quarta-feira, 30 de março de 2011

A CRUCIFICAÇÃO DO CRISTÃO

 Dietrich diz que “a história é um combate incessante entre Deus que chama e o homem que resiste. E no centro desta história se levanta a Cruz. Cruz que é o grande paradoxo da Bíblia e de toda a história humana: Deus, para salvar o mundo, escolheu esse meio de se fazer pregar numa cruz”.
O contexto nos informa que os discípulos evidenciaram uma fragilidade espiritual: primeiro, discutiram para saber quem era o maior (v. 46) – Jesus os exortou dizendo que no Reino temos de admitir o paradoxo de que o caminho para ser grande é ser pequeno; segundo, decidiram que quem não andava com eles não podia agir em nome de Jesus (v. 49) – Jesus demonstra que tinham de admitir a diversidade do Reino (v. 50).
Assim como os discípulos do passado nós também temos as nossas fragilidades = pecados. A solução para vencê-las está na cruz de Jesus: por ela ficamos livres da condenação e temos acesso à perfeição = poder contra o pecado por meio de um processo “auto-crucificação” = “auto-negação” do pecado = renúncia do pecado. Como se dá a nossa crucificação?
I – A CRUCIFICAÇÃO PRECEDE A GLORIFICAÇÃO (V. 51)
“Completaram-se os dias” de Jesus ser “assunto” = ser glorificado, mas antes da glorificação, Ele teria de ir para Jerusalém = ir para a a cruz = ir para a morte. Se não houvesse morte não haveria glo-rificação (Fp 2:5-11). Em Cristo temos acesso à gloria do céu, mas antes de chegar lá precisamos passar por um caminho de morte ao pecado.
II – A CRUCIFICAÇÃO EXIGE UMA RESOLUÇÃO PERMANENTE (V. 51;13:50)
A morte de Jesus de Jesus tinha local, dia e hora marcada e Ele não foge dela: Ele manifestou “intrépida resolução de ir para Jerusalém” (v. 51) “decisivamente” (v. 53) foi para Jerusalém. Somos o povo convocado para morte (II Co 4:7-11): só vive plenamente o cristianismo quem canaliza sua vontade para o abandono do pecado.
III – A CRUCIFICAÇÃO EXIGE UMA PARCERIA COMUNITÁRIA (v. 52)
Os “mensageiros” foram parceiros de Jesus no processo de concretização da sua crucificação. Nós hoje, igualmente, na caminhada de crucificação = luta contra o pecado, precisamos da força comunitária. A luta contra o pecado não é uma luta solitária, é uma luta solidária. Juntos venceremos com mais eficiência as forças malignas que querem nos escravizar no pecado.
IV – A CRUCIFICAÇÃO ATRAI PERSEGUIÇÃO (V. 53)
Os samaritanos, que não se davam com os judeus, não deram guarida a Jesus. Ir para a cruz = ir para a morte do pecado = ir para a santificação será sempre uma guerra de muitas batalhas que envolve o sofrimento (II Tm 3:10-12).
V – A CRUCIFICAÇÃO VIABILIZA A SALVAÇÃO (v. 54-56)
Os discípulos evidenciaram de novo sua fragilidade (v. 54). Jesus a denunciou (v. 55) e revelou, uma vez mais, que sua missão não era destruir mas construir a salvação (v. 56). Na medida que passamos pela crucificação = combate incessante ao pecado = santificação, Jesus nos usará cada vez mais para cumprirmos a missão de proclamar a salvação que Ele promoveu na cruz de Jerusalém.
CONCLUSÃO
Se você não creu em Cristo, precisa “ir a Jerusalém” crendo nele como seu Salvador. Se você já creu, precisa “ a Jerusalém” com Ele num processo contínuo e determinado de negação do pecado. Quais são os pecados mais comuns da sua vida? Qual tem sido a sua decisão de enfrentá-los? O que você fará agora em decorrência desta reflexão? Que propósito específico você tomará agora?

