quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Uma Vez Para Sempre

Há palavras que são verdadeiros livros, que se explicadas ocupariam muitos volumes para trazer a luz a sua mais completa explicação. Do mesmo modo há frases que são livrarias – isto é, explicadas em todos os sentidos encheriam uma livraria.  
Uma vez para sempre reúne toda história, não só a história bíblica, mas a história da humanidade – antes de Cristo e depois de Cristo – de eternidade a eternidade.

Cristo foi revelado não somente como o centro da história humana, mas como o eixo em torno do qual, material e espiritualmente, giram as duas eternidades: a passada e a gloriosa eternidade do porvir, quando todas as coisas serão reunidas e estarão sob o seu mais completo domínio, quando se cumprirá toda profecia escatológica a partir de Daniel até o apocalipse, quando todos os joelhos da terra e do próprio inferno hão de se curvar ante o cetro de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Nessa bendita palavra inspirada no livro aos Hebreus há duas notas que são dominantes: Hoje! Hoje se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações 3:7,13; 4:7. Hoje é o dia em que Deus dá ao homem a sua oportunidade. E, Uma vez para sempre! “Quando chegou o tempo certo, Ele veio uma vez por todas, a fim de afastar para sempre o poder do pecado, ao morrer por nós. Ou, …porque Ele, acabou com todos os sacrifícios, de uma vez para sempre, quando se sacrificou a Si próprio na cruz” 9:26b e 7: 27b. Este, uma vez por todas ou uma vez para sempre, apresenta a maravilhosa finalidade e perfeição da obra de Cristo.

Quero lhe convidar a pensar comigo, não somente ouvir, mas pensar de verdade sobre o que essa expressão sugere:

I- UMA VEZ PARA SEMPRE – foi a humilhação de Cristo.
Sinto um enorme peso na alma toda vez que ouço aquela musica e principalmente a letra que fala de sua humilhação. “Como a flor pisada no jardim, morreu por mim, morreu por mim”. Uma flor aberta é algo muito lindo, encantador; a flor é a gloria de uma planta, seu esplendor, mas ser pisada é o extremo da humilhação.
Em todas as grandes obras divinas na natureza, na história, na graça, há predições da humilhação de Cristo. Está escrito, através dos profetas, que Cristo viria para trabalhar, para servir, para sofrer, ser desprezado e rejeitado pelos homens. A palavra chave do livro do profeta Isaias é a expressão: “Servo sofredor” ou “Eis aí o meu servo!” E, na realidade, durante sua vida sobre a terra, Jesus desceu aos mais profundos abismos de humilhação. Paulo tentou descrever esta humilhação ao orientar os Filipenses a respeito da conduta cristã, quando disse: “Não sejam egoístas; não vivam para causar boa impressão aos outros. Sejam humildes, pensando dos outros como sendo melhores do que vocês mesmos. Não pensem unicamente em seus próprios interesses, mas preocupem-se também com os outros e com o que eles estão fazendo. A atitude de vocês deve ser semelhante àquela que nos foi mostrada pelo Senhor Jesus Cristo, que, sendo Deus, não exigiu, nem tampouco se apegou aos seus direitos como Deus, mas pôs de lado o seu poder e sua gloria, ocultando-se sob a forma de escravo e tornando-se como os homens. Ele se humilhou ainda mais, chegando ao ponto de sofrer uma verdadeira morte de criminoso numa cruz” Fil. 2:3 -8. Esvaziou-se de sua glória e tomou a forma de escravo.
Vemos esta humilhação da manjedoura em Belém até a cruz central no monte do calvário em Jerusalém. Foi uma vida de vergonha e dor, mas não porque precisasse disso, mas por amor a mim e a você. Não era coisa nova para Jesus ser igual a Deus, isso Ele era desde toda eternidade; porém, a coisa nova era a infinita humilhação a que experimentou- ser igual aos homens. Nasceu numa manjedoura, não tinha onde reclinar a cabeça, morreu como um malfeitor e não tinha sequer um tumulo para ser sepultado.

II- UMA VEZ PARA SEMPRE – foi a propiciação (morte em favor) de Cristo.
Uma vez para sempre Jesus se manifestou para repelir o pecado, oferecendo-se como vitima para o sacrifício. Cristo se apresenta de duas formas: Uma com pecado sobre Si, assumindo a culpa de todos os pecados da raça humana; na outra, sem pecado – para a salvação. Há em toda sua vida um propósito bem claro e definido. Sua vida foi para revelar a vontade de Deus, estender os privilégios inauditos do reino de Deus, e apresentar aos pecadores os tesouros da verdade e a maneira pela qual os homens podem se aproximar do Pai eterno. Porém, a principal finalidade de sua vinda, a suprema obra do Espírito Santo, foi extirpar o pecado, aniquilar o pecado.

1- Em sua encarnação – Ele se fez pecado. Paulo descreve isso dizendo: “Todas essas coisas novas vem de Deus, que nos trouxe de volta a Si mesmo por meio daquilo que Cristo Jesus fez… Pois Deus estava em Cristo, recuperando o mundo para Si, não levando mais em conta os pecados dos homens contra eles, e sim apagando-os. Esta é a mensagem maravilhosa que Ele nos deu para transmitir aos outros. Somos embaixadores de Cristo. Deus nos está utilizando para falar a vocês: Nós lhes imploramos, como se o próprio Cristo estivesse aqui suplicando a vocês: aceitem o amor que Ele vos oferece – reconciliem-se com Deus. Porque Deus tomou a Cristo, que era sem pecado, e O encheu com nossos pecados. E então Ele, em compensação, nos encheu com a virtude de Deus!” II Cor. 5: 18 – 21.

