terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Uma pérola ao Senhor Jesus!

No livro de cantares de Salomão, encontramos declarações do amor do noivo para a noiva e vice-versa: Arrebataste o meu coração, minha irmã, noiva minha, arrebataste o meu coração com uma só pérola do teu colar. Ct. 3.9. Nós, como Igreja do Senhor Jesus, somos a noiva e o noivo, nosso amado Salvador Jesus Cristo. A pérola que adorna a noiva, a pérola que enfeita a Igreja, nos fala daqueles momentos difíceis quando as tribulações tentam tomar nossa fé, tentam nos desequilibrar e nos tirar dos trilhos, fazendo com que demos um mau testemunho, comportando-nos de uma maneira que não agrada ao Senhor. Quando a ostra é invadida por um grão de areia, algo tão pequeno, tão insignificante e que a fere e que a machuca, ela libera uma substancia: a madrepérola. Dali em diante, acontece uma transformação incrível. Daquela irritação, daquela dor, surge uma linda pérola. Trazendo isso para a nossa vida, entendemos que todas as vezes que somos feridos, irritados, quando as coisas não são do jeito que gostaríamos que fosse, é uma oportunidade para darmos ao Senhor uma pérola. Essa pérola muitas vezes é o perdão, o autocontrole, o agir com sabedoria, o dar bom testemunho, entre inúmeras ações que um autêntico cristão deve tomar diante de situações do dia-a-dia. Mostramos o nosso amor para o nosso noivo Senhor Jesus Cristo, quando fazemos a sua vontade e não a nossa. Arrebatamos o Seu coração, quando lhe dedicamos uma verdadeira adoração, quando estamos buscando tocar o coração do Senhor com o nosso louvor e adoração. Que todos nós possamos também nos momentos difíceis, dar uma pérola ao Senhor Jesus, adorando-O na alegria ou na dor, em todo o tempo, para sempre, eternamente.

Diego Oliveira

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Como viver na dimensão da eternidade

O apóstolo Paulo em sua Segunda Carta aos Coríntios, capítulo quatro, versículos dezesseis a dezoito nos ensina a viver na dimensão da eternidade. Nossos pés estão na terra, mas nosso coração está no céu. Vivemos neste mundo como peregrinos, mas estamos a caminho da nossa Pátria permanente. Três verdades saltam aos nossos olhos no texto em apreço. Essas verdades nos direcionam nessa caminhada rumo à glória.
1. Temos um corpo fraco, mas um espírito renovado.“Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia” (2Co 4.16). Nossa fraqueza física é notória e indisfarçável. O tempo esculpe em nossa face rugas profundas. Nossas pernas ficam bambas, nossos joelhos trôpegos e nossas mãos descaídas. Cada fio de cabelo branco que surge em nossa cabeça é a morte nos chamando para um duelo. Nosso homem exterior, ou seja, nosso corpo enfraquece-se progressivamente. Mas, ao mesmo tempo, nosso homem interior, ou seja, nosso espírito renova-se de dia em dia, sendo transformado de glória em glória na imagem de Cristo. Ao mesmo tempo em que o nosso corpo se enfraquece, nosso espírito se fortalece. Na mesma proporção que o exterior se corrompe, o interior se renova. Temos um corpo fraco, mas um espírito forte.
2. Temos um presente doloroso, mas um futuro glorioso. “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação” (2Co 4.17). Aqui pisamos estradas juncadas de espinhos, cruzamos vales escuros e atravessamos desertos tórridos. Aqui nossos olhos ficam empapuçados de lágrimas e nosso corpo geme sob o látego da dor. Aqui enfrentamos ondas encapeladas, rios caudalosos e precisamos atravessar fornalhas ardentes. Aqui sofremos, choramos e sangramos. Porém, em comparação com a glória por vir a ser revelada em nós, nossas tribulações são leves e passageiras. O presente é doloroso, mas o futuro é glorioso. Nosso destino final não é um corpo caquético, mas um corpo de glória. Nossa jornada não termina num túmulo gélido, mas na Jerusalém celeste. Nosso fim não é a morte, mas a vida eterna. O nosso futuro de glória deve encorajar-nos a enfrentar com alegria a nossa presente tribulação. O que seremos deve nos encher de esperança para arrostar as limitações de quem somos. Vivemos na dimensão da eternidade!
3. Temos as coisas visíveis que são temporais, mas as coisas invisíveis que são eternas. “Não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas” (2Co 4.18). O visível e tangível que enche nossos olhos e tenta seduzir nosso coração é aquilo que não vai permanecer. Tem prazo de validade e não vai durar para sempre. Mas, as coisas que não vemos são as que têm valor e vão permanecer para sempre. Investir apenas naquilo que é terreno e temporal é fazer um investimento insensato, pois é investir naquilo que não permanece. Investir, porém, nas coisas invisíveis e espirituais, é investir para a eternidade. Jesus diz que devemos ajuntar tesouros lá no céu, pois o céu é nossa origem e nosso destino. O céu é nosso lar e nossa pátria. Nosso Senhor está no céu. Muitos dos nossos irmãos já foram para o céu e nós, que fomos remidos e lavados no sangue de Jesus estamos a caminho do céu. Lá está o nosso tesouro. Lá está a nossa herança. É lá que devemos investir o melhor do nosso tempo e dos nossos recursos. Atentar apenas nas coisas que se veem e que são temporais é viver sem esperança no mundo; mas buscar as coisas que os olhos não veem nem as mãos apalpam é viver na dimensão da eternidade, com os pés na terra, mas com o coração no céu!

