sábado, 25 de maio de 2013

Pre-história, segundo a Cosmovisão Cristã

O conceito de pré-história foi elaborado no século 19, em um contexto de imperialismo europeu, que buscava justificativas para a dominação de povos mais “atrasados”. Nascia ali a definição de História associada ao início da escrita. Logo, tudo o que antecede o registro dos documentos mais antigos – em cuneiforme mesopotâmico e hieroglífico egípcio, datados de 3.200 a.C) – é classificado como pré-história. 
A escrita, sem dúvida, é uma fonte de informação mais rica do que um artefato sem sinais gráficos, mas, na ausência de documentos, o caminho é recorrer à cultura material (cerâmicas, pinturas e artefatos), campo da Arqueologia, e aos fósseis humanos, passatempo dos paleantropólogos. 
Para facilitar o estudo desse período que, segundo os evolucionistas, começou há mais de 1 milhão de anos, Christian J. Thomsen, em 1816, criou os termos Idade da Pedra (1 milhão a 3.200 a.C), do Bronze (3.200 a 1.200 a.C) e do Ferro (1.200 a.C até hoje). Seu insight aconteceu quando organizava os artefatos do Museu Nacional da Dinamarca e percebeu que esses três materiais predominavam nas ferramentas das civilizações mais antigas.
O problema das datas
Para os evolucionistas, o desenvolvimento tecnológico desses artefatos representaria a evolução cognitiva do homem. Teríamos avançado da pedra para o ferro, do simples para o complexo. Já os criacionistas entendem que essas ferramentas representam apenas o desenvolvimento cultural do homem, e não, o biológico. Isso explicaria por que, há poucas décadas, foram ainda encontradas comunidades isoladas que apresentaram hábitos e organização social dignos da Idade da Pedra. Para os criacionistas, o período da pedra, do bronze e do ferro não foram necessariamente sucessivos e longos, mas contemporâneos. 
Os que questionam a cronologia evolucionista se mostram mais cautelosos quanto aos métodos de datação. “Para datar a idade relativa de um vestígio de osso orgânico, não fossilizado, é usado o C14, mineral radioativo que tem uma vida média de desintegração que chega a 5.750 anos. Portanto, uma idade maior do que essa, está sujeita a toda dúvida”, pondera o professor Rúben Aguilar, doutor em Arqueologia pela USP. 
Fósseis
Se a Arqueologia tem suas limitações para reconstituir a Pré-História, com o estudo dos fósseis humanos não é diferente. Entre os paleoantropólogos a evolução é unanimidade, mas as divergências são quanto às linhagens macaco-humanas. Quem afirma isso no artigo “A busca dos ancestrais de Adão”, na revista Diálogo Universitário,1 é a Dra. Elaine Kennedy, Ph.D em Geologia pela Universidade do Sul da Califórnia (EUA). 
A Dra. Kennedey aponta lacunas da teoria evolucionista nessas três áreas: paleoantropologia, filogenética e antropologia molecular. Na paleoantropologia, há dificuldades quanto à classificação dos fósseis em uma linhagem ascendente que chegue até o homem moderno. O homo habilis, por exemplo, foi identificado como homo em função apenas dos artefatos que foram encontrados próximos a ele, e não por andar ereto, como é o padrão de classificação desse grupo. 
A dificuldade de organização dos cladogramas, diagramas em forma de árvore ramificada que procuraram mostrar as relações de parentescos dos seres vivos, também é enfrentada pelos filogeneticistas. Segundo a Dra. Kennedy, há pelo menos sete cladogramas, e os evolucionistas costumam optar por aquele que mais favorece a evolução. 
No campo da antropologia molecular, que estuda as semelhanças de proteínas e DNA dos hominídeos, a tese questionada é de que o tempo teria cuidado da diferenciação entre os símios e o homem (cerca de 5 a 7 milhões de anos). Os evolucionistas não sabem dizer quando as espécies afins teriam se separado geneticamente. O start de um possível “relógio molecular”, que funcionaria num ritmo constante de mudança do DNA, é a suposição deles. 
A Dra. Kennedy conclui que boa parte dos métodos utilizados e das interpretações feitas são condicionados pelo ponto de partida evolucionista e que esse mosaico de características dos fósseis torna difícil a classificação deles pelo conhecimento disponível hoje. 
Outro olhar
Os criacionistas olham de maneira distinta esses mesmos fósseis. Entendem que parte deles se trata de símios extintos e, os demais, de seres humanos com deformidades e de raças que conviveram e tiveram sua diferenciação determidada pelo isolamento geográfico, adaptação ao clima e cruzamento genético. 
“Os erectinos parecem ter sido humanos. Talvez sofreram os graves efeitos da reprodução no seio da família e de um estilo de vida prejudicial. Os australopitecos podem ter sido um tipo extinto de macaco. Eles não parecem ter relação com as espécies atuais”, explica o paleontólogo Dr. Raul Esperante, pesquisador do Geosciente Research Institute (GRI), instituição da Igreja Adventista, com sede na Califórnia (EUA).
Quanto aos australopithecus, mais conhecidos como a Criança de Taung e Lucy, segundo o Dr. Esperante, foram símios extintos. “Eles eram muito semelhantes aos seres humanos, mas tinham um cérebro do tamanho de um chimpanzé e algumas características que sugerem que viveram em árvores”, completa o Dr. Esperante. 
