quinta-feira, 3 de março de 2011

Judá e Tamar

Interessante notar Gn.38 que, logo no primeiro versículo, lemos que Judá se separou de sua família. Pelo momento que a história é contada – logo após terem vendido seu irmão – podemos supor que ele tenha preferido se afastar para não ter que conviver com o sofrimento de seu pai e sobretudo por causa da mentira que ocultava.
Naquela época, uma viúva sem filhos teria sérios problemas na vida. Ela estaria condenada à mendicância após a morte de seus pais, pois o marido era responsável pelo sustento e o filho, pela garantia da herança. Após a morte de seu esposo, Tamar lutou pelo seu “direito de ter um filho” e sobretudo garantir os direitos de Er, seu esposo, em ter o seu nome preservado através de um descendente. Em tais situações, era dever do cunhado perpetuar a linhagem de seu irmão falecido (lei do levirato) e a também prover o sustento e as necessidades da viúva.
Cumprindo-se a lei do levirato, Judá entrega Tamar a Onã, seu filho do meio. Por essa lei, o cunhado só poderia ter relações para gerar um herdeiro para o irmão falecido, sendo que após a concepção, ela seria novamente viúva e não poderia mais ter relações. Onã porém agiu com mesquinhez, primeiro porque não queria ter que dividir sua herança com o filho que nasceria da cunhada (e a herança do primogênito, ou seja, do filho mais velho que faleceu, era dobrada). Segundo, porque queria continuar mantendo relações. Então ele usou-se de um artifício para não engravidar a cunhada – derramava o sêmen na terra. Tal atitude custou-lhe a vida.
Entretanto, para Judá e sua esposa o problema não estava nos filhos – estava em Tamar. Já percebeu como nós temos a tendência de culpar outros pelos nossos problemas? Como é difícil para nós analisar uma situação de maneira imparcial e reconhecer que a culpa não está em outras pessoas, mas em nós mesmos? É muito mais fácil jogar a culpa no demônio do que assumir que o problema está em nós. Vemos isso muito claramente no versículo 11. Judá não estava disposto a fazer cumprir a lei do levirato, entregando o filho mais novo para Tamar – ele achava que, de alguma forma, ela era a responsável pela morte de seus dois filhos mais velhos.
Entretanto, a lei do levirato prevê que, para continuar uma linhagem, o próprio pai poderia gerar filho com sua nora – e Judá sequer cogitou essa solução. Foi essa lei que as filhas de Ló utilizaram para gerar filhos para seu pai, uma vez que achavam que não havia mais ninguém na terra além deles.
Judá manda, no versículo 11, Tamar de volta para a casa de seus pais, prometendo que assim que o filho mais novo estivesse na idade de casar, ele a chamaria.
O tempo foi passando e ficou claro para Tamar que, se dependesse de Judá, ela estaria condenada a ser uma viúva sem filhos. Mas ela tinha direitos, e não abriu mão deles. Depois da morte da sogra, conhecendo os hábitos do sogro, ela colocou em prática uma estratégia ousada: se fez passar por uma prostitua cultual. O que era uma prostituta cultual? As prostitutas cultuais eram usadas nos cultos de fertilidade no Oriente Médio. Nesses cultos acreditava-se que a colheita e os rebanhos eram aumentados pelo intercurso ritual com as prostitutas de certas deusas como Aserá, Asterote e Anate. Elas normalmente cobriam o rosto, pois acreditava-se que as próprias deusas “encarnavam” nessas mulheres.
Tamar havia pensado em todos os detalhes. Ela sabia que sua vida estaria em risco quando sua barriga começasse a crescer e os fofoqueiros de plantão (não se preocupe, eles são mais antigos que a profissão de prostituta) levassem a notícia a Judá. Como não havia exame de DNA na época, ela precisaria provar quem era o pai da criança, sem deixar sombra de dúvida. Ela então fica com alguns pertences de Judá, como penhor: o selo, o cordão e o cajado.
Quando a notícia chegou a Judá (v.24), sua reação foi a esperada: “Queimem a vagabunda!”. Veja como a notícia chegou: “tua nora adulterou e eis que está grávida do adultério“. Cuidado com as notícias que você recebe! Eles nem se deram ao trabalho de saber quem era o pai ou se porventura ela havia sido violentada. O julgamento já havia sido dado – ela adulterou e ponto. Pior ainda – eles nunca se importaram em interceder por Tamar junto a Judá para que ele lhe enviasse o filho menor. Eles estavam prontos para criticar, acusar mas não para ajudar. Infelizmente, o quadro hoje não é muito diferente…
Em sua sabedoria, Tamar espera o momento certo para “esfregar o exame de DNA na cara de Judá”. E o reconhecimento de paternidade por parte dele, declarando ter sido ela mais justa que ele mesmo. Essa mulher admirável, que não aceitou abrir mão do que era seu por direito.
Agora, vejamos o que ocorria no mundo espiritual. Em Gênesis 49 lemos:

8 ¶ Judá, a ti te louvarão os teus irmãos; a tua mão será sobre o pescoço de teus inimigos; os filhos de teu pai a ti se inclinarão.
9 Judá é um leãozinho, da presa subiste, filho meu; encurva-se, e deita-se como um leão, e como um leão velho; quem o despertará?
10 O cetro não se arredará de Judá, nem o legislador dentre seus pés, até que venha Siló; e a ele se congregarão os povos.
11 Ele amarrará o seu jumentinho à vide, e o filho da sua jumenta à cepa mais excelente; ele lavará a sua roupa no vinho, e a sua capa em sangue de uvas.
12 Os olhos serão vermelhos de vinho, e os dentes brancos de leite.
O que ocorreu no capítulo 38 foi uma tentativa do inimigo em fazer cessar a descendência da qual viria o Messias (Siló).
 O evangelho de Mateus1 inicia assim:

