domingo, 7 de novembro de 2010

Próximos ao Abismo

"Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia" (1 Coríntios 10:12).
Alguém, que viajou pelas montanhas rochosas canadenses, contou que notou uma grande quantidade de árvores crescendo junto à beira dos precipícios. Muitas delas tinham suas raízes quase que totalmente descobertas. Algumas se desprenderam completamente e tombaram despenhadeiro abaixo. Elas cresceram muito próximo do abismo.
Que semelhança pode haver entre aquelas árvores e muitos de nós, cristãos? É simples: professamos a fé no Senhor Jesus e continuamos vivendo perigosamente à beira do abismo. Nossos alicerces espirituais estão presos, parte junto ao altar de Deus e parte junto ao despenhadeiro das armadilhas mundanas. Pendemos para um lado e para outro e, na maioria das vezes, acabamos rolando encosta abaixo, sem a perspectiva de conseguir subir novamente.
Quem olha de longe vê as árvores frondosas e firmes. Ao se aproximarem, percebem que elas não têm firmeza alguma. Quando estamos na igreja, assistindo as reuniões, parecemos estar firmes e comprometidos com o Senhor e com a obra que nos confiou. Porém, quando alguém se aproxima de nós e passa a nos conhecer na intimidade, verifica que estamos "pelas pontas", quase caindo, quase sucumbindo, quase igualmente perdidos.
As árvores das montanhas canadenses não podem mover-se para um lugar mais seguro, porém, nós podemos. É preciso que paremos de brincar de santos e servos e passemos a viver verdadeiramente na presença do Senhor. Nossas raízes espirituais devem estar plantadas solidamente, na obediência a Deus, na vida de oração e testemunho, na busca incessante dos ensinos de Cristo, contidos na Sua Palavra santa.
Você vai continuar brincando de "cai não cai" ou vai procurar se firmar definitivamente na presença do Senhor Jesus?