Pr. Jair Francisco Macedo

terça-feira, 29 de março de 2011

Crucificados com Cristo

Atualmente é comum se observar a doutrina da prosperidade, um evangelho onde o cristão não pode sofrer, nem passar por lutas e provações. Contudo, queremos chamar sua atenção para esse verso que Paulo escreve sobre a nova vida em Cristo e que nos deixa um legado de atitudes que um cristão disposto a viver para Deus deve entender, enfrentar e praticar.
"Crucificado". Eis a primeira observação: "crucificado com Cristo". O que uma pessoa crucificada pode sentir enquanto estiver consciente? A dor dos cravos, por exemplo. Cristo sentiu cada um daqueles três grandes cravos rasgando a carne de Suas mãos e Seus pés. Isso expressa a nós, que também devemos estar "crucificados", a marca de Cristo em nossos pés, que já não andarão como antes, mas deverão seguir pelo caminho da salvação, onde o pecado não está, onde a maldade não atua. Por onde os teus pés têm andado? Eles têm deixado pegadas que conduzirão outras pessoas a Cristo? Eles já foram cravados ou ainda permanecem andando por onde Deus Se desagrada e por onde Ele não iria?
E os cravos das mãos? Ora, quem está crucificado em Cristo têm suas mãos marcadas pelos cravos a fim de que parem de praticar o que é abominável ao Senhor e se voltem a abençoar, a ajudar, a trabalhar da maneira correta e a manusear as coisas certas, que contribuem para a expansão do Reino de Deus e o engrandecimento da pessoa de Cristo. Suas mãos... o que têm feito? Deus tem Se agradado da obra que elas têm realizado? Já trabalham para abençoar ou ainda permanecem destruindo e amaldiçoando ou na posição de petição a Deus, somente?
Observemos ainda a colocação do verbo como o profeta escreveu: "estou crucificado com Cristo". Ele não disse: "fui crucificado com Cristo". O verbo está no presente e traz a impressão da continuidade, da permanência: "estou" (hoje, agora). Muitas vezes é difícil para nós prosseguirmos irrepreensíveis para com as atitudes dos nossos pés e das nossas mãos... por isso, devemos nos lembrar que os cravos "estão" (hoje, agora) ainda em nós. Não devemos nos esquecer disso. Nossas mãos e nossos pés devem permanecer crucificados a fim de desenvolverem toda boa obra para o Senhor e dar todo bom testemunho.
Numa quarta abordagem, observamos que após ter levado o peso de todo o pecado do mundo na cruz, Cristo sofria como peso do Seu próprio corpo pregado sobre o madeiro. Ele tornou-se maldito quando assumiu todos nossos pecados e morreu na cruz (Gálatas 3.13). O peso do teu fardo é grande? No momento em que você é erguido no madeiro como Cristo foi (aceitação de Jesus como teu Salvador e Senhor), o teu fardo passa a ser o de Cristo, que é mais leve e suave (Mateus 11.28-30), para que você possa assumir tua condição de pecador e reconhecer que precisa de Cristo como o teu Senhor. E esse é o grande peso do pecado: renunciar todo o "eu" e permitir Cristo ser tudo em você. Percebemos que quem está crucificado está morrendo... Crucificados com Cristo estamos morrendo para o pecado a cada dia (porque ainda não saímos do madeiro... lembre-se: "estamos" – hoje, agora – crucificados). Morrendo para o pecado, para o eu, para o orgulho, para a arrogância, para a promiscuidade, para o mal, enfim, para tudo o que é abominável ao Senhor.
No momento da crucificação, Cristo sentia a dor da humilhação. Queremos nós de livre e espontânea vontade sermos humilhados? Em outra observação, vemos Cristo nos ensinando que todos quantos queiram viver para Deus padecem perseguição, se tornam motivo de zombarias e são reprovados aos olhos do mundo. Contudo, Cristo suportou a dor da opressão e da rejeição até dos que Ele tanto amava, ainda que tenha ouvido alguém dizer: "Se és o Rei de Israel, desça, agora, da cruz, e creremos!" (Mateus 27.42). Ora, quantas vezes alguém nos disse: "deixe tudo isso!" , num intento de nos convencer a descer do alto da cruz? Cristo poderia ter feito isso. Ele poderia ter usado Seu poder e ter descido de lá. A coragem de Cristo, porém, não estava em fugir da morte, mas sim em enfrentá-la para nos salvar. E essa é outra grande lição do Senhor Jesus para nós no exato momento da crucificação: não abandonar nossa cruz, não fugir da situação, mas enfrentar tudo com honra e coragem. Ainda que nos custe o peso da humilhação, da zombaria, da reprovação, do abandono.
No tempo certo Cristo ressuscitou, glorioso, majestoso, honrado, vitorioso. Três dias depois da Sua morte o mundo contemplou o maior fato que já aconteceu: Cristo ressuscitou. No tempo certo (oxalá seja este o século), o próximo grande fato acontecerá: o arrebatamento dos santos do Senhor, aqueles "estão" (hoje, agora, e permanecerão assim até a volta do Senhor) crucificados com Ele.
Cristo levou três dias para ressuscitar, porque tinha contas a acertar com o inferno... Como tudo já está consumado (obra completa por Cristo), para aqueles que vivem em comunhão com o Senhor, porém, será mais rápida a ressurreição: num abrir e fechar de olhos os que estão crucificados com Jesus morrerão completamente para o mundo... e acordarão com Cristo na Glória.
Estar crucificado com Cristo a cada dia é a maneira que temos para dar valor a todo sofrimento que Ele viveu e reconhecermos que também devemos morrer para o mundo a fim de sermos como Cristo é.