Já em relação aos neanderthais, ele afirma: “Provavelmente, eles viveram em cavernas. A forma de seu crânio é diferente da atual, e a capacidade cerebral é maior que a do homem moderno. Eles formaram uma cultura, eram altamente inteligentes e possuíam alguns traços típicos decorrentes, talvez, das adaptações ao clima e à mastigação de alimentos difíceis. Ao que parece, foram mais fortes do que nós.”
O que é um homem?
Essa interpretação criacionista tem como base a definição do que é o homem e a dificuldade de encaixá-la nas linhagens evolutivas. “Uma abordagem prática é colocar um fóssil dentro da categoria homo quando a massa e a proporção corporais, as dimensões dos dentes e as adaptações do esqueleto mostram maior semelhança com os humanos modernos do que com os fósseis australopitecinos”, esclarece o Dr. Ronny Nalin, pesquisador do GRI e Ph.D em Ciências da Terra pela Universidade de Pádua, na Itália. 
Partindo desse referencial, o Dr. Nalin diferencia dois supostos ancestrais do homem. Para ele, o homo habilis está mais para australopitecinos do que homo, porque apesar de andar sobre dois pés, tem braços semelhantes aos de macaco, enquanto a estrutura física do Neanderthal se parece com a dos esquimós. Por isso, alguns pesquisadores brincam que, se um Neanderthal barbeado, de terno e usando um iPhone entrasse no metrô de Nova York, passaria despercebido. 
Homem das cavernas
Ao que tudo indica, o Neanderthal foi o homem das cavernas. Para os criacionistas, ele foi humano e habitou nas grutas da Europa e Ásia oriental. O Dr. Nalin cita, por exemplo, um estudo publicado na prestigiada revista Science, em 2010, que mostra que algumas populações de hoje carregam em seus segmentos genômicos de DNA vestígios dos neanderthais.2 “Se dois organismos podem cruzar e produzir descendentes férteis, eles pertencem à mesma espécie. Portanto, o Neanderthal pode ser considerado humano”, confirma o pesquisador. 
Os criacionistas ressaltam que escolher as cavernas como casa e ter hábitos da Idade da Pedra não são exclusividades dos habitantes da Pré-História. “Os homens das cavernas são homens que viveram ou talvez ainda vivam em cavernas, já que essa condição de vida faz parte da história humana até períodos recentes”, justifica o Dr. Rubén Aguilar, fazendo referência a algumas comunidades descobertas nas últimas décadas no interior da África e nas ilhas do Sul do Pacífico. 
Modo de vida
Se a identidade dos homens das cavernas está mais ou menos definida, faltam informações sobre o modo de vida desses grupos. O professor Matusalém Alves Oliveira, coordenador do Núcleo de Estudos Pré-históricos da UEPB, tem se dedicado a estudar e ensinar o tema, ainda pouco explorado pela literatura criacionista. Em seu livreto A Pré-História na Perspectiva Criacionista, ele faz referência aos livros do naturalista Harry Baerg, autor do clássico criacionista O Mundo já Foi Melhor
Para Matusalém, os homens das cavernas foram os marginalizados da Pré-História, pessoas que por doença ou inadequação social foram expulsas das sociedades estabelecidas, tendo assim que viver em lugares isolados. As cavernas, segundo o professor, têm as condições climáticas ideais para preservar o que esse grupos registraram. 
O que esses desenhos mostram, via de regra, são os hábitos de caça e pesca como atividades de sobrevivência e ritos religiosos. “Nos lugares mais particulares das cavernas eram oferecidos sacrifícios aos deuses, suplicando a eles por sucesso nas caçadas ou a manutenção da fertilidade”, descreve o professor, que tem alguns artigos publicados sobre a arte rupestre da Paraíba. 
“Alguns grupos mais estabilizados e com nível cultural mais elevado construíram habitações mais permanentes, cultivaram a terra e domesticaram animais. Em certos lugares da Europa, houve uma religiosidade mais elaborada, como mostram os megalíticos de Stonehenge”, exemplifica o professor. Matusalém também cita textos bíblicos que dão pistas sobre a organização social desse período. Segundo ele, há referências sobre grupos isolados que viviam em cavernas (Jó 30:3-8); e da criação de animais, cultivo da terra, desenvolvimento musical e urbano e uso da metalurgia em tempos bem remotos (Gn 4:16-24). 
Perguntas sem resposta
No fim das contas, o que é certo sobre a Pré-História é que ainda faltam muitas peças do quebra-cabeça. Os criacionistas se perguntam: Onde estão os fósseis dos homens gigantes que habitaram a Terra ou dos que foram mortos no Dilúvio? Ou porque os fósseis aparecem nas camadas estratigráficas, organizados como se realmente tivessem evoluído? 
Os evolucionistas, por sua vez, também coçam a cabeça em busca de respostas. As transições-chave da linhagem evolutiva não foram demonstradas de forma inequívoca. O elo ainda está perdido? Ou por que o homo sapiens demoraria milhares de anos para dominar ferramentas rudimentares e passar a escrever? 
Essa ignorância parcial sobre nosso