 Paulo Roberto Barbosa

sábado, 6 de novembro de 2010

O Filho Pródigo

"Disse Jesus: Um homem tinha dois filhos. O mais moço disse a seu pai: Meu pai, dá-me a parte do patrimônio que me toca. O pai então repartiu entre eles os haveres. Poucos dias depois ajuntando tudo o que lhe pertencia, partiu o filho mais moço para um país muito distante, e lá dissipou sua herança vivendo dissolutamente. Depois de ter esbanjado tudo, sobreveio àquela região uma grande fome: e ele começou a passar penúria. Foi pôr-se a serviço de um dos senhores daquela região, que o mandou para os seus campos guardar porcos. Desejava ele fartar-se das vagens que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. Entrando então em si e refletiu: <>. Levantou-se, pois, e foi ter com seu pai. Estava ainda longe, quando seu pai o viu, e, movido pela misericórdia, correu-lhe ao encontro, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou. O filho lhe disse então: <>. Mas o pai disse aos servos: <>. E começaram a festa...
Não é necessário determo-nos em assunto de que já tratamos; mas se não é o caso de nos demorarmos, sim o é de rememorarmos . Vossa prudência ainda lembra que no domingo passado comentei a parábola, lida no Evangelho de hoje, a do filho pródigo, comentário que no entanto não pude concluir. Deus Nosso Senhor quis, porém, que, passada aquela tribulação, possamos hoje continuar a falar.
Sinto-me obrigado a pagar a dívida do sermão, porque as dívidas de amor sempre devem ser pagas. Assista-me Deus para que meus poucos recursos possam satisfazer a vossa expectativa.
O homem que tem dois filhos é Deus que tem dois povos: o filho mais velho é o povo judeu; o menor, os gentios.
O patrimônio que este recebeu do Pai é a inteligência, a mente, a memória, o engenho e tudo o que Deus nos deu para que O conhecêssemos e Lhe déssemos culto. Tendo recebido este patrimônio, o filho menor "partiu para um país muito distante". Distância significa: o esquecimento de seu Criador. "Dissipou sua herança vivendo dissolutamente": gastando e não ajuntando; malbaratando tudo o que tinha e não adquirindo o que não tinha, isto é, consumindo toda sua capacidade em luxúria, em ídolos, em todo tipo de desejos perversos, aos que a Verdade denominou meretrizes.
Não é de admirar que essa orgia acabasse em fome. "Sobreveio àquela região uma grande fome"; fome não de pão visível mas da verdade invisível. E, por causa da fome, "foi pôr-se a serviço de um dos senhores daquela região": entenda-se o diabo, o senhor dos demônios, sob cujo poder caem todos os curiosos, pois a curiositas é o pestilento abandono da verdade.
À margem de Deus, por entregar-se a seus próprios recursos, foi submetido à servidão e lhe tocou o ofício de apascentar porcos, o que significa a servidão mais extrema e imunda que costuma alegrar os demônios: não foi por acaso que o Senhor, quando expulsou a legião dos demônios, permitiu que entrassem na piara de porcos.
Alimentava-se então das vagens de porcos sem poder saciar-se. Vagens são as vistosas doutrinas do mundo: servem para ostentar mas não para sustentar; alimento digno para porcos, mas não para homens: próprias para dar aos demônios deleitação, mas não aos fiéis justificação.
Até que, por fim, tomou consciência do lugar em que tinha caído; do quanto tinha perdido; Quem tinha ofendido e a quem se tinha submetido. Reparai no que diz o Evangelho: "Entrando em si..."; primeiramente, voltou-se para si e só assim pôde voltar para o pai. Dizia talvez: "O meu coração me abandonou (isto é: saí de mim mesmo)" (Sl 40,13); daí que fosse necessário, antes, voltar para si mesmo e assim perceber que se encontrava longe do pai. É o que diz a Escritura quando increpa a alguns, dizendo: "Voltai, pecadores, ao coração! (isto é: voltai, pecadores, a vós mesmos!)" (Is 46,8). Voltando para si mesmo, encontrou-se miserável: "Encontrei, diz ele, a tribulação e a dor e invoquei o nome do Senhor" (Sl 116,3-4). "Quantos empregados, diz ele, há na casa de meu pai, que têm pão em abundância, e eu, aqui, a morrer de fome!" (...)
Levantou-se e voltou. Ele, caído por terra depois de contínuos tropeços. O pai o vê ao longe e sai-lhe ao encontro. É dele que fala o Salmo: "Entendeste meus pensamentos de longe" (Sl 139,2). Que pensamentos? Aqueles que o filho tinha em seu interior: "Levantar-me-ei e irei a meu pai, e dir-lhe-ei: Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como a um dos teus empregados". Ele ainda nada tinha dito, só pensava em dizer. O pai, porém, ouvia como se o filho já o estivesse dizendo.
Por vezes, em meio a uma tribulação ou tentação, alguém pensa em orar, e, no próprio ato de pensar o que irá dizer a Deus na oração, considera que é filho e que, como tal, tem direito a reivindicar a misericórdia do Pai. E diz de si para si: "Direi a meu Deus isto e aquilo; não temo que, em lhe dizendo isto, e chorando, não seja eu atendido pelo meu Deus". Geralmente, Deus já o está atendendo quando ele diz estas coisas; e mesmo antes, quando as cogita, pois mesmo o pensamento não está oculto ao olhar de Deus. Quando o homem delibera orar, já lá está Aquele que lá estará quando ele começar a oração.