1 ¶ Livro da geração de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão.
2 Abraão gerou a Isaque; e Isaque gerou a Jacó; e Jacó gerou a Judá e a seus irmãos;
3 E Judá gerou, de Tamar, a Perez e a Zerá; e Perez gerou a Esrom; e Esrom gerou a Arão;
4 E Arão gerou a Aminadabe; e Aminadabe gerou a Naassom; e Naassom gerou a Salmom;
5 E Salmom gerou, de Raabe, a Boaz; e Boaz gerou de Rute a Obede; e Obede gerou a Jessé;
6 E Jessé gerou ao rei Davi; e o rei Davi gerou a Salomão da que foi mulher de Urias.
7 E Salomão gerou a Roboão; e Roboão gerou a Abias; e Abias gerou a Asa;
8 E Asa gerou a Josafá; e Josafá gerou a Jorão; e Jorão gerou a Uzias;
9 E Uzias gerou a Jotão; e Jotão gerou a Acaz; e Acaz gerou a Ezequias;
10 E Ezequias gerou a Manassés; e Manassés gerou a Amom; e Amom gerou a Josias;
11 E Josias gerou a Jeconias e a seus irmãos na deportação para babilônia.
12 E, depois da deportação para a babilônia, Jeconias gerou a Salatiel; e Salatiel gerou a Zorobabel;
13 E Zorobabel gerou a Abiúde; e Abiúde gerou a Eliaquim; e Eliaquim gerou a Azor;
14 E Azor gerou a Sadoque; e Sadoque gerou a Aquim; e Aquim gerou a Eliúde;
15 E Eliúde gerou a Eleázar; e Eleázar gerou a Matã; e Matã gerou a Jacó;
16 E Jacó gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu JESUS, que se chama o Cristo.
17 De sorte que todas as gerações, desde Abraão até Davi, são catorze gerações; e desde Davi até a deportação para a babilônia, catorze gerações; e desde a deportação para a babilônia até Cristo, catorze gerações.

Interessante notar que Tamar está entre as três únicas mulheres que aparecem na genealogia de David e, por consequência, de Jesus. As outras, Raabe uma ex-prostitua e Rute, uma moabita.
Não abra mão daquilo que é seu por direito. Se você recebeu um sonho, uma promessa de Deus, não desanime, não deixe que as situações contrárias lhe façam desistir. Mesmo que, à semelhança de Tamar, joguem a culpa do fracasso sobre você, não permita que isso lhe lance sobre o marasmo e a depressão. Conheça seus direitos. Faça-os valer. Deus lhe dará sabedoria e estratégia para conquistar aquilo que é seu por direito.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Carnaval: quando as máscaras caem

Uma vez por ano elas submergem – pessoas modernas – no anonimato das máscaras sem nome. Uma vez por ano elas querem gozar como desconhecidas, aquilo que a vida oferece. Uma vez por ano elas se livram das amarras da responsabilidade, das preocupações e da autodisciplina. Mas como passam rapidamente os dias de divertimento sem controle! A toda bebedeira segue uma ressaca; todos que usam máscaras serão desmascarados.
Existe alguém que não se deixa enganar pela tua fantasia, - Alguém diante de cujos olhos de fogo não existem pessoas atrás das máscaras. Os olhos do Deus vivo e santo vêem todas as coisas. Eles te seguemsempre e em todos os lugares! Na Bíblia está escrito:
“Senhor, tu me sondas e me conheces. Sabes quando me assento e quando levanto... Esquadrinhas o meu andar e o meu deitar, e conheces todos os meus caminhos... Para onde fugirei da tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também... Se eu digo: As trevas, com efeito, me encobrirão, e a luz ao redor de mim se fará noite, até as próprias trevas não te são escuras: as trevas e a luz são para ti a mesma coisa” (Salmo 139).
Também na balbúrdia do carnaval, os olhos de Deus te observam. Mesmo que submirjas, mesmo que nenhuma pessoa te identifique – Deus te reconhece! Ele sabe a respeito de tudo que fazes. Diante dele, têm que cair todas as máscaras! Permite-me perguntar-te: como ficas depois da folia do carnaval? Seja sincero, não te iludas! Não é assim: teu coração está vazio, ficas mal-humorado, tu te sentes miserável. A vida ficou monótona e vazia. Restou somente um gosto amargo. O tempo do carnaval veio a ti em vestes de alegria, mas sempre lhe seguem vultos vestidos de preto. Trata-se das aflições, das dores de consciência, do sofrimento e do desespero.
Feliz de ti se capitulares hoje diante de Deus! Feliz de ti, se cair tua máscara! Pois Deus te faz uma oferta. Se quiseres, ainda hoje ele te dará alegria pura e verdadeira, que não tem nada em comum com a alegria “mascarada”. Trata-se de uma alegria que poderás levar para tua vida diária.
Tu te sentes sujo e manchado pelo pecado? Está o teu coração decepcionado e vazio? Então vem a Jesus Cristo, o Filho de Deus. A Bíblia diz:
“Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16) – “...o sangue de Jesus, seu filho, nos purifica de todo pecado” (1 João 1.7). – Deus diz: “Desfaço as tuas transgressões como a névoa, e os teus pecados como a núvem; torna-te para mim, porque eu te remi” (Isaías 44.22). Virá o dia em que todas as pessoas do mundo terão que comparecer ao juízo de Deus: “...para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai” (Filipenses 2.10-11).
Esse será o dia em que o Deus santo arrancará dos rostos dos homens as máscaras da justiça própria, do orgulho e da altivez. De que maneira terrível aparecerá então a pecaminosidade e pobreza de uma vida desperdiçada! Por isso, deixa desmascarar-te hoje por Deus. Aceita a graça de Deus, que te é oferecida em Jesus Cristo. Hoje ele quer ser teu Salvador, amanhã talvez já seja teu Juíz! Aceita na fé o perdão dos pecados através do sangue de Jesus Cristo. Inicia hoje uma nova vida com teu Deus, uma vida de que não te precisarás envergonhar na Eternidade! (Y. M. - http://www.ajesus.com.br/)

