a sexualidade, o sexo.

"Criou, pois, Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. Então Deus os abençoou e lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos; enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra."  Gênesis 1.27,28

Assim também acontece para com os alimentos. Foi Deus quem criou os alimentos e não o diabo.

DE FORMA QUE DEUS CRIOU ESTAS COISAS PARA A FINALIDADE DE SEREM USADAS E DESFRUTADAS.

• Por isso a relação sexual dentro do casamento não deve ser motivo de culpa para o casal, mas motivo de ação de graças, de agradecimento a Deus por que isso é criação dele. O sexo é uma das bênçãos do casamento!

• Da mesma forma, quem se senta a uma mesa comer e beber moderadamente, não deve ficar pensando: Que ocupação banal! O verdadeiro cristão olha para comida,  reconhece o sustento de Deus, ora agradecendo e desfruta daquele alimento!

Agora, preste atenção, pois esse princípio não está relacionado apenas com o sexo dentro do casamento ou com nossa alimentação. A aplicação é mais ampla.

"pois tudo que Deus criou é bom, e, recebido, com ação de graças, nada é recusável,"  1 Timóteo 4.4

Tudo que Deus criou é bom!

Tudo! Casamento, sexualidade, comer, a arte, a ciência, o trabalho, o lazer, o rádio a Televisão são coisas boas. Nada disso é depreciável e nos é permitido fazer uso destas coisas, se pelo menos recebemos com ações de graças.

Todavia isso não significa que tudo se faz bom por meio da oração.

Pois, você há de concordar comigo, as coisas que Deus criou são muitas vezes distorcidas.

• A sexualidade pode ser utilizada de maneira distorcida, com a pornografia, o sexo fora do casamento, a lascívia.

• O comer e o beber podem ser exagerados.

• A ciência pode se tornar um ídolo para muitos. A arte, a televisão, o trabalho podem conter distorções e levar ao pecado.

Qual é o critério então?

"porque, pela palavra de Deus e pela oração é santificado."  1 Timóteo 4.5

O critério é a oração e a Palavra de Deus. Explicando melhor: faça bom uso das coisas que Deus criou e ao mesmo tempo, sempre confronte isso com a Palavra de Deus e oração.

CONCLUINDO

Neste estudo observamos que apesar da igreja ser coluna e baluarte da verdade do evangelho, nem sempre a mesma promove e defende a verdade que foi confiada a ela. É quando acontece a APOSTASIA, o ABANDONO DA FÉ.

Autor: Rev. Andrei de Almeida Barros

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Crente Total Flex

Em um dia desses, estava com a minha esposa no carro, quando de repente nos vimos parados próximos a um veículo que trazia em sua parte traseira os dizeres: "Total Flex". Em um daqueles momentos de súbita inspiração, me vi refletindo sobre algo, cujo conteúdo agora você lê.
Em linhas gerais, o que é um Carro Flex? Ora, o nome Flex sugere o conceito de "flexibilidade", isto é, o Carro Flex é assim chamado, pois o seu motor pode funcionar com gasolina, com álcool ou com os dois combustíveis misturados. Em outras palavras, a idéia do Carro Flex é primar pela economia. Uma vez que ele é bicombustível, se o álcool estiver mais caro, então ponha gasolina no motor. Porém, se a gasolina estiver mais cara, então encha o tanque com álcool. O Carro Flex não exige aquilo que eu chamaria de fidelidade mono-combustível. Nada disso. Muito pelo contrário, ele permite ao seu proprietário que use o combustível que achar melhor e que estiver mais barato. Todavia, uma questão sempre me intrigou no Carro Flex: "como pode um mesmo motor usar dois combustíveis tão diferentes, ou a mistura dos dois, e isso ao mesmo tempo?" Foi então que descobri o "mistério": o coração do sistema flex é um software instalado na central de injeção do veículo. Porém, mesmo depois de ter descoberto esse "segredo", essa pergunta ainda continuou a me deixar intrigado: "como pode um único motor utilizar dois tipos de combustíveis tão diferentes um do outro ao mesmo tempo?"
Confesso que em meio aos meus devaneios, acabei sendo conduzido ao seguinte pensamento teológico paralelo: "como pode um cristão, lavado e remido no sangue de Jesus Cristo, permitir que toda e qualquer mistura de combustíveis possa entrar no tanque do seu coração e da sua mente?".
Sabemos que a nossa sociedade pós-moderna possui o relativismo como um de seus principais pilares. Porém, não é apenas a "sociedade extra-eclesiástica" que segue o conceito do relativismo. É triste constatar que esse conceito filosófico perigoso também tem se infiltrado em muitas de nossas igrejas, ocasionando o surgimento do personagem não-fictício acima citado: o Crente Total Flex.
Bem, mas como é que nós podemos identificar esse tipo de "crente". Bem, o Crente Total Flex pode estar mais perto do que você imagina. Aliás, ele pode até ser aquela pessoa que costuma se assentar ao seu lado no banco da igreja. Porém, tome muito cuidado, pois ele pode ser um crente apenas de fachada. Vejamos, segundo a Bíblia, quais são algumas das características principais desse "personagem de nosso mundo folclórico evangélico" que é, na verdade, mais real do que imaginamos:

1) Saudades do Mundo

"4 (...) os filhos de Israel tornaram a chorar, e disseram: Quem nos dará carne a comer? 5 Lembramo-nos dos peixes que no Egito comíamos de graça, e dos pepinos, e dos melões, e dos porros, e das cebolas, e dos alhos" (Nm 11.4b,5).
Uma das primeiras características do Crente Total Flex é essa saudade que ele sente do Egito, mesmo estando se dirigindo rumo à Canaã! Dito de outra forma, esse tipo de crente é aquele que sente saudades do mundo, de seus valores e atrativos, ainda que a sua jornada terrestre tenha o propósito de conduzi-lo ao céu. Ele é flexível para com os valores do mundo. "O mundo não é tão ruim assim", ele pensa. Ele se comporta como o tal do "Crente Raimundo" (com respeito àqueles que nos lêem e têm esse nome), isto é, ele "tem um pé na igreja e o outro no mundo". Na mente de tais pessoas, não há incompatibilidade entre ser cristão e amar o mundo ao mesmo tempo (cf. 1 Jo 2.15-17).

2) Fé Dividida

"Então Elias se chegou a todo o povo e disse: Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, seguí-o; e se Baal, seguí-o. Porém, o povo lhe não respondeu nada" (1 Rs 18.21).
O Crente Total Flex também é, digamos, flexível quanto ao objeto de sua fé. Ele crê em Deus, mas não descarta a hipótese de poder receber a ajuda de alguma outra suposta divindade. Como ele é diplomata, então, a fim de agradar a todos, ele acaba "acendendo uma vela pra Deus e a outra para o diabo". Ele é daqueles que praticam a "política da boa vizinhança", pois quer se dar bem com todo mundo. Porém, ele se esquece das palavras de Jesus: "ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a mamom" (Mt 6.24). Perceba que esse crente flex não pode receber Deus e mamom ao mesmo tempo no "tanque" do seu coração. Ou é um ou é o outro. Não há lugar para uma mentalidade do tipo "pizza meio-a-meio" no Evangelho. Vale lembrar aqui as palavras do salmista, que disse: "Aborreço a duplicidade, mas amo a tua lei" (Sl 119.113).

3) Desonestidade nos Negócios

"Duas espécies de peso, e duas espécies de medida, são abominação para o Senhor, tanto uma coisa como outra" (Pv 20.10; cf. também: Pv 11.1; 16.11; 20.23).
A honestidade deve ser um traço essencial à vida de todo e qualquer cristão. Isto significa que ao cristão que se comporta bem na igreja, exige-se que tal comportamento também seja praticado em seu trabalho e em seus negócios de uma forma geral. Porém, o lema do Crente Total Flex é: "Igreja, Igreja, negócios à parte". Ele acredita que "fé e negócios não se misturam" e, por isso, sempre que é possível, arruma um jeitinho de levar vantagem sobre os outros e de passá-los para trás.