E assim se diz em outro Salmo: "Eu disse: confessarei minha iniqüidade ao Senhor" (Sl 32,5). Vede como se trata ainda de algo interior a ele, de um mero projeto e, contudo, acrescenta imediatamente: "E tu já perdoaste a impiedade de meu coração" (Sl 32,5). Quão próxima está a misericórdia de Deus daquele que se confessa! Não, Deus não está longe de quem tem um coração contrito, como está escrito: "Deus está próximo dos que trituram seu coração" (Sl 34,19). E neste triturar seu coração no país da penúria, retornava ao coração para moê-lo. Soberbo, abandonara seu coração; irado com santa indignação, a ele retorna.
Indignou-se contra si mesmo, contra o mal que há em si, para se emendar; retornou para merecer o bem do pai. Indignou-se conforme a sentença: "Irai-vos para não pecar" (Sl 4,5). Pois quem está arrependido fica irado e, por estar indignado consigo mesmo, se pune.
Daí surgem aquelas práticas próprias do penitente que verdadeiramente se arrepende, verdadeiramente se dói, sente ira contra si mesmo. Certamente, é indício dessa ira o bater no peito: o que a mão faz externamente, a consciência o faz internamente: golpeia-se nos pensamentos, ou melhor, produz a morte em si mesmo. E, matando-se, oferece a Deus o "sacrifício de um espírito atribulado. Deus não despreza um coração contrito e humilhado" (Sl 51,19). E, assim, raspando, quebrando, humilhando seu coração, leva-o à morte.
Embora tivesse ainda somente a disposição de falar ao pai, cogitando em seu interior: "Levantar-me-ei e irei a meu pai, e dir-lhe-ei...", o pai, que de longe já conhece essas cogitações, foi ao seu encontro.
Que significa "ir ao encontro" senão antecipar-se pela misericórdia? Pois, "estava ainda longe, quando seu pai o viu, e, movido pela misericórdia, correu-lhe ao encontro". Por que foi movido pela misericórdia? Porque o filho tinha confessado sua miséria. "E correndo-lhe ao encontro, lançou-se-lhe ao pescoço", isto é, pôs o braço sobre o pescoço dele.
Ora, o braço do Pai é o Filho: deu-lhe, portanto, Cristo para carregar: uma carga que não pesa, mas alivia. "Meu jugo é suave, diz Cristo, e meu fardo é leve" (Mt 11,30). Ele se apoiava sobre o que estava de pé e, por apoiar-se, impedia-o de tornar a cair. Tão leve é o fardo de Cristo que não só não pesa, mas, pelo contrário, até ergue.
Não que o fardo de Cristo seja uma carga dessas que se chamam leves (não há carga, por mais leve que seja, que não tenha algum peso). Pode-se carregar um fardo pesado, um fardo leve ou, ainda, não carregar fardo algum. Anda oprimido quem carrega fardo pesado; menos oprimido quem leva uma carga leve (embora também ande oprimido); com os ombros totalmente desembaraçados, quem não carrega fardo algum. Não é dessa ordem o fardo de Cristo, mas um fardo tal que convém carregá-lo para sentir-se aliviado; se nos desvencilharmos dele, mais carregados nos sentiremos.
E que esta nossa afirmação, irmãos, não vos pareça absurda! Talvez encontremos alguma comparação que vos torne plausível, até em termos de nossa experiência sensível, o que estou dizendo. Um caso, também ele, espantoso e totalmente incrível.
É o seguinte: considerai as aves. Toda ave carrega o peso de suas asas: não reparastes como, quando descem ao chão, recolhem as asas para poder descansar e como que as levam nos costados? Julgais que estão oprimidas pelo peso das asas? Tirai-lhe este peso e cairão: quanto menos pesarem as asas, menos pode a ave voar.
Alguém que, a título de misericórdia, as privasse deste peso, não estaria sendo misericordioso. A verdadeira misericórdia está em poupar-lhes esta privação e, se já perderam as asas, em dar-lhes alimento para que readquiram asas pesadas e possam arrancar-se da terra e voar. É bem este o peso que desejava o salmista: "Quem me dará asas como as da pomba para que eu voe e encontre meu repouso?" (Sl 55,7)
Assim, o peso do braço do pai sobre o pescoço do filho não o carregou, mas o aliviou; foi-lhe honroso e não oneroso. Como é, pois, o homem capaz de carregar consigo a Deus se não é porque o está carregando, o Deus que ele carrega?
E o pai ordena que o vistam com a primeira veste, aquela que Adão perdera ao pecar. Tendo recebido o filho em paz, tendo-o beijado, ordena que lhe dêem uma veste: a esperança de imortalidade, conferida no batismo. Ordena que lhe dêem um anel, penhor do Espírito Santo; calçado para os pés, como preparação para o anúncio do Evangelho da paz, para que sejam formosos os pés dos que anunciam a boa nova.
Estas coisas Deus faz através de seus servos, isto é, os ministros da Igreja. Acaso eles podem, por si próprios, dar veste, anel e calçados? Não, apenas cumprem seu ministério, desempenham seu ofício; quem dá é Aquele de cujo depósito e de cujo tesouro são extraídos estes dons.
Mandou também matar o bezerro cevado, isto é, que fosse admitido à mesa em que o alimento é Cristo morto. Mata-se o bezerro para todo aquele que, de longe, vem para a Igreja, na qual se prega a morte de Cristo e no Seu corpo o que vem é admitido. Mata-se o bezerro cevado porque o que se tinha perdido foi encontrado.
"O filho mais velho estava no campo. Ao voltar e aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Chamou um servo e perguntou-lhe o que havia. Ele lhe explicou: <>. Encolerizou-se ele e não queria entrar; mas seu pai saiu e insistiu com ele. Ele, então, respondeu ao pai: <> Explicou-lhe o pai: <>."