terça-feira, 1 de março de 2011

Uma escrava de fé

A fama do profeta Eliseu repercutiu, de tal maneira, que atingiu dimensões internacionais, e seu poder era tanto admirado quanto temido. As notícias de seus feitos percorriam tanto os casebres como os palácios. Até mesmo o rei de Israel, fascinado com os milagres de Eliseu vivia a cata de notícias recentes (2 Rs 8:4). Contudo, desprezava o melhor que Eliseu podia oferecer - a salvação de sua alma. O rei da Síria, por sua vez, encarava tais poderes como uma séria ameaça, visto que interferiam constantemente em seus planos militares (2 Rs 6:8¬14). Não obstante, Eliseu mostrou-se disposto a abençoar todo aquele que o procurasse, até mesmo os seus inimigos. Este deve ser também o nosso procedimento; devemos ser fonte de bênçãos por onde quer que passarmos.
O TESTEMUNHO DA FÉ - (2 Rs 5:1-8)
Naamã era um herói de guerra, homem destacado no exército de Bem-Hadade, rei da Síria. Herói em seu país; vilão em Israel, pois, em sua última incursão militar (talvez a batalha descrita em (I Rs 22), além da mortandade que provocou, ainda seqüestrou muitas mulheres e crianças. Como um brinde de sua vitória, Naamã levou como presente para sua esposa uma das meninas seqüestradas para servir-lhe como escrava.
O general Naamã havia conquistado tudo que desejava, mas havia perdido aquilo que mais prezava - sua saúde. Tornara-se um leproso. A menina israelita, por sua vez, perdera tudo que mais amava, mas manteve saudável a sua fé. E apesar da indignação de ser raptada, de perder o contato com a amada família, de ser reduzida à vi I escravidão, de perder a sua infância, de ter de servir a um tirano, inimigo de seu povo, e pior ainda, um leproso, apesar de tudo isso manteve firme sua confiança em Deus. Mostrou-se disposta a testemunhar de sua fé naquele ambiente hostil, oferecendo uma bênção àquele que a ofendeu:
"Tomara o meu senhor estivesse diante do profeta que está em Samaria; ele o restauraria da sua lepra" (2 Rs 5:3).
Nem sempre o ambiente onde vivemos, estudamos e trabalhamos vem a ser aquilo que gostaríamos, mas nunca deixará de ser um lugar de oportunidades, onde nossa fé, mesmo com lágrimas, poderá ser semeada e mudanças alegres poderão ser colhidas (Sl 126:6).
As boas novas logo se espalharam chegando até o trono de Ben-Hadade. Aquele reino próspero e poderoso nada podia fazer em benefício de seu herói, mas o "fraco" reino de Israel, por eles saqueado, possuía homens com grande poder espiritual. O opressor agora dependia do oprimido, o forte precisava do fraco e desta forma o nome de Deus foi exaltado entre as nações. Ben-Hadade enviou seu general favorito ao rei de Israel, com uma grande comitiva, um batalhão fortemente armado e uma considerável fortuna, a fim de encorajar a cooperação do rei Jorão ¬"encontrar o tal profeta milagroso". A abordagem de Naamã foi direta e honesta, mas o rei de Israel interpretou mal aquele pedido, confundindo com um pretexto para provocar uma nova guerra (v.7). Sua cegueira espiritual o impedia de enxergar a grande oportunidade que Deus havia proporcionado. Imaginem a repercussão internacional que seu reino poderia obter se o grande Naamã fosse socorrido pelos "poderes de Israel"? O rei Jorão sabia que Eliseu tinha esse poder, mas a desprezível idolatria que maculara sua alma o impedia de raciocinar com clareza.
Naamã levou à presença do rei Jorão, como retribuição à sua petição, a exorbitante quantia de 10 talentos de prata (340 kg), 6.000 siclos de ouro (68 kg) e dez vestes festivais (trajes de luxo adornados com pedras preciosas). Certamente uma parte daquele tesouro caberia ao profeta que o curasse. Não tardou a que as notícias chegassem aos ouvidos de Eliseu, o qual repreendeu a estupidez do rei Jorão e sua incredulidade: " ... Por que rasgastes as tuas vestes? Deixa-o vir a mim e saberá que há profeta em Israel" (v.8).
O EXERCÍCIO DA FÉ - 2 Rs 5:9-19
Chegou Naamã, com sua comitiva, seu exército, seu poder e sua carga preciosa à casa do profeta, mas Eliseu não se deixou impressionar com toda aquela ostentação, de modo que nem ao menos se deu ao trabalho de ir saudá-lo ou festejá-lo. Conhecia o objetivo de sua visita e, provando a sua fé, mandou o seu discípulo, Geazi, ao encontro de Naamã, no portão, com a seguinte instrução: "Vai, lava-te sete vezes no Jordão, e a tua carne será restaurada, e ficarás limpo" (v.10).
Perante Deus não há lugar para soberba; Naamã precisava aprender esta lição. Se alguém busca uma bênção de Deus, que busque isso com humildade e fé ou nada receberá. "Pois todo o que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado" (Lc 14:11).
O arrogante general começou desanimar e perder as esperanças de uma cura espetacular, em função do preconceito contra o método do profeta e pela maneira como foi tratado. Desejou voltar para casa imediatamente, mas seus assessores, munidos de um sincero desejo de vê¬10 curado, convenceram-no com muita inteligência, cautela e lógica:
"O senhor é homem valente e nunca se negou a uma tarefa por mais difícil que fosse. Temos certeza que o senhor faria qualquer coisa que o profeta pedisse sem hesitar ou demonstrar temor. Por que, então, não poderia fazer algo tão simples?" (v.13 parafraseado)
A questão agora estava nas mãos de Naamã. Em seu desespero já havia crido até nos conselhos de uma escrava estrangeira, percorrera grande distância rumo ao desconhecido e fizera um considerável investimento em busca da solução para o seu drama. Faltava¬-lhe agora o passo final - "agir com fé". Finalmente, o grande estadista abriu mão do orgulho e mergulhou no "lamacento" Rio Jordão. Posso até imaginar a expectativa de seus companheiros: "Mergulhou uma, duas vezes, e nada! Mergulhou terceira, quarta e quinta vez, e nada aconteceu! Mergulhou pela sexta vez e não houve sequer um vestígio de mudança. A angústia foi aumentando; teria o profeta passado um trote no general? Se desistisse ali teria perdido a grande oportunidade de sua vida, mas não desistiu; exercitou sua débil fé até o fim e, por isso, o resultado foi melhor que o esperado. Não apenas obteve a cura, como também ganhou uma pele rejuvenescida, tal como a pele de uma criança.
Naamã voltou a presença de Eliseu com seu corpo purificado, sua alma lavada e suas mãos repletas de dádivas. A transformação foi completa Deus mudou-lhe o exterior e o interior, e fez dele um novo homem. O profeta, ao olhar tamanha alegria, alegrou-se também; não pela fortuna que lhe foi oferecida, mas pela preciosidade de uma vida transformada e agora consagrada ao verdadeiro Deus.
O ABANDONO DA FÉ - (2 Rs 5:19-27)
A jovem escrava exercitou sua fé, apesar da tristeza que ardia em seu coração. Naamã exercitou sua fé, Mesmo com o preconceito arraigado em seu coração, mesmo com a decepção na corte do rei Jorão, mesmo não entendendo a lógica do profeta, e agora, depois de curado, exercitou mais uma vez a sua fé na convicção de que o "Deus de Israel" o acompanharia de volta a seu país (v.17). Mas Geazi, embora conhecesse bem de perto os prodígios do SENHOR, em lugar de exercitar, abandonou a sua fé, trocando o sustento de Deus por um modo "mais fácil" de prover o seu conforto. Geazi inventou um plano diabólico para tirar o máximo proveito daquela situação. Certamente o fascínio do lucro fácil causou um desequilíbrio na mente daquele cobiçoso discípulo, a ponto de usar o santo nome de Deus para justificar sua cobiça: "tão certo como vive o SENHOR, hei de correr atrás dele e receberei alguma coisa" (v.20).
Aproveitando-se da euforia e da boa fé do novo convertido Naamã, usou o nome do profeta, inventando a chegada de novos hóspedes como pretexto para ganhar um pouco do que Eliseu recusou. E ganhou mesmo, mais ainda do que pediu; angariou para si 68kg. de prata e duas veste festivais (vs. 21-23). Bem que a Palavra de Deus nos alerta:
"Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores." (1 Tm 6:10).
E, como um pecado chama outro pecado, o jeito foi continuar mentindo para acobertar o seu deslize. Mas de Deus não se esconde nada. Deus fez com que Eliseu soubesse de tudo por meio de uma visão (v.26).
Veja como são as coisas: um pagão estrangeiro foi curado, pela nobreza de sua fé, enquanto um israelita, um estudante de teologia tomou o lugar do pagão, para a desonra de sua fé. Assim como Acã, Ananias e Safira, Judas Iscariotes ... também Geazi vendeu sua alma por prazeres passageiros. A cobiça deste jovem só lhe trouxe maldição, pois junto com a prata que surrupiou de Naamã, herdou também a lepra que antes era dele (v.27).
* Com a pequena escrava aprende¬mos que é possível ser uma bênção em qualquer situação se mantivermos viva a nossa fé.
* Naamã deixou-nos como herança o valor de se confiar nas promessas de Deus, mesmo quando não as compreendemos inteiramente.
* Eliseu nos faz lembrar que todo mundo merece uma chance, quando se mostram interessados em Deus; até mesmo aqueles que nos irritam.
* Os erros de Geazi ficaram como um alerta da tragédia que pode ocorrer quando negligenciamos a vida com Deus e preferimos prazeres do mundo (1 Co 10:12).

