sexta-feira, 22 de abril de 2011

BANHAR-SE E LAVAR OS PÉS

Apesar de nós, os cristãos, sermos banhados somente uma vez, a Bíblia nos mostra que lavar os pés ocorre muitas vezes. Há somente um banho, mas há muitos lavar-os-pés. É semelhante à purificação: Há somente uma purificação pelo sangue, mas há muitas purificações pela água das cinzas. O cumprimento da redenção de Cristo ocorreu somente uma vez. No entanto, há muitas aplicações que o Espírito Santo faz a nós desta obra consumada. Somos banhados somente uma vez, e todos os nossos pecados são lavados. Mas requer-se muitos lavar-os-pés para limpar toda a sujeira que se acumula na jornada pelo deserto. Somente um banho é necessário. Contudo, o lavar-os-pés é uma tarefa diária diante do Senhor. O lavar-os-pés ocorre por meio da Palavra de Deus, através da obra do Espírito Santo, tendo por base a obra do Senhor Jesus. Se fomos limpos uma vez pelo Seu sangue, devemos também continuar a ser lavados por ele diariamente. O Senhor Jesus não precisa vir e realizar outra obra. Somos limpos continuamente tendo como base aquela única obra. Não são as cinzas que estão nos limpando, mas a água das cinzas. As cinzas da novilha vermelha são o sinal do nosso julgamento.

Deus não substituiu nosso julgamento pelo do Senhor Jesus. Pelo contrário, Ele nos julgou em Cristo Jesus. Hoje as pessoas acham que o Senhor Jesus morreu no lugar do homem; mas na verdade, nós morremos no Senhor Jesus e com Ele. Em outras palavras, somos julgados em Cristo. Somente isso nos purifica. Minha purificação diária está baseada na morte do Senhor Jesus.

Sabemos que já nos banhamos, isto é, nossos pecados foram purificados. Uma vez salvos, estamos salvos eternamente. Todos os problemas estão resolvidos. Então, que devemos fazer quando tocamos coisas imundas, enquanto vivemos na terra e contatamos o mundo todos os dias? Nem todos podemos ser como o ladrão na cruz que, depois de limpo pelo sangue, foi direto ao paraíso sem que seus pés tocassem a terra. A maioria das pessoas não é salva em seu leito de morte. A maioria ainda tem de seguir jornada pelo deserto. E cada um de nós sabe que nessa jornada não deveríamos pecar. Contudo, pecar é um fato que ocorre com todos nós. Como resultado, nossos pés ficam sujos. Muitas vezes somos precipitados e falamos coisas que não deveríamos falar. Muitas vezes temos pensamentos impróprios. Portanto admitimos que fomos contaminados. No entanto, Deus preparou-nos o lavar-os-pés do Senhor Jesus. Isso não é apenas um sinal do Seu amor por nós, mas é um sinal do Seu amor ao máximo. Ele nos amou; por isso, Ele foi crucificado por nós. Agora Ele nos ama ao máximo; por isso, Ele lava os nossos pés. Falando de modo figurado, o lavar-os-pés não é o amor antes do casamento. O lavar-os-pés é o amor após o casamento. O Senhor nos faz estar continuamente limpos diante Dele. Essa é a razão de o Senhor ter dito que quem já se banhou não necessita de lavar senão os pés; quanto ao mais está todo limpo. Agradecemos ao Senhor, pois Seu Filho já nos deu um banho.

O Senhor permitiu que a insensatez de Pedro fosse manifestada como uma lição para nós. Quando Ele se aproximou de Pedro, este lhe disse: “Senhor, Tu me lavas os pés?” Pedro achava que aquilo era uma questão de educação e cortesia. O Senhor lhe disse que o que Ele fazia Pedro não entenderia no momento, mas compreenderia depois. Há muita verdade espiritual aqui. Quando o Espírito Santo vem, nós enxergamos. Agora não temos clareza. Tudo o que vemos é uma bacia de água e o lavar do Senhor. Não vemos o que significam. No futuro, entretanto, compreenderemos. Mas Pedro sempre tinha suas opiniões. Ele exclamou que o Senhor jamais lavaria seus pés. O Senhor lhe disse que o lavar-os-pés era muito importante. Se o Senhor não lavasse os pés de Pedro naquela noite, ele não teria parte com Ele.