domingo, 27 de março de 2011

Não Mais Eu, Mas Cristo

I - Nossa situação
A vida que Deus tem para nós é cheia de descanso, gozo, poder, santidade. É uma vida que não conhece derrota, é triunfante, frutífera e caminha no centro de Sua vontade conforme a semelhança de Jesus
Precisamos perguntar: É este o tipo de vida que estou vivendo? Sou justo como Jesus? Perdôo como Jesus? Sou humilde como Ele? Amo como Ele? Sou manso como Ele? Sou vitorioso sobre o pecado?
Se a resposta for “sim” para todas as essas perguntas, ótimo! Pule para o último ponto final deste texto e continue vivendo assim.
Senão, precisamos nos humilhar, a fim de ver nossas falhas e receber a graça de Deus (Tg 4:6). Se na sua vida diária existe inveja, incredulidade, crítica, falta de oração, falta de consagração, adultério, apegos excessivos, pensamentos impuros, gula, dureza de coração, falatório, irritação, falta de interesse pela Palavra, desejo de sempre levar vantagem, pecados encobertos, etc. Então precisamos nos humilhar e reconhecer que temos falhado e fracassado em viver a vida que Deus quer. Devemos nos voltar para a Palavra com coração quebrantado e pedir ao Espírito Santo que opere em nós com sua maravilhosa graça.
II – A vida que Deus planejou para seus filhos
Vou relacionar abaixo apenas alguns itens os quais creio que fazem parte da vida abundante que Deus tem para TODOS nós:
1) Uma vida liberta dos pecados (Mt 1:21)
2) Uma vida que tem íntima comunhão com Deus (Lc1:69,74-75)
3) Uma vida que se satisfaz plenamente com Jesus (Jo 4:14)
4) Uma vida liberta do poder do pecado (Rm 6:14)
5) Uma vida que comunica vida (Jo7:37-38)
6) Uma vida que não se abala com as circunstâncias (Rm 8:35-37)
7) Uma vida que pratica o bem (Ef 2:10)
8) Uma vida cheia de Luz (Jo8:12)
9) Uma vida totalmente santificada (1Ts5:23)
É possível viver esta vida ?...
- SIM!! E JÁ !! Porque esta vida é Cristo em nós, esperança da Glória!
Este tipo de vida é uma dádiva, porque é Deus quem nos dá. É uma vida obtida e não conquistada. É uma vida substituída e não modificada, pois “não sou mais eu quem vive, mas Cristo vive em mim”.
“eu vim para que tenham vida, e vida em abundância.” Jo10:10
“eu vim para que tenham vida, e a tenham plenamente.” (NVI)
III – Como entra nesta vida abundante
Vamos ler atentamente Gálatas 2:20
“Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por mim.”
Considero este texto a chave para todo o desvendar de uma verdade das Escrituras: Cristo vive em nós! O centro do texto é realmente a essência da vida abundante, “não sou mais eu quem vive, mas Cristo vive em mim”. Cristo é a vida abundante e esta vida está dentro de mim porque Cristo habita em mim!
As frases ao redor do centro mostram como entrar na vida abundante: “Fui crucificado com Cristo” e “..a vida que agora vivo, vivo pela Fé...”
Por quê há tanta diferença entre a vida que Deus planejou e a nossa realidade? A resposta é simples. É porque ainda somos nós que estamos vivendo !! Precisamos reconhecer e crer sinceramente que “em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum” (Rm7:18). Mas “Cristo em mim é a esperança da glória” (Cl1:27).
Vamos primeiro ver como entrar, depois trataremos da essência da vida abundante.
1) Fui crucificado com Cristo
Este é o primeiro pré-requisito. Mas o que significa isso? Por que Deus me crucificou?
Rm6:3,5-6
“Ou vocês não sabem que todos nós, que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados em sua morte? Se dessa forma fomos unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente o seremos também na semelhança da sua ressurreição. Pois sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado seja destruído, e não mais sejamos escravos do pecado”
Fui crucificado com Cristo significa que estou morto, pois me uni a Ele na Sua morte. Quando fui batizado em Cristo pela fé, a morte dele foi a minha morte. O meu “velho homem” – aquilo que eu realmente sou por natureza, o meu ser natural – foi pregado na cruz com o Senhor Jesus para que não sirva mais ao pecado que está dentro de mim.
O que Deus espera de um morto? O que Ele quer que um morto faça? Que ordem ele quer que um morto obedeça? Qual o padrão de Deus para um morto? Qual a utilidade de um morto?
Temos que compreender o seguinte: se Deus nos crucificou, é por que Ele olhou para nós e não viu nada que pudesse ser aproveitado (Rm3:23), nada que fosse bom (Rm7:18), nada que o agradasse. Só restava fazer uma coisa: crucificar. Se houvesse algo de bom em nós Deus não nos teria crucificado! Ele desistiu de nós, nos declarando inúteis, corruptos e desprezíveis.
Mas por que?! Será que somos mesmo assim?! Vou te contar a história de um querubim (Is14:12-15), criado belo, sábio e formoso, mas que por orgulho e egoísmo se revoltou contra Deus. Ele foi banido dos céus, destituído de toda virtude e tornou-se a personificação de todo mal: Lúcifer ou Satanás ou o Diabo.
Este Anjo Caído passeou pelo Éden e plantou no coração do homem a sua diabólica semente - orgulho, egoísmo e rebeldia (Gn3:1-6), causando uma catástrofe em toda a raça humana (Rm5:12) corrompendo sua natureza, a estrutura interior do homem. Essa semente passou a todos os homens, inclusive eu e você. A natureza humana é diabólica
Agora quero dizer algo pesado, mas que é a pura verdade: o tanto de orgulho que existe em você é o tanto de Anjo Caído que existe em você. O tanto de egoísmo e rebeldia que existe em você é o tanto de Satanás que existe em você. Ou existe alguma outra raiz para estes frutos?
Por isso Deus nos crucificou. Ele não depositou nenhuma esperança na natureza humana caída, Ele a crucificou, matando o velho homem com seus feitos.
A obra consumada da cruz foi realizada pelo Senhor Jesus, mas a aplicação desta obra na vida do crente ficou a cargo do Espírito Santo. É Ele que dia após dia opera esta obra em nós.
Que eu estou morto com Cristo é um fato consumado. Não precisamos pedir a Deus que nos crucifique ou nos ajude a morrer. Ele já fez esta obra. Porém, somente pela FÈ é que esta morte se torna realidade para nós.
A cruz é onde você não vive mais. Está morto. Se Deus desistiu de você, você deve render-se e desistir também. NÃO TENTE VIVER A VIDA CRISTÃ NAS SUAS PRÓPRIAS FORÇAS. Você deve reconhecer duas coisas:
A) Eu não posso!
B) Eu não vou nem tentar!
Enquanto você não reconhecer sua incapacidade ira continuar tentando (e sempre fracassando). Por exemplo:
“Se alguém lhe ofende, agride ou despreza, o sangue sobe até a cabeça, mas você resiste e não revida. A pessoa lhe ofende novamente, e você resiste. Parece que tudo vai bem, mas até quando? Até que ponto? Quanto VOCÊ aguenta?”
Se é assim, você ainda confia em si mesmo e logo vai explodir. Você deve se render ao veredito que Deus deu a seu respeito:
“Você é incapaz, por isso te crucifiquei”
Enquanto confiarmos em nós mesmos para atingir o padrão de Deus, para ser santos, para ser humildes, para amar, etc. Ele irá permitir fracasso sobre fracasso, até que confiemos somente em Jesus e vivamos pela sua vida para que toda a glória da vitória seja Dele.
2Co4:7
“Mas temos esse tesouro em vasos de barro, para mostrar que este poder que a tudo excede provém de Deus, e não de nós.”
Temos que nos desesperar de nós mesmos e depositar toda nossa esperança em Jesus. Isso vale para todas áreas da nossa vida. Por exemplo:
“Não devemos nos esforçar para amar como Jesus, mas sim, renunciar a nossa maneira da amar, reconhecer que somos incapazes de amar e deixar Cristo amar em nós.”
O mesmo vale para orar, falar, reagir, perdoar, frutificar, ministrar, pensar, etc. porque Cristo em nós é a esperança da glória.
2) A vida que agora vivo, vivo pela Fé
Só a cruz não resolve todo o problema. Ela opera em nós pondo o velho homem no lugar, nos quebrantando, partindo através da humilhação e do sofrimento a dura casca do homem exterior para que a verdadeira vida depositada no nosso interior possa fluir para fora.
A vida cristã não consiste apenas em termos o padrão moral de Jesus, pois Ele não era apenas um homem moralmente correto. Também não consiste apenas em tentarmos obedecer tudo que Ele mandou fazer, porque ela não é por obras. Muito menos em termos os dons espirituais fluindo e operando em nós, pois ser usado por Deus não significa ser aprovado por Deus.