 Pr Jonas Neto

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Tô a fim de namorar!

Coisa boa é namorar! Quem já não sofreu de ''apaixonite'' aguda? Quem já não sentiu um nó na garganta e as mãos suadas ao trocar um olhar com a pessoa por quem o coração bate incontrolável? Existe um momento na vida de todos nós que namorar é quase uma obsessão. Tenho doces recordações do meu tempo de namoro.
Namorar é maravilhoso! É impossível casar sem namorar. É nesta fase da vida que duas pessoas irão se conhecer, trocar confidências, abrir o coração um ao outro, preparando-se para uma definitiva vida a dois. Este desejo é legítimo e realizá-lo torna-se imprescindível para o casamento. Foi Deus quem marcou o primeiro encontro dos enamorados, foi Deus quem ascendeu à lua, orquestrando os pássaros, e preparando todo o cenário para o primeiro casal de apaixonados. Deus se alegrou quando viu os olhares lânguidos do primeiro casal. Ele ficou feliz em ver os rostos dos apaixonados se iluminarem pelo amor. Sorrindo, Deus os abençoou.
Namorar é preciso! No entanto em busca deste necessário e legítimo desejo, muitas pessoas encontram sofrimento e decepção. Na aspiração de realizar sonhos e encontrar a felicidade algumas se tornam amarguradas e feridas; enquanto outras abusam, usam e se aproveitam dos corações vulneráveis. Como, então, evitar complicações futuras?
Nasci em Petrópolis, Rio de Janeiro; lá existem muitos poços, onde aprendi a nadar com meu pai. Papai me ensinou uma simples, sabia e essencial verdade para nadar e sair vivo de um poço. Nunca mergulhe num poço sem antes dar uma ''nadadinha'' primeiro. Descubra se o poço é fundo, se existem pedras no fundo. Quem pula de cabeça num poço pode acabar morrendo.
Este conselho simples se aplica muito bem no namoro. Todo aquele que ''pular de cabeça'' numa relação, sem conhecer a fundo com quem esta se relacionando, analisando os prós e os contras, pode acabar se ferindo gravemente. O difícil é controlar o desejo e ter o bom senso de dar a ''nadadinha''. A tendência de todos nós é mergulhar com a ''cara e a coragem''. ''Estou amando! Encontrei o homem/mulher da minha vida'', afirmamos imediatamente, partindo ''pra cima'' praticamos uma intimidade sem volta, crescente e perigosa. A Palavra de Deus, sabiamente afirma em Provérbios 6:27 ''Tomará alguém fogo no peito, sem que as suas vestem se incendeiem? Ou andará alguém sobre brasas, sem que se queimem os seus pés?''. Muitos dissabores e mágoas seriam evitadas se o sábio conselho de meu pai fosse obedecido.
Outro ponto crucial é que a vida nos sinaliza quando algo não vai bem. A febre é um ''sinal'' nos alertando que alguma coisa está errada dentro de nós. O ranger constante de um carro que não consegue dar partida, também é um ''sinal'' de que o carro vai acabar nos deixando no meio do caminho. A desobediência aos alertas que recebemos ao longo da vida produz problemas que poderiam se evitados. Jesus afirmou: ''Chegada à tarde, dizeis: Haverá bom tempo, porque o céu está avermelhado; e, pela manhã: Hoje, haverá tempestade, porque o céu está de um vermelho sombrio. Sabeis na verdade, discernir o aspecto do céu e não podeis discernir os sinais dos tempos?'' (Mateus 16:2-3).
É possível prevenir crises e encontrar o amor da sua vida. Para isto, basta apenas dar ouvidos a ''certos sinais'', que soam como um ''despertador'', nos alertando dos perigos. Ao ouvir, entender, e obedecer estes ''sinais de alerta'', você pode escolher um outro caminho, fazendo pequenas mudanças. Desta maneira, levar seu namoro a um seguro caminho de amor. Eu aprendi desde cedo que todos os aspectos da vida são influenciados pelas escolhas que faço. As circunstâncias e acontecimentos da vida são muitas vezes uma ''sacudidela'' para nos despertar. Somente chegaremos ao fim da jornada se acordamos e mudarmos de rumo. Quando teimosamente continuamos no mesmo caminho e atitude, a despeito dos sinais de alerta para mudarmos de rumo, certamente teremos experiências amargas e desastrosas.
Provavelmente a maioria de vocês assistiu ao filme ''Titanic''. O experiente capitão do Titanic recebeu seis avisos de alerta. Os avisos diziam para ele viajar mais devagar, mudar o curso, pegando a rota mais ao sul, onde as águas eram mais quentes, evitando assim os icebergs. Ele ignorou teimosamente todos os avisos de alerta. Como ele era o capitão, ele pensou, ''Este navio nunca afundará!'' Então, ouviu-se um estrondo pavoroso, e o gigante e poderoso navio atingiu uma enorme montanha de gelo. Ele afundou rápida e desastrosamente. Quem não muda de rumo quando recebe um sinal de alerta é candidato ao desastre. Quem muda o curso de sua vida quando avisado pode evitar o desastre e celebrar a viagem.
Este é um tremendo princípio que podemos aprender do Titanic. E este é também o maior de todos os segredos para fazer com que o amor dure para sempre. Esteja atento aos sinais de alerta da sua caminhada; dê ouvido a estes sinais; abra bem os olhos para enxergar estes avisos. Assim, você poderá mudar de rumo rapidamente, sem comprometer sua felicidade.
No entanto, quando estamos apaixonados, muitas vezes, nossos ouvidos ficam fechados aos inúmeros sinais de alerta que a própria relação nos oferece. Vejamos alguns sinais de alerta que afirmam que a relação precisa ser repensada.