Não pense que seja suficiente tomar um banho uma vez e ser purificado pelo sangue do Senhor uma vez. Não pense que podemos continuar vivendo relaxadamente, quando somos contaminados pela sujeira em nosso caminho pelo mundo. O Senhor disse que, se nossos pés não forem lavados, não teremos parte com Ele. Isso significa que hoje Sua comunhão conosco terminaria, e Sua comunhão conosco no reino vindouro também estaria perdida. Quão importante é a limpeza diária! Devemos permitir que o Senhor lave nossos pés todos os dias. Temos de nos voltar ao Senhor cada dia, para ser restaurados e receber a aplicação do poder da redenção de Cristo. Não precisamos do sangue do Senhor Jesus para lavar-nos novamente diante de Deus. A obra do Senhor perante Deus já foi finalizada uma vez por todas. Contudo, podemos experimentar o lavar muitas vezes. O sangue de Seu Filho lava nossos pecados seguidas vezes, continuamente. Portanto, repetidamente nossos pés devem ser lavados todos os dias. Temos de zelar pela limpeza de nossos pés todos os dias.

Pedro era como nós somos. Ele sempre ia aos extremos. Primeiro ele foi a um extremo, e em seguida foi ao outro extremo. Num instante ele disse que o Senhor jamais lavaria seus pés. Então, ao ouvir o Senhor dizer que ele não teria parte com Ele, se não tivesse os pés lavados, ele pediu que sua cabeça e suas mãos também fossem lavadas. O Senhor Jesus mostrou-lhe que o outro extremo também está errado. O Senhor disse que quem se banhou não necessita lavar senão os pés. Ninguém pode arrepender-se e crer no Senhor duas vezes. Ninguém pode ser regenerado duas vezes. Ninguém pode receber o Salvador duas vezes. Desde que você venha ao Senhor Jesus e O aceite como Salvador, isso é suficiente. Talvez você duvide por alguns dias. Talvez você ache que ao aceitá-Lo como Salvador, não o fez direito, e talvez comece a ter dúvidas depois de alguns dias; você quer aceitá-Lo novamente. Mas o Senhor disse que não há necessidade disso. A cabeça não precisa ser lavada outra vez, tampouco as mãos. O Senhor Jesus disse que os que já se banharam precisam apenas lavar os pés para estar totalmente limpos. Precisamos de apenas um banho para o corpo todo. Apesar de tocarmos o mundo e sujar nossos pés freqüentemente, isso não afeta a limpeza de nosso corpo inteiro. A necessidade é de apenas um banho para o corpo todo. O banho não precisa ser repetido. Aleluia! Mesmo que ande na lama e seus pés fiquem imundos, isso não prejudicará a limpeza de todo o corpo. Seu corpo não precisa ser limpo novamente. Desde que tenha recebido o Senhor Jesus como Salvador, seu corpo está limpo. A partir de então, você não precisa lavar seu corpo de novo. Quando uma pessoa é limpa uma vez, ela está limpa eternamente. Ninguém pode negar isso. Ela pode sujar os pés e ser cortada da comunhão do Senhor. Ela pode não ter parte no reino, mas todo o seu corpo ainda está limpo. Todos os que são banhados precisam lavar somente os pés, e estarão totalmente limpos. O que estamos fazendo dia após dia é relembrar do nosso Salvador. O Senhor Jesus completou uma obra eterna. Dia após dia, enquanto vivemos na terra, só precisamos manter nossos pés limpos e livres da sujeira. Se por acaso ficarmos sujos, ainda poderemos receber um lavar diário, a fim de podermos desfrutar uma comunhão ininterrupta com o Senhor hoje e reinar com Ele amanhã. Esse é o nosso caminho. Que o Senhor mantenha nossos pés limpos dia após dia, para que glorifiquemos Seu nome aqui na terra.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

A vida de Jó

Quadro Histórico

Jó é provavelmente o livro mais velho da Bíblia. O patriarca viveu, sem dúvida, antes de Moisés, pois que, em seu profundo conhecimento de Deus, ele nunca faz referência à lei ou ao povo de Israel. Certas indicações permitem-nos situar este relato após a época de Abraão (ver a menção de Teman, 2:11, em Gênesis 36:11), provavelmente durante a servidão dos filhos de Jacó no Egito. Ê possível que o autor deste primeiro livro poético tenha sido o terceiro filho de Issacar (Gênesis 46:13).

Jó e a ciência moderna

A riqueza de expressão desse livro encanta a todos os amantes de literatura; mas ele confunde também os sábios do século XX pelo nível elevado dos conhecimentos científicos de seu autor. Ainda que escrito há perto de 4.000 anos, o livro de Jó menciona em termos acessíveis todos os fenômenos naturais que têm sido objeto de estudos muito recentes: a pressão barométrica (28:24-27), a lei universal do movimento (38:7), a evaporação e a hidrometria (36:27), a re-fração da luz (38:12), a poeira cósmica em certas constatações (38:31:33), etc.