Agostinho de Hipona

Comentários ao Evangelho de João

"Não vós me escolhesses, eu vos escolhi" [Jo 15,16]. Eis a inefável graça! Que éramos nós quando não tínhamos ainda escolhido a Cristo, e por isso não o amávamos? Como poderia amá-lo aquele que não o escolheu? Acaso já ocorria conosco o que se canta no Salmo: "escolhi, antes, ser humilde na casa do Senhor do que habitar nas moradas dos pecadores" [Sl 83,11]? Não, decerto. Que éramos, senão iníquos e perdidos? Nem sequer tínhamos acreditado nele, para sermos por ele escolhidos. Se nós escolhemos já acreditando nele, eram escolhidos os que escolhia. Ele disse, porém: "não fostes vós que me escolhesses". Porque foi "a sua misericórdia que se antecipou a nós" [Sl 58,11]. Por aí se vê quanto é destituída de razão a maneira de raciocinar dos que defendem a presciência de Deus contra a graça de Deus. Dizem que fomos escolhidos "antes da constituição do mundo" [Ef 1,4], porque Deus previu que havíamos de ser bons, e não que ele mesmo nos haveria de fazer bens. Ora, não é isto e que diz ele, quando diz: "Não fostes vós que me escolhesses". Se nos tivesse escolhido porque previra que havíamos de ser bons, teria igualmente previsto que nós primeiramente o havíamos de escolher. Não podíamos ser bons de outro modo. a não ser que se chamasse bom quem não escolheu o bem. Que escolheu ele nos que não são bons? Não foram escolhidos por terem sido bons. Nunca seriam bons se não tivessem sido escolhidos. Se sustentarmos que já havia méritos, a graça já não seria graça. A escolha é obra da graça, como diz o Apóstolo: "no tempo presente subsiste um resto, por causa da escolha da graça" [Rm 11,5]. E acrescenta: "se isto foi pela graça, não foi pelas obras; de outra sorte, a graça já não seria graça". Ouve-me, ó ingrato, ouve-me! "Não fostes vós que me escolhestes, mas eu que vos escolhi". Não tens razão para dizer: fui escolhido porque já acreditava. Se acreditavas nele, já o tinhas escolhido. Mas ouve: "Não fostes vós que me escolhesses". Não tens razão para dizer: antes de acreditar, já realizava boas ações, e por isso fui escolhido. Se o Apóstolo diz: "o que não procede da fé é pecado" [Rm 14,23], que obras boas podem existir anteriores à fé? Ao ouvir dizer: "Não fostes vós que me escolhesses", que devemos pensar? Que éramos maus e fomos escolhidos para nos tornarmos bons pela graça de quem nos escolheu. A graça não teria razão de ser se os méritos a precedessem. Mas a graça é graça. Não encontrou méritos, foi a causa dos méritos. Vede, caríssimos, como o Senhor não escolhe os bons mas escolhe para fazer bons. "Eu vos escolhi e vos constituí para que vades e produzais frutos, e o vosso fruto permaneça" [Jo 15,16]. Referira-se a esse fruto quando dissera: "sem mim nada podeis fazer". Escolheu, pois, e constituiu-nos para irmos e produzir os fruto. Não tínhamos qualquer fruto que fosse a razão de ser de nossa eleição. "Para que vades e produzais fruto''. Vamos para produzir. Ele é o caminho por onde vamos, e onde nos colocou para que vamos. Em tudo se antecipou a nós a sua misericórdia. "E para que vosso fruto permaneça, a fim de que tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda" [Jo 15,16]. Permaneça, pois, o amor. Ele mesmo será a nosso fruto. O amor agora existe em desejo e não em plena abundância, mas pelo próprio desejo que alimentarmos em nós, tudo o que pedirmos em nome do Filho unigênito no-lo concederá o Pai. Não vamos julgar que pedimos em nome do Salvador. Só podermos pedir em nome do Salvador o que convém à nossa salvação.