A vida cristã genuína é Cristo, exaltado e glorificado com toda sua graça e virtude vivendo sem impedimentos dentro nós!
Cl3:4 “Quando Cristo, que é a sua vida, for manifestado, então vocês também serão manifestados com ele em glória.”
Essa vida abundante e poderosa que está em nós só pode ser ativada pela fé. Após a cruz quebrar nosso homem exterior, fazendo-o cessar de suas atividades, é aberto um livre caminho para que a vida de Cristo em você se manifeste, e esse manifestar ocorre pela fé.
Podemos nos comparar a um coco, com sua dura casca exterior e dentro a água. A cruz quebra o coco e a fé faz a água jorrar para fora.
Jesus disse : “Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva”. (Jo7:38)
O rio de água viva flui de dentro de você pela Fé.
A FÉ transforma em experiência o fato espiritual.
Hb 11:6
“Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos.”
A palavra grega aqui traduzida por certeza (ou firme fundamento) é hypostasis em seu sentido original traz o conceito de substância ou substrato. E a palavra traduzida como prova é pragmatos que significa experiência prática.
Assim, a fé é a substância daquilo que esperamos. Ela transforma em experiência prática em nossas vidas os fatos espirituais invisíveis.
Todos os fatos espirituais que o Senhor realizou por nós tornam-se realidade pessoal pela fé. Por exemplo:
- Cristo morreu para salvar a todos. Mas todas as pessoas são salvas? Não. Só aqueles que depositam fé neste fato.
- O batismo. Uma pessoa pode descer as águas como qualquer outra, mas se não houver fé ela não é unida a Cristo.
Observemos também o seguinte texto:
Ef3:17 “para que Cristo habite no coração de vocês mediante a fé...”
Que Cristo habita em nós é um fato. Mas a experiência real desta habitação só será possível mediante a fé. É assim que Sua vida em nós se manifesta.
É maravilhoso! Todos os fatos que Cristo realizou podem ser experimentados e provados por nós em um minuto pela FÈ!!
Você pode passar o resto de sua vida tentando viver conforme o padrão de Deus. Ou então pode crer e ver a glória de Deus.
- Não tente ser manso. CREIA que o manso e humilde cordeiro de Deus habita em você e se manifesta em você. Ele é sua mansidão.
- Não tente ser santo. CREIA que Aquele que não cometeu pecado nem na Sua boca se achou engano habita em você. Ele é sua santidade.
- Não tente amar como Jesus. Deixe Jesus amar em você.
Lembre-se que:
- Fé não é esperança, mas é a certeza da esperança. É a própria substância da esperança. Não espere que Cristo viva em você , creia que ele vive.
- Fé não é sentimento, ninguém sente fé.
- Sua fé será provada, testada para que seja fortalecida. (1Pe1:7)
- O justo vive da fé (Rm1:17)
2Co5:14-17 “Pois o amor de Cristo nos constrange, porque estamos convencidos de que um morreu por todos; logo, todos morreram. E ele morreu por todos para que aqueles que vivem já não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. De modo que, de agora em diante, a ninguém mais consideramos do ponto de vista humano. Ainda que antes tenhamos considerado Cristo dessa forma, agora já não o consideramos assim. Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas!”
III - A Vida Abundante
Vimos que a grande revelação para andarmos em vitória está na frase “não mais eu mas Cristo vive em mim”. Vimos também como a CRUZ e a FÈ operam para que isto aconteça.
Gl 2:20 “Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por mim.”
1) Não sou mais eu quem vive
Quando nós saímos de cena Cristo entra. Quando nós saímos do trono Ele reina. Quando nós morremos, Ele vive em nós.
A obra da Cruz opera em nós o “não sou mais eu quem vive”. Esta obra é instantânea, mas também contínua, por isso o Senhor nos diz para tomarmos a cruz a cada dia. A cruz mantém o velho homem morto dia após dia no seu lugar.
Mas o que é a cruz? O que foi a cruz para Jesus? Podemos relacionar pelo menos quatro aspectos que mostram o que a cruz foi para Jesus: RENUNCIA, HUMILHAÇÃO, SOFRIMENTO E MORTE.
Para nós não será diferente. Ela tem o objetivo de quebrar o nosso orgulho, tirar o EU do Centro e aniquilar a vida da alma baseada em seus sentimentos, pensamentos e vontade própria. Ela tem o objetivo de quebrar-nos para que a verdadeira vida saia.
Você compreende que a humilhação é uma ferramenta de Deus para nos quebrar, tratar com nosso orgulho e nos tirar do pedestal? E o sofrimento? Como você encara estas coisas?
O homem caído enxerga todas as coisas girando ao seu redor. Tudo deve ser usado para seu benefício, inclusive Deus. Todo nosso modo de pensar, planos, orações, pregações estão voltadas para o EU. Às vezes, simplesmente queremos Jesus para facilitar a vida do EU. Que contradição!
A cruz aniquila a vida do EU, para que a vida de Jesus surja triunfante em você. por isso o texto diz: “Fui crucificado... não mais EU”
Mc8:34-35 “E chamando a si a multidão, com os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me. Porque qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas, qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará.”
E também:
Rm 6:8 “Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos”
2) Mas Cristo vive em mim
Precisamos ter revelação de quem vive em nós! Que vida é essa! Leia com muita atenção:
Cl 2:2 “Esforço-me para que eles sejam fortalecidos em seu coração, estejam unidos em amor e alcancem toda a riqueza do pleno entendimento, a fim de conhecerem plenamente o mistério de Deus, a saber, Cristo”.
Jo 1:1-4 “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.”
Cl 2:9 “Pois em Cristo habita corporalmente toda a plenitude da divindade,”
Cl 1:15-20 “Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação, pois nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas foram criadas por ele e para ele. Ele é antes de todas as coisas, e nele tudo subsiste. Ele é a cabeça do corpo, que é a igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a supremacia. Pois foi do agrado de Deus que nele habitasse toda a plenitude, e por meio dele reconciliasse consigo todas as coisas, tanto as que estão na terra quanto as que estão nos céus, estabelecendo a paz pelo seu sangue derramado na cruz.”
Isto é apenas uma pequena amostra. A completa revelação do Filho é obra do Espírito Santo. Mas por que o Autor da Vida veio ao mundo? Jesus disse:
Jo 10:10 “Eu vim para que tenha vida e vida abundante”
E também:
Jo 14:18-20 “Não os deixarei órfãos; voltarei para vocês. Dentro de pouco tempo o mundo não me verá mais; vocês, porém, me verão. Porque eu vivo, vocês também viverão. Naquele dia compreenderão que estou em meu Pai, vocês em mim, e eu em vocês.”
O Espírito Santo nos leva a compreender que Cristo está em nós e nós Nele. Ele nos dá a Sua vida, vindo habitar em nós. Por isso Ele disse: “porque eu vivo vocês também viverão”.
Assim Ele sendo a minha paz, eu vivo em paz. Ele sendo a minha humildade eu não preciso passar a vida tentando ser humilde, a verdadeira humildade está em mim na pessoa de Jesus; e assim por diante. Deus colocou tudo em Cristo e colocou cristo em nós.
Cl 1:27 “A ele quis Deus dar a conhecer entre os gentios a gloriosa riqueza deste mistério, que é Cristo em vocês, a esperança da glória.”
Toda a esperança de vivermos a vida cristã da forma como Deus planejou desde a eternidade está neste fato:
§ Esta vida é Cisto!! E Ele está em nós!
Cl 3:1-4 “Portanto, já que vocês ressuscitaram com Cristo, procurem as coisas que são do alto, onde Cristo está assentado à direita de Deus. Mantenham o pensamento nas coisas do alto, e não nas coisas terrenas. Pois vocês morreram, e agora a sua vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a sua vida, for manifestado, então vocês também serão manifestados com ele em glória.”
Que verdade tremenda! Cristo é a nossa vida!!
E onde Ele está?
§ A destra de Deus e...
§ Em nós!
E Onde nós estamos?
§ Com Cristo em Deus.
Assim amados, temos um alto padrão de vida no Reino de Deus. Mas atingi-lo só é possível quando reconhecemos que somos incapazes por nós mesmos, CREMOS que fomos crucificados e CREMOS que Ele vive hoje em nós toda a plenitude de sua vida.