Pastor Hernandes Dias Lopes

domingo, 23 de janeiro de 2011

Batismo com Fogo

1.O grande avivalista Edwin Orr, certa feita, pregava à uma grande multidão. Para espanto dos presentes, chamou um pastor imersionista e outro aspersionista e perguntou: Qual de vocês usa mais água no batismo? Antes que o constrangimento se instalasse, ele disse: Não importa a quantidade de água. A água só lava o exterior. É preciso receber o batismo com fogo, porque o fogo queima e purifica o interior. Terminada essas palavras, ele voltou-se para a multidão e disse, vocês precisam ser batizados com fogo.
2.Deus sempre se revelou através do fogo. Ele selou sua aliança com Abraão no meio do fogo. Ele revelou-se a Moisés através do fogo. Ele conduziu o povo pelo deserto por uma coluna de fogo. O fogo do altar não podia apagar-se. Quando Moisés consagrou o templo, o Senhor respondeu com fogo. Elias foi levado para o céu numa carruagem de fogo. Deus é como uma coluna de fogo ao redor do seu povo. Deus é fogo. O trono é fogo. Sua Palavra é fogo. Ele faz dos seus ministros labaredas de fogo. Jesus batiza com fogo. O Espírito Santo desceu sobre a igreja em labaredas como de fogo. Nós precisamos desse batismo de fogo.
3.Jesus falou-nos de vida abundante. Deus promete-nos a suprema grandeza do seu poder. A Bíblia fala de sermos tomados de toda a plenitude de Deus. Não basta falar de poder. Precisamos ser possuídos por esse poder. O Reino de Deus consiste não de palavras, mas de poder. O Espírito que recebemos é espírito de poder.
4.Quais são as implicações do batismo com fogo?
I. O FOGO ILUMINA
1.Aquele é batizado com fogo anda na luz – Jo 8:12
Jesus disse: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas, pelo contrário, terá a luz da vida”. Viver em trevas é longe de Jesus. Aquele que vive longe de Jesus é como Pedro na noite de traição, envolve-se nas trevas, caminha nas trevas, segue a Jesus de longe e nega a Jesus.
Quem é batizado com fogo não vive se escondendo atrás de máscaras; ao contrário, vive vida limpa, pura, santa.
2.Aquele que é batizado com fogo tem comunhão com Deus – 1 Jo 1:6
Aquele que é batizado com fogo tem prazer em Deus, deleita-se em Deus e anda face a face com Deus. Não tem mais prazer no pecado. Abomina o pecado e não apenas suas consequências. Quem é batizado com fogo tem fome de Deus, tem sede Deus, tem saudade de Deus, tem pressa para estar a sós com Deus.
É impossível ter comunhão com Deus e andar nas trevas. É impossível andar com Deus e andar em pecado ao mesmo tempo. Quem acaricia o pecado não tem intimidade com Deus.
Enquanto abrigarmos práticas pecaminosas em nossa vida, desejos lascivos no coração e alimentarmos nossos olhos com a cobiça não poderemos ser batizados com fogo.
3.Aquele que é batizado com fogo tem comunhão com os irmãos – 1 Jo 1:7
Onde há relacionamentos quebrados, mágoas, ressentimentos, falta de perdão não pode haver avivamento. Onde há divisões, brigas, contendas, ciúmes, discórdias não há revestimento de poder. Onde o ressentimento queima, as chamas do Espírito se apagam.
Ilustração: Minha experiência na IPB de Ermelino Matarazzo e as duas líderes que se perdoaram.
Em Kwa Sizabantu, os crentes saíram do culto para acertarem suas vidas uns com os outros. Três meses depois, veio sobre eles, um poderoso avivamento.
A experiência de Jonathan Gofforth em Xangai, ao ler o livro de Finney. Ao perdoar o seu ofensor, o Espírito foi derramado e ele foi revestido com o poder do Espírito
II. O FOGO PURIFICA
Muitas vezes choramos e gememos em oração, pedindo: “Senhor, batiza-nos com fogo. Enche-nos do teu Espírito”, mas nada acontece. Os céus continuam fechados. É que a nossa vida ainda está entupida de pecado. Não podemos ser cheios do Espírito, se já estamos cheios de pecado. Exemplo: somos como os poços de Isaque. Tem água, água boa. Mas ela não jorra por causa do entulho dos filisteus.
A igreja precisa de purificação. Jesus disse que quem nele crer não vai ter mais sede. Mas há muitos crentes com sede de pecar. Jesus disse que quem nele cresse rios de águas vivas iriam fluir. Mas, esses rios estão sendo estacandos pelo entulho do pecado.
A cidade de Campo Verde sem água. Um rato morto ficou encalhado no cano que levava a água para a caixa da cidadezinha. Se existirem ratos mortos em nossa vida, essas torrentes de Deus não vão passar.
Precisamos do batismo de fogo para purificar nossa língua, nossa mente, nossos pensamentos, nossos desejos, nossos sentimentos. Precisamos como os filhos de Jacó, limpar nossas mãos e tirar de nós as vestes sujas.
ÀS vezes estamos como Naamã: somos heróis lá fora, mas na intimidade somos cheios de lepra. Perdemos a batalha na nossa vida íntima. Agasalhamos pecados na privacidade. É preciso tirar a máscara, a armadura. É preciso buscar vida limpa, chorar pelo pecado, clamar como Davi: “Sonda-me ó Deus e conhece o meu coração…”. Precisamos clamar como Josué: “Santificai-vos porque amanhã o Senhor fará maravilhas no meio de vós”.
III. O FOGO AQUECE
Hoje há um exército de crentes frios, apáticos, sem entusiasmo, sem calor. Empolgam-se com futebol, com política, com cinema, com negócios, com dinheiro, mas não com Jesus. São crentes, mas mentem. São crentes, mas são impuros. São crentes, mas são desonestos. São crentes, mas são amigos do mundo. São crentes, mas não batizados com fogo.
1.Falta fervor na igreja. Fervor na oração, fervor da adoração, fervor da evangelização. Os crentes estão como Geazi, carregam o bordão profético, mas estão frios, sem calor. Os mortos não ressuscitam por meio deles. Eliseu não apenas carrega o bordão, ele tinha poder: Ele levou o menino para o seu quarto. Ele se envolveu. Ele se identificou. Ele agonizou. O menino levantou vivo!
2.A Palavra de Deus precisa ser verdade em nossa boca como era na boca de Elias. Hoje não temos equilibrio entre ortodoxia e ortopraxia. Uns são ortodoxos, mas não têm poder. Outros querem o poder, mas não são ortodoxos. Muitos têm medo de irem além, mas não de ficarem aquém das Escrituras.
3.Não há limitação em Deus. Enquanto tiver vazilhas vazias o azeite não pára de jorrar. O clube santo na Inglaterra, aquecido pelo fogo do Espírito começou a orar. João Wesley foi incendiado. George Withefield tornou-se uma tocha viva.
4.Wesley dizia: Ponha fogo no seu sermão ou ponha o seu sermão no fogo.
5.Moody e as mulheres metodistas. Sua experiência na Wall Street.
6.A experiência de Evan Roberts no País de Gales.
V. O FOGO SE ALASTRA
1.O fogo ou propaga ou apaga. Muitos crentes fazem ACERO para que o fogo do Espírito não chegue à sua vida.
2.Quando você se torna um graveto seco a pegar fogo, até lenha verde começa a arder. O que espalha as chamas do fogo é o vento. O vento e o fogo são símbolos do Espírito. O vento e fogo se uniram no Pentecoste. Aquele fogo se alastou de maneira poderosa. Um crente incendiado incendia outros. Não somos chamados a ser uma geladeira a conservar nosso religiosismo, mas uma fogueira a espalhar o fogo de Deus.
3.Perguntaram a Moody: Como começar um avivamento? Acenda uma fogueira no púlpito, ele respondeu.
4.Os Morávios foram incendiados por Deus e começaram uma reunião de oração que durou cem anos. Eles enviaram mais missionários para o mundo em 25 anos do que toda a igreja tinha feito até então.
5.Avivamento não emocionalismo. Não é fuga. Não é novidade. Não é desvio. Avivamento é volta para Deus. É santidade. É oração fervorosa. É amor à Palavra. É evangelização regada por lágrimas. É fogo do céu. Quando o fogo de Deus cai sobre o altar, os pecadores caem de joelho. Quando a igreja perde o fogo de Deus, os pecadores perecem no fogo do inferno.
6.A igreja na Koréia: nasceu no berço do avivamento e não se desviou até hoje. São 10 milhões de presbiterianos. Simonton clamou em seu diário: Senhor batiza-me com fogo!
7.A experiência do Antonio Carlos. O fogo está se alastrando.
8.O avivamento do País de Gales, de Kwa Sizabantu.
CONCLUSÃO
A igreja que pegou fogo. E o ateu disse:
“… mas também é a primeira vez que essa igreja pega fogo”.
Você quer hoje esse batismo com fogo?

