sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Passando em Cafarnaum

“E alguns dias depois entrou outra vez em Cafarnaum, e ouviu-se que estava em casa”. Eis uma passagem que devemos focalizar muito a nossa atenção. Jesus entrou na Judéia, na Galileia, em Betânia, em Nazaré, porém a sua entrada em Cafarnaum tem algo especial a nos ensinar. Lembre-se que Jesus nasceu em Belém, província da Judéia, depois seus pais tiveram que fugir para o Egito para lhe proteger a vida, pois Herodes havia determinado que todos os meninos Judeus com menos de 2 anos de idade fossem mortos, porque dentre eles estava o rei dos Judeus, o Messias prometido em o VT. No retorno do Egito foram morar em Nazaré, província da Galiléia, por isso foi chamado de Galileu e de Nazareno; em Nazaré viveu com seus pais e irmãos e possivelmente exercendo, como um bom Judeu, a profissão de José, a carpintaria. Agora encontramos Jesus outra vez em Cafarnaum, também cidade da Galiléia, e estava em casa.
Cafarnaum celebrizou-se porque foi a mais abençoada em receber a Jesus, e porque ela foi palco de acontecimentos notáveis na vida de Jesus e dos pecadores. Lá Jesus morou, depois de Nazaré. Imaginemos o tamanho do privilégio daqueles moradores? Jesus estivera todos os dias com eles; cidade pequena; todos se conheciam; bebiam do mesmo poço; etc. Se Jesus viesse morar numa cidade como São Paulo ou Rio de Janeiro, poderia até passar desapercebido, mas não em Cafarnaum. Ali todos se conheciam. E mais, ninguém podia ocultar os grandes milagres ali ocorridos.
I- Em Cafarnaum Jesus mostrou seu poder.
1- Curou um endemoninhado de quem ouviu a confissão: “Que temos contigo Jesus Nazareno? Vieste a destruir-nos? Bem sabemos que és o Santo de Deus”. E Jesus o repreendeu dizendo: “Cala-te e sai dele”. E o demônio jogou o homem no chão à vista da multidão. Todos se admiravam de Jesus, a ponto de perguntarem entre si: “Que é isso? Que nova doutrina é esta? Pois com autoridade ordena aos espíritos imundos, e eles lhe obedecem”. Lucas 4: 34-36.
2- Ao sair da sinagoga foi para a casa de Simão, onde encontrou sua sogra muito doente e as pessoas que ali estavam diziam “Tenha a bondade de curá-la” e com uma palavra, a sogra de Pedro foi curada, levantou-se e preparou a comida para eles, Lucas. 4:38, 39.
3- Um dia, em certa aldeia que ele estava visitando, havia um homem com sério caso de lepra. Quando ele viu Jesus, caiu ao chão, diante Dele com o rosto em terra, suplicando que o curasse. Senhor, dizia ele, se tão somente quiser, o Senhor pode limpar-me de qualquer vestígio da minha doença. Jesus estendeu a mão, tocou no homem e disse: Claro que eu quero! Seja curado. E a lepra o deixou no mesmo instante. Lucas 5: 12, 13.
4- Um dia quando Ele estava ensinando alguns lideres religiosos que surgiam de todos os lados. Chegaram uns homens carregando um paralítico numa esteira. Tentaram forçar a passagem pelo meio da multidão até Jesus, mas não puderam chegar a Ele. Então subiram o telhado acima DELE, tirando algumas telhas desceram o doente no meio da multidão, bem na frente de Jesus. Vendo a fé que eles demonstravam, Jesus disse ao homem: Amigo, os teus pecados estão perdoados! Houve tumulto…. quem esse homem pensa que é? Então disse ao paralítico: Levante-se, enrole sua esteira e vá para casa. E imediatamente aquele homem saltou sobre seus pés…. e foi para sua casa glorificando a Deus. Lucas 5: 17 – 25.
5- Num outro sábado Ele estava ensinando na sinagoga e ali se achava um homem que tinha a mão direita ressecada, e os mestres da lei estavam observando se Ele curaria o homem no sábado…. Jesus sabia os pensamentos deles, e por isso disse ao homem: Venha cá, e fique aqui, onde todo mundo possa ver voce. Então Jesus disse aos fariseus e aos mestres da lei: Eu tenho uma pergunta para vocês. É correto fazer o bem no sábado, ou fazer o mal? Salvar a vida ou destruí-la? Depois correu os olhos em volta olhando um a um, e disse ao homem: Estenda a mão. E logo que ele fez isso a mão ficou completamente normal. Lucas 6:6 – 10.
Jesus mostrou que podia ordenar aos demônios que se retirassem, e que podia curar todas as enfermidades pelo seu Divino poder. “Se queres, podes curar-me”, disto estavam conscientes as multidões. … Jesus queria mostrar a Cafarnaum até onde se estendia o seu poder….
6- Desencadeou-se uma tempestade no mar da Galiléia, e Ele, talvez propositadamente, dormia na popa do barco… Despertaram – nO os discípulos apavorados. E Ele repreendeu o mar e o vento e fez-se bonança. Isso provocou a admiração dos discípulos: Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?
7- Curou uma mulher que a 12 anos sofria de um fluxo de sangue, e somente lhe tocou a orla do vestido e o sangue estancou. “Quem me tocou? Perguntou Jesus”.
8- Jesus não parou ai. Importava que Cafarnaum soubesse que Ele tinha poder para restituir a própria vida. Então foi Ele chamado para dar vida à filha de Jairo, um dos principais da sinagoga de Cafarnaum. Riram-se dele quando disse que ela dormia… mas a menina foi devolvida com vida a seus pais.