A mensagem central do livro de Jó

Mas o assunto principal desses 42 capítulos é o problema universal do sofrimento humano, que atinge a todos os indivíduos. Jó tornou-se alvo de ataques repetidos de Satanás (cap. 1-2) e foi afligido por inúmeras calamidades. Além disso foi ferido pela doença, mas através de todas as suas provações conservou sua fé e integridade. Mesmo quando sua mulher o incitou a maldizer a Deus, permaneceu firme (2:9-10), esperando dEle a solução do seu problema.

Os consoladores de Jó

Três de seus amigos, Elifaz, Bildade e Zofar, apiedaram-se de sua sorte e vieram consolá-lo. Para eles os males de Jó só podiam ser conseqüência de faltas morais. Através de longos discursos, acusaram acerbamente o amigo, tornando assim mais agudos seus sofrimentos. Não é de admirar que Jó os chamasse de "consoladores molestos" (16:2). Os moralistas nunca podem compreender os que sofrem; só quem está cheio do Espírito de Cristo pode trazer socorro espiritual aos que são provados.
A seguir chegou o jovem Eliú (cap. 32-37) que, embora sem propor a verdadeira solução ao patriarca aflito, soube pelo menos afirmar a perfeita justiça do Todo-Poderoso em Seus caminhos para com o homem.

O restabelecimento de Jó

A solução foi concedida a Jó pela revelação direta de Deus. O poder de Deus manifestado na natureza impeliu Jó a confessar sua fraqueza e incapacidade e depois sua total dependência do Senhor (42:1-6). Então Ele lhe restituiu a antiga prosperidade, de tal forma que Jó recebeu uma bênção dobrada em relação à que experimentara em sua juventude (42:10-17).

O ensino do livro de Jó

Pode-se considerar o problema do sofrimento de diversos ângulos. Para Jó, não havia outra saída senão submeter-se a ele com resignação. Para os três amigos, ele representava um castigo do Senhor. Para Eliú, tinha um papel educativo. Mas para Deus, o sofrimento é antes uma prova destinada a fortalecer a fé dos Seus filhos. Essa interpretação é muitas vezes retomada no Novo Testamento.
O cristão, quando provado, sabe que o Senhor tem uma finalidade ao permitir a aflição, da qual ele sairá fortalecido em Cristo e em Sua Palavra (confira 2 Coríntios 4:8-11; 6:4-10; 12:10; 2 Timóteo 2:3-6; 3:12; Hebreus 12:5-11; 1 Pedro 1:6-7; 4:12-13; 5:10; etc).

A pessoa de Cristo no livro de Jó

A esperança que enchia o coração de Jó ia bem além de suas circunstâncias imediatas. Como para todos os escritores sagrados, "investigando atentamente qual a ocasião ou quais as circunstâncias oportunas, indicadas pelo Espírito de Cristo, que neles estava, ao dar de antemão testemunho sobre os sofrimentos referentes a Cristo, e sobre as glórias que os seguiriam" (1 Pedro 1:11). "Já agora sabei que a minha testemunha está no céu, e nas altura Quem advoga a minha causa" (16:19). "Porque eu sei que o meu Redentor vive, e por fim Se levantará sobre a terra. Depois, revestido este meu corpo da minha pele, em minha carne verei a Deus. Vê-Io-ei por mim mesmo, os me olhos O verão, e não outros; de saudade me desfalece o coração dentro mim", Jó 19:25-27.

sábado, 9 de abril de 2011

O verdadeiro Jejum

Pelo fato do jejum ser espiritual e fisicamente benéfico, ajudando apenas a quem o faz, devemos ir além do crescimento pessoal, para que se revele através de atos de bondade, caridade, justiça e generosidade. Isto será verdadeiramente agradável a Deus: Jejuar de julgar os outros, descobrindo Cristo que vive neles; Jejuar de palavras que ferem, proferindo frases que curam; Jejuar do egoísmo, vivendo na gratuidade; da inquietude, procurando viver com paciência; do pessimismo, enchendo-se de esperança; de preocupações, confiando mais em Deus.
Jejuar de queixas e murmurações, dando graças a Deus pela maravilha da nossa vida; da angústia, orando com mais frequência; da amargura, praticando o perdão.
Jejuar da importância que damos a nós mesmos, sendo compassivos com os outros; da preocupação com as nossas coisas, comprometendo-nos com o anúncio do Reino; do pessimismo e desalento, enchendo-nos do entusiasmo da fé. Jejuando de tudo aquilo que nos separa de Jesus, tentando viver mais perto Dele.
Assim, nossos atos de justiça e misericórdia deverão ser mais importantes que o jejum: uma autêntica justiça nas atitudes e que cada um mostre a misericórdia e a compaixão para com os fracos, oprimidos, pobres e indefesos, acompanhado com a devoção correta de arrependimento ou adoração.
Se ouvirmos a palavra de Deus através de seus profetas, não teremos necessidade de fazer jejuns. Se obedecermos a Deus, não precisamos implorar a misericórdia divina com jejum.