(Ricardo de Paula Meneghelli) 

quinta-feira, 24 de março de 2011

Às margens do Quebar

(Clique na Imagem para ampliar)

Autora: Wilma Rejane

Lançamento: Editora Oxigênio

54 Mensagens Biblicas em 188 Páginas

Capa: César França de Oliveira

Mais Informaçoes visite:

http://www.atendanarocha.blogspot.com/

Enxugue suas lágrimas

Deus fez as lágrimas com um propósito muito especial, através delas expressamos os sentimentos mais profundos do nosso ser. Por mais amados que sejamos para Deus, Ele permite passarmos por momentos em que o choro, torna-se inevitável. Davi pronunciou em um de seus Salmos: “Já estou cansado do meu gemido, toda a noite faço nadar a minha cama; molho o meu leito com as minhas lágrimas” Sl 6:6.
A tristeza, contudo, não deve ser senhora de nós, porque ao nos entregarmos as situações de derrota, ficamos impossibilitados de agir com fé. A fé em Cristo Jesus, nos livra de “morrermos na fornalha”: “Então Nabucodonosor se encheu de furor e mudou-se o aspecto de seu semblante contra Sadraque, Mesaque e Abdenego; falou e ordenou que a fornalha se aquecesse sete vezes mais do que se costumava aquecer” Dn 3:19.
Parecia uma situação insuportável, invencível. Em nossas vidas, temos momentos assim, em que as provações vêem com força dobrada, e aos olhos naturais, o desânimo pode nos derrubar, antes mesmo de “adentrarmos no fogo”. É só o começo da história, e já confessamos: “Não vou conseguir, não suporto”. Isto não acontece só com você, acontece comigo e aconteceu com grandes homens de Deus. A fornalha não consumiu a Mesaque, Sadraque e Abdenego, eles saíram sãos e salvos. "Quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti" Is 40:2. Não estamos livres da prova, mas em Jesus, encontraremos ânimo para vencê-la.
Já reguei muitas vitórias, com lágrimas e mais lágrimas. Porém, em meio às circunstâncias, uma Palavra de Deus, um canto de louvor, arrancado do adormecimento da alegria, me fez renovar as forças. O profeta Jeremias, em suas Lamentações declarou: “Já pereceu minha força e a minha esperança no Senhor. Lembra-Te da minha aflição e do meu pranto, do absinto e do fel. Minha alma certamente disto se lembra, e se abate dentro de mim.” Lm 3:19-23.
Você pode imaginar um profeta, ungido, amigo de Deus, fazendo tal declaração? É que não somos os únicos a experimentarmos tristeza e sentimento de fracasso. Pode ser que tenhamos chegado a tal situação por conta de pecado, ou, a exemplo do justo Jó, estamos sendo provados pelo inimigo. Não sei. Tudo que sei é que em qualquer situação Jesus é a solução. Jó, em meio a mais profunda dor, declarou: “Eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim, se levantará de sobre a terra” Jó 19:25
Jeremias, em meio ao caos, entre cadáveres, e destruição por ocasião do cativeiro Babilônico ergue o espírito a Deus e diz: “Bom é o Senhor para os que esperam Por Ele, para a alma que o busca. Bom é ter esperança e aguardar em silêncio a salvação do Senhor” Lm 3:25, 26. Nossa fé, não está firmada em argumentos naturais, porque estes são incapazes de produzir livramento. Do alto, é que vem o socorro. É para lá que devemos voltar nosso olhar.
Ainda que nuvens pesadas, carregadas de nebulosidade, escondam o límpido azul e o brilho do sol. Elas não ficarão lá para sempre. Nosso olhar deve alcançar essa visão impossível. Com os olhos da fé, que revelam o instransponível. Precisamos, nos levantar do leito molhado, encharcado de lágrimas e nos colocarmos de pé, acima das circunstâncias. Foi isso que Deus ordenou ao profeta Ezequiel: “E disse-me: Filho do homem põe-te em pé e falarei contigo” Ez 2:1
Onde estava Ezequiel nessa hora? “E aconteceu que estando eu no meio dos cativos, junto ao Rio Quebar, se abriram os céus, e eu tive visões de Deus” Ez 1:1. Ele estava no meio dos cativos, entre sofrimento, choro e falta de esperança, mas as margens do Quebar, ousou olhar para o céu e viver as visões de Deus. Ezequiel não deveria se entregar àquelas circunstâncias de derrota, desgraça. Mas buscar força e conforto no Senhor. “Filho do homem, te põe de pé”. Deus estava dizendo: “Sei que és carne, homem, filho de homem, mas vence Ezequiel, te põe de pé e falarei contigo”. Vence Ezequiel, não se abate, olha além, de tudo que te rodeia, vive as visões que te mostrarei.
E a Palavra diz: “Entrou em mim o espírito e me põs em pé, e ouvi o que me falava” Ez 2:2. Entregue ao Senhor, Daniel viu o que ninguém mais viu naquele campo de refugiados. Tudo porque seu olhar se elevou ao céu! Seu ser buscou respostas e conforto no alto. Ele não viu desilusão e morte, mas visão de Deus, que lhe dizia ser possível a restauração, um novo começo.
Revestido de forças, Ezequiel foi atalaia para casa de Israel. Ele enxugou suas lágrimas! Extraiu força, de onde parecia não haver. Ele viu céus abertos, enquanto, o odor de cadáveres pairava no ar, o pranto, choro, lamento e murmúrios. Ele foi para as margens do Rio Quebar, olhar o céu, conversar com Deus, buscar alento, no que foi ouvido. Se refugie, às margens do Quebar. Deus é o que enxuga suas lágrimas.
Entoe um cântico novo, uma melodia de agradecimento por todas as vitórias, acrescente o agradecimento, por esta última vitória que você precisa alcançar. Eleve o olhar, se ponha de pé, não se entregue as circunstâncias, porque elas não são maiores que o amor que Deus sente por você. Habacuque, também foi outro grande homem de Deus que viu a seca, e a destruição assolarem sua terra. Ele estava lá, naquela fornalha, aquecida sete vezes, em meio à corrupção, fome... angustiado volta-se para Deus :” Por que me fazes ver a opressão?” Hc 1:3
Deus lhe responde: “Eis que realizo uma obra maravilhosa em vossos dias” HC 1: 5. Como assim, maravilhosa? Não é isto que vejo. A verdade é que não era aquilo que Deus queria que ele visse! Habacuque deveria olhar para “o céu junto ao rio Quebar”, e ver as visões de Deus. Tudo aquilo haveria de passar, e um tempo de paz e prosperidade chegaria. Aquelas circunstâncias, não eram eternas. Habacuque precisaria manter o ânimo, enxugar o pranto.
Enxugue suas lágrimas, há visões de Deus, nas margens do Rio Quebar. O Senhor é a nossa força. Somos apenas homens, falhos e frágeis, mas Ele nos ergue acima das tribulações. Olhe para o céu, não desanime. Tudo haverá de passar, dando lugar a um novo tempo: "Espera no Senhor, anima-te, e Ele fortalecerá o teu coração; espera, pois no Senhor" Sl 27:14.