Pastor Hernandes Dias Lopes

sábado, 22 de janeiro de 2011

Sal Sobre as Águas

Você com certeza já comeu sal. Na verdade, o sal é uma destas coisas que está tão presente em nossas vidas que acabamos por não perceber. De tão comum, não nos damos conta de quantas vezes por dia o consumimos e, na verdade, só vamos percebê-lo quando falta ou quando vem em excesso. O sal faz parte da vida do homem desde tempos longínquos. Sua descoberta abriu um leque de novas possibilidades para os agrupamentos humanos primitivos. Bem, se você não sabe, eles não tinham geladeiras algumas centenas de anos atrás. No tempo de Jesus, o sal era a substância que conservava os alimentos. Por isso, quando Jesus busca algo para simbolizar seus discípulos, ele acha no sal o exemplo perfeito:
“Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens.” (Mateus 5.13)
Ele coloca sobre os ombros do cristão a responsabilidade de salgar a terra. Falando a mesma coisa de uma forma diferente: Jesus diz que devemos fazer a diferença. O Mestre ainda pergunta o uso que faríamos de um sal que perdeu a sua força conservadora. A conclusão é simples: Lançar Fora! Quando Jesus nos chama de Sal da terra, ele quer deixar claro que devemos ser diferentes, conservantes de uma matéria sujeita a rápida decomposição e apodrecimento. Ele coloca sobre nós o chamado para sermos um povo que conserva os caminhos da verdade, justiça e compaixão.
Experimente ir à cozinha agora mesmo e colocar um pouco de sal na sua boca. Acabei de fazer isto, antes mesmo de sentar para escrever. Queria provar mais uma vez da força que o sal tem, mesmo quando em pequenas quantidades. E assim somos nós, cristãos, quando resolvemos ser sal. Não são muitos os que querem fazer a diferença e salgar um mundo perdido e em processo de destruição. É mais fácil adequar-se aos tempos. Mas, mesmo em pequenas quantidades, um povo que resolve ser Sal não tem outra opção senão marcar o mundo onde vive. Por isso, o principio do sal é tão forte. Assim como os profetas não eram muitos, mas deixaram seus nomes e influência marcada no coração de gerações, alguém que resolve ser sal, mesmo sozinho, deixará sua marca e conservará a verdade de uma vida com Deus, na alma de todos que cruzarem seu caminho. Não me diga que você tem sal e nada acontece.
“Porque cada um será salgado com fogo, e cada sacrifício será salgado com sal. Bom é o sal; mas, se o sal se tornar insípido, com que o temperareis? Tende sal em vós mesmos, e paz uns com os outros.” (Marcos 9.49-50)
O sal que precisamos ter em nós é o fogo. A única coisa que vai nos capacitar a fazer a diferença e impedir que, juntamente com o mundo, acabemos por apodrecer é o fogo de Deus em nós. Precisamos ter sal e ele é a presença do Espírito Santo queimando e purificando nossos estilos de vida. Se não for assim, não teremos energia, nem vontade efetiva, de fazer alguma coisa em nome de Jesus. O Espírito Santo, quando em sua plenitude, nos capacita com sal. As pessoas sabem quando você tem sal e quando não. A presença dele é demonstrada quando nos levantamos contra a mentira, quando amamos a justiça e odiamos o pecado. Alguém que tem uma vida de comunhão com Deus, mesmo calada, fará a diferença no lugar onde vive. Deus precisa urgentemente de vasos para encher de Sal.
No livro de 2 Reis, a Palavra de Deus nos conta uma historia bem ilustrativa sobre a importância do sal. Eu convido você a ler com o coração os versículos abaixo:
“E os homens da cidade disseram a Eliseu: Eis que é boa a situação desta cidade, como o meu senhor vê; porém as águas são más, e a terra é estéril. E ele disse: Trazei-me um prato novo, e ponde nele sal. E lho trouxeram. Então saiu ele ao manancial das águas, e deitou sal nele; e disse: Assim diz o Senhor: Sararei a estas águas; e não haverá mais nelas morte nem esterilidade. Ficaram, pois, sãs aquelas águas, até ao dia de hoje, conforme a palavra que Eliseu tinha falado.” (2 Reis 2.19-22)
A Bíblia nos fala de homens que moravam em uma boa cidade. Eles só tinham um problema: as águas eram estéreis. Elas causavam infertilidade e frutos não nasciam ali. Talvez esta seja a sua situação. Seu ministério é bom, mas não frutífero. Sua cidade é boa, está colocada em um ótimo lugar mas, as estatísticas mostram que o pecado avança mais que o Reino de Deus. Talvez isto acontece na sua própria vida, que tem tudo para dar certo mais ainda não rompeu. Este era o drama daqueles homens quando foram buscar o profeta. A solução de Deus foi bem simples. Diferente de nós, o Senhor não recorre a grandes coisas complexas. Tudo o que os céus precisam para curar as águas de um lugar é: Um vaso e Sal.
O profeta pede um vaso novo. Um recipiente disponível para ser cheio. Por acaso você já foi chamado de “vaso” por alguém depois que se converteu? Eu já. Sabe por quê? A palavra de Deus ensina que: “temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós. (2 Cor 4.7). Ou seja, o profeta estava usando de símbolos. A mensagem de Deus para nós é a de que ele precisa de Homens. De uma forma ou de outra, a presença de Deus sempre vem sobre a vida de um homem. No entanto, não se engane, Deus não usará qualquer homem. Somente um vaso cheio de sal sarará as águas inférteis. Alguém precisa ter sua vida cheia de sal, cheia de fogo, para então curar as águas de um lugar.
Quando o profeta deita o sal sobre as águas, a bíblia diz que elas são curadas. Talvez tudo o que sua cidade, família, ministério, ou mesmo, nação precisem seja de um homem cheio de sal. Quando o fogo de Deus estiver sobre você, não perca tempo, corra até o manancial de águas, a sua comunidade, e seja sal. Não há duvida: As águas serão curadas, frutos virão abundantemente e o mundo verá que a verdade ainda se conserva viva e atuante, como nos dias de Jesus e dos profetas. Um homem cheio de sal nem o inferno todo poderá parar.