Fratermauricio

quinta-feira, 7 de abril de 2011

O Cristão e a Violência

É impossível para pessoas que possuem um pingo de temor de Deus não se chocarem com as notícias a respeito da violência generalizada que se instalou sobre o globo terrestre. O impacto que temos é ainda maior quando as atitudes violentas são praticadas por quem menos esperaríamos que as praticassem: crianças, adolescentes e jovens, às vezes, bem nascidos e bem nutridos.

O emaranhado de causas desse problema formam uma teia propícia para muita sorte de pecados: o fracasso da educação familiar; o insucesso da educação formal; a perda do sentido da vida; o desejo destes violentos chamarem a atenção sobre si; a estratégia inconsciente de os jovens tentarem se vingar contra a sociedade e contra a família; a banalização da vida e da morte; a instigação da mídia, entre outros.
Mas qual atitude do cristão, particularmente, a do povo de Deus, coletivamente, enquanto corpo de Cristo na Terra ante esse caos? Podemos refletir em pelo menos duas posições.

A VISÃO DO TODO
Uma estratégia bem antiga de Satanás é fazer com que o ser humano perca a visão plena da realidade. Ele planeja que olhemos parcialmente para o estardalhaço que a mídia faz com as notícias dos crimes hediondos, para termos a impressão que Deus está inerte. A estrutura chamada na Bíblia de "mundo" ( The Matrix) (Jo 15:18- 23) quer nos enfeitiçar com a idéia de que somos vítimas indefesas dos seus ardis.

Quem ainda não foi atingido pela miopia espiritual já percebeu que as representações teatrais de mal gosto dos tão assistidos programas policiais, recriam a barbárie e fazem apologia da violência, construindo altares para um culto diabólico e inconsciente da desgraça humana. Com tudo isso, o arquiinimigo de Deus quer que venhamos a diminuir nossa visão da realidade.

O seu desejo é fazer-nos crer no sofisma de que a igreja não incomoda, não salga e não brilha mais e, portanto, quer nos levar a ilusão de que tudo está perdido.

Quando não enxergarmos mais o poder de Deus e as Suas obras seremos amarrados com uma venda chamada apostasia(s.f.- ato de apostatar.Mudança de religião. Mais particularmente abandono da fé cristã.). Daí, a tendência humana do desânimo pode nos abater e acharmos que não convém mais lutar por nada, não compensa mais denunciar o pecado porque ele parece ser soberano. Pior: poderá alguém mesmo que inconscientemente acabar associando-se à violência e toda sorte de mal. Entretanto, a recomendação bíblica é explícita: "Não vos associeis às obras infrutuosas das trevas, antes, porém, condenai-as" (Ef 5.11).

Por que não se propaga o fato de que mais de cinqüenta por cento dos jovens brasileiros trabalha oito horas por dia e estuda à noite? Por que não se noticia as pesquisas feitas por inúmeros jovens nas universidades de todo o mundo? Por que os jornalistas não saem à cata de heróis anônimos que entre as idades de 15 a 20 anos lutam arduamente para ajudar manter ou até sustentar totalmente suas famílias? Por que não fazem um levantamento do que os jovens cristãos têm feito por missões e assistência social? Por que não se divulga o fato de nossos templos estarem com um número considerável de jovens? Por que não se divulga o número de crianças, adolescentes e jovens matriculados e freqüentes às Escolas Bíblicas Dominicais? A resposta é simples: essas notícias não vendem jornais, porque não vendem a ideia mentirosa e tapeadora do Diabo de que ele está vencendo!

O cristão, que tem uma visão escatológica ponderada, é consciente de que o mundo vai de mal a pior e que a plena paz no globo terrestre só ocorrerá com a instalação do senhorio pleno de Cristo, por ocasião do milênio. Todavia, precisamos tentar melhorar o nosso ambiente enquanto "embaixadores de Cristo" (2 Co 5:20). Por isso, no que se refere ao problema da violência e a todo o mal que aflige a Terra é preciso tomarmos atitudes objetivas, alicerçadas na Palavra de Deus.

AÇÕES EFICAZES
A primeira ação a ser empreendida é assumirmos o ministério do sacerdócio universal que cada cristão possui, conforme vemos em 1 Pe 2.9: "Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as grandezas daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz". O compromisso maior de um cristão constitui-se em uma ação vertical: ser sacerdote. Isso significa representar as pessoas diante de Deus, o que só pode ser feito através de uma ponte chamada intercessão.