1. O rapaz grita com a mãe. Ele vai gritar com a esposa.
2. Existe um descontrole financeiro no namoro, vai haver no casamento.
3. O namoro os afasta da vida com Deus.
4. Ele é violento.
5. Ela não permite que ele converse com outras meninas.
6. A paixão causa sofrimento, é doentia.
7. Alguém não se dá com a própria família ou com a do outro.
8. Um dos dois não é cristão.
9. Um dos dois não se envolve com a igreja.
10. A intimidade está indo longe demais.
11. Culpa
12. Discussões constantes

A lista é imensa. Certamente, enquanto você lê este artigo os ''sinais de alerta'' já estão despertando a sua consciência. Muitos apaixonados perdem o bom senso. Eles fecham os ouvidos e os olhos para estes sinais, quando acordam é tarde demais. O que começa errado acaba errado.
Caro leitor vá devagar, não ''mergulhe de cabeça'' numa paixão desenfreada ou você pode se dar mal. Ouça os sinais de alerta a sua volta! Mude de rumo, ou você vai ''afundar''. O desejo de Deus é a sua total felicidade. Permita que Ele guie a sua vida amorosa. Ilumine os seus passos com a luz da Sua Palavra. Busque a Sua amorosa direção e na dúvida não ultrapasse.

 Pr.Silmar Coelho

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Eu amei um homossexual!

Eu tinha aproximadamente 17 anos, quando eu tive minha primeira experiência com um homossexual. Lembro-me como se fosse ontem. Ia pegar um ônibus até minha igreja, como fazia todos os finais de semana. Era por volta das 18h00 e meu ônibus sairia em 30 min. Foi quando avistei um senhor bem vestido e muito simpático, que não tirava os olhos de mim. Eu estava sentado em um banco perto do ônibus e ele mais afastado, quando começou a piscar para mim. Lembro-me que fiquei bastante constrangido, mas tomei coragem e convidei-o para se sentar ao meu lado.

Prontamente atendeu ao meu pedido, e já veio, logo, segurando a minha mão, e começou a tocar no meu cabelo. Pois com o mesmo sorriso que o chamei, falei para ele o seguinte: "_Tudo bem com você? Meu nome é Robert, qual é o seu nome? -Eu me chamo Marcos! Respondeu sorridente. -Pois é eu só te chamei aqui porque queria que você soubesse que sou muito feliz! Falei com um tom meio ousado. -Eu já sei, você é feliz porque tem muitos amigos, assim “como eu”, por isso você é alegre! Ele respondeu todo empolgado. -Não exatamente, na verdade sou muito feliz, porque um dia fui “lavado e remido pelo sangue do Cordeiro”. É sobre Ele que gostaria de falar. Respondi com firmeza. -Ah não! Você é crente? Só me faltava essa!… Ele respondeu tirando as suas mãos de sobre mim, e um tanto indignado. Como em nenhum momento demonstrei algum tipo de preconceito, e queria conhecer a sua história, conversamos sobre a sua vida e também sobre a bíblia.

Interessante foi estar levando minha bíblia na mochila, uma "Thompson" antiga, ou seja, uma bíblia enorme. À medida que passava um amigo do Marcos, ele dizia: -Ô Fulano, vem aqui, esse é o Robert, ele é crente e não tem preconceito; quer falar sobre a bíblia com a gente. Naquele domingo não fui para o culto na igreja. Fiz meu próprio culto em um banco de rodoviária, cercado de vários homossexuais, alguns sentados ao meu lado e outros sentados no chão, e eu, com a minha bíblia gigante no colo. As pessoas que desciam do ônibus, ou passavam por lá, paravam para ver o que estava acontecendo. Não me preocupei em falar sobre salvação, pois todos eles já conheciam a respeito de Jesus; apenas falei sobre o amor e a graça de Deus. Muitas sementes foram plantadas naquela noite.

Ao chegar em casa, chorei muito na hora de orar para dormir; o grande vazio e os valores distorcidos daqueles homens, me tocou profundamente. Questionei, porque nós cristãos nos calamos tanto para essas pessoas? Porque eles diziam que eu não tinha preconceito? Qual era a visão de um homossexual para com a igreja, e qual a visão da mesma para com eles? Porque nós cristãos nos fechamos para essas pessoas? Deus me respondeu que eu poderia e deveria amar um homossexual, pois só através desse amor ele poderia se encontrar em Deus.