Eduardo Santana

terça-feira, 22 de março de 2011

A Finalidade da Cruz

"Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim..." (Gl 2.19b-20).

A ilusão do "símbolo" do cristianismo

Os elementos anticristãos do mundo secular dariam tudo para conseguir eliminar manifestações públicas da cruz. Ainda assim, ela é vista no topo das torres de dezenas de milhares de igrejas, nas procissões, sendo freqüentemente feita de ouro e até ornada com pedras preciosas. A cruz, entretanto, é exibida mais como uma peça de bijuteria ao redor do pescoço ou pendurada numa orelha do que qualquer outra coisa. É preciso perguntarmos através de que tipo estranho de alquimia a rude cruz, manchada do sangue de Cristo, sobre a qual Ele sofreu e morreu pelos nossos pecados se tornou tão limpa, tão glamourizada.
Não importa como ela for exibida, seja até mesmo como joalheria ou como pichação, a cruz é universalmente reconhecida como símbolo do cristianismo – e é aí que reside o grave problema. A própria cruz, em lugar do que nela aconteceu há 19 séculos, se tornou o centro da atenção, resultando em vários erros graves. O próprio formato, embora concebido por pagãos cruéis para punir criminosos, tem se tornado sacro e misteriosamente imbuído de propriedades mágicas, alimentando a ilusão de que a própria exibição da cruz, de alguma forma, garante proteção divina. Milhões, por superstição, levam uma cruz pendurada ao pescoço ou a tem em suas casas, ou fazem "o sinal da cruz" para repelir o mal e afugentar demônios. Os demônios temem a Cristo, não uma cruz; e qualquer um que não foi crucificado juntamente com Ele, exibe a cruz em vão.

A "palavra da cruz": poder de Deus

Paulo afirmou que a "palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus" (1 Co 1.18). Assim sendo, o poder da cruz não reside na sua exibição, mas sim na sua pregação; e essa mensagem nada tem a ver com o formato peculiar da cruz, e sim com a morte de Cristo sobre ela, como declara o evangelho. O evangelho é "o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê" (Rm 1.16), e não para aqueles que usam ou exibem, ou até fazem o sinal da cruz.
O que é esse evangelho que salva? Paulo afirma explicitamente: "venho lembrar-vos o evangelho que vos anunciei... por ele também sois salvos... que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras" (1 Co 15.1-4). Para muitos, choca o fato do evangelho não incluir a menção de uma cruz. Por quê? Porque a cruz não era essencial à nossa salvação. Cristo tinha que ser crucificado para cumprir a profecia relacionada à forma de morte do Messias (Sl 22), não porque a cruz em si tinha alguma ligação com nossa redenção. O imprescindível era o derramamento do sangue de Cristo em Sua morte como prenunciado nos sacrifícios do Antigo Testamento, pois "sem derramamento de sangue não há remissão" (Hb 9.22); "é o sangue que fará expiação em virtude da vida" (Lv 17.11).
Não dizemos isso para afirmar que a cruz em si é insignificante. O fato de Cristo ter sido pregado numa cruz revela a horripilante intensidade da maldade inata ao coração de cada ser humano. Ser pregado despido numa cruz e ser exibido publicamente, morrer lentamente entre zombarias e escárnios, era a morte mais torturantemente dolorosa e humilhante que poderia ser imaginada. E foi exatamente isso que o insignificante ser humano fez ao seu Criador! Nós precisamos cair com o rosto em terra, tomados de horror, em profundo arrependimento, dominados pela vergonha, pois não foram somente a turba sedenta de sangue e os soldados zombeteiros que O pregaram à cruz, mas sim nossos pecados!