Deus é indiscutivelmente soberano. Ele também criou o homem para exercer domínio sobre a Terra (Gn 1:26,27; Sl 8:6). Mas, Adão caiu na astúcia do inimigo, perdendo a autoridade que o Senhor lhe dera. É como se ele tivesse passado uma procuração para Satanás ou como se tivesse arrendado o mundo para o inimigo. A impressão que se tem é que Satanás teria um direito legal sobre o mundo - porque Adão lhe transferira (Lc 4:5,6; 1 Jo 5: 19). É por isso que precisamos orar para anularmos esse direito legal do inimigo sobre a criatura caída. O mundo grita pedindo socorro e a primeira resposta que devemos lhe dar é a oração intercessória por ele.

Talvez seja por isso tudo que o Pai celeste prefira agir lá do alto, quando alguém aqui embaixo Lhe pede. A respeito disso John Wesley declarou: "Parece que Deus é limitado por nossa vida de oração - Parece que Ele nada pode fazer em prol da humanidade a não ser que alguém Lhe peça". Vamos interceder pelo mundo e aniquilar as obras do Diabo.

O segundo compromisso do crente diz respeito a uma ação horizontal: ser testemunha de Cristo, o que só é feito com eficácia plena, depois de recebermos a Sua virtude:

"Recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra" (At 1:8).

Depois de recebermos a unção de Deus, somos capacitados pelo Senhor a mostrar para o mundo que a violência, antes de ser um problema psicossocial é um mal de origem e natureza espiritual e que, portanto, somente pode ser solucionado com estratégias espirituais: "Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne, pois as armas da nossa milícia não são carnais, mas poderosas em Deus, para demolição de fortalezas; derribando raciocínios e todo baluarte que se ergue contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência a Cristo" (2 Co 10.4). Logo, a resposta para a violência é o poder de Deus.

Revestidos da graça divina, podemos mostrar que a única educação que forma integralmente o ser humano é aquela inspirada na Palavra de Deus. Com instrumentos humanos, cheios do Espírito Santo, o mundo verá realmente que a vida somente passa a ter sentido quando aceitamos o compromisso com a Vida de Deus, que é Cristo, através do novo nascimento (Jo 3.3,7). Desse modo, o problema da violência passará a ser visto da forma como a Bíblia Sagrada apresenta: uma conseqüência do mal uso da liberdade que o Pai celeste concedeu ao ser humano. É tola a ideia de, espantados, procurarmos somente nos defender dos ataques do inimigo. Na verdade, a atitude correta é assumirmos a postura de ataque, sendo testemunhas de Cristo, libertando as pessoas da violência pelo poder sobrenatural do evangelho. Esse poder foi a resposta que Deus nos deu, quando outrora éramos Seus inimigos e também agíamos com violência para com a Sua verdade.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

A Volta do Filho Pródigo

Inspirado no texto bíblico de Lc 15, 11-32, o artista holandês Rembrandt pintou o quadro “A volta do Filho Pródigo”. Esta obra de arte, sendo analisada em seus detalhes, pode produzir uma reflexão que ajuda a compreender o que a parábola pretende ensinar.
A) A vida do pintor
Rembrandt nasceu em Leydem, em 1606, e morreu em Amsterdã, em 1669. Trata-se de um mestre da pintura que valorizou as cores em seu contraste claro-escuro. Sua vida passou por dois momentos fortes que determinaram sua produção artística. Na juventude era impetuoso, convencido, gastador, sensual e arrogante. Tinha grande preocupação com o dinheiro. Viveu um período de sucesso, no qual ganhou popularidade e riqueza, mas gastou muito e perdeu muito. Seguiu-se um período de muita infelicidade. Envolveu-se em longos processos judiciais e perdeu todos os seus bens em leilões para cobrir dívidas.
Aos cinqüenta anos de idade, tendo experimentado a prosperidade e o infortúnio, o pintor conseguiu uma certa paz. Nesta fase de sua vida, seus quadros expressam calor e interioridade e revelam que as provações não o deixaram amargurado. Ele passou a contemplar a natureza e a humanidade com maior profundidade, não mais pelas aparências. Tudo isso aparece, de forma marcante, no quadro “A volta do Filho Pródigo”.
B) Detalhes do quadro
“A volta do Filho Pródigo” é uma pintura que retrata um homem de barba branca, vestindo um manto vermelho e acolhendo carinhosamente um jovem, ajoelhado diante dele. A intimidade da cena é pintada com cores luminosas entre os dois personagens: o manto é vermelho cálido; a túnica do jovem é amarela dourada e, sobre os dois, paira uma luz misteriosa, que os envolve. O homem idoso toca os ombros do jovem, revelando o acolhimento do abraço de um pai para seu filho. O filho descansa a cabeça no peito do pai com uma paz visível.
Esta composição da cena bíblica fixa-se no ato de perdoar. O jovem, abraçado pelo pai, é um homem pobre. Ele pediu sua herança, deixou sua casa e resolveu viver sua vida longe do pai e da comunidade. O quadro retrata o momento em que o jovem volta para casa, sem saúde, sem dinheiro, sem reputação e nem amor próprio. Ele é pintado com a cabeça raspada, sinal claro de que está despojado de um dos traços de sua personalidade. Isto recorda a situação de um preso, de alguém que serve o exército ou mesmo de um calouro universitário.
Trata-se de tornar todos iguais, raspando o cabelo. O pai usa roupas de cor carmim, indicando nobreza, dignidade e status. O filho, ajoelhado, não tem agasalho, sua roupa é parda e mal cobre seu corpo. A sola dos seus pés indica que ele percorreu longo e penoso caminho. No pé esquerdo, a sandália está arrebentada, expressando seu sofrimento e sua miséria. O jovem não tem nada, somente uma espada, símbolo da dignidade que resta, porque é um emblema de sua nobreza. Apesar de toda degradação, a espada faz o mendigo refletir que ainda tem um pai e pode pensar em voltar para casa.
C) Conclusão
A parábola bíblica e o quadro de Rembrandt concordam em revelar o valor das escolhas humanas, da responsabilidade que elas exigem e do drama que significa a luta de cada pessoa diante de suas opções. É um convite para refletir sobre as decisões que tomamos na vida. Tudo depende de aceitar ou não o amor do pai.

