quinta-feira, 5 de agosto de 2010

AS EXIGÊNCIAS DE DEUS

"Sabei que o Senhor é Deus: foi ele, e não nós, que nos fez povo seu e ovelhas do seu pasto. Entrai pelas portas dele com louvor, e em seus átrios com hinos; louvai-o e bendizei o seu nome. Porque o Senhor é bom, e eterna a sua misericórdia; e a sua verdade estende-se de geração a geração." - Salmos 100:3-5

E um truque de satanás tirar nossas mentes das questões mais importantes e essenciais, distraindo-nos com a sugestão de considerações triviais. Quando as melhores bênçãos estão solicitando que as aceitemos, ele trará às nossas mentes as coisas mais insignificantes. Quando Jesus pregava, o diabo tentava distrair a atenção humana através de debates sobre dizimar a hortelã, o endro e o cominho, alargar as franjas dos vestidos, usar filactérios, coar mosquitos, e não sei o que mais. Satanás empregou esse método junto ao poço de Jacó. Quando o nosso Senhor falou com a mulher sobre a água viva, e a salvação de sua alma, o maligno a impeliu a perguntar sobre Gerizim e Sião: "Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve orar".
Satanás ainda opera com essa mesma astúcia. Conhecendo as sutilezas do inimigo, é nossa responsabilidade superá-lo, deixando de lado as questões triviais e concentrando-nos nas verdades fundamentais, as pedras principais da fé, as realidades da vida eterna, a vitalidade da santidade; e essas nos levam a Deus e a Cristo, longe da sombra de cerimônias e das nuvens de vãs especulações, na direção da rocha eterna e das colinas eternas cujos topos são, aos olhos da fé, resplandecidos com a aurora. Corramos para lá, afastemo-nos das vaidades terrenas, e que o sopro do Espírito nos apresse em direção às realidades do céu, para que demos às coisas essenciais a atenção que lhes é devida.
Para o que, então, fomos criados? Não conheço melhor resposta do que a do Pequeno Catecismo: "O fim principal do homem é glorificar a Deus, e gozá-10 para sempre" (deleitar-se com Ele). Há grande quantidade de teologia e filosofia nessa simples resposta, que nossos velhos sábios têm colocado na boca de crianças. Se o homem tivesse permanecido como Deus o fez, teria sido seu grande prazer glorificar a Deus; fazer a vontade de Deus seria tão natural para nós quanto respirar, se não tivéssemos caído da perfeição original. As criaturas que permanecem como Deus as fez obedecem à Sua vontade - inconscientemente, eu diria, mas onde há consciência um supremo prazer é acrescentado, o qual torna a consciência e a boa vontade em maiores bênçãos.
Vejam os planetas - eles não são teimosos; ao contrário, giram alegremente nas suas trajetórias predestinadas, porque Deus os ordena a manterem-se nos seus cursos estabelecidos. Olhem as estrelas vigilantes: não fecham seus olhos brilhantes, porém sorriem sobre nós de era em era; aquelas sentinelas do céu não extinguem suas luzes, mas continuam brilhando ininterruptamente, porque Deus disse: "Haja luz", e delas a luz há de vir. Não ouvimos falar de rebelião entre os corpos celestes ou de revolta contra a lei que os mantém nos seus cursos celestiais.
E onde há inteligência, contanto que a inteligência permaneça conforme Deus a tem feito, não há revolta contra a Sua vontade. O poderoso anjo conta como honra voar igual a um relâmpago à ordem do Eterno. Não rebaixa a sua dignidade, não diminui o seu prazer, cumprir as ordens do Altíssimo, respondendo à voz de Sua palavra. Se fôssemos hoje aquilo que deveríamos ser, seria nosso prazer amar, servir e adorar a nosso Deus, e não necessitaríamos de pastores para mover-nos à nossa obrigação prazerosa ou para lembrar-nos das reivindicações de Jeová. Até mesmo a augusta linguagem do nosso texto não seria necessária para nos exortar a adorar, a nos curvar e a saber que Jeová é Deus. Ele nos tem feito, e não nós mesmos, portanto devemos exibir essa verdade em toda partícula do nosso ser. Devido as coisas serem como são, no entanto, precisamos ser chamados de volta ao dever e impelidos à obediência, e agora, com a ajuda do bom Espírito de Deus, submeteremos nossos corações a tal chamado.

Charles H. Spurgeon

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