Rodrigo Arrais

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Estamos na Zona de Conforto?

“E, estando um certo jovem, por nome Êutico, assentado numa janela, caiu do terceiro andar, tomado de um sono profundo que lhe sobreveio durante o extenso discurso de Paulo; e foi levantado morto.“ (Atos 20:9)
O apóstolo Paulo em uma das suas viagens missionárias foi levado pelo Espírito Santo de DEUS a pregar na cidade de Trôade, vindo de Filipos. Era assim que Paulo agia. Ele se deixava levar, para onde fosse, pelo poderoso Espírito de DEUS.
Diz a Bíblia (vs 7) que no primeiro dia da semana, estando Paulo reunido com os demais irmãos em CRISTO para celebrarem o partir o pão (Santa Ceia do SENHOR), ele deveria seguir viagem imediatamente, mas, exortando-os, prolongou o discurso até à meia noite. Paulo discursava num cenáculo onde havia muitas luzes.
Naquela época não havia luz elétrica como atualmente ou mesmo luz à gás. Luzes aqui significavam tochas. E as tochas deveriam ser feitas de um tipo de tecido embebido em óleo, na extremidade de uma vara.
A Bíblia não relata quantas pessoas haviam naquele pequeno cenáculo, mas deviam ser muitas dezenas. Ali estavam pessoas de todas as idades quer jovens, quer anciãos. Certamente o fogo nas tochas expelia algum tipo de vapor tornando aquela sala muito quente e abafada.
Estava ali o jovem Êutico que pela sua jovialidade e pelo ar abafado do cenáculo, subiu facilmente numa das janelas e ali ouvia Paulo discursar. Êutico estava na zona de conforto, na tranquilidade de uma brisa fresca em seu rosto. Provavelmente pelo ar fresco e respirável que vinha do lado de fora e pelo prolongado discurso do apóstolo, adormeceu profundamente e caiu, vencido pelo sono, do terceiro andar abaixo e foi levantado como “morto”.
Quantos de nós, atualmente, estamos nessa mesma zona de conforto? Quantos estamos dormindo, enquanto o mundo clamar por uma palavra, um amigo, um salvador?
A batalha está ferrenha nos campos e valados, mas preferimos que outros vão fazer a obra do SENHOR. Nós podemos ficar e muitas vezes dizemos: amanhã eu vou, hoje já tem quem vá!
Almas estão abafadas, a beira da perdição, pelo poder do pecado. E continuamos dizendo que há missionários. Eles que vão e preguem para essas pessoas, pois não podemos sair da nossa zona de conforto. Vamos aos cultos em nossas igrejas, ouvimos os louvores, os testemunhos e a pregação da Palavra. Pronto! Já é o bastante... E nem sequer pregamos para o nosso vizinho. Estamos, como Êutico, na zona de conforto!
Amados e amadas do DEUS, nós somos a igreja do SENHOR. E como igreja do SENHOR, somos também soldados de JESUS. Fomos alistados no poderoso exército de JEOVÁ. E como igreja, como soldados, temos o compromisso de sairmos da zona de conforto e ira até a zona de combate. E não vamos com as nossas próprias forças, mas, como Davi ao enfrentar o gigante Golias, vamos pelo braço do SENHOR Todo Poderoso.
Igreja viva de JESUS, já passa a hora de entrarmos na peleja. E nessa peleja não teremos de pelejar, só temos de estar presentes e levando a Palavra de DEUS, pois que peleja é o SENHOR (Dt 3:22).

Pb. Sidney Moreira da Silva

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Experimentando a direção de Deus