domingo, 3 de abril de 2011

Homem: Imagem de Deus

Encontramos na Bíblia a grande semana da criação. Deus usou os primeiros 5 dias para criar o mundo, todos os animais e condições para que o homem pudesse viver bem. No 6º dia Ele criou então o homem a sua imagem e semelhança. “Façamos o homem a nossa imagem e semelhança”, para nenhuma outra criatura Deus usou esta linguagem, o que mostra a superioridade do homem sobre os demais seres criados. O mundo precisava um ser como o homem ainda que este em seus pecados se desvirtue e se aniquile, separando-se de Deus, fazendo do mundo seus prazeres e seu deus.
Nesta expressão Divina encontramos o verbo “façamos” e o pronome “nossa” no plural, isto inclui as 3 pessoas da santíssima trindade.
Por mais degradante que seja o homem sempre revela maior ou menor tendência para a moral. É a tendência que pretende reviver a imagem de Deus em si, perdida em A-dão. Há uma constante luta em direção ao céu, e isso é mais do que uma simples tendência religiosa. O homem é uma personalidade e foi criado para refletir o caráter do bem.
O diabo também é uma personalidade mas com tendências opostas a Deus, para a perdição e o mal.
O fato do homem ter sido feito a imagem de Deus não significa que ele seja igual a Deus, mas que se parece com Deus. Há características que são comuns a Deus e ao homem; mas há também características diferentes. Ex.: Deus não tem a forma física do homem, mas sempre que foi necessário se manifestar usou a forma humana, e a maior prova está na pessoa de Jesus Cristo. A Bíblia diz que Deus é Espírito. Deus é perfeito e o homem imperfeito.
Mas então, em que sentido Deus diz que o homem foi feito a sua imagem e seme-lhança?
I – O HOMEM É A IMAGEM DE DEUS NO SENTIDO MORAL.
O apóstolo Paulo disse que não fomos criados para a imundícia, nem para a imora-lidade, nem para o pecado. Mas como Deus fomos feitos para viver um padrão moral muito elevado. Fomos criados para isso, mas o homem é moralmente decaído. A sua tendência natural deveria ser um padrão moral elevado, mas desde suas ligações com satanás no jar-dim do Éden, sua tendência natural é para o mal.
Quando dizemos, imagem de Deus no sentido moral, estamos dizendo que o ho-mem foi criado com uma vontade própria. Pode decidir o que quer fazer com sua vida. Jesus em seu ministério e vida fez da sua vontade o cumprimento da vontade de Deus.
Imagem de Deus no sentido moral temos ainda o livre arbítrio. Deus não nos criou como robôs, poderia ter feito assim e nos controlaria por botões, mas nesta imagem de Deus estava a liberdade de escolha. Deus colocou diante de nós o bem e o mal, o certo e o errado, e deu-nos liberdade para escolher. O mundo é dominado por dois poderes: o poder de Deus que conduz ao céu e o poder do diabo que conduz ao inferno, e temos que esco-lher…
Santidade é outro atributo moral de Deus, e santo quer dizer separado, e a ordem bíblica é: Sede santos, porque eu sou santo. Deus nos criou a sua imagem para que vivês-semos separados do pecado, mas desde Adão a tendência tem sido pecar cada dia mais.
Se por um lado somos a imagem de Deus pela vontade, o livre arbítrio e a santida-de, também o somos pela responsabilidade que colocou em cada um de nós. Somos livres para fazer o que queremos e para escolher o que queremos, mas também somos responsá-veis por tudo que fazemos. “Não erreis, diz a Bíblia, de Deus não se zomba, tudo que o homem semear isto também ceifará”. Cada coisa que meu prezado amigo faz que é contra os princípios de Deus terá que dar conta. Por este motivo e por muitos outro você precisa saber a vontade de Deus, precisa conhecer o evangelho para não viver uma vida inteira errado, e receber como conseqüência o inferno que é a mais horrenda punição.
Ainda no sentido moral. Deus nos deu o espírito religioso, o amor, o domínio sobre as paixões carnais, domínio sobre a criação e comunhão com Ele próprio.
II – O HOMEM É A IMAGEM DE DEUS NO SENTIDO ESPIRITUAL.
O homem foi feito um ser espiritual. É verdade que temos duas naturezas, mas a natureza espiritual é a mais importante, porque nos coloca em condições de comunhão com Deus. Os animais irracionais não se comunicam com Deus porque não são espirituais, a natureza carnal não pode se comunicar com o espiritual.
A Bíblia diz que o homem está morto espiritualmente: “Estais mortos nos vossos delitos e pecados” “Desperta tu que dormes, levanta-te dentre os mortos espirituais”.
No sentido em que o homem é a imagem de Deus, está morto. Por isso Jesus apare-ceu dizendo ser a vida. “Eu vim para que tenham vida; Eu sou a ressurreição e a vida”. Quem tem Jesus tem a vida.
Esta imagem de Deus que foi perdida em Adão, pode ser reconquistada em Jesus. E você pode fazer isto agora se quiser, pois continuas sendo livre.
III – O HOMEM É A IMAGEM DE DEUS NO SENTIDO ETERNO.
A nossa natureza física será destruída como destruídos serão os animais irracionais, mas o homem espiritual não morre, apenas separa-se do corpo, e voa para a eternidade. Mas isso acontece somente com aqueles que tem a vida espiritual, os mortos espiritualmente aqueles que não receberam Jesus A VIDA, voarão para o tormento eterno, e ali haverá choro e ranger de dentes.
 Que privilégio ser o homem a imagem de Deus… Mas não há privilégios sem deveres. O homem pelo fato de ter sido feito a imagem de Deus é um ser responsável.
Tem o dever de servir a Deus fazendo a Sua vontade, tem o dever de cultuar a Deus, tem o dever de amar a Deus sobre todas as coisas, tem o dever de obedecer a pala-vra de Deus, etc. Tem você cumprido com seus deveres? Toda pessoa sem Jesus continua moralmente decaída, longe do padrão de vida estabelecido por Deus, com a imagem de Deus desfigurada. Mas para recuperar esta situação, Jesus é o segredo. Você precisa aceitá-lo agora!