Agostinho de Hipona

Críticas ou Calúnias?

Estamos vivendo um período sem precedentes, uma época crítica, injusta e confusa, principalmente no meio do povo que se diz "de Deus". Acusações ferinas, críticas sem fundamento, setas que ferem o coração de quem não merece; falta de respeito e bom senso... Críticas que se transformam em calúnias. Tudo isto às escâncaras nos meios de comunicações, principalmente na TV e Internet.
A crítica pode ser uma ferramenta nas mãos de Deus, fazendo com que indivíduos centrados em si mesmos se transformem em pessoas que agem e vivem como Jesus. Quando feita por motivos corretos e com espírito adequado, a crítica pode tornar humilde um "grandão" e restaurar o relacionamento de um pecador caído com Deus. Mas pode ser também uma ferramenta nas mãos do diabo, quando feita com o intuito de denegrir e ferir injustamente alguém de quem não gostamos ou não "vamos com a cara".
Existem dois tipos de crítica: a justa e a injusta. Algumas críticas são geradas por pura inveja. Considere o homem que tinha orgulho do talento do seu cachorro em buscar varinhas de madeira atiradas ao longe. Certo dia, enquanto estava na praia, o dono do cachorro encontrou um homem e disse:
- Veja isso - e atirou um pedaço de madeira em direção ao mar. O cachorro correu imediatamente, lançou-se à água e, nadando, conseguiu pegar o toco de madeira e o trouxe de volta ao seu dono. O outro, balançando a cabeça, replicou:
- Que pena. Seu cachorro não sabe mergulhar.
Fugir da crítica é mais fácil do que lidar com ela. Alguns pastores evitam o risco de serem criticados assumindo uma posição neutra em questões controversas. Políticos evitam as críticas defendendo veementemente os dois lados da questão, noutras palavras, ficando "em cima do muro". Cônjuges evitam as críticas evitando a verdade. Dizer às pessoas o que elas querem ouvir é simples. Falar a verdade nua e crua pode causar problemas e conflitos. Porém, nunca esqueçamos o seguinte:
"Leais são as feridas feitas pelo que ama, porém os beijos de quem odeia são enganosos" (Provérbios 27.6).
Críticas injustas cercaram o apóstolo Paulo. Ele foi apedrejado em Listra, fugiu de Tessalônica e foi preso em Filipos. Paulo conviveu com críticas injustas até morrer. Numa última carta a Timóteo, Paulo escreveu:
"Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; a não somente a mim, mas também a todos quanto amam a sua vinda" (2 Timóteo 4.7-8).
Quer dizer, ele não deixou que críticas infundadas destruíssem sua obra ou enfraquecessem sua fé.
Amados, a crítica nos refina para a missão estratégica de Deus. Não precisamos temer as críticas, mas, sim, pedir que Deus as use como ferramentas que nos ajudem a crescer mais na semelhança com Cristo.
Em Cristo, o mais criticado de todos.