Muitas vezes os filhos de Deus já se perguntaram se há como reconhecer a direção do Senhor, a vontade de Deus para suas vidas. Em minha opinião, essa é uma das coisas mais difíceis. Mesmo assim, um cristão pode experimentar a direção do Eterno, de uma ou outra forma.
A seguir vamos meditar a respeito de duas possibilidades que temos para reconhecer a vontade ou a orientação de Deus.
Orientação pela atuação da Palavra de Deus
Um cristão que deseja experimentar a condução de Deus precisa, em primeiro lugar, estar cheio de uma confiança profunda e infantil na Palavra revelada de Deus. Se você procura por certeza absoluta, então nunca deixe de pegar a sua Bíblia! O salmista ora assim: “Ensina-me bom juízo e conhecimento, pois creio nos teus mandamentos” (Sl 119.66). Ele quer receber “juízo e conhecimento”, o que significa receber a orientação divina. Mas como isso acontece? Por meio da Palavra de Deus: “...creio nos teus mandamentos”.
Por que a Palavra de Deus tem condições de permitir que experimentemos a maravilhosa direção do Senhor? Porque não é apenas a palavra do Eterno, mas porque o próprio Cristo é a Palavra! Entretanto, é justamente isso que causa tanta dificuldade a muitos cristãos. Não são poucos os que dizem: “Ah!, se eu pudesse escutar o Senhor assim como os discípulos e tantas outras pessoas O escutaram naquela época – então eu creria mais!” Mas esse argumento não é consistente. Tais irmãos na fé deveriam entender o que significa escutar a Palavra de Deus – então eles perceberiam que a leitura da Bíblia nada mais é que ouvir Jesus falando! O Evangelho de João é muito claro ao falar desse fato: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus (...) E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (Jo 1.1-2,14). Esse texto fala de Jesus – e como Ele é chamado? “O Verbo”! É verdade: Jesus Cristo é o Verbo encarnado de Deus! Por isso o último livro da Bíblia também O trata pelo mesmo significativo nome: “[Jesus] Está vestido com um manto tinto de sangue, e o seu nome se chama o Verbo de Deus” (Ap 19.13). Mesmo que o Senhor tenha nos dado inteligência e até mesmo Seu Espírito Santo (àqueles que crêem em Jesus), durante a leitura da Palavra de Deus às vezes surgem termos, verdades e contextos que não conseguimos entender, seja parcial ou totalmente. Não são poucos os que enfrentam dificuldades até com a afirmação “o Verbo (a Palavra) se fez carne”. Mas justamente quando encontramos palavras e passagens na Bíblia que não entendemos há somente uma fórmula segura: podemos e devemos crer naquilo que está escrito! Pois a Palavra de Deus é a verdade! Em outras palavras: se você tiver diante de si um texto que não dá para entender, minimize sua inteligência e maximize a sua fé!
Em Jó 8.9 ouvimos Bildade, o suíta, dizer: “Porque nós somos de ontem e nada sabemos...”. Será que nós também não deveríamos confessar isso mais vezes? Não seria tempo de reconhecer que não sabemos nem entendemos muitas coisas? Será que não deveríamos passar a ser cada vez mais honestos nesse ponto? – Se fizermos isso, vamos experimentar uma libertação interna; uma libertação que nos levará à fé infantil!
Em Jó 8.9 ouvimos Bildade, o suíta, dizer: “Porque nós somos de ontem e nada sabemos...”. Será que nós também não deveríamos confessar isso mais vezes? Não seria tempo de reconhecer que não sabemos nem entendemos muitas coisas? Será que não deveríamos passar a ser cada vez mais honestos nesse ponto? – Se fizermos isso, vamos experimentar uma libertação interna; uma libertação que nos levará à fé infantil! Quem reconhece a sua falta de conhecimento verá que sua fé começa a crescer.
A propósito: também nas nossas orações volta e meia somos confrontados com a falta de conhecimento, não é mesmo? Sim, é exatamente assim; por isso o apóstolo Paulo escreveu: “Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis” (Rm 8.26). Portanto, quando oramos, confiamos no Espírito Santo, porque no fim das contas somos incapazes de orar da forma que agrada a Deus. É preciso fazer o mesmo quando se trata de verdades bíblicas que não podemos compreender com nossa inteligência. Vamos devotar confiança completa à Palavra de Deus, deixando tudo aos cuidados do Espírito Santo!
Como cristãos renascidos cremos de todo o coração que Jesus é a Palavra encarnada de Deus. Por isso, as afirmações do Antigo e do Novo Testamento nos permitem experimentar constantemente a orientação divina. Pois quando a Palavra do Eterno fala a nós, o próprio Cristo fala conosco. O próprio Senhor confirmou isso quando disse: “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim” (Jo 5.39). Ao falar de “Escrituras”, Ele se referia ao Antigo Testamento e, no meu entendimento, profeticamente também ao Novo Testamento, que seria divinamente completado cerca de cem anos depois de Seu nascimento. E como toda a Escritura Sagrada testemunha de Cristo, a história dos discípulos de Emaús relata: “E, começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, [Jesus] expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras” (Lc 24.27). Também nisto Jesus testifica de forma muito clara: na Escritura vocês encontram a Mim. E isso significa: a Escritura fala as minhas palavras; Eu sou a Escritura!
“Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão”.
Quem ler sua Bíblia com essa fé, receberá por meio da Palavra de Deus uma força permanente, uma indestrutível fonte de bênção. Pois o Senhor Jesus, que é a verdade em pessoa, deu o seguinte testemunho em relação às Suas palavras: “Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão” (Mt 24.35). Nós, que pertencemos a Jesus, deveríamos confiar e crer muito mais na Palavra de Deus, sabendo que por meio dela podemos e iremos experimentar a Sua orientação! Afinal, a palavra na Bíblia não é “apenas” palavra escrita, mas é o próprio Cristo! Por isso vamos considerar com seriedade a exortação de nosso Pai celeste, que envia a seguinte ordem do céu: “Este é o meu Filho amado; a ele ouvi” (Mc 9.7). Por isso: ouça-O se você quiser experimentar a orientação de Deus. Na prática funciona assim: abra mais a sua Bíblia, leia-a em espírito de oração. Só isso é suficiente para que você trilhe o caminho da salvação de forma sempre nova, que sempre escolha o caminho estreito, pois está escrito: “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e luz para os meus caminhos” (Sl 119.105). Aqui as palavras maravilhosas falam da orientação divina, pois Cristo, a Palavra encarnada, disse a respeito de si mesmo: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida” (Jo 8.12). Essa é a condução divina experimentada por todos aqueles que dedicam total confiança à Palavra de Deus – isto é, Jesus Cristo!