II- Cafarnaum presenciou muitos milagres, mas continuou incrédula.
Direis: Certamente aquela cidade se converteu, e nela ocorreu um grande avivamento espiritual…. Não foi assim que aconteceu. A sorte de Cafarnaum estava expressa nessa frase de Jesus: “E você, Cafarnaum, embora altamente honrada, descerá até o inferno! Porque se os admiráveis milagres que eu operei aí tivessem sido feitos em Sodoma, aquela cidade ainda existiria até hoje. Verdadeiramente, a situação de Sodoma será melhor do que a sua, no dia do Juízo” Mateus 11:23, 24.
Certamente esta referencia de Jesus foi a respeito do povo de Cafarnaum – o povo que presenciou os sinais de sua missão divina, mas que O desprezou….
III- A conversão do homem não depende de belas exposições, mas sim, depende do estado de amor que ele tem pelo pecado.
Cafarnaum teve as mais lindas e visiveis demonstrações do poder de Deus, teve o que de melhor poderia ter dos mais belos pregadores, e ainda mais, milagres estupendos e variadíssimos. Perto de Cafarnaum os homens viram Jesus expulsar demônios, e lançá-los sobre os porcos, – e se indignaram, porque amavam mais os porcos…. correram atrás de Jesus gritando e chingando “Vá embora feiticeiro” porque consideravam de maior valor os porcos do que a vida daquele sofredor que vivia pelos sepulcros atormentado e atormentando quem por ali passasse.
Vemos com tudo que fora dito até aqui, que Cafarnaum, como algumas pessoas, gozam grandes privilégios sem se aproveitarem deles. Esta verdade é confirmada de um modo notável pela história de Cafarnaum. Parece que nenhuma cidade da Palestina gozou por mais tempo da presença de nosso Senhor Jesus Cristo, do que esta…. “Quando Jesus ouviu dizer que João tinha sido preso, deixou a Judéia e voltou para casa a Nazaré, na Galiléia; mas logo mudou-se para Cafarnaum, na margem do lago da Galiléia, perto de Zebulon e Naftalí” Mat. 4: 12, 13. Com isso cumpriu-se a profecia de Isaias em 9:1, 2. “Mas esta época de escuridão e desespero não vai durar para sempre. Em breve Deus vai castigar a terra de Zebulon e Naftali…. O povo que esta andando na escuridão verá uma luz. Esta LUZ vai brilhar e iluminar todos os que vivem na região da sombra da morte”.Lá fez Ele os milagres que já citamos e pronunciou muitos de seus discursos. Nada, porém, do que Jesus fez e disse, parece ter produzido efeito nos corações de seus habitantes. Eram tantos que corriam para ouvir Jesus, segundo vimos nesta passagem, “que nem ainda nos lugares junto a porta cabiam”. Todos se admiravam ao contemplá-lO, ao ver suas obras, mas não se convertiam. Viviam sobre os raios refulgentes do sol da Justiça, e apesar disso, os seus corações permaneciam endurecidos.
Eis porque nosso Senhor pronunciou contra Cafarnaum a condenação mais terrível que jamais proferiu contra qualquer lugar, exceto Jerusalém: “E tu Cafarnaum…” Mat 11: 23, 24. citada a pouco.
Bom é que todos notemos este caso de Cafarnaum. Somos inclinados a supor que basta pregar o evangelho para converter almas, e que basta ser a boa nova proclamada em um lugar para que todo mundo ali creia nela. Esquecemo-nos do poder extraordinário da incredulidade e da grandeza da inimizade do homem para com Deus. Esquecemo-nos que os habitantes de Cafarnaum escutavam a pregação mais perfeita e a viram confirmada pelos milagres mais surpreendentes, e no entanto, permaneceram mortos nas suas transgressões e pecados. Devemos lembrar-nos que o mesmo evangelho que é cheiro de vida para uns, é cheiro de morte para outros, e que o mesmo fogo que derrete a cera, endurece o barro. De fato, nada há que mais endureça o coração do homem do que ouvir regularmente a pregação do evangelho e preferir deliberadamente o pecado e o mundo. Nunca houve povo mais altamente favorecido do que Cafarnaum, e também nunca se viu povo que perecesse mais endurecido. Livremo-nos de seguir os seus passos…. Devemos repetir com freqüência a Oração: Da dureza do coração livra-nos bom Senhor.
Nós, que temos hoje o privilégio de ouvir a palavra de Jesus, temos tido como Cafarnaum a oportunidade! Se Cafarnaum contemplou curas maravilhosas, nós também contemplamos as maravilhas operadas pela palavra de Deus. Exemplifiquemos:
1-Certa vez, ao ouvir um sermão sobre o filho pródigo, um homem chorava copiosamente e dizia: “Estou com os meus ombros feridos de andar com as carabinas” e se converteu ao evangelho e a Jesus.
2-Temos visto grandes tempestades em nossas vidas se transformarem em bonança… tudo se deve a Jesus.
3-Temos visto vidas espirituais que se regeneram e que se transformam em canais de bênçãos. Se desprezarmos o que Deus tem feito, sofreremos como Cafarnaum…..
4-Alguns dias depois Jesus passou ali e perdoou os pecados de muitas almas que se converteram…. Pois bem, Jesus tem passado e continua passando por este mundo, para nos dar a paz, a vida, o amor, o perdão. Felizes os que aproveitam as oportunidades, pois muitos, perecerão no inferno como Cafarnaum, porque não deram credito ao evangelho de Jesus e a tantos milagres que Ele tem feitos no meio de seu povo em nossos dias.
Não seja um Tomé da vida….. creia em Jesus!