Talvez você esteja pensando agora: Seria correto eu subir no púlpito de uma igreja e dizer que amo um homossexual ou uma prostituta? Nos meus vários anos de experiência com ressocialização, e missões noturnas, descobri não só na teoria, mas também na prática, que se não houver amor, nunca haverá recuperação, pois somente o amor verdadeiro, aquele que vem do alto, de Deus, que não se limita à raça, credo ou sexualidade definida, é que pode trazer um homem novamente ao convívio da sociedade. Ele ama incondicionalmente, mesmo quando nós não o merecemos, Ele ainda chora por nós, e sofre as nossas dores, porque odeia o pecado, mas sempre amou o pecador.

Eu não tenho problema algum a subir em um púlpito para dizer em alta voz que já amei, e ainda amo um homossexual, isso porque conheci alguém, que não teve vergonha de subir nú em uma cruz, só para dizer que ama os homossexuais, os pedófilos, as prostitutas, os ladrões, os drogados, entre outros pecadores, como nós.  Ainda hoje tenho muitos amigos, que cultivei nas ruas e nos prostíbulos; são travestis, prostitutas, drogados, alcoólatras, mendigos, clientes de drogas e de prostituição, verdadeiros desgraçados como eu, com a diferença de que eu fui alcançado pelo favor não merecido da parte de Deus. Isso não me torna mais ou menos amado por Deus, mas me dá o privilégio de poder abençoar essas pessoas que também são queridas do Pai.
Quem os coloca à margem da sociedade somos nós, Deus os coloca como a coroa da criação, à imagem e semelhança dEle mesmo.
Durante minha caminhada cristã, percebi falhas em meu caráter, principalmente quando rotulava essas pessoas sem conhecer suas histórias de vida. Talvez você se identifique com uma dessas falhas, e Deus esteja chamando você para um relacionamento mais profundo com Ele.
Descobri que se amo pessoas que supostamente têm uma vida santificada semelhante à minha pseudo-santidade, não passo de um homossexual gospel; tão somente porque a principal característica de um homossexual é que ele ama alguém do mesmo sexo, ou seja, alguém que se parece com ele. Se só quero amar meus irmãos da igreja, sou um homossexual gospel porque escolho amar quem é igual a mim. Quando me encontro dentro de um sistema religioso que nunca me permite enxergar a dor, os sofrimentos e as grandes desgraças do mundo e de quem está ao meu lado, e eu me vendo para esse sistema em troca de promessas que Deus nunca fez ou faria; quando quero buscar apenas bênçãos pessoais, eu não passo de uma prostituta gospel, pois nunca serei resposta para as mazelas do mundo ou voz contra a injustiça. No lugar de lavar minha alma no sangue do Cordeiro, não somente para ser abençoado, mas também para abençoar, lavo minhas mãos como Pilatos, nas águas sujas de um sistema religioso corrupto, que ensina a buscar somente as bênçãos do Pai, mas muito pouco, o Pai que me dá essas mesmas bênçãos. O interessante é que nesse sistema posso ser uma prostituta gospel, mas a prostituta de verdade sempre vai ser uma meretriz, o gay, um sodomita efeminado, o mendigo um morador de rua beberrão. A imagem e a semelhança de Deus será sempre atribuída aos que foram alcançados pela graça sublime, ou aos líderes religiosos que são semi-deuses na terra. Daí a razão de serem prósperos em tudo.
Descobri ainda que quando vou para uma igreja com o intuito somente de cantar desesperado, levantar minhas mãos e chorar, ficar anestesiado e entorpecido pelo chamado louvor espontâneo ou louvor extravagante, sinto muito mesmo, pois, precisamos rever nossos conceitos sobre louvor e adoração. Quem sou eu para questionar a forma como se louva? Acredito que essa função é dada ao Espírito Santo! O problema é que biblicamente nós adoramos a Deus com atitudes e não somente com cânticos, chamados espirituais. Se não vivo o que canto, essas expressões de louvor são apenas uma grande viagem, uma ilusão. Quando isso ocorre, eu não passo de um drogado gospel.
Se sirvo a Deus, somente com o intuito de ganhar dinheiro, seja através de uma fé genuína ou ainda por formas escusas, através do evangelho de uma falsa prosperidade, este mesmo que você está pensando, este que tem arrastado milhares de cristãos para o inferno do capitalismo, com certeza, sou um mendigo gospel, pois, não entendo que sem o próximo não existe Evangelho do Reino, e que viver somente de prosperidade seja qual for a área que se aplique ela, na verdade é viver de migalhas e esmolas espirituais. O que Deus quer nos dar em termos de qualidade de vida é muito maior que ouro e prata, não depende e nunca dependeu dessas coisas ou de uma vida cheia de grandes vitórias e glórias; se Deus tem prometido somente essas coisas, estamos falando de deuses bem diferentes. Ter um relacionamento íntimo e profundo com o Criador, essa é a verdadeira prosperidade.
Ame incondicionalmente e com certeza você entenderá porque Deus o trouxe para este mundo, e assim será mais fácil você fugir desse mundo gospel.
Hoje oro pelo Fábio (Travesti que atende pelo nome de Yasmin), pelo Edílson (ex-presidiário que é soro positivo, contraiu HIV após ser violentado sexualmente na cadeia), pela Claudette (se prostitui para sustentar o vicio de merla e crack), pelo Mário ( perdeu o senso da razão e é tido como louco, porque mora há mais de 20 anos nas ruas), entre outros muitos que poderia citar; pessoas maravilhosas, que o próprio Deus me deu o privilégio e a honra de poder amar e abraçar como verdadeiros amigos.
Perdoe-me se isso o incomoda. Talvez Mateus 25:31-46, esteja rasgado ou riscado de sua bíblia, para não te incomodar também. Se você entende o que é Graça, e como ela somente inclui, não exclui, meus parabéns! Você está apto a viver os valores e os conceitos do Evangelho do Reino de Deus. Aproveite e tire um tempinho para ir visitar Jesus em um hospital, em uma prisão ou qualquer outro lugar onde às margens da sociedade se concentram. É bom quando lemos João 3:16, na ótica de I João 3:16.

Para encerrar, sempre quando vejo um homossexual, seja um homem ou uma mulher na rua ou em qualquer lugar, fico muito tocado e faço sempre a oração: “Pai eu te peço, por favor, se eu tiver filhos, não permita que um deles se torne um homossexual, mas, entendo que cada um escolhe seu próprio caminho e dará conta de si a Deus, como ouvi muitos exemplos de travestis que se diziam filhos de pastores ou filhos de crentes. Pai, se um filho meu escolher este caminho, ensina-me a amá-lo como o Senhor ama a todos nós…” .