Adail Campelo

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Aprendendo a esperar

"Mas os que esperam no SENHOR renovarão as forças, subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão" (Isaías 40:31).
"A esperança Cristã é a esperança que viu tudo e suportou tudo, sem se desesperar, porque ela crê em Deus. A esperança Cristã não espera no espírito humano, na bondade humana, na resistência humana, na realização humana; a esperança cristã espera no poder de Deus." (William Barclay)
Em que, nós cristãos, estamos esperando? Onde estamos depositando a nossa confiança? Em que temos gasto nosso tempo e determinação? A quem estamos entregando nossos sonhos de vitória e felicidade?
Muitas vezes nos queixamos de má sorte, de derrotas, de frustrações, de insatisfação com a vida, por não conseguirmos atingir as nossas metas e nem chegar a lugar algum em nossas andanças neste mundo. Todos conseguem alcançar seus objetivos e nós sempre ficamos para trás.
Estamos sempre sendo derrotados porque não entendemos que as grandes vitórias vêm do Grande Vencedor, nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Temos nos sentido fracos porque buscamos poder em homens e não no Deus que é Todo Poderoso.
Quando confiamos no Senhor, sabemos esperar a hora certa e a forma correta de receber as bênçãos almejadas. Estamos prontos a suportar as lutas e dificuldades do caminho, compreendendo que lições serão tiradas de todas as experiências vividas e que um edifício sólido e firme estará sendo formado em nós que servirá de morada do Espírito Santo de Deus.
Se a nossa esperança está colocada em amigos, parentes ou pessoas influentes, ela é fraca e incerta. Podemos obter um resultado positivo ou não. Podemos ganhar ou perder. Porém, se está direcionada para o Senhor, trará, com certeza, muita alegria aos nossos corações e será sempre vitoriosa.

Paulo Roberto Barbosa

Lobo ou Ovelha? Eis a questão!

Disfarçados de inocentes cordeirinhos, escondidos sob o manto do anonimato e do silêncio, enrustidos em personalidades afáveis e cativantes, mascarados por um véu de aparente “santidade” e “piedade”, escondem-se indivíduos perigosos e cruéis, que à semelhança de lobos ferozes, não terão quaisquer escrúpulos de demonstrar o seu lado mais vil quando o momento for propício para tal.
O Apóstolo Paulo, referindo-se a um tempo posterior a sua partida para a eternidade, adiantou que lobos ferozes surgiriam e não poupariam o rebanho de Deus. Sobre isso Paulo advertiu: “Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a Igreja de Deus, que Ele resgatou com seu próprio sangue. Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho” (At 20.28,29).
As suas palavras de advertência eram solenes avisos, que tinham o intuito de abrir os olhos dos fiéis sobre o surgimento de falsos mestres e ensinos destruidores, que emergiriam do seio da própria Igreja e causariam danos terríveis as ovelhas do Senhor. “E que dentre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos a si” (At 20.30).
Os apelos do apóstolo dos gentios são tão reais e atuais, que ainda podemos ouvi-los em nosso espírito, clamando aos fiéis do século 21 que estejam despertos e com os olhos bem abertos; e, acima de tudo, examinando as escrituras para não serem em nenhum momento enredados ou feitos presas fáceis de lobos vorazes travestidos de ovelhas. “Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo” (Cl 2.8).
Jesus falando aos seus discípulos deixou bem claro que pelos frutos tais indivíduos seriam conhecidos e detectados. Os ensinos do mestre demonstram com clareza que tais homens teriam um caráter duvidoso e que suas próprias ações dariam testemunho contra eles mesmos. “Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. Por seus frutos os conhecereis” (Mt 7. 15,16 a).
As evidências do avanço do engano e de toda sorte de desvios doutrinários dão um claro aviso a todos nós da existência de um complô das trevas nestes tempos finais visando destruir os alicerces da verdade e, também, desferir terríveis golpes contra a palavra de Deus.
Não devemos nos esquecer que o espírito do erro como precursor do Anti-Cristo está no mundo. O apóstolo Paulo afirma que este espírito atua agora sobre os filhos da desobediência. Vejamos: “Porque já o mistério da injustiça opera” (Ts 2.7). E ainda: “E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira” (Ts 2.11).
Estando sob a influência do erro, esses indivíduos se tornam potenciais instrumentos usados pelo inimigo de nossas almas para disseminar toda sorte de malefícios e enganos sedutores com o único alvo de confundir ou causar danos à verdade. Judas sobre esses apóstatas assevera: “Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para esse mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus” (Jd4).
Estejamos, portanto, precavidos e prontos para defender o estandarte da fé através da espada do Espírito. A seu tempo os lobos serão desmascarados e as ovelhas poderão descansar seguras no aprisco do bom Pastor.