Alguns exemplos podem esclarecer como experimentar na prática a orientação de Deus na Palavra e por meio da Palavra: há alguns anos, meu pai nos contou que alguém tinha lhe oferecido uma parceria que no fundo girava em torno do dinheiro. Como tinha muitas dúvidas a respeito, ele clamou ao Senhor em sua angústia, abriu a Bíblia e Deus dirigiu seu olhar para as palavras: “...teremos todos uma só bolsa” (Pv 1.14), às quais seguia a advertência: “Filho meu, não te ponhas a caminho com eles; guarda das suas veredas os pés” (v.15). Essas palavras deram a ele uma resposta tão clara naquele momento, que recusou a parceria sem qualquer hesitação. Mais tarde, as circunstâncias mostraram que essa tinha sido a única decisão correta a tomar.
Talvez agora você se pergunte: podemos usar a Bíblia desse jeito, do mesmo jeito que Wim Malgo fez? Bem, meu pai não forçou a situação para encontrar essa direção, ele simplesmente a recebeu. Em outras palavras: ele experimentou a clara orientação de Deus por meio da Palavra.
Outra experiência da vida do meu pai foi a seguinte: ele e minha mãe viajavam por conta do ministério. Estavam na estrada, a caminho do próximo compromisso, em um carro bastante “velho”. De repente meu pai disse à minha mãe: “Estou me sentindo estranho e com muita tontura; precisamos parar o mais rapidamente possível”. Graças a Deus, depois da curva seguinte havia um espaço para descanso à beira da estrada, onde eles puderam parar. A “tontura” do meu pai piorava cada vez mais. Ele acabara de estacionar o carro quando uma das rodas traseiras se soltou do eixo. Imediatamente eles perceberam de onde vinha a tontura do meu pai: a roda tinha estado a ponto de se soltar. Como o carro não tinha condições de seguir viagem, ele foi guinchado e levado a uma oficina para o conserto. Nesse meio tempo, eles foram obrigados a pernoitar em um hotel. Quando chegaram ao quarto, meu pai espontaneamente pegou a Bíblia e leu a maravilhosa promessa: “Sabei, pois, que o SENHOR separou para si aquele que lhe é querido” (Sl 4.3, RC). Esta palavra confirmou aos meus pais que haviam estado sob a clara orientação do Senhor! Do contrário, o fim da história poderia ter sido terrível.
Tenho certeza de que muitos de nossos leitores já experimentaram situações e proteção semelhantes.
Podemos confiar piamente naquilo que Deus nos diz em Sua Palavra, e assim voltar a experimentar a Sua clara orientação dia após dia. Se o Senhor lhe der uma palavra, não permita que o inimigo a roube de você semeando dúvidas.
Certa vez li algo a respeito em um dos livros do abençoado servo de Deus Oswald Chambers, que cito aqui livremente: “Se você ler uma palavra de Deus na Bíblia ou alguém lhe citar uma afirmação de Deus, e ela atingir seu coração como um raio, por ser uma resposta clara a uma pergunta que você tinha apresentado ao Senhor, então não hesite em crer firmemente naquilo que Ele acabou de lhe dizer. Deixe todas as dúvidas para trás, levante-se e aja de acordo com aquilo que lhe foi dito! Pois Deus falou com você, como se um anjo tivesse descido do céu para lhe dar essas palavras”.
Abra mais a sua Bíblia, leia-a em espírito de oração. Só isso é suficiente para que você trilhe o caminho da salvação de forma sempre nova.
George Müller demonstrou da forma mais clara possível que Deus cumpre a Sua palavra. Afinal, ele dirigiu – somente com base nas promessas da Escritura Sagrada – um orfanato em Bristol, com mais de 2.000 órfãos.
Também há testemunhos de mulheres que confiaram completamente na Palavra de Deus e não foram envergonhadas. Certa vez tive o privilégio de visitar na Holanda uma senhora judia de mais de oitenta anos, crente em Jesus. Ela já havia chegado à fé em Jesus Cristo quando criança e tinha sobrevivido ao Holocausto. Ela me disse o seguinte em relação à Bíblia: “Primeiro, eu sempre leio o que está escrito, depois aceito o que está escrito e em terceiro lugar faço o que está escrito”. Na época mais difícil de sua vida, essa mulher experimentou de forma maravilhosa como Deus a orientava por meio de Sua Palavra. Deus honra a Sua aliança para com aqueles que dedicam sua total confiança à Sua Palavra em qualquer situação, e permite que estes experimentem a Sua maravilhosa orientação. Por que isso acontece?
A Escritura Sagrada é:
•a única revelação de Deus
•a única forma pela qual Deus fala diretamente
•o único apoio inabalável
•a única autoridade infalível.
Só a Escritura Sagrada é:
•digna de confiança
•imutável
•incorruptível.
Por isso podemos experimentar a maravilhosa direção de Deus em nossa vida quando nos apropriamos das palavras e promessas da Escritura Sagrada.
Direção debaixo das vistas de Deus
Uma passagem bíblica que retrata e exemplifica de forma maravilhosa como acontece a direção de Deus em nossa vida está no Salmo 32.8, onde o Senhor diz: “Instruir-te-ei e te ensinarei o caminho que deves seguir; e, sob as minhas vistas, te darei conselho”. O Senhor promete aos Seus que vai conduzi-los dirigindo a eles os Seus olhos. Meditando a respeito, lembrei-me do relacionamento cheio de amor entre um pai e o filho que ele vê diante de si. O pai conduz a criança pela mão, enquanto seus olhos vigiam continuamente o filho.
Quando um jovem questionou o Senhor Jesus sobre a vida eterna (Mc 10.17) e confirmou que desde criança cumpria todos os mandamentos (v. 20), lemos: “E Jesus, fitando-o, o amou...” (v. 21). Por que Jesus olhou para ele? Para guiá-lo; para tomá-lo pela mão para que reconhecesse o caminho certo para sua vida. O jovem rico recebeu a oportunidade de ser guiado pelo próprio Jesus. Os olhos do Senhor já pousavam cheios de amor sobre ele – mas o homem não atendeu ao apelo. Que tragédia! É uma prova ilimitada do Seu amor que os Seus olhos repousem sobre nós, para que Ele nos aconselhe e guie desse jeito.
Assim como o pai guia seu filho, Deus também quer nos conduzir pela mão.