Pr. Cirino Refosco

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O Sofrimento dos Justos

Jó 2.7,8 “Então, saiu Satanás da presença do SENHOR e feriu a Jó de uma chaga maligna, desde a planta do pé até ao alto da cabeça. E Jó, tomando um pedaço de telha para raspar com ele as feridas, assentou-se no meio da cinza.”
A fidelidade a Deus não é garantia de que o crente não passará por aflições, dores e sofrimentos nesta vida ( At 28.16 ). Na realidade, Jesus ensinou que tais coisas poderão acontecer ao crente (Jo 16.1-4,33; ver 2Tm 3.12 ). A Bíblia contém numerosos exemplos de santos que passaram por grandes sofrimentos, por diversas razões e.g., José, Davi, Jó, Jeremias e Paulo.
POR QUE OS CRENTES SOFREM?
São diversas as razões por que os crentes sofrem.
(1) O crente experimenta sofrimento como uma decorrência da queda de Adão e Eva. Quando o pecado entrou no mundo, entrou também a dor, a tristeza, o conflito e, finalmente, a morte sobre o ser humano (Gn 3.16-19). A Bíblia afirma o seguinte: “Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram” (Rm 5.12 ). Realmente, a totalidade da criação geme sob os efeitos do pecado, e anseia por um novo céu e nova terra (Rm 8.20-23; 2Pe 3.10-13). É nosso dever sempre recorrermos à graça, fortaleza e consolo divinos (cf. 1Co 10.13).
(2) Certos crentes sofrem pela mesma razão que os descrentes sofrem, i.e., conseqüência de seus próprios atos. A lei bíblica “Tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6.7) aplica-se a todos de modo geral. Se guiarmos com imprudência o nosso automóvel, poderemos sofrer graves danos. Se não formos comedidos em nossos hábitos alimentares, certamente vamos ter graves problemas de saúde. É nosso dever sempre proceder com sabedoria e de acordo com a Palavra de Deus e evitar tudo o que nos privaria do cuidado providente de Deus.
(3) O crente também sofre, pelo menos no seu espírito, por habitar num mundo pecaminoso e corrompido. Por toda parte ao nosso redor estão os efeitos do pecado. Sentimos aflição e angústia ao vermos o domínio da iniqüidade sobre tantas vidas ( Ez 9.4; At 17.16; 2Pe 2.8 ). É nosso dever orar a Deus para que Ele suplante vitoriosamente o poder do pecado.
(4) Os crentes enfrentam ataques do diabo. (a) As Escrituras claramente mostram que Satanás, como “o deus deste século” (2Co 4.4), controla o presente século mau ( 1Jo 5.19; cf. Gl 1.4; Hb 2.14). Ele recebe permissão para afligir crentes de várias maneiras (cf. 1Pe 5.8,9). Jó, um homem reto e temente a Deus, foi atormentado por Satanás por permissão de Deus (ver principalmente Jó 1—2). Jesus afirmou que uma das mulheres por Ele curada estava presa por Satanás há dezoito anos (cf. Lc 13.11,16). Paulo reconhecia que o seu espinho na carne era “um mensageiro de Satanás, para me esbofetear” (2Co 12.7). À medida em que travamos guerra espiritual contra “os príncipes das trevas deste século” (Ef 6.12), é inevitável a ocorrência de adversidades. Por isso, Deus nos proveu de armadura espiritual (Ef 6.10-18; ver 6.11 nota) e armas espirituais (2Co 10.3-6). É nosso dever revestir-nos de toda armadura de Deus e orar (Ef 6.10-18), decididos a permanecer fiéis ao Senhor, segundo a força que Ele nos dá. (b) Satanás e seus seguidores se comprazem em perseguir os crentes.
Os que amam ao Senhor Jesus e seguem os seus princípios de verdade e retidão serão perseguidos por causa da sua fé. Evidentemente, esse sofrimento por causa da justiça pode ser uma indicação da nossa fiel devoção a Cristo (ver Mt 5.10 nota). É nosso dever, uma vez que todos os crentes também são chamados a sofrer perseguição e desprezo por causa da justiça, continuar firmes, confiando naquele que julga com justiça (Mt 5.10,11; 1Co 15.58; 1Pe 2.21-23).
(5) De um ponto de vista essencialmente bíblico, o crente também sofre porque “nós temos a mente de Cristo” (1Co 2.16 ). Ser cristão significa estar em Cristo, estar em união com Ele; nisso, compartilhamos dos seus sofrimentos ( 1Pe 2.21 ). Por exemplo, assim como Cristo chorou em agonia por causa da cidade ímpia de Jerusalém, cujos habitantes se recusavam a arrepender-se e a aceitar a salvação ( Lc 19.41 ), também devemos chorar pela pecaminosidade e condição perdida da raça humana. Paulo incluiu na lista de seus sofrimentos por amor a Cristo (2Co 11.23-32; 11.23 ) a sua preocupação diária pelas igrejas que fundara: “quem enfraquece, que eu também não enfraqueça? Quem se escandaliza, que eu não me abrase?” (2Co 11.29). Semelhante angústia mental por causa daqueles que amamos em Cristo deve ser uma parte natural da nossa vida: “chorai com os que choram” (Rm 12.15). Realmente, compartilhar dos sofrimentos de Cristo é uma condição para sermos glorificados com Cristo (Rm 8.17). É nosso dever dar graças a Deus, pois, assim como os sofrimentos de Cristo são nossos, assim também nosso é o seu consolo (2Co 1.5).
(6) Deus pode usar o sofrimento como catalizador para o nosso crescimento ou melhoramento espiritual. (a) Freqüentemente, Ele emprega o sofrimento a fim de chamar a si o seu povo desgarrado, para arrependimento dos seus pecados e renovação espiritual (ver o livro de Juízes). É nosso dever confessar nossos pecados conhecidos e examinar nossa vida para ver se há alguma coisa que desagrada o Espírito Santo. (b) Deus, às vezes, usa o sofrimento para testar a nossa fé, para ver se permanecemos fiéis a Ele. A Bíblia diz que as provações que enfrentamos são “a prova da vossa fé” (Tg 1.3; 1.2 ); elas são um meio de aperfeiçoamento da nossa fé em Cristo ( Dt 8.3; 1Pe 1.7). É nosso dever reconhecer que uma fé autêntica resultará em “louvor, e honra, e glória na revelação de Jesus Cristo” (1Pe 1.7). (c) Deus emprega o sofrimento, não somente para fortalecer a nossa fé, mas também para nos ajudar no desenvolvimento do caráter cristão e da retidão. Segundo vemos nas cartas de Paulo e Tiago, Deus quer que aprendamos a ser pacientes mediante o sofrimento (Rm 5.3-5; Tg 1.3). No sofrimento, aprendemos a depender menos de nós mesmos e mais de Deus e da sua graça ( Rm 5.3; 2Co 12.9 ). É nosso dever estar afinados com aquilo que Deus quer que aprendamos através do sofrimento. (d) Deus também pode permitir que soframos dor e aflição para que possamos melhor consolar e animar outros que estão a sofrer ( 2Co 1.4 ). É nosso dever usar nossa experiência advinda do sofrimento para encorajar e fortalecer outros crentes.
(7) Finalmente, Deus pode usar, e usa mesmo, o sofrimento dos justos para propagar o seu reino e seu plano redentor. Por exemplo: toda injustiça por que José passou nas mãos dos seus irmãos e dos egípcios faziam parte do plano de Deus “para conservar vossa sucessão na terra e para guardar-vos em vida por um grande livramento” (Gn 45.7;  O principal exemplo, aqui, é o sofrimento de Cristo, “o Santo e o Justo” (At 3.14), que experimentou perseguição, agonia e morte para que o plano divino da salvação fosse plenamente cumprido. Isso não exime da iniqüidade aqueles que o crucificaram (At 2.23), mas indica, sim, como Deus pode usar o sofrimento dos justos pelos pecadores, para seus próprios propósitos e sua própria glória.
O RELACIONAMENTO DE DEUS COM O SOFRIMENTO DO CRENTE.
(1) O primeiro fato a ser lembrado é este: Deus acompanha o nosso sofrer. Satanás é o deus deste século, mas ele só pode afligir um filho de Deus pela vontade permissiva de Deus (cf. 1—2. Deus promete na sua Palavra que Ele não permitirá sermos tentados além do que podemos suportar (1Co 10.13).
(2) Temos também de Deus a promessa que Ele converterá em bem todos os sofrimentos e perseguições daqueles que o amam e obedecem aos seus mandamentos ( Rm 8.28 ). José verificou esta verdade na sua própria vida de sofrimento ( Gn 50.20), e o autor de Hebreus demonstra como Deus usa os tempos de apertos da nossa vida para nosso próprio crescimento e benefício ( Hb 12.5 ).
(3) Além disso, Deus promete que ficará conosco na hora da dor; que andará conosco “pelo vale da sombra da morte” (Sl 23.4; Is 43.2).
VITÓRIA SOBRE O SOFRIMENTO PESSOAL.
Se você está sob provações e aflições, que deve fazer para triunfar sobre tal situação?
(1) Primeiro: examinar as várias razões por que o ser humano sofre e ver em que sentido o sofrimento concerne a você. Uma vez identificada a razão específica, você deve proceder conforme o contido em “É nosso dever”.
(2) Creia que Deus se importa sobremaneira com você, independente da severidade das suas circunstâncias ( Rm 8.36; 2Co 1.8-10; Tg 5.11; 1Pe 5.7 ). O sofrimento nunca deve fazer você concluir que Deus não lhe ama, nem rejeitá-lo como seu Senhor e Salvador.
(3) Recorra a Deus em oração sincera e busque a sua face. Espere nEle até que liberte você da sua aflição ( Sl 27.8-14; 40.1-3; 130).
(4) Confie que Deus lhe dará a graça para suportar a aflição até chegar o livramento (1Co 10.13; 2Co 12.7-10). Convém lembrar de que sempre “somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou” (Rm 8.37; Jo 16.33). A fé cristã não consiste na remoção de fraquezas e sofrimento, mas na manifestação do poder divino através da fraqueza humana ( 2Co 4.7 ).
(5) Leia a Palavra de Deus, principalmente os salmos de conforto em tempos de lutas ( Sl 11; 16; 23; 27; 40; 46; 61; 91; 121; 125; 138).
(6) Busque revelação e discernimento da parte de Deus referente à sua situação específica — mediante a oração, as Escrituras, a iluminação do Espírito Santo ou o conselho de um santo e experiente irmão.
(7) No sofrimento, lembre-se da predição de Cristo, de que você terá aflições na sua vida como crente (Jo 16.33). Aguarde com alegria aquele ditoso tempo quando “Deus limpará de seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor” (Ap 21.4).


quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A Prática do Jejum

Jejum é uma prática muito comum no meio religioso, todas as religiões existentes, cristãs ou não, usam desta forma de sacrifício para louvar as suas divindades.
Mas o que verdadeiramente é o jejum para os cristãos?  Uma simples abstinência de alimentos! Não!
Infelizmente muitos têm olhado para o jejum como um fardo difícil de ser carregado e ignorado o verdadeiro sentido desta abstinência. Ficam sem alimentar-se por um período levado pelas circunstâncias (determinação da igreja ou algo semelhante), porém, não conseguem ver a grandeza deste ato de louvor ao Senhor. Infelizmente, resumindo: Passam fome!
Em Isaias 58.6,7 está escrito:
“Porventura não é este o jejum que escolhi, que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo e que deixes livres os oprimidos, e despedaces todo o jugo? Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres abandonados; e, quando vires o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne?"
O Senhor está ensinando através de seu profeta, que o jejum deve envolver todo o nosso ser, a vontade é subjugada, a mente volta-se para Ele. São momentos nos quais devemos fechar a porta para a existência e abrir-nos totalmente para o Senhor. Longe de ser algo mecânico, ou encarado como uma obrigação, no entanto deve ser um ato que parte de nosso íntimo um reconhecimento da glória do Pai e do prazer em humilhar-se em sua presença.
Este ensino é dado ao povo escolhido desde os tempos dos reis, como uma prática agradável e que geralmente movia o coração do Senhor. Sua pratica era geralmente em situações difíceis, em que o socorro divino era indispensável.
Veja o exemplo de Davi:  “... Jejuou Davi e, ... passou a noite prostrado...” 2Sm 12.16
Vejamos alguns textos que nos leva a conhecer diversos momentos em que o jejum foi extremamente necessário:  Jl 1.14, 2.12; 2Sm 1.12; Lc 5.33-35; Sl 35.13; Dn 6.18; Et 4.16; At 13.3, 14.23, etc
O jejum era uma prática comum entre os grandes servos do Senhor, pois sabiam que era uma forma de reabastecer-se, de renovar as forças para enfrentar as difíceis batalhas que tinham pela frente em seus ministérios e até mesmo na vida cotidiana.  O jejum também era feito coletivamente, praticado simultaneamente pela nação, numa cidade, pela igreja etc.  Leia os exemplos:
Nação: Israel Jz 20.6, Ed 8.21, Jr 36.9 etc;
Cidade: Ninivitas Jn 3.5-8;
Lideres: Apóstolos 2 Co 6.5;
Igreja: Primeiros Cristãos At 13.2, etc.
Apesar de ser uma prática comum no seio da igreja do Senhor, na Bíblia vemos poucos ensinamentos a respeito de como praticá-lo.
Em Mateus 6.16-18 vemos uma recomendação do Mestre em relação ao jejum:
“Tu, porém, quando jejuares, unge a tua cabeça, e lava o teu rosto, Para não pareceres aos homens que jejuas, mas a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente.”
Infelizmente este precioso ensinamento dado por Cristo pouco tem sido observado nos dias atuais, nos quais vive-se muito a aparência. E passar uma imagem de crente praticante deste sacrifico coloca sobre as costas uma capa de santidade. E o que deveria ser em secreto, torna-se extremamente aparente, à semelhança do Fariseu que se exaltando dizia a todos:  “Jejuo duas vezes por semana...” Lc 18.12
Nestes dias apocalípticos, a simplicidade da palavra já não tem lugar e muitos têm tentado explicar o inexplicável, e neste afã, inventaram diversas normas para a prática do jejum.  E cada Pastor, impõe as suas ovelhas formas predefinidas e até absurdas para sacrificar ao Senhor.
A palavra porém, aponta para a voluntariedade, que  é um pacto entre a pessoa e Deus que nasce no coração, com o desejo de agradar ao Mestre. É uma forma de nos humilharmos em sua presença, clamando pela sua misericórdia ou demonstrando a nossa gratidão pelo seu amor.
Estava em Porto Seguro - BA, e por estar com a Bíblia na mão, aproximou-se um jovem crente. Começamos a conversar sobre as coisas espirituais e ele confidenciou-me que estava em jejum e por determinação do pastor, nem mesmo a saliva poderia engolir.  Uma irmã contou-me, que para um verdadeiro jejum, teria que ficar em casa, orando e lendo a Bíblia e não poderia conciliar trabalho e jejum.
E como estes exemplos radicais, há muitos outros. Ditar normas e formas de sacrificar ao Senhor é colocar fardos pesados sobre as pessoas e muitos são induzidos ao erro.  E isto é andar em sentido contrário, pois Cristo veio tirar os fardos pesados difíceis de serem carregados, no entanto, muitos chamados homens de Deus, fazem questão de colocá-los sobre os ombros das ovelhas.
O que deveria verdadeiramente ser ensinado e cobrado pelos pastores era a condição única de santificar-se, deixando o pecado e de voluntariamente, chegar-se diante do Pai e fazer um pacto de sacrifício.
Na prática do Jejum é indispensável:
A) Leitura da Palavra - Meditar nos ensinamentos, vivenciá-los
B) Oração - Jejum sem oração, não é jejum! Deve-se esta em oração constante!
E para orarmos, só precisamos de vontade. Oramos: andando pelas ruas; dirigindo; em casa; trabalhando; no metrô, trem ou ônibus; enfim em todos os lugares!  Orar é falar com Deus, como ele conhece nossos pensamentos, não há necessidade de sairmos pelas ruas clamando em voz alta. É só você e Deus! Ele te ouvirá.
C) Estar em Espírito - É viver com a mente voltada para os céus, ligado nas coisas espirituais. É uma condição de vida para todos os servos do Senhor, em tempos de jejum ou não.  “ Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus.” Sl 51.17
Quanto à forma de jejuar, esta depende do mover do Espírito Santo ou de sua própria opção, cito alguns exemplos:
a) Ficar por um período sem alimentar-se: 12, 24 ou mais horas.
b) Excluir da alimentação por um período pré-estabelecido algum item.  Exemplo: carne, refrigerantes, doces, etc.
c) Não se alimentar com produtos fermentados.
d) Alimentar-se só com raízes.
e) Alimentar-se apenas com líquidos por um tempo determinado.
f) Faça segundo o teu coração, com o objetivo principal de honrar ao Senhor.
No Jejum, temos que afrontar a carne, lutar contra ela, humilhá-la, ir contra nossa própria vontade. Portanto é inconcebível que alguém venha oferecer um sacrifício que não vá doer na carne. Por exemplo:  Querer excluir da alimentação o refrigerante por um período, quando normalmente você bebe esporadicamente.  Certamente será em vão! É Preciso ir contra a carne! Afrontá-la! “Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz e o que não faz caso do dia para o Senhor o não faz. O que come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e o que não come, para o SENHOR não come, e dá graças a Deus. Porque nenhum de nós vive para si, e nenhum morre para si. Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor. Porque foi para isto que morreu Cristo, e ressurgiu, e tornou a viver, para ser Senhor, tanto dos mortos, como dos vivos.” Rm 14.6-9