Giovani Figueiredo dos Santos.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A Verdade Liberta

“Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam”. (João 5.39)
Essas palavras foram ditas por Jesus. Como podemos ver, Jesus nos advertiu a examinarmos as Escrituras Sagradas. Jesus se referia a Bíblia. Examinar a Bíblia não significa apenas dar ocasionalmente uma breve e esporádica lida. A palavra examinar significa observar atentamente. Jesus quis nos alertar sobre a importância de nos dedicarmos ao estudo da Bíblia. Jesus sabia que a Bíblia é a inerrante Palavra de Deus e por algumas vezes mencionou a sua veracidade (João 17.17; Mateus 22.29; João 8.47).
Examinar constantemente a Bíblia é algo de suma importância para o cristão. Jesus disse em Marcos 12.24: “Porventura não errais vós em razão de não saberdes as Escrituras nem o poder de Deus?”. O que será que Jesus quis dizer com isso? Ele quis dizer que o homem se encontra num estado de tão grande sofrimento por não conhecer a vontade de Deus através de sua Palavra revelada. Por muitos não possuírem o conhecimento da Palavra de Deus, conseqüentemente, desconhecem a vontade Dele. Não sabem como tomar a decisão certa para suas vidas. Deste modo agem de modo contrário ao que Ele determinou. Assim sofrem demasiadamente e nem sequer sabem o motivo. Tudo isso por que os homens não buscam ler a Bíblia. Nela Deus nos dá todas as respostas que precisamos para uma vida próspera. Poucos conhecem profundamente o que a Palavra de Deus nos ensina.
Ora, se nós agirmos de forma contrária ao que o nosso Criador determinou, o fato disso resultar em sofrimento parece ser algo óbvio. Por exemplo, quando um relógio é fabricado, se ele não for cuidado da forma que seu fabricante determinar em seu manual de instruções, certamente aquele relógio se deteriorará e acabará destruído. Da mesma maneira acontece conosco se não agirmos de acordo com a determinação do Criador. A Bíblia é como um manual de instruções que Deus deu a todos nós. Ela é a nossa bússola divina e nos aponta a caminho certo. Infelizmente nem todos compreendem isto.
Quando passamos a conhecer (e obedecer) a Palavra de Deus, parece que algo inexplicável começa a acontecer em nossas vidas. Ocorre a libertação do engano do pecado. Jesus disse em João 8.32: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. Mas o que é “a verdade”? A verdade é a Palavra de Deus. Mas “essa verdade” nos liberta do que? A verdade nos liberta do engano do pecado. O pecado é algo tão maligno que, muitas vezes, o homem chega a pensar que ele não será punido por Deus. Mas não é isso que a Bíblia nos revela (Romanos 6.23).
Uma grande mudança ocorre em nós após conhecermos a verdade revelada na Bíblia. Isso acontece devido ao poder transformador da Palavra de Deus. Os discípulos de Jesus que caminharam com Ele, sabem bem que isso é verdade. Certa vez Jesus disse-lhes em João 15.3: “Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado”. Os discípulos passaram pela transformação que todos os que verdadeiramente seguem Jesus passam. Aquele que caminha diariamente com Jesus é impactado pelo poder de suas palavras! Não há como continuar sendo a mesma pessoa.
Ainda hoje podemos escutar as mesmas palavras que Jesus disse aos seus discípulos, basta lermos a Bíblia. Ler a Bíblia, procurando absorver o que está escrito é algo incrível. A Palavra que sai da boca de Deus tem o poder de limpar, libertar e transformar o homem! Foi para isto que Deus nos deixou a sua Palavra. Para que o homem, ao lê-la, conheça a sua vontade para que não cometa mais erros. Quando não conhecemos a Palavra de Deus, naturalmente fazemos aquilo que não nos traz o bem, e desta forma sofremos.
Vejamos o que Jesus disse em Lucas 4.4: “Está escrito que nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra de Deus”. Há um ensinamento importante nestas palavras que Jesus proferiu. Jesus quis nos dizer que a Bíblia também é um alimento para nós. A Bíblia é o alimento do nosso homem interior: o nosso espírito! A Palavra de Deus é uma fonte de sabedoria e ensinamento divino.
