domingo, 26 de abril de 2015

Muçulmanos e Cristãos: Embate de Cosmovisões


Os cristãos creem que Deus criou a humanidade à sua própria imagem e semelhança(Gn1.26-27). Consequentemente, a humanidade reflete algo da glória de Deus de modo singular. A humanidade – tanto homens quanto mulheres – forma o clímax da criação de Deus, e é dotada de capacidades que a separa do resto da criação. Ser feito à imagem de Deus investe o homem de imensurável dignidade, provendo a base para a ética social que inclui desde o nosso falar uns com os outros (Tg 3.10-11) até a proibição de assassinato e o uso de sentenças de morte judiciais (Gn 9.5-6).
Os muçulmanos rejeitam a ideia de que o homem é criado à imagem e semelhança de Deus. O islamismo ensina que Alá é totalmente distinto de sua criação. Nada na criação compartilha a glória ou a semelhança de Alá. E, contrastando a ideia de ser achado “bom” nesta criação, o Alcorão ensina que o homem foi feito com uma fraqueza (Sura 4:28).

Onde se origina o pecado?

Muçulmanos e cristãos também diferem quanto à origem e ao significado do pecado. A Bíblia ensina que Adão, representando toda a humanidade, cometeu o primeiro pecado quando transgrediu o mandamento de Deus sobre não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gn 2.16-17; 3). Quando Adão cometeu aquele pecado, toda a humanidade caiu com ele. “Assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Rm 5.12). A Bíblia prossegue e diz que, por consequência, “veio o juízo sobre todos os homens para condenação” e “pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores” (Rm 5.18-19).
A desobediência de Adão produziu várias consequências trágicas. Primeiramente, o pecado introduziu a morte no mundo como a penalidade pela transgressão. Em segundo, o ato de Adão mergulhou consigo toda a humanidade no pecado e na condenação de Deus sobre todos os homens. Em terceiro, o pecado de Adão corrompeu profundamente a natureza da humanidade, de modo que o homem não somente peca, mas também é um pecador. De fato, o homem não é um pecador por causa de seus pecados; o homem peca porque, em seu âmago, é um pecador. O pecado não é apenas o que fazemos, é o que somos. E, por esta razão, a Bíblia ensina que o homem é escravo do pecado (Rm 6.6, 15-20; 7.25).
Mas o ponto de vista islâmico é bem diferente. O relato muçulmano da criação não inclui qualquer ênfase significativa quanto ao pecado de Adão ou quanto à queda da humanidade no pecado. Não é dito que Adão pecou contra Deus, e sim que ele cometeu um erro ético. Os muçulmanos consideram injusta a ideia de que o pecado de uma pessoa seja, de alguma maneira, atribuído a outra. O Alcorão ensina que “a responsabilidade de uma alma não pode ser transferida a outra” (Sura 6:164; 17:15; 35:18; 53:38).
Portanto, os muçulmanos negam o pecado original. A maioria deles define o pecado apenas como desobedecer à vontade de Alá. Essa desobediência vem da fraqueza e ignorância do homem, mas não de uma corrupção em sua natureza. Embora os eruditos muçulmanos discordem sobre como definir as categorias, os muçulmanos creem realmente em pecados maiores e menores.

O pecado ofende a Deus?

Outro aspecto em que cristãos e muçulmanos diferem é em seu entendimento sobre o objeto do pecado. Contra quem pecamos? Chawkat Moucarry resume proveitosamente o entendimento islâmico quando escreve: “O islamismo ensina que nossos pecados não podem ofender nosso Criador, que permanece muito acima de nós para ser diretamente inquietado por nossa desobediência”.[1] O Alcorão sustenta que o pecador “faz mal a si mesmo” (Sura 6:51).
A Bíblia, entretanto, ensina que nosso pecado é contra o próprio Deus. Em nosso pecado e natureza pecaminosa, demonstramos hostilidade a Deus, provando que somos inimigos alienados de Deus (Rm 5.10; Cl 1.21). Nosso pecado afronta pessoalmente a Deus. O rei Davi disse após seu adultério com Bate-Seba: “Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mau perante os teus olhos” (Sl 51.4). Em vez de ser insensivelmente não incomodado pelo pecado, Deus se entristece por ele (Gn 6.5-6). E, em sua justiça, Deus promete que não deixará o pecado sem punição (Êx 34.7), nem mesmo pecados não intencionais (Lv 4).

Quão sério é o nosso pecado?