A cruz revela a malignidade do homem e o amor de Deus

Assim sendo, a cruz revela, pela eternidade adentro, a terrível verdade de que, abaixo da bonita fachada de cultura e educação, o coração humano é "enganoso... mais do que todas as cousas, e desesperadamente corrupto" (Jr 17.9), capaz de executar o mal muito além de nossa compreensão, até mesmo contra o Deus que o criou e amou, e que pacientemente o supre. Será que alguém duvida da corrupção, da maldade de seu próprio coração? Que tal pessoa olhe para a cruz e recue dando uma reviravolta, a partir de seu ser mais interior! Não é à toa que o humanista orgulhoso odeia a cruz!
Ao mesmo tempo que a cruz revela a malignidade do coração humano, entretanto, ela revela a bondade, a misericórdia e o amor de Deus de uma maneira que nenhuma outra coisa seria capaz. Em contraste com esse mal indescritível, com esse ódio diabólico a Ele dirigido, o Senhor da glória, que poderia destruir a terra e tudo o que nela há com uma simples palavra, permitiu-se ser zombado, injuriado, açoitado e pregado àquela cruz! Cristo "a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte, e morte de cruz" (Fp 2.8). Enquanto o homem fazia o pior, Deus respondia com amor, não apenas Se entregando a Seus carrascos, mas carregando nossos pecados e recebendo o castigo que nós justamente merecíamos.

A cruz prova que existe perdão para o pior dos pecados

Existe, ainda, um outro sério problema com o símbolo, e especialmente o crucifixo católico que exibe um Cristo perpetuamente pendurado na cruz, assim como o faz a missa. A ênfase está sobre o sofrimento físico de Cristo como se isso tivesse pago os nossos pecados. Pelo contrário, isso foi o que o homem fez a Ele e só podia nos condenar a todos. Nossa redenção aconteceu através do fato de que Ele foi ferido por Jeová e "sua alma [foi dada] como oferta pelo pecado" (Is 53.10); Deus fez "cair sobre ele a iniqüidade de nós todos" (Is 53.6); e "carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados" (1 Pe 2.24).
A morte de Cristo é uma evidência irrefutável de que Deus precisa, em Sua justiça, punir o pecado, que a penalidade precisa ser paga, caso contrário não pode haver perdão. O fato de que o Filho de Deus teve que suportar a cruz, mesmo depois de ter clamado a Seu Pai ao contemplar em agonia o carregar de nossos pecados ["Se possível, passe de mim este cálice!" (Mt 26.39)], é prova de que não havia outra forma de o ser humano ser redimido. Quando Cristo, o perfeito homem, sem pecado e amado de Seu Pai, tomou nosso lugar, o juízo de Deus caiu sobre Ele em toda sua fúria. Qual deve ser, então, o juízo sobre os que rejeitam a Cristo e se recusam a receber o perdão oferecido por Ele! Precisamos preveni-los!
Ao mesmo tempo e no mesmo fôlego que fazemos soar o alarme quanto ao julgamento que está por vir, precisamos também proclamar as boas notícias de que a redenção já foi providenciada e que o perdão de Deus é oferecido ao mais vil dos pecadores. Nada mais perverso poderia ser concebido do que crucificar o próprio Deus! E ainda assim, foi estando na cruz que Cristo, em seu infinito amor e misericórdia, orou: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem" (Lc 23.34). Assim sendo, a cruz também prova que existe perdão para o pior dos pecados, e para o pior dos pecadores.

Cuidado: não anule a cruz de Cristo!

A grande maioria da humanidade, entretanto, tragicamente rejeita a Cristo. E é aqui que enfrentamos outro perigo: é que em nosso sincero desejo de vermos almas salvas, acabamos adaptando a mensagem da cruz para evitar ofender o mundo. Paulo nos alertou para tomarmos cuidado no sentido de não pregar a cruz "com sabedoria de palavra, para que se não anule a cruz de Cristo" (1 Co 1.17). Muitos pensam: "É claro que o evangelho pode ser apresentado de uma forma nova, mais atraente do que o fizeram os pregadores de antigamente. Quem sabe, as técnicas modernas de embalagem e vendas poderiam ser usadas para vestir a cruz numa música ou num ritmo, ou numa apresentação atraente assim como o mundo comumente faz, de forma a dar ao evangelho uma nova relevância ou, pelo menos, um sentido de familiaridade. Quem sabe poder-se-ia lançar mão da psicologia, também, para que a abordagem fosse mais positiva. Não confrontemos pecadores com seu pecado e com o lado sombrio da condenação do juízo vindouro, mas expliquemos a eles que o comportamento deles não é, na verdade, culpa deles tanto quanto é resultante dos abusos dos quais eles têm sido vitimados. Não somos todos nós vítimas? E Cristo não teria vindo para nos resgatar desse ato de sermos vitimados e de nossa baixa perspectiva de nós mesmos e para restaurar nossa auto-estima e auto-confiança? Mescle a cruz com psicologia e o mundo abrirá um caminho para nossas igrejas, enchendo-as de membros!" Assim é o neo-evangelicalismo de nossos dias.
Ao confrontar tal perversão, A. W. Tozer escreveu: "Se enxergo corretamente, a cruz do evangelicalismo popular não é a mesma cruz que a do Novo Testamento. É, sim, um ornamento novo e chamativo a ser pendurado no colo de um cristianismo seguro de si e carnal... a velha cruz matou todos os homens; a nova cruz os entretêm. A velha cruz condenou; a nova cruz diverte. A velha cruz destruiu a confiança na carne; a nova cruz promove a confiança na carne... A carne, sorridente e confiante, prega e canta a respeito da cruz; perante a cruz ela se curva e para a cruz ela aponta através de um melodrama cuidadosamente encenado – mas sobre a cruz ela não haverá de morrer, e teimosamente se recusa a carregar a reprovação da cruz."