Se tomarmos consciência de quão maravilhosos são os olhos que repousam sobre nós, então só podemos adorar, dizendo: que grande Senhor é o nosso! Pois a Bíblia descreve dessa forma os Seus olhos, com os quais Ele quer nos guiar: “A sua cabeça e cabelos eram brancos como alva lã, como neve; os olhos, como chama de fogo” (Ap 1.14). Isso significa que os Seus olhos atravessam a mais profunda escuridão. Nada Lhe está oculto. Quando nós já perdemos qualquer perspectiva há muito tempo, Ele ainda enxerga. O que é totalmente incompreensível para nós, está completamente revelado diante dEle. O salmista tinha plena consciência desse fato quando orou: “Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá” (Sl 139.7-10). Sim, o Senhor quer que Seus filhos experimentem Sua direção também dessa forma: Ele os guia à medida que Seus olhos estão sobre eles dia e noite, em todas as circunstâncias de suas vidas, onde quer que estejam. E onde quer que Ele tenha essa oportunidade de guiar, conduzir e aconselhar uma pessoa, ali uma luz brilhará mesmo na mais profunda escuridão. Por isso, não desanime, o que quer que você tenha de enfrentar, ou qualquer que seja a sua situação: o Senhor Jesus, que o conduz com Seus olhos, sempre vê uma saída!
Uma pessoa sobre cuja vida Deus mantém os olhos abertos, que permite que Deus a guie dessa forma, é espiritual. Em outras palavras: a atuação do Espírito Santo é o alicerce da vida dela. O Espírito Santo é também o motor que a impulsiona a fazer as coisas corretas e a escolher o caminho certo. Vamos olhar mais uma vez para o texto de Romanos 8.26, que fala sobre nossa incapacidade na oração e então aborda a ajuda que o Espírito Santo dá: “Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis”. Afinal, por que o Espírito Santo intercede por nós, para que saibamos orar da forma certa? Qual é a Sua motivação? Será que Ele foi encarregado por alguém a fazer isso? Sim, exatamente: o Espírito Santo nos representa na oração da forma como o Pai deseja. É o que vemos no versículo seguinte: “E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele [o Espírito Santo] intercede pelos santos” (v. 27). Deus, o Pai, quer que oremos de determinada forma. Ele quer nos aconselhar, mantendo Seus olhos dirigidos para nós, e deseja nos guiar conforme a Sua vontade. Então, o Espírito Santo produz essa vontade de Deus em nós.
O mesmo acontece, por exemplo, com o fato de que o Espírito Santo deseja nos guiar em toda a verdade, como diz Jesus. Por que o Espírito Santo quer e faz isso? Porque o próprio Senhor o deseja, porque Seus olhos estão sobre nós e porque Ele deseja nos conduzir em toda a verdade. O Senhor Jesus diz a esse respeito: “quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade”. Por que o Espírito Santo faz isso? A resposta é: “porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido... porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar” (Jo 16.13-14). Quando o Espírito Santo deseja nos guiar “em toda a verdade” isso está relacionado àquilo que o Senhor Jesus quer de nossa vida: “...porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar”.
São os olhos do Senhor, que descansam incansavelmente sobre nós, que nos guiam e conduzem. Mas é o Espírito Santo que – como um tradutor – nos explica e esclarece a vontade de Deus.
“Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e, luz para os meus caminhos”.
Naturalmente ainda fica a seguinte questão: como o Espírito Santo produz tudo isso em nós? Como acontece esse processo, pelo qual o Espírito Santo nos representa na oração “com gemidos inexprimíveis”? Como Ele nos revela os motivos pelos quais devemos orar? Bem, Ele não chama um anjo do céu para nos entregar uma lista de motivos. Mas como isso tudo funciona de verdade? Não de forma milagrosa ou espetacular, como muitos irmãos certamente já desejaram. Não, o Espírito Santo simplesmente coloca o motivo em nosso coração. Ou, em outras palavras: desperta em nós o pensamento de orar por este ou aquele motivo.
Da mesma forma acontece com a principal incumbência do Espírito Santo, isto é, a glorificação de Jesus em nós e por meio de nós. Jesus diz: “Ele [o Espírito Santo] me glorificará” (Jo 16.14). Isso significa que Ele não fala por meio de uma experiência espetacular e extraordinária. Não, o Espírito Santo faz Jesus crescer em nós. Ele nos impulsiona a pensar nEle. Ele desperta em nós o desejo de ter comunhão com Jesus e a Sua palavra. Ou Ele produz em nós um impulso interior de, por exemplo, fazer uma declaração de amor ao nosso Senhor, como Davi fazia: “Eu te amo, ó SENHOR, força minha” (Sl 18.1). Davi não orou dessa forma porque teve alguma revelação especial, mas porque sentia isso em seu coração. Ele simplesmente ficou com vontade de louvar ao Senhor dessa forma. O mesmo acontece com aqueles que se tornaram propriedade de Jesus. De uma hora para outra nosso coração nos mostra o que devemos fazer ou não fazer.
Os olhos do Senhor voltados para nós e a atuação do Espírito Santo em nós às vezes produzem o desejo de fazer algo ou deixar de fazer outra coisa. Em outras palavras: temos a forte sensação ou até mesmo a certeza de que este caminho é o certo, e o outro, errado.
Mas os olhos do Senhor não repousam sobre todas as pessoas, sem exceção. Da mesma forma, nem todas as pessoas experimentam a atuação do Espírito Santo que descrevemos acima. Há uma condição, que é a seguinte: “Porque, quanto ao SENHOR, seus olhos passam por toda a terra, para mostrar-se forte para com aqueles cujo coração é totalmente dele” (2 Cr 16.9). Portanto, Deus quer nos ensinar e mostrar o caminho em que devemos andar; Ele quer nos aconselhar, Ele quer dirigir Seus olhos para nós (Sl 32.8) – mas só quando nós também o queremos, quando nosso “coração é totalmente dele”. Somente filhos de Deus consagrados vivem essa direção especial de Deus; só eles experimentam isto: os olhos de Deus sobre eles, a atuação do Espírito Santo dentro deles!
Por isso, certifique-se de que a cada novo dia todos os obstáculos entre você e o Senhor sejam removidos; só assim você experimentará essa extraordinária direção do Senhor! Faça isso, e você experimentará a direção especial de Deus conforme descrita em Isaías 30.21: “Quando te desviares para a direita e quando te desviares para a esquerda, os teus ouvidos ouvirão atrás de ti uma palavra, dizendo: Este é o caminho, andai por ele”.