Pr. Cirino Refosco

sexta-feira, 1 de abril de 2011

A Fé Cristã

I- Definição da Palavra
A simples fé implica uma disposição de alma para confiar noutra pessoa. Difere de credulidade, porque aquilo em que a fé tem confiança é verdadeiro de fato, e, ainda que muitas vezes transcenda a nossa razão, não lhe é contrário. A credulidade, porém, alimenta-se de coisas imaginárias, e é cultivada pela simples imaginação. A fé difere da crença porque é uma confiança do coração e não apenas uma aquiescência intelectual. A fé religiosa é uma confiança tão forte em determinada pessoa ou princípio estabelecido, que produz influência na atividade mental e espiritual dos homens, devendo, normalmente, dirigir a sua vida. A fé é uma atitude, e deve ser um impulso.
A fé cristã é uma completa confiança em Cristo, pela qual se realiza a união com o Seu Espírito, havendo a vontade de viver a vida que Ele aprovaria. Não é uma aceitação cega e desarrazoada, mas um sentimento baseado nos fatos da Sua vida, da Sua obra, do Seu Poder e da Sua Palavra. A revelação é necessariamente uma antecipação da fé. A fé é descrita como "uma simples mas profunda confiança Naquele que de tal modo falou e viveu na luz, que instintivamente os Seus verdadeiros adoradores obedecem à Sua vontade, estando mesmo às escuras". A mais simples definição de fé é uma confiança que nasce do coração.