terça-feira, 23 de novembro de 2010

Ai Que Saudade!

Saudade é um sentimento comum em nossas vidas. Quem algum dia, nunca sentiu saudade? Cientistas relacionam o fato ao cérebro, por ser ele capaz de imprimir imagens familiares, sons, cheiros... Tudo isto é reunido em uma espécie de “caderno mental”. Estas informações circulam em nossa mente, provocando sensações que chamamos de saudade que é biológica e também emocional. Acontece quando estamos distantes de casa, de pessoas que amamos, quando por algum motivo apenas nos é permitido recordar.
Distante de casa, na Babilônia, um exilado, entoou um saudoso Salmo em memória de Sião.
Junto dos rios de Babilônia, ali nos assentamos e choramos, quando nos lembramos de Sião. Sobre os salgueiros que há no meio dela penduramos nossas harpas. Pois lá aqueles que nos levaram cativos nos pediram uma canção; e os que nos destruíram , que os alegrássemos, dizendo: Cantai-nos uma das canções de Sião. Como cantaremos a canção do Senhor em terra estranha? Se eu me esquecer de ti ó Jerusalém, esqueça-se a minha direita da sua destreza. Sl 137:1-5.
O imigrante não tinha forças sequer para cantar, tamanha era a tristeza provocada pela saudade. As lembranças de Sião estavam “circulando” em sua memória. Perdi meu pai há oito anos, mas todas as vezes que sinto o cheiro de sua comida preferida, ou vejo minha mãe preparando-a, fico pensativa a lembrar-me de sua alegria e disposição em sentar-se a mesa. Sinto falta de sua presença conosco também nestes momentos.
Nenhuma ciência ainda foi capaz de medir nossas emoções, mas Deus em sua eterna sabedoria nos dotou de vínculos e laços de amor que perduram uma vida, e mesmo quando chega à morte. É quando percebemos intensamente o significado que pessoas têm para nós. É quando chega um tipo de saudade que não pode ser saciada, deixando marcas que somente o tempo é capaz de amenizar.
Chorar de Saudade
E mais uma vez no relato bíblico, Davi nos dá uma demonstração da dor da saudade: “Absalão fugiu, e foi para Gesur; e ali esteve por três anos. Então tinha o rei Davi, saudades de Absalão. E Davi pranteava por seu filho todos aqueles dias” II Sm 13:37-39. Por três anos, o homem segundo o coração de Deus chorou a distância do filho.
Um recente artigo, divulgado pelo jornal CNN aponta que as universidades americanas estão lotadas de jovens saudosos de suas casas e de tudo o mais que deixaram para trás, ao partirem ao encontro do sonho de concluir os estudos e terem uma carreira estável. Os entrevistados descreveram com detalhes as lembranças que circulavam em suas memórias:
Keila Pena - Hernandez : “Lagos ou rios do centro oeste, não se comparam com o mar do caribe, tenho saudades das frutas tropicais e da brisa fresca do mar”. A estudante estava tal qual o exilado na Babilônia, desejando sua terra. Acima Keila na Universidade de Missouri, a família ficou em Porto Rico.
Curando a dor da Saudade
A Palavra de Deus é um alto refúgio em todos os tempos. Ela conforta, dá ânimo e restaura as forças. É através dessa fórmula que missionários e imigrantes cristãos, conseguem superar a dor da distância: “Orações aliviam meu coração dolorido, confio a Deus tudo o que está acontecendo comigo e com meu filho que está distante de mim” Homesik (imigrante).A exemplo de Homesik costumo entregar todos os cuidados a Deus, e de maneira sobrenatural, Ele envia o refrigério. Imagem à esquerda: Imigrantes reunidos em estudo da Bíblia para superar saudades de casa.
Saudade na Era do Twitter
Vivemos em um mundo repleto de novas tecnologias e é possível uma comunicação rápida e eficaz com todas as partes do globo terrestre. Estes recursos têm possibilitado que familiares curem (em parte) a dor da saudade. Minha sogra tem 68 anos. Aprendeu usar Orkut, email , Skype e webcam para se comunicar com filhos e netos que moram em outro estado. É possível vê-la dando boas risadas nessa interatividade virtual. E pensar que o Rei Davi chorou por três anos a distância de seu filho...
Saudade em Verso
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade: aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos: não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver. O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido. (Pablo Neruda)
Ao sentir apertar a dor da saudade, lembre-se: você não está sozinho. Neste exato momento em algum lugar, ou em muitos lugares do planeta, lembranças estão circulando no memória de quem ama. Mas como tudo na vida, essa dor há de passar. (Wilma Rejane)




segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O Choro de Agar e Ismael

Agar era uma serva egípcia de Sara, mulher de Abraão, e que foi dada pela mesma para gerar um filho de Abraão afim de cumprir a promessa de Deus, já que Sara era estéril.
Na verdade Sara quis dar uma ajudinha para Deus, na sua pequenina fé e deu a maior confusão e aí quem acabou levando a pior foi Agar, que acabou entrando nesta história .
Pois é, Agar, em obediente a sua senhora fez como o mandado e gerou um filho o qual se chamou Ismael, cujo nome significa "Deus ouve".
Esta história emocionante encontra-se no livro de Gênesis entre os capítulos 16 a 21. Mas, o que eu quero chamar à atenção não é propriamente ao começo desta história, mas sim ao desfecho dela.
Agar sofreu muitas humilhações pelo ciúmes de Sara, por duas vezes foi mandada embora, mas, em nenhuma das vezes abandonou seu filho.
Da primeira vez, saiu ela sem rumo, grávida, mas foi achada junto a fonte de águas pelo Anjo do Senhor que lhe fez uma promessa e a fez retornar.
Da segunda vez, com o filho já crescido, foi ela novamente humilhada e mandada embora e, sem rumo, partiu pelo deserto com seu filho, e dessa vez, no auge do seu desespero, já sem água para beber, afastou-se dele, por não querer vê-lo morrer.
Só quem tem um filho pode imaginar a dor dessa mãe, o sofrimento dela vendo seu filho prestes a morrer e sem poder fazer absolutamente nada.
Então Agar, longe senta-se sem forças e chora, e seu choro foi de desespero, ela levantou a sua voz angustiada a esperar a morte.
Mas aí, algo acontece! Não foi só Agar quem sofreu alí. Naquele cenário estava seu filho, ele já não era mais criança, ele entendia tudo o que estava acontecendo, ele também se sentiu rejeitado e humilhado pelo pai, ele também sentiu a morte de perto e ele também chorou.
E a Bíblia diz que, nesse momento apareceu o Anjo do Senhor e disse a Agar que Deus havia ouvido o choro do menino, veja bem, Deus ouviu o choro de Ismael.
Deus ouviu aquela mãe e aquele filho em meio ao deserto do desespero, e Deus continua a ouvir.
Quantas mães e quantos pais choram hoje por seus filhos que estão prestes a morrer envolvidos com tantas coisas que podem levá-los a morte. Quantos filhos choram também por ver que estão caminhando para a morte mas não tem forças para abandonar o erro. Mas Deus ouve!
Assim como Deus ouviu o choro de Agar e de Ismael ele ouve o choro daquele que desesperado espera por um socorro.
Não importa sua situação no momento, clame a Deus e espere Nele, pois Ele cumprirá todas as promessas na tua vida e na tua família. No meio do deserto não há onde correr nem a quem buscar, mas Deus vê e ouve e mais do que isso, Ele faz!
O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã!