2- Em sua propiciação (morte em favor) – Ele carregou o pecado. Ele conduziu os nossos pecados em seu próprio corpo sobre o madeiro. Isaias recebeu do Senhor a mais perfeita descrição do que aconteceria com Jesus. “Nós o desprezamos e rejeitamos: Ele era um homem que conhecia por experiência própria, a dor e o sofrimento. Achamos que Ele não merecia nem ser olhado por nós; não demos a menor importância a Ele. Apesar disso, Ele colocou sobre si as nossas dores, Ele mesmo carregou o nosso sofrimento. E nós pensamos que Ele estava sendo castigado por Deus por causa de seus próprios pecados! A verdade, porem, é esta: Ele foi ferido por causa dos nossos pecados; seu corpo foi maltratado por causa de nossas desobediências. Ele foi castigado para nós termos a paz; Ele foi chicoteado – e nós fomos curados! Nós andávamos perdidos e espalhados como ovelhas! Nós abandonamos o caminho de Deus e seguimos os nossos próprios caminhos; apesar disso Deus jogou sobre Ele a culpa e os pecados de cada um de nós. Ele foi maltratado e humilhado, mas não disse uma única palavra! Foi levado para a morte como um cordeiro vai para o matadouro… morreu como um criminoso” Is. 53:4-9.

3- Em sua expiação – Ele afastou o pecado. Assim, Ele o tinha sobre si, Ele o carregou, e Ele pôs fora. Cristo concretizou em sua própria Obra e Pessoa, a significação das cenas do Grande Dia da Expiação em Israel quando, uma vez por ano, o Sumo sacerdote, entrava no Santo dos Santos para oferecer sacrifícios pelos pecados do povo. A diferença, porém, é que aquele sacrifício do sumo-sacerdote da antiga aliança repetia-se todos os anos – sinal de sua imperfeição; enquanto que o sacrifício de Cristo, por ser perfeito e infinito, não mais se repetiu nem se repetirá. Foi uma vez para sempre! Esse texto derruba por terra toda doutrina da Igreja romana, que insiste na repetição do sacrifício através da missa. Esquecendo-se que o véu que separa o lugar santo com o santo dos santos, onde o sacrifício era feito uma vez por ano, rasgou-se de alto a baixo, ficando nulo todo aquele cerimonial. Agora precisamos entender, que embora o sacrifício de Cristo seja o suficiente para toda a humanidade, só se torna eficiente para os que O aceitarem. É como um bom remédio – só faz efeito no organismo de quem o toma.

III- UMA VEZ PARA SEMPRE – foi a suprema dedicação de Cristo.
Cristo não se dedicou em parte, mas por completo, todo seu SER, para nos socorrer em tudo quanto Dele necessitamos, e onde quer que Ele nos levar. Necessitamos dEle quando, como pecadores perdoados penetramos no caminho da vida cristã. Necessitamos dEle na luta contra o pecado em nós e fora de nós. Necessitamos dEle nas lutas diárias para alcançarmos vitórias na vida espiritual, e em todas as atividades. Ele mesmo disse: “Sem mim, nada podeis fazer” mas também disse: “Eis que estarei convosco todos os dias até a consumação dos séculos”. Necessitamos dEle quando andarmos pelos vales da sombra da morte e pelos precipícios das tentações. Necessitamos dEle para que permaneçamos fiéis na fé , para assim termos a sua defesa no dia do grande julgamento da humanidade “Portanto, agora, desde que fomos declarados justos à vista de Deus, pela fé em suas promessas, podemos ter na realidade paz com Ele por causa do que Jesus Cristo, nosso Senhor, fez por nós. Pois, devido à nossa fé, Ele nos colocou neste lugar do mais alto privilégio onde agora nos encontramos e nós, confiante e alegremente, ansiamos pelo dia quando realmente nos tornaremos tudo quanto Deus tem em mente que sejamos. Portanto, não há nenhuma condenação aguardando aqueles que pertencem a Cristo Jesus” Romanos 5:1, 2 e 8:1.

Pois bem, UMA VEZ PARA SEMPRE, Cristo, pela sua suprema dedicação, tem nos assegurado a satisfação eterna de todas as nossas necessidades espirituais.

Esta pequena frase, tantas vezes repetida nessa mensagem, nos fala da perfeição da Obra Divina, e como isso deve nos humilhar em face do que temos sido e somos! Mas ao mesmo tempo, que gozo, que alegria e que esperança gloriosa sentimos ao pensar, no que seremos, mediante a graça de Cristo. Que segurança, que certeza absoluta de vitória sentimos em nossas almas pela confiança na Onipotência Divina.

Os textos aqui citados, nos falam da perfeição absoluta da Obra redentora de Nosso Senhor, da Sua humilhação, do Seu sacrifício vicário, de Sua suprema e eterna consagração, e tudo isso se constitui uma perfeita garantia de nossa salvação.

Pr.Cirino Refosco

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