II- A Fé no AT
A atitudes para com Deus que no NT a fé nos indica, é largamente designada no AT pela palavra "temor". O temor está em primeiro lugar que a fé; a reverência em primeiro lugar que a confiança. Mas é perfeitamente claro que a confiança em Deus é princípio essencial no AT, sendo isso particularmente entendido naquela parte do AT, que trata dos princípios que constituem o fundamento das coisas, isto é, nos Salmos e nos Profetas. Não es está longe da verdade, quando se sugere que o "temor do Senhor" contém, pelo menos na sua expressão, o germe da fé no NT. As palavras "confiar" e "confiança" ocorrem muitas vezes; e o mais famoso exemplo está, certamente, na crença de Abraão (Gn 15.6), que nos escritos tanto judaicos como cristãos é considerada como exemplo típico de fé na prática.

III- A Fé, nos Evangelhos
Fé é uma das palavras mais comuns e mais características do NT. A sua significação varia um pouco, mas todas as variedades se aproximam muito. No seu mais simples emprego mostra a confiança de alguém que, diretamente, ou de outra sorte, está em contato com Jesus por meio da palavra proferida, ou da promessa feita. As palavras ou promessas de Jesus estão sempre, ou quase sempre, em determinada relação com a obra e a palavra de Deus. Neste sentido a fé é uma confiança na obra, e na palavra de Deus ou de Cristo. É este o uso comum dos três primeiros Evangelhos (Mt 9.29; 13.58; 15.28; Mc 5.34-36; 9.23; Lc 17.5,6). Esta fé, pelo menos naquele tempo, implicava nos discípulos a confiança de que haviam de realizar a obra para a qual Cristo lhes deu poder; é a fé que opera maravilhas. Na passagem de Mc 11.22-24 a fé em Deus é a designada. Mas a fé tem, no NT, uma significação muito mais larga e mais importante, um sentido que, na realidade, não está fora dos três primeiros Evangelhos (Mt 9.2; Lc 7.50): é a fé salvadora que significa salvação. Mas esta idéia geralmente sobressai no quarto evangelho, embora seja admirável que o nome "fé" não se veja em parte alguma deste livro, sendo muito comum o verbo "crer". Neste Evangelho acha-se representada a fé, como gerada em nós pela obra de Deus (Jo 6.44), como sendo uma determinada confiança na obra e poder de Jesus Cristo, e também um instrumento que, operando em nossos corações, nos leva para a vida e para a luz (Jo 3.15-18; 4.41-53; 19.35; 20.31, etc). Em cada um dos evangelhos, Jesus proclama-Se a Si mesmo Salvador, e requer a nossa fé, como uma atitude mental que devemos possuir, como instrumento que devemos usar, e por meio do qual possamos alcançar a salvação que Ele nos oferece. A tese é mais clara em João do que nos evangelhos sinóticos, mas é bastante clara no último (Mt 18.6; Lc 8.12; 22.32).

IV- A Fé, nas Cartas de Paulo
Nós somos justificados, considerados justos, simplesmente pelos merecimentos de Jesus Cristo. As obras não tem valor, são obras de filhos rebeldes. A fé não é uma causa, mas tão somente o instrumento, a estendida mão, com a qual nos apropriamos do dom da justificação, que Jesus pelos méritos expiatórios, está habilitado a oferecer-nos. Este é o ensino da epístola aos Romanos (3 a 8), e o da epístola aos Gálatas. Nos realmente estamos sendo justificados, somos santificados ela constante operação e influência do Santo Espírito de Deus, esse grande dom concedido à igreja e a nós pelo Pai por meio de Jesus. E ainda nesta consideração a fé tem uma função a desempenhar, a de meio pelo qual nos submetemos à operação do E. Santo (Ef 3.16-19).

V- Fé e Obras
Tem-se afirmado que há contradição entre Paulo e Tiago, com respeito ao lugar que a fé e as obras geralmente tomam, e especialmente em relação a Abraão (Rm 4.2; Tg 2.21).
Fazendo uma comparação cuidadosa entre os dois autores, acharemos depressa que Tiago, pela palavra fé, quer significar uma estéril e especulativa crença, uma simples ortodoxia, sem sinal de vida espiritual. E pelas obras quer ele dizer as que são provenientes da fé. Nós já vimos o que Paulo ensina a respeito sa fé. É ela a obra e dom de Deus na sua origem, e não meramente na cabeça; é uma profunda convicção de que são verdadeiras as promessas de Deus em Cristo, por uma inteira confiança Nele; e deste modo a fé é uma fonte natural e certa de obras, porque se trata duma fé viva, uma fé que atua pelo amor (Gl 5.6).
Paulo condena aquelas obras que, sem fé, reclamam mérito para si próprias; ao passo que Tiago recomenda aquelas obras que são a conseqüência da fé e justificação, que são, na verdade, uma prova de justificação. Tiago condena uma fé morta; Paulo louva uma fé viva. Não há pois, contradição. A fé viva, a fé que justifica e que se manifesta por meio daquelas boas obras, agradáveis a Deus, pode ser conhecida naquela frase já citada: "a fé que atua pelo amor".