Ari G.Torres

sábado, 20 de novembro de 2010

Ismael e o Deus Soberano

Um homem de 75 anos, criado em uma família idólatra, por volta do ano dois mil antes de Cristo, deixa sua cidade natal, uma metrópole moderna para os padrões da época, e vai para a Palestina. Ele empreende esta viagem por ordem do Deus Único, criador dos céus e da terra, que lhe prometeu abençoar e fazer dele e de seus descendentes uma grande nação. Foi uma viagem extremamente longa, que o levou a passar por regiões que hoje são conhecidas como Turquia, Síria e Líbano, acompanhado de seus familiares, servos e rebanhos. Depois de 10 anos de espera, sua mulher, já sem esperanças de ter filhos, resolve sugerir que, para resolver o problema, lancem mão de um recurso muito utilizado na época: ter descendência através de uma de suas escravas.
O que vemos nos textos que relatam essa história é um casal vivendo um grande drama familiar. Se você parar para pensar por alguns instantes, certamente se lembrará de algum casal que está vivendo, ou que já viveu, o drama de desejar um filho, sem sucesso. Isto acontece com milhares de pessoas. A tentativa de adoção não funciona, as modernas técnicas de fertilização não dão certo, os anos vão se passando, a idade vai chegando, as orações aparentemente não são respondidas e a desesperança começa a tomar o lugar do que, um dia, foi a certeza de que Deus abençoaria o relacionamento matrimonial com filhos e uma grande família. E a desesperança torna-se tão forte que o casal começa, inclusive, a considerar algo que mostra claramente o grau de desespero a que chegaram: a barriga de aluguel. “Que outra mulher poderia ter o tão desejado filho ou filha que, até agora, não pudemos ter pelos meios naturais nem artificiais”, pensam Abraão e Sara.
No contexto cultural de Abraão era normal que um casal com recursos econômicos e que não tivesse filhos “adotasse” um de seus escravos, nascido em sua própria casa, como seu herdeiro. Isto nos ajuda a entender porque Abraão, em Gênesis 15, diz para Deus, em tom de reclamação, que Eliezer, um de seus servos, seria seu herdeiro. Da mesma maneira que hoje é aceitável que casais sem filhos façam tratamentos nos casos de infertilidade, no mundo antigo era perfeitamente aceitável que casais na mesma situação solucionassem o problema por meio de uma concubina.
Um contrato de casamento, descoberto por arqueólogos na região mesopotâmica e redigido ao redor do ano 1500 a.C., diz o seguinte em um dos trechos:
“Se Gilimninu [a esposa] gerar filhos, Shennima [o esposo] não tomará para si outra mulher. Mas se Gilimninu não gerar filhos, ela deverá buscar para seu marido uma escrava que será sua concubina. Em tal caso, Gilimninu terá autoridade sobre a criança que nascer.”
Como fruto da proposta de Sara, de Abraão ter um filho com sua serva egípcia Agar, nasceu Ismael, o “filho da outra”. Durante treze anos Abraão acreditou que Ismael seria seu herdeiro, e que as promessas de Deus se cumpririam por meio dele. Porém, quando Abraão tinha 99 anos, ou seja, 24 longos anos depois de ter recebido a promessa de Deus, e quando Ismael já tinha 13 anos, é que o Senhor lhe fala claramente que a promessa de que ele seria pai de uma grande nação se cumpriria através do filho que nasceria como fruto do relacionamento com Sara, que naquela época tinha quase 90 anos (Gênesis 17:15-23), e não através de Ismael. Mesmo assim, Deus fez importantes promessas a Abraão a respeito de Ismael.
Quando Isaque nasceu, Ismael tinha 14 anos. Dois ou três anos depois, numa festa em que se comemorava o dia que Isaque foi desmamado, Sara viu Ismael caçoando de Isaque e disse a Abraão que rejeitasse Agar e Ismael, para que Ismael não fosse herdeiro juntamente com Isaque (Gênesis 21:8-10). Esta situação entristeceu sobremaneira a Abraão, mas Deus lhe disse que não temesse, pois apesar de que as promessas se cumpririam por meio de Isaque, por causa de Abraão, Ismael também seria abençoado.
As promessas de Deus para Ismael:
•Sua descendência seria tão numerosa que seria impossível contá-la;
•Será selvagem e feroz, viverá em conflito e hostilidade com seus irmãos;
•Será abençoado por Deus;
•Será pai de 12 príncipes;
•Será um grande povo.
Em Gênesis 25:12-18 vemos os nomes dos doze filhos de Ismael, “doze príncipes de seus povos”, mostrando o inicio do cumprimento das promessas de Deus sobre Ismael. De acordo com a mesma passagem eles habitaram na península arábica, no que hoje seria a Arábia Saudita e o Iêmen. Dos descendentes de Ismael formaram-se diferentes tribos árabes. Eles eram nômades e se estabeleceram “fronteiro a todos os seus irmãos” (Gn 25:18), provavelmente referindo-se aos descendentes de Abraão por meio de Isaque.
Na relação dos descendentes de Ismael, descrita em Gênesis 25, vemos que o primogênito foi Nebaiote e o segundo filho foi Quedar. No capítulo 60 do livro de Isaías, que fala da glória de Israel no Reino Milenar em que Cristo Reinará, vemos, no versículo 3, que os povos se encaminharão para a luz que emanará de Jerusalém. Entre estas nações vemos os nomes de Nebaiote e de Quedar, ou seja, representantes de povos árabes, descendentes de Ismael. Em Apocalipse 5:9 vemos que o Cordeiro comprou para Deus pessoas de toda tribo, língua, povo e nação. Sem dúvida alguma aí estão incluídos os descendentes de Ismael, o menino filho de uma escrava estrangeira, que foi abençoado por Deus e cujo destino era se tornar uma grande nação.
"Deus é Soberano e Fiel, por isso Ele cumpriu Suas promessas feitas a Abraão. Não será diferente conosco. O que Ele nos prometeu irá cumprir. Ele é O Grande EU SOU" !!!