 Robert Itamar Alves da Costa

O valor da EBD

Muitas igrejas não estão dando o devido valor a EBD. Há líderes que a acham ultrapassada. Outros a mantém por causa de uma tradição meramente religiosa. Outros estão valorizando mais os programas bombásticos do que o estudo da Palavra de Deus na EBD. Esta escola tem objetivos muito nobres: Glorificar a Deus, edificar os crentes, promover a comunhão, servir e evangelizar os perdidos. Há muitas igrejas investindo na sua EBD, no ensino de qualidade. Professores e alunos têm estudado a Bíblia com profundidade. Howard Hendricks foi alcançado por um velho professor de EBD nos Estados Unidos e se tornou um educador e escritor cristão muito premiado. Ele é reconhecido dentro e fora do contexto cristão. Quantos de nós fomos alcançados pela graça de Deus em Cristo no ambiente da Escola Bíblica Dominical! Quantos ensinos preciosos de professores simples que nos ministraram acerca do amor de Deus em Cristo Jesus! Quanta gente preparada dentro e fora igreja pela influencia da EBD.
A Escola Bíblica Dominical é a maior escola do mundo. Conta-se que Jimmy Carter, ao ser eleito presidente dos Estados Unidos – diácono na Igreja Batista em Plains, estado da Geórgia – chegando na cidade de Washington, procurou o pastor da Primeira Igreja Batista e se ofereceu para ser professor da EBD. Não foi a EBD que se sentiu honrada com a ajuda do presidente dos Estados Unidos, mas este é que se sentiu honrado em poder lecionar na EBD. Um pequeno homem para trabalhar numa Grande Escola cujo Diretor é o Senhor Jesus, o Mestre por excelência. Esta escola não faz acepção de pessoas. Cultos e incultos são seus alunos. Pessoas abastadas e não abastadas. É a escola dos comuns, daqueles que na sua miséria foram alcançados pela graça de Deus. Sim, esta é a escola cujos alunos estão no mesmo nível. Todos são ensinados por um currículo comum. Verdadeiramente é a escola da humildade (Mt 11.29).
Precisamos investir mais oração, tempo, recursos, criatividade e trabalho sério para que a EBD cresça em qualidade e em quantidade. A nossa postura deve ser de busca constante pela excelência do ensino bíblico na escola dominical. Não podemos nos conformar com a mediocridade. Professores e alunos devem sempre buscar qualificação a partir do amor à Palavra de Deus. O grande evangelista Dwight Moody, se referindo à Bíblia, disse: “Ou este livro me afastará do pecado ou o pecado me afastará deste livro”. Desenvolvamos a leitura da Bíblia de forma sistemática. Façamos um propósito de lê-la toda uma vez por ano. Monteiro Lobato já dizia: “Um país se faz com homens e livros”. Eu diria que um país verdadeiro – ético, sério e forte – se faz com homens e mulheres cujas vidas estão fundamentadas na Palavra de Deus e têm uma vida de oração intensa.
Educar os nossos filhos e netos na Igreja ( a partir do lar), especialmente na EBD, trará benefícios incontáveis. Não podemos nos acomodar. Construir uma EBD de excelência demanda muita oração e trabalho sério e continuo. O diabo, inimigo das nossas almas, faz tudo para desqualificar a EBD. Ele traz desanimo, sentimento negativo, acomodação, inercia, critica ferina e outras atitudes nocivas a esta organização tão séria. Não podemos nos conformar com o ruim, regular ou bom, mas precisamos buscar o excelente. Com a simplicidade de Jesus, olhando para o Seu exemplo, vamos caminhar vitoriosamente nesta empreitada da educação cristã. Desde a criança ao idoso todos devem ser treinados na Palavra. Formados no caráter de Cristo Jesus. Paulo faz uma belíssima defesa do texto inspirado e cita seus objetivos, dizendo: “Toda a Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; a fim de que o homem de Deus tenha capacidade e pleno preparo para realizar toda boa obra” (2 Tm 3.16,17). A EBD não ensina um membro de igreja a ser religioso, mas a ser semelhante a Jesus, o Autor e o Consumador da nossa fé (Hb 12.2). Valorizemos a EBD!

Pr. Oswaldo Luiz Gomes Jacob
Pastor da Segunda Igreja Batista em Barra Mansa – RJ

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Entrevista com Agostinho de Hipona

Tenho a impressão de que, hoje como ontem, o grande obstáculo para que muitas pessoas -sejamos sinceros: muitos cristãos - abracem de verdade o cristianismo é a Cruz. Com efeito, por que a religião do amor há de ser a religião da Cruz?