A cruz é o lugar onde nós morremos em Cristo

Eis o "x" da questão. O evangelho foi concebido para fazer com o eu aquilo que a cruz fazia com aqueles que nela eram postos: matar completamente. Essa é a boa notícia na qual Paulo exultava: "Estou crucificado com Cristo". A cruz não é uma saída de incêndio pela qual escapamos do inferno para o céu, mas é um lugar onde nós morremos em Cristo. É só então que podemos experimentar "o poder da sua ressurreição" (Fp 3.10), pois apenas mortos podem ser ressuscitados. Que alegria isso traz para aqueles que há tempo anelam escapar do mal de seus próprios corações e vidas; e que fanatismo isso aparenta ser para aqueles que desejam se apegar ao eu e que, portanto, pregam o evangelho que Tozer chamou de "nova cruz".
Paulo declarou que, em Cristo, o crente está crucificado para o mundo e o mundo para ele (Gl 6.14). É linguagem bem forte! Este mundo odiou e crucificou o Senhor a quem nós amamos – e, através desse ato, crucificou a nós também. Nós assumimos uma posição com Cristo. Que o mundo faça conosco o que fez com Ele, se assim quiser, mas fato é que jamais nos associaremos ao mundo em suas concupiscências e ambições egoístas, em seus padrões perversos, em sua determinação orgulhosa de construir uma utopia sem Deus e em seu desprezo pela eternidade.
Crer em Cristo pressupõe admitir que a morte que Ele suportou em nosso lugar era exatamente o que merecíamos. Quando Cristo morreu, portanto, nós morremos nEle: "...julgando nós isto: um morreu por todos, logo todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou" (2 Co 5.14-15).
"Mas eu não estou morto", é a reação veemente. "O eu ainda está bem vivo." Paulo também reconheceu isso: "...não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço" (Rm 7.19). Então, o que é que "estou crucificado com Cristo" realmente significa na vida diária? Não significa que estamos automaticamente "mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus" (Rm 6.11). Ainda possuímos uma vontade e ainda temos escolhas a fazer.

O poder sobre o pecado

Então, qual é o poder que o cristão tem sobre o pecado que o budista ou o bom moralista não possui? Primeiramente, temos paz com Deus "pelo sangue da sua cruz" (Cl 1.20). A penalidade foi paga por completo; assim sendo, nós não tentamos mais viver uma vida reta por causa do medo de, de outra sorte, sermos condenados, mas sim por amor Àquele que nos salvou. "Nós amamos porque ele nos amou primeiro" (1 Jo 4.19); e o amor leva quem ama a agradar o Amado, não importa o preço. "Se alguém me ama, guardará a minha palavra" (Jo 14.23), disse o nosso Senhor. Quanto mais contemplamos a cruz e meditamos acerca do preço que nosso Senhor pagou por nossa redenção, mais haveremos de amá-lO; e quanto mais O amarmos, mais desejaremos agradá-lO.
Em segundo lugar, ao invés de "dar duro" para vencer o pecado, aceitamos pela fé que morremos em Cristo. Homens mortos não podem ser tentados. Nossa fé não está colocada em nossa capacidade de agirmos como pessoas crucificadas mas sim no fato de que Cristo foi crucificado de uma vez por todas, em pagamento completo por nossos pecados.
Em terceiro lugar, depois de declarar que estava "crucificado com Cristo", Paulo acrescentou: "logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim" (Gl 2.20). O justo "viverá por fé" (Rm 1.17; Gl 3.11; Hb 10.38) em Cristo; mas o não-crente só pode colocar sua fé em si mesmo ou em algum programa de auto-ajuda, ou ainda num guru desses bem esquisitos.

A missa: negação da suficiência da obra de Cristo na cruz

Tristemente, a fé católica não está posta na redenção realizada por Cristo de uma vez para sempre na cruz, mas na missa, que, alegadamente, é o mesmo sacrifício como o que foi feito na cruz, e confere perdão e nova vida cada vez que é repetida. Reivindica-se que o sacerdote transforma a hóstia e o vinho no corpo literal e no sangue literal de Cristo, fazendo com que o sacrifício de Cristo esteja perpetuamente presente. Mas não há como trazer um evento passado ao presente. Além do mais, se o evento passado cumpriu seu propósito, não há motivo para querer perpetuá-lo no presente, mesmo que pudesse ser feito. Se um benfeitor, por exemplo, paga ao credor uma dívida que alguém tem, a dívida sumiu para sempre. Seria sem sentido falar-se em reapresentá-la ou reordená-la ou perpetuar seu pagamento no presente. Poder-se-ia lembrar com gratidão que o pagamento já foi feito, mas a reapresentação da dívida não teria valor ou sentido uma vez que já não existe dívida a ser paga.
Quando Cristo morreu, Ele exclamou em triunfo: "Está consumado" (Jo 19.30), usando uma expressão que, no grego, significa que a dívida havia sido quitada totalmente. Entretanto, o novo Catecismo da Igreja Católica diz: "Como sacrifício, a Eucaristia é oferecida como reparação pelos pecados dos vivos e dos mortos, e para obter benefícios espirituais e temporais de Deus" (parágrafo 1414, p. 356). Isso equivale a continuar a pagar prestações de uma dívida que já foi plenamente quitada. A missa é uma negação da suficiência do pagamento que Cristo fez pelo pecado sobre a cruz! O católico vive na incerteza de quantas missas ainda serão necessárias para fazê-lo chegar ao céu.

Segurança para o presente e para toda a eternidade

Muitos protestantes vivem em incerteza semelhante, com medo de que tudo será perdido se eles falharem em viver uma vida suficientemente boa, ou se perderem sua fé, ou se voltarem as costas a Cristo. Existe uma finalidade abençoada da cruz que nos livra dessa insegurança. Cristo jamais precisará ser novamente crucificado; nem os que "foram crucificados com Cristo" ser "descrucificados" e aí "recrucificados"! Paulo declarou: "porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus" (Cl 3.3). Que segurança para o presente e para toda a eternidade! (Dave Hunt – TBC 10/95 – traduzido por Eros Pasquini, Jr.)

Publicado na revista Chamada da Meia-Noite, janeiro de 1996.