Servindo ao Senhor com Alegria



Catadores de Gravetos

 Quando falamos de catadores de gravetos, falamos de pessoas que se esforçam para está na brecha do muro perante a face do Senhor, gente que luta, intercede, que junta lenha para que o fogo continue ardendo sobre o altar. Ah! Como Deus procura! Um dia Ele foi até o seu servo Ezequiel e confessou seu lamento. Ez 22.30 “e busquei dentre eles um homem que estivesse na brecha perante mim por esta terra, para que eu não destruísse; mas a ninguém achei” – Deus procurou um só homem e não achou, e nós estamos vivendo estes mesmos dias de Ezequiel em que os reis são corruptos, os sacerdotes profanam as coisas de Deus e os profetas falam mentiras e palavras que agradam o ego das pessoas...
Mas no texto que lemos, fala de um homem e uma mulher diferentes, gente que age na dificuldade, gente que luta, gente que são verdadeiros catadores de gravetos. Mas quais são as características, o que aprendemos dos catadores de gravetos?
1- CATADORES DE GRAVETOS ENFRENTAM CRISES, TEMPESTADES
Elias era alguém assim forjado no meio das lutas, diz a bíblia que estava na companhia do rei Acabe, mas o Senhor o enviou para a beira do ribeiro de Querite=cortar=colocar no molde de Deus . Deus muitas vezes permite tempestades para que conheçamos que o senhor é Deus. Elias se viu numa “tempestade” de pensamentos, “Porque estou aqui?; “Qual o propósito disso tudo?”; mas diz a bíblia que ele fez como o Senhor lhe ordenara; e gente assim Deus cuida, se responsabiliza, sustenta. Ele ainda usa até mesmo corvos para abençoar os seus...(Por falar em corvos, lembro-me de Noé aquele que enfrentou uma grande tempestade, diz a bíblia que encerrado as chuvas e minguado as águas,ele soltou um corvo que ia e voltava, mas que depois não voltou mais, então Noé soltou uma pomba e ela voou e voltou para “Arca”, sete dias depois tornou a soltá-la e a pomba voltou a tardinha com uma folha de oliveira no bico. Você entende o mistério? Ainda hoje é assim quando as tempestades se avolumam, corvos e pombas buscam abrigar-se na “Arca” de Deus, pedem oração aos catadores de gravetos e quando a tempestade passa os “crentes corvos” vão e não voltam para agradecer a Deus; porém os “crentes pombas” eles voam, observam o habitat dos corvos mas voltam para “Arca”; porque corvo se alimenta de qualquer coisa, qualquer porcaria; pomba não; pomba sabe que na “Arca de Deus” tem pão, tem algo infinitamente melhor. “Crente pomba” volta para agradecer com um testemunho no bico, uma folha de oliveira como que dizendo “Deus é fiel, Ele cumpre suas promessas, sou testemunha da sua fidelidade!”). Me permita: - “Oh Glória!, Aleluia!”.
Elias viu o riacho secar, mas escute , quando a fonte seca Deus sempre diz “LEVANTA-TE E VAI”, há alguém que ordenei, uma viúva que te sustente; e diz a bíblia que Elias a encontra catando gravetos. Uma pobre viúva no meio de uma “tempestade” de escassez, mas estava catando gravetos. Escute; Deus tem negócio com catadores de gravetos! Ele te conhece, sabe a tua luta , Ele é “DEUS DE SURPRESA”
2-CATADORES DE GRAVETOS RECEBEM VISITA DO CÉU, VISITA SOBRENATURAL
Aquela viúva pensava ser a sua última refeição, quantas vezes estamos assim , pensando que é o fim, mas como disse; Deus é Deus de surpresa; Ele projeta e decreta algo além daquilo que pedimos ou pensamos, Ele envia visitante até você ...(Lembro-me do Apóstolo Paulo um catador de gravetos no meio de uma tempestade, Atos27, o barco era açoitado pelas ondas e não havia esperança de salvar-se, mas diz bíblia no verso 25 que Paulo recebeu uma visita do Céu, “O ANJO DE DEUS, DE QUEM EU SOU E A QUEM EU SIRVO, ESTEVE COMIGO”.) Me permita: “Oh Glória!, Aleluia! Quando cremos no Senhor=Dono=Proprietário Jesus Cristo, Ele sempre ESTARÁ CONOSCO! Há visita do Céu para nossa vida! Foi assim com a viúva de SAREPTA=LUGAR DE FUNDIÇÃO= Refinamento de Deus, ela pensava que não sobreviveria na têmpera do crisol, mas o Senhor permite a fundição não para destruição, mas para PURIFICAÇÃO e para AGREGAR VALORES a tua existência. Eis porque recebem visita do Céu:
3-CATADORES DE GRAVETOS PRIORIZAM DEUS NAS SUAS VIDAS
Quando Elias pediu água foi buscar, quando Elias pediu que fizesse primeiro o bolo para ele, ela não titubeou, ela creu na palavra do homem de Deus... A Palavra de Deus vale mais que os nossos poucos ou grandes recursos... O Senhor disse Mt 6. 33 “Mas buscai primeiro o reino de Deus, e a sua Justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”. Como tem sido esquecido esse simples, porém maravilhoso ensinamento do Senhor; catadores de gravetos priorizam esta Palavra. Lembra de Paulo (atos 27) ele confiou na Palavra, ele priorizava Deus na sua vida, quatorze dias de tempestade todos pensando que era o fim, porém Paulo tinha palavra de ânimo para tripulação , Aleluia! Quantos procuram catadores de gravetos para ouvir uma palavra de ânimo,de esperança... Diz a bíblia que Paulo convidou a tripulação, deu graças pelo pão e comeu, fico imaginando o quadro, um clima de insegurança todos pensando o pior, mas Paulo está confiante no Senhor, dar graças no meio da tempestade e chama a atenção de duzentos e setenta e cinco almas ao seu redor. Escute, priorize Deus na tua vida, Deus vai te usar para impactar todos ao teu redor. Pense na viúva, certamente havia alguém já esperando com medo de ter que ajudá-la, Mas grande foi a SURPRESA ! Para todos em derredor, sabe porque?
4-CATADORES DE GRAVETOS SÃO SUSTENTADOS PELO SENHOR
Diz a bíblia que a viúva entrou, fez o bolo para o Profeta, versículo 15 “E foi ela e fez conforme a Palavra de Elias; e assim comeu ela, ele e a sua casa muitos dias” Aleluia! Você percebe aqui o princípio do dízimo. Quando priorizamos a Deus separando em primeiro lugar a parte dele, Ele te abençoa, Ele te surpreende, Ele te sustenta! Oh Glória! Ele te preserva na luta, na tempestade, no dia da tua adversidade! Aleluia! Basta você fazer o teu melhor para Ele! , Exerça a mordomia cristã em tudo na tua vida!
Mas infelizmente quando nós fazemos o nosso melhor, sempre tem alguém para nos apontar, alguém para tecer comentários ao nosso respeito; “Esse irmão só quer ser o santo” “Aquela irmã quer ser melhor que todo mundo” ou seja quando buscamos fazer algo para Deus sempre aparece uma cobra pra nos morder!. Lembra do Apóstolo Paulo, Deus guardou e sustentou ele na tempestade, o Senhor ama catadores de gravetos; diz a bíblia que Deus livrou Paulo de ser morto, e para isso usou um corvo centurião At27.43, e quando chegou a ilha de MALTA=REFÚGIO, cansado do naufrágio, o que Paulo fez, foi descansar? Não! Paulo foi catar gravetos, ele queria esquentar aqueles que estão frios, Aleluia! Atos 28. 3 “E havendo Paulo ajuntado uma quantidade de vides e pondo-as no fogo, uma víbora, fugindo do calor, lhe acometeu a mão”. Mas escute toda arma preparada contra ti não prosperará, o mesmo fogo que você alimenta com a tua lenha, vai consumir as víboras que se levantarem na tua vida. Aleluia! Deus sustenta de pé os catadores de gravetos! Muitos estão como que esperando ver você cair, mas acredite o Senhor vai surpreender todos eles, muitos vão mudar de opinião ao teu respeito! leia Atos 28. 4-6 Antes pensavam que Paulo era um homicida, por fim, diziam que Paulo era um “deus”! Muitos pensavam que a viúva ia pedir o bolsa-família a Acabe, mas Deus sustenta catadores de gravetos! GENTE QUE APESAR DAS PRIVAÇÕES, CRÊEM NO DEUS DAS PROVISÕES!!!
5-CATADORES DE GRAVETOS VÊEM A GLÓRIA DE DEUS
1 Reis 17. 16 “Da panela a farinha se não acabou, e da botija o azeite não faltou, conforme a Palavra do Senhor, que falara pelo ministério de Elias” Aleluia! Aquela viúva viu a Glória de Deus! Tudo parecia contrário, sem jeito, sem solução, sem saída. Quantos estão assim sem perspectiva, no fundo do poço querendo tirar a própria vida; mas OUÇA, ELE disse João 11.40 “NÃO TE HEI DITO QUE SE CRERES, VERÁS A GLÓRIA DE DEUS?” Certa vez observei uma frase que dizia: NÃO EXISTE POÇO TÃO PROFUNDO, QUE A MÃO DE DEUS NÃO ALCANSE!!! Creia DEUS tem RESPOSTA para tua vida, JESUS É A RESPOSTA PARA O AFLITO.....
Paulo viu a Glória de Deus, ele orava pelos enfermos e o Senhor derramou da sua Glória, vidas foram salvas, curadas e libertas na ilha de Malta. Deus se manifestou naquele lugar! Escute, você pode ouvir, Deus está chamando, procurando catadores de gravetos para manifestar a sua Glória.
Ele continua o mesmo, não mudou, ESTÁ A PROCURA DE CATADORES DE GRAVETOS, vez por outra, Ele encontra, são pessoas simples, vivenciando tempestades, joelhos gastos no altar, mas aí algo acontece, os céus se abrem, o som festivo do Céu rompe o silêncio de Deus; ALELUIA! É ELE, nada se compara a VOZ DELE, Glória pois a ELE ETERNAMENTE AMÉM.

Pastor Honorato Santos-SURUBIM-PE