 Marcel Malgo

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O Testemunho de João Batista

É um fato curioso que no quarto Evangelho todas as referências a João Batista são referências pejorativas. Existe uma explicação. João era uma voz profética; a voz profética tinha permanecido em silêncio durante quatrocentos anos, e em João voltou a falar. Parece que havia alguns que se sentiam tão fascinados por João que lhe deram um lugar mais alto do que lhe correspondia. De fato, existem referências sobre uma seita que dava a João o lugar supremo. Achamos um eco de tal seita em Atos 19:3-4.
Em Éfeso, Paulo se encontrou com um grupo de pessoas que só conheciam o batismo de João. Não se trata de que o quarto Evangelho se propõe a criticar a João Batista ou subestimar sua importância. Simplesmente João sabia que havia algumas pessoas que davam ao Batista um lugar que usurpava o que correspondia ao próprio Jesus.
Assim, pois, ao longo de todo o quarto Evangelho João cuida de assinalar uma e outra vez que o posto de João Batista na estrutura das coisas era elevado, mas que, entretanto, seguia sendo subordinado ao de Jesus Cristo. Aqui se preocupa em assinalar que João não era essa luz, e sim um mero testemunho da luz (1:8).
Mostra a João negando que ele fosse o Cristo, nem sequer o grande profeta que Moisés tinha prometido (1:20). Quando os judeus se dirigiram a João e lhe disseram que Jesus tinha começado sua carreira como mestre, certamente esperavam que João se sentisse incomodado. Mas o quarto Evangelho mostra a João negando que lhe pertencia o primeiro lugar, e declarando que ele devia minguar enquanto Jesus devia crescer (3:25-30). Destaca-se que Jesus tinha mais êxito no chamado aos homens que o que João tinha tido (4:1). Destaca-se que o povo até afirmava que João não era capaz de fazer as coisas que Jesus fazia (10:41).
Em algum lugar da Igreja havia pessoas que queriam dar um lugar muito elevado a João Batista. O próprio João Batista não inspirou esta atitude. Pelo contrário, fez todo o possível por evitá-la. Mas o quarto Evangelho sabia que existia a tendência, e buscou alertar contra ela. Até hoje pode acontecer que os homens venerem a um pregador mais que a Cristo. Até hoje pode acontecer que os homens dirijam o olhar ao arauto em vez de ao Rei, de quem é mensageiro. Não terá que culpar no mais mínimo a João pelo que acontecia. Mas João o Evangelista estava decidido a que ninguém expulsasse a Cristo do posto supremo.
É ainda mais importante assinalar que nesta passagem nos encontramos com outra das grandes palavras-chave do quarto Evangelho. Trata-se da palavra testemunho. O quarto Evangelho nos apresenta um testemunho após outro do lugar supremo que corresponde a Jesus Cristo. No quarto Evangelho há oito testemunhos da posição única de Jesus.
(1) O testemunho do Pai. Jesus disse: “Também o Pai que me enviou deu testemunho de mim” (5:37). “O Pai que me enviou dá testemunho de mim” (8:18). O que Jesus quis dizer com isto? Duas coisas. Quis dizer algo que o afetava a ele próprio. Em seu coração falava a voz interior de Deus, e essa voz não lhe deixava nenhuma dúvida a respeito de quem era e para que tinha sido enviado. Jesus não se via si mesmo como quem tinha escolhido sua tarefa. Estava intimamente convencido de que ninguém mais que Deus o tinha enviado ao mundo para viver e morrer pelos homens. Sua vinda estava destinada a afetar os homens. Quando um homem se confronta com Cristo experimenta a íntima convicção de que este não é outro senão o Filho de Deus.
Tyrrell disse que o homem jamais se pode livrar desse “homem estranho pendurado da cruz”. Essa força interior que sempre dirige nossos olhos a Cristo, mesmo que tentemos esquecê-lo, essa voz interior que nos diz que este Jesus não é outro senão o Filho de Deus e o Salvador do mundo, é o testemunho de Deus em nossas almas.
(2) O testemunho do próprio Jesus. Ele disse: “Eu sou o que testifico de mim mesmo” (8:18). “Posto que eu testifico de mim mesmo, o meu testemunho é verdadeiro” (8:14). O que isto quer dizer? Quer dizer que o que Jesus era, era seu melhor testemunho. Jesus afirmava que era a luz, a vida, a verdade e o caminho. Afirmava ser o Filho de Deus e um com o Pai. Afirmava ser o Salvador e Senhor de todos os homens. Se sua vida e sua personalidade não tivessem sido o que foram, tais afirmações só teriam sido escandalosas e blasfemas. O que Jesus era em si mesmo foi o melhor testemunho de que suas afirmações eram verdadeiras.
(3) O testemunho de suas obras. Disse: “As obras que o Pai me confiou para que eu as realizasse ... testemunham a meu respeito” (5:36). “As obras que eu faço em nome de meu Pai testificam a meu respeito” (10:25). Assegura a Filipe a respeito de sua identidade total com o Pai, e logo diz: “Crede ao menos por causa das mesmas obras” (14:11). Uma das condenações dos homens é que viram suas obras, e não creram (15:24).
Devemos notar uma coisa. Quando João fala das obras de Jesus, não fala só dos milagres de Jesus; está pensando em toda a vida de Jesus. Não pensava só nos momentos sobressalentes, e sim na vida que Jesus vivia cada momento do dia. Ninguém poderia fazer as obras maravilhosas que Jesus levou a cabo se não estivesse mais perto de Deus do que jamais homem algum esteve. Mas, ao mesmo tempo, ninguém teria vivido essa vida de amor e piedade, compaixão e perdão, serviço e ajuda na vida cotidiana se não tivesse estado em Deus e Deus nele. Não é fazendo milagres que demonstramos que pertencemos a Cristo, mas sim levando uma vida como a de Cristo em todos os momentos do dia. Demonstramos que pertencemos a Ele nas pequenas coisas da vida.
(4) O testemunho que as Escrituras dão. Jesus disse: “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim.” (5:39). “Porque, se, de fato, crêsseis em Moisés, também creríeis em mim; porquanto ele escreveu a meu respeito.” (5:46). Filipe está convencido de que achou Aquele de quem falaram Moisés, a Lei e os profetas (1:45). Através de toda a história de Israel, os homens tinham sonhado com o dia em que viria o Messias de Deus. Tinham esboçado suas imagens e escrito suas idéias a respeito dele. E agora, por fim, todos esses sonhos e imagens se concretizavam e realizavam por completo em Jesus. Tinha vindo Aquele que o mundo estava esperando.
(5) O testemunho do último dos profetas, João Batista. “Este veio como testemunha para que testificasse a respeito da luz” (1:7-8). João deu testemunho de que viu o Espírito descer sobre Jesus. Aquele em quem culminava o testemunho profético foi quem deu testemunho de que Jesus era a que apontavam todos os testemunhos proféticos. (6) O testemunho daqueles com quem Jesus entrou em contato. A mulher de Samaria deu testemunho da percepção e do poder de Jesus (4:39). O homem cego de nascimento deu testemunho do poder curativo de Jesus (9:25,38). O povo que presenciava os milagres de Jesus falava de seu assombro diante as coisas que tinha feito (12:17).
Uma lenda relata como fez o Sinédrio para procurar testemunhas quando estavam julgando a Jesus. Veio uma multidão de pessoas dizendo: “Eu era leproso e Ele me curou”; “Eu era cego e Ele me abriu os olhos”; “Eu era surdo e Ele me fez ouvir”. Esse era exatamente o tipo de testemunhas que o Sinédrio não queria. Mas em todas as idades e em todas as gerações houve multidões dispostas a dar testemunho do que Jesus tinha feito por suas almas.
(7) O testemunho dos discípulos e especialmente do próprio autor do Evangelho. A comissão de Jesus a seus discípulos foi: “E vós também testemunhareis, porque estais comigo desde o princípio” (15:27). O autor do Evangelho é uma testemunha e fiador pessoal das coisas que relata. A respeito da crucificação, escreve: “Aquele que isto viu testificou” (19:35). “Este é o discípulo que dá testemunho a respeito destas coisas e que as escreveu” (21:24). A história que conta não é algo que ouviu, não se trata de um conto de seguida mão. Seu Evangelho é o relato do que ele próprio viu e experimentou. O melhor de todas as testemunhas é aquele que pode dizer: “Isto é certo, porque eu sei por minha própria experiência”.
(8) O testemunho do Espírito Santo. “Quando, porém, vier o Consolador,... o Espírito da verdade ... dará testemunho de mim” (15:26). Na Primeira Epístola, João escreve: “E o Espírito é o que dá testemunho, porque o Espírito é a verdade” (1 João 5:6). Para o judeu o Espírito cumpre duas funções. Trouxe a verdade de Deus aos homens e permitiu que os homens reconhecessem essa verdade quando a vissem.
Graças à obra do Espírito em nossos corações podemos conhecer a Jesus como quem é e confiar no que Ele pode fazer. João escreveu seu Evangelho com o fim de pôr perante os olhos dos homens o testemunho irrefutável de que Jesus Cristo é a mente de Deus revelada em sua totalidade aos homens.

Fonte: O NOVO TESTAMENTO Comentado por William Barclay