4) Linguajar Comprometido

"9 Com ela [a língua] bendizemos a Deus e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. 10 De uma mesma boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não convém que isto se faça assim. 11 Porventura deita alguma fonte de um mesmo manancial água doce e água amargosa? 12 Meus irmãos, pode também a figueira produzir azeitonas, ou a videira figos? Assim, tão pouco pode uma fonte dar água salgada e doce" (Tg 3.9-12).
O Crente Total Flex, à semelhança do carro bicombustível, é bilíngüe. Ora ele fala o idioma do céu, ora pronuncia o dialeto da terra. Às vezes você o encontra glorificando a Deus e, às vezes, você o vê falando mal do pastor, da igreja e dos demais irmãos. Ele aceita facilmente que essa mistura de "combustíveis" (o celestial e o terreno) abasteça o "tanque" de sua mente e, conseqüentemente, dê a "ignição" em sua boca. Ele acha normal o crente falar certas "verdades" de vez em quando e, portanto, devido a esta sua comunicação flexível, ele sempre diz aquilo que sente vontade de dizer, sem se preocupar se isso é agradável a Deus ou se fere ao seu próximo.

5a) Pensamentos Divididos

"O homem de coração dobre é inconstante em todos os seus caminhos" (Tg 1.8)
"Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Alimpai as mãos, pecadores; e vós de duplo ânimo, purificai os corações" (Tg 4.8).
Aqui em Tiago, as palavras usadas respectivamente para "coração dobre" (1.8) e "duplo ânimo" (4.8) são exatamente as mesmas. Trata-se da palavra grega dipsychos que, entre outras coisas, significa: "alma dividida, mente dividida". Tal vocábulo parece fazer referência à "mente que está dividida entre a fé e o mundo, entre as coisas de Deus e as coisas dos homens". O Crente Total Flex possui tal tipo de mentalidade dividida. Tais crentes indecisos não levam a sério os conselhos do apóstolo Paulo, nos quais ele diz: "Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra" (Cl 3.2), e ainda: "Quanto ao mais, irmãos, tudo aquilo que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai" (Fp 4.8).

6) Meia-Temperatura

"15Eu sei as tuas obras, que nem és frio nem quente: oxalá foras frio ou quente! 16Assim, porque és morno, e não és nem frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca" (Ap 3.15,16).
O Crente Total Flex é aquele que "não é oito e nem oitenta"” nas questões relacionadas à vida cristã. Aqui no texto de Apocalipse há um contraste muito interessante. O texto faz um contraste entre as águas quentes e, portanto, medicinais de Hierápolis e as águas frias e puras de Colossos. As primeiras possuíam propriedades medicinais e as últimas serviam para dar um alívio ao cansaço. Sendo assim, a igreja de Laodicéia era uma igreja "em cima do muro". Ela nem proporcionava cura ao doente espiritual e nem trazia refrigério ao que estava espiritualmente cansado. Com o perdão da palavra, era uma igreja "meia-boca". Os crentes laodicenses não eram nem fervorosos e nem frios na vida cristã. Eles simplesmente viviam um "cristianismo" apagado, apático, enfadonho e medíocre. Essa "mornidão espiritual" também é um dos traços marcantes na vida do Crente Total Flex. Ele não vive a vida cristã, mas apenas a “empurra com a barriga”. Logo, se decidir permanecer deliberadamente nesse estado, o destino de tal pessoa será ser lançado "para fora do corpo" ("vomitar-te-ei da minha boca", Ap 3.16).

Conclusão

A fim de concluir o meu pensamento, eu gostaria de dizer que não deve haver lugar no "tanque" do coração do cristão para quaisquer tipos de "substâncias". Não podemos aceitar que o nosso "motor" seja "abastecido" com todos os tipos de "combustível". Não há lugar para duplos pensamentos, duplas crenças, duplas doutrinas, duplas esperanças, duplas salvações, duplas vocações, duplos batismos etc, pois o nosso coração não é "bicombustível" como o Carro Total Flex é. Muito pelo contrário, o nosso coração é "mono-combustível", pois, segundo as Escrituras: "Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; Um só Senhor, uma só fé, um só batismo; Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos" (Ef 4.4-6).
Fique de olho no tipo de "combustível" que querem pôr no seu "motor"!

Autor: Carlos Augusto Vailatti

domingo, 15 de maio de 2011

O fast food de Esaú

Em Gênesis 25.19-34, encontramos a famosa passagem bíblica que narra uma das negociações mais estranhas e lastimáveis da história. A transação envolve, de um lado, uma espécie de sopão do tipo “fast food”, e, do outro, um direito adquirido de nascença. De um lado, temos o “pão e (a) sopa de lentilhas” (hebr. lehem unezid ‘adashim) preparados pelo “chef de cuisine”, Jacó, e, do outro, temos o direito de “primogenitura” (hebr. bekhorah) do caçador, Esaú.
Esaú, depois de vir de uma caçada no campo provavelmente mal-sucedida, e, estando extremamente cansado e faminto, acaba vendendo o seu direito de primogenitura (o qual lhe assegurava, conforme a crença comum entre os povos do Oriente Médio Antigo, tanto bênçãos espirituais como materiais – cf. Ex 22.29; Dt 21.15-17) para o seu irmão, Jacó.  Essa “transação comercial” saiu muito cara para Esaú, que trocou um direito adquirido de nascença por um pedaço de pão e uma sopa de lentilhas (Gn 25.34), alimentos estes que, juntos, poderiam ser comprados hoje por cerca de R$3,00 (três reais)!
É como se Esaú trocasse a sua possante “Ferrari” pelo humilde “Fusquinha 68” de Jacó. Que atitude mais insana! Que despautério! O faminto Esaú, traído pelo seu apetite humano, “deu de bandeja” a sua primogenitura. Ela custou o preço de uma simples comida “fast food”!
Esse triste e lamentável episódio ocorrido entre esses dois irmãos nos mostra que, muitas vezes, assim como Esaú, nós também desprezamos as coisas que têm real valor e importância para a nossa vida (tais como, a presença de Deus, a comunhão cristã, as amizades verdadeiras, a consciência tranqüila, o caráter etc). Nestas situações, em nome de um prazer imediatista e por causa de um “aqui e agora” absolutamente efêmero e vazio, terminamos por abrir mão de tudo aquilo que realmente importa para o nosso viver.
O mais triste nisso tudo é que esse tipo de comportamento mundano, que valoriza apenas a satisfação sensorial imediata ao mesmo tempo em que despreza as questões transcendentais e eternas, é a “bola da vez” do nosso tempo. Esaú morreu há milênios atrás. Porém, ele deixou muitos descendentes nos dias de hoje. E os seus descendentes continuam a perpetuar a sua prática de forma admirável. Contudo, as “moedas de troca” hoje são outras. Em sua época, Esaú trocou a sua primogenitura por uma comida do tipo “fast food”. Hoje, entretanto, as coisas “evoluíram” bastante.
Hoje, troca-se facilmente um bom e duradouro casamento por apenas meia hora de prazer com um (a) amante praticamente desconhecido (a). Hoje, troca-se uma vida toda pela frente por uma morte estúpida durante uma tola discussão no trânsito que poderia ter sido evitada. Hoje, troca-se a paz de espírito e a consciência tranqüila por algumas poucas notas de dinheiro adquirido de forma desonesta e ilegal. Hoje, troca-se o caráter e a boa reputação por alguns míseros momentos de euforia. Enfim, hoje, troca-se com a maior naturalidade a Casa e a Presença do Pai pelas “bolotas” de alguns suínos (Lc 15.11-16)! Os alimentos podem até ter mudado (do “pão e sopa de lentilhas” de Jacó para as “bolotas” dos porcos), mas o erro continua sendo sempre o mesmo. Ainda continuamos a preferir o Egito e todos os seus prazeres temporários, em vez de Canaã, a Terra Prometida por Deus.
Nesta era do “fast food”, que Deus nos ajude a fugir da tentação do “pão” e da “sopa de lentilhas”.