Em face do que já abordamos, não devemos nos surpreender pelo pecado ser significativamente menos sério no ponto de vista muçulmano do que no ponto de vista cristão. O pecado repousa levemente na consciência muçulmana porque os muçulmanos veem o pecado primariamente como fraqueza e não como iniquidade, como transgressão geral e não como traição ímpia, não admitindo como o pecado desonra a Deus exatamente porque ocorre em e por aqueles que Deus criou à sua imagem. O pecado é uma ofensa tão horrorosa contra Deus que a única coisa que pode mitigar sua ira santa para conosco é o sacrifício de seu único filho (Rm 3.25).
Isto significa que uma das tarefas primárias que os cristãos têm ao compartilhar o evangelho é demonstrar a seriedade do pecado para todas as pessoas.

Fomentando urgência quanto ao perigo do pecado

Uma coisa que temos de fazer ao compartilhar o evangelho com nossos amigos muçulmanos é chamá-los a reagir urgentemente ao perigo e à corrupção do pecado. Enquanto continuarem a crer que Alá não é afrontado pelo pecado, não terão a motivação para arrependerem-se e confessarem. Os muçulmanos precisam ver que a Bíblia define o pecado como rebelião contra Deus, o que incorre na ira de Deus.
John Piper expressa algo sobre a tremenda urgência associada ao nosso pecado, a ira de Deus contra o pecado e o perigo da condenação eterna. Este deve ser nosso sentimento quando compartilhamos as gloriosas boas-novas do evangelho com nossos amigos muçulmanos:
Eu devo sentir a verdade sobre o inferno – que ele existe, é terrível e horrível, além do que possamos imaginar, para sempre e sempre. “Irão estes para o castigo eterno” (Mt 25.46). Ainda que eu entendesse o “lago de fogo” (Ap 20.15) ou a “fornalha acessa” (Mt 13.42) como um símbolo, seria confrontado com o terrível pensamento de que símbolos não são afirmações exageradas, e sim afirmações brandas, da realidade. Jesus não escolheu estas figuras para nos dizer que o inferno é mais tranquilo do que o ardor do fogo. Devo sentir a verdade de que, se antes eu estava tão próximo do inferno quanto estou da cadeira na qual me sento – até mais próximo… suas visões eram as minhas visões. Eu era filho do inferno (Mt 23.15), um filho do Diabo (Jo 8.44) e filho da ira (Ef 2.3). Eu pertencia à raça de víboras (Mt 3.7), estava sem esperança e sem Deus (Ef 2.12). Devo crer que, assim como um alpinista que, havendo escorregado, está pendurado pelos dedos sobre um abismo mortal, também antes eu estava pendurado sobre o inferno e a apenas uma batida de coração do tormento eterno. Digo-o lentamente: tormento eterno! Devo sentir a verdade de que a ira de Deus permanecia sobre a minha cabeça (Jo 3.36). A face de Deus estava contra mim (Sl 34.16); ele me odiava em meus pecados (Sl 5.5). A maldição e a ira de Deus eram a minha porção (Gl 3.10). O inferno não foi imposto a Deus por Satanás. Era o plano e a designação de Deus para pessoas como eu (Mt 25.41). Devo sentir em meu coração que toda a justiça do universo estava do lado de Deus e contra mim. Eu era totalmente corrompido e culpado, e Deus foi perfeitamente justo em sua sentença (Sl 51.4; Rm 3.4).[2]
Você sente a verdade e os horrores do inferno quando pensa em compartilhar com os outros as boas-novas da salvação de Deus? Quão frequentemente você pensa na realidade de que antes era filho do inferno, destinado à ira de Deus? Até um versículo popular como João 3.16 – agora amplamente sentimentalizado pelas opiniões superficiais sobre o amor de Deus – fala de uma condenação já pronunciada, sob a qual todo o mundo está por causa do pecado.
O horror e a certeza do pecado devem nos afligir e motivar a compartilhar a verdade sobre o pecado e sua abominação com nossos amigos muçulmanos, os quais pensam brandamente sobre o pecado e suas consequências. Concordo com John Piper quando ele escreve: “Se eu não creio em meu coração nestas verdades terríveis – se não creio nelas de modo que sejam reais em meus sentimentos – então, o bendito amor de Deus em Cristo não brilhará de modo algum”.[3]  http://voltemosaoevangelho.com/

[1] Chawkat Moucarry, The Prophet and the Messiah: An Arab Christian’s Perspective on Islam and Christianity (Downers Grove, IL: InterVarsity, 2001), 99.
[2] John Piper, Brothers, We Are Not Professionals: (Nashville: Broadman and Holman, 2002), 114–15.
[3] Ibid., 115.

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