A Palavra de Deus nos ajuda a não cairmos na tentação enganosa do pecado. Está escrito no Salmo 119.11: “Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti”. Quando guardamos a Palavra de Deus em nossos corações sempre estaremos preparados para dizer um NÃO ao pecado assim que a tentação surgir. Jesus procedeu desta maneira ao ser tentado por satanás no deserto (Mateus 4.1-11). É uma clara indicação que a Palavra de Deus nos previne contra o pecado.
Estamos numa batalha espiritual contra forças malignas que querem nos destruir. A Bíblia é o acessório de ataque e de proteção do cristão. Paulo, um dos apóstolos de Jesus, nos adverte em Efésios 6:11,17: “Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo. Tomai também o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus”. O apóstolo Paulo compara a Bíblia a um capacete e a uma espada. Ele sabia muito bem da importância de guardarmos a Palavra de Deus. Na guerra contra o pecado estas armas são fundamentais.
Todo verdadeiro cristão deve ler a Palavra de Deus diariamente para que assim cresça na fé e adquira a sabedoria divina. Cada dia deve-se aprender algo novo. Pedro, que foi outro apóstolo de Jesus, também muito importante, nos revela em 1 Pedro 2.2: “Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo”. Assim como o apóstolo Paulo compara a Bíblia com armas de guerra, o apóstolo Pedro a compara ao leite de uma criança pequena. Assim como uma criança precisa de leite para crescer, o cristão necessita da Palavra de Deus para se desenvolver espiritualmente. O cristão que raramente se alimenta da Palavra de Deus é como uma criança de nunca cresce. Desta forma sempre será um bebê espiritual, sendo uma presa fácil do pecado.
O cristão precisa se alimentar para que se torne adulto na fé. Precisa se alimentar de tal maneira que, com o passar do tempo, não precise mais de leite, mas sim de um alimento mais sólido. Percebemos isto ao lermos Hebreus 5.14: “Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na palavra da justiça, porque é menino. Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal”. Este versículo se refere aqueles que já atingiram a maturidade espiritual.
Quando o cristão chega a este ponto, significa que já está amadurecido e o leite já não é suficiente para alimentá-lo. É necessário que ele passe para um outro tipo de alimento, mais consistente. É necessário que todo cristão se dedique ao estudo da palavra de tal modo que chegue a atingir este nível espiritual.
Para isto devemos conhecer bem o que a Bíblia nos revela. A Bíblia diz em 2 Timóteo 3.16,17: “Toda a Escritura divinamente inspirada é PROVEITOSA para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça, para que o homem seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra”. Aí está comprovada a importância que é conhecer a Bíblia. Ela nos ensina a vontade de Deus; redargua e corrige os erros doutrinários; ou seja, o erro dos ensinamentos; nos protegendo do engano das religiões; e instrui o homem em justiça, para que nós sejamos sempre justos para com Deus, e conseqüentemente, com o próximo.
Diante de tudo o que foi exposto acima, vemos que temos que nos determinar a alimentar o nosso espírito e buscar o conhecimento pessoal dos caminhos de Deus através de sua Palavra. Somente desta forma seremos capacitados para escolher o melhor caminho a seguir. Deste modo não seremos deixados para trás quando Jesus, o Filho de Deus, vier buscar a sua santa e gloriosa Igreja. E Jesus apenas irá levar aqueles que forem fiéis a sua vontade. Aquelas que tiverem um relacionamento vivo com Ele. E para isso precisamos conhecer e estudar a Bíblia, a Palavra de Deus.
A paz seja com todos os que amam a nosso Senhor Jesus Cristo! Amém!
“E que desde a tua meninice sabes as sagradas Escrituras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus”. (2 Timóteo 3.15)

Igor Chastinet.