“ Era  preciso mostrar ao homem quanto Deus nos  amou e o que éramos quando nos amou:  "quanto", para que não desesperássemos; "o que éramos", para que não nos  ensoberbecêssemos. Gostaria de dizer ao ouvido de cada um: "A Vida eterna  assumiu a morte, a Vida eterna quis morrer. Não morreu segundo o que era em Si  mesma antes de morrer; morreu segundo O que tinha de comum contigo, depois de  encarnada. De ti recebeu a natureza segundo a qual devia morrer por ti; e  assumiu a morte para matar a tua morte. Escuta-me: és cristão, és membro de  Cristo; considera bem o que és, pensa a que preço foste resgatado. Cristo quis  padecer por ti. Ensinou-te a padecer, e ensinou-te padecendo Ele primeiro.  Ter-lhe-iam parecido muito pouco as suas palavras, se não as tivesse acompanhado  com o seu exemplo".
E como foi que nos ensinou? – o tom agora é intimo, dolorido. Como foi que nos ensinou? Pendia da cruz, e nós nos assanhávamos contra Ele; estava preso à cruz por ásperos cravos, mas não perdia a mansidão. Nós nos enfurecíamos contra Ele, ladrávamos à sua volta como cães e o insultávamos enquanto permanecia pendurado. Como loucos furiosos, atormentávamos o único Médico posto no meio de nós; e no entanto, pendurado, Ele nos curava. Pai, dizia, perdoa-lhes porque não sabem o que jazem. Pedia e pendia; e não descia, porque ia transformar o seu Sangue no remédio para esses loucos furiosos ...
Nós jazíamos mortos na nossa carne de pecado, e Cristo adaptou-se à semelhança da carne de pecado. Porque morreu quem não tinha razão para morrer; morreu o único livre dentre os mortos, porque toda a carne humana era certamente carne de pecado, e ... como é que essa carne haveria de reviver, se Aquele que não tinha pecado não se adaptasse ao morto, vindo até nós sob a semelhança da carne de pecado? Senhor, Tu padeceste por nós, não por Ti, porque não tinhas culpa, e te submeteste à pena para livrar-nos da culpa e da pena! Em conseqüência, também nós devemos recapacitar e dizer: Senhor, compadece-te de mim; cura a minha alma, porque pequei contra Ti.Ó Senhor, dá-me sofrimentos, já que não poupaste o teu Unigênito. Ele foi atormentado, sem ter pecado, e eu ... Se foi retalhado Aquele que não tinha podridão, se a nossa própria Medicina não rejeitou o fogo medicinal, será razoável que nós nos revoltemos contra o Médico e Cirurgião, quer dizer, contra Aquele que nos cura do pecado através dos sofrimentos que nos permite padecer? Entregue- mo-nos em cheio nas mãos do Médico, pois Ele não erra, cortando a carne sã em vez da gangrenada; Ele conhece bem o que ausculta, conhece o vício por ter criado a natureza; conhece bem o que criou e teve de assumir por causa da nossa leviandade.
Não faltam, porém, aqueles que sustentam que isso de "tomar a Cruz" está ultrapassado, e que tudo o que signifique aceitar e buscar o ofrimento não passa de exagero neurótico.
“É preciso entender que foi o homem quem talhou para si mesmo um caminho áspero. Mas esse caminho foi percorrido primeiro por Cristo, no seu regresso para o Pai; e por isso Ele pode dizer-nos: Tome cada um a sua cruz e siga-me. Que significa isto? Que, quando começarmos a segui-lo nas suas virtudes e preceitos, encontraremos muitos que quererão contradizer-nos, muitos que lançarão obstáculos no nosso caminho, e muitos outros que tentarão dissuadir-nos de continuar, e tudo isso até entre aqueles que figuram como nossos companheiros de viagem rumo a Cristo. Devemos lembrar-nos de que, como nos dizem os Evangelhos, aqueles que proibiam os cegos de clamar por Cristo eram gente que caminhava ao lado dEle. Se queremos segui-lo, o melhor que podemos fazer é aceitar como cruzes as censuras, as coisas desagradáveis e todo o tipo de contradições; toleremos tudo, suportemos tudo, e não queiramos chegar logo ao fim. E, ao mesmo tempo, amemos o Único que não decepciona, o Único que não engana; amemo-lo porque é verdade o que promete, mesmo que não no-lo dê imediatamente e a fé ameace titubear. Resistamos, perseveremos, agüentemos, suportemos a demora: tudo isso é levar a nossa cruz. E se de verdade somos cristãos, esperemos tribulações neste mundo, não esperemos por tempos melhores: só nos estaríamos enganando. O que o Evangelho não nos prometeu, não o prometamos a nós mesmos. Quem perseverar com espírito ardente não esfriará na sua caridade; porque dá ouvidos Àquele que não se engana nem engana ninguém; e que nos prometeu a felicidade, não aqui, e sim nEle. E assim, quando tiverem passado todas as coisas desta terra, então poderemos esperar com firmeza que reinaremos com Ele por toda a eternidade
Renúncias, desapego, combate contra as paixões, sofrimentos, tribulações e cruzes ... Não será por causa da insistência nesses temas que muitos consideram a "visão cristã da vida" excessivamente ascética e dura, e dizem e escrevem que sufoca a alegria de viver?
“Os homens toleram de bom grado ser cortados e queimados para evitar o sofrimento de umas dores agudas, não digo já das penas eternas, mas de uma simples ferida um pouco mais grave. Para conseguir uma aposentadoria tranqüila, uma vida lânguida e incerta e de duração muito breve, o soldado - ... - suporta guerras cruéis; vive inquieto talvez durante muitos anos de trabalho, à espera unicamente de poder descansar um pouco. A que tempestades e tormentas não se expõem os mercadores -, só para conseguirem umas riquezas feitas de ar! Que calores, que frios, que precipícios e rios não enfrentam os caçadores, que escassez de comida e bebida, só para capturarem uma besta e satisfazerem assim nãouma necessidade, mas um capricho! Quantos incômodos de noites passadas em branco e de prazeres de que é preciso privar-se não suporta o estudante, não já para aprender a sabedoria, mas pelo dinheiro e pelas honras da vaidade, para aprender a fazer contas, a ler e a mentir com elegância! ... Em todas essas coisas, aqueles que não as amam sofrem com a dureza do que têm de padecer; e os que as amam padecem exatamente o mesmo na aparência, embora não sofram com a sua dureza. Por quê? Porque o amor torna fáceis e praticamente insignificantes todas as coisas duras
e atrozes. Se, para evitar a miséria temporal, a ambição enfrenta trabalhos enormes, com quanto mais facilidade e decisão não fará a caridade o mesmo, quando se trata de evitar a miséria eterna e conseguir a paz duradoura!
Com razão diz-nos o Apóstolo Paulo, cheio de uma imensa alegria: Os padecimentos do tempo presente não têm proporção alguma com a glória futura que se revelará em nós. Já se vê por que dizemos que o jugo de Cristo é suave e a sua carga leve. Se a vida cristã é dificil para os poucos que enveredam por ela, torna-se fácil para os que amam a Deus. Esses caminhos que parecem duros aos que "labutam" - aos que, kantianamente, só enxergam na vida cristã uma série de deveres a cumprir -, são suaves' para os que amam. Por isso, a divina Providência faz com que, o homem interior, que se renova de dia para dia, já não viva sob a Lei, mas sob a graça; libertado - pelo modo como as cumpre - da carga das inúmeras observâncias que constituíam um jugo pesado, mas muito conveniente para domar a sua dura cerviz - o seu orgulho intelectual, diríamos nós -, esse homem respira agora a facilidade de uma fé simples, de uma esperança boa e da santa caridade. Todos os incômodos impostos ao homem exterior tornam-se leves para o homem interior. Nada é tão fácil para uma vontade realmente boa como ser ela mesma, e isso basta para Deus

Trecho extraído do livro "Onde está o meu Deus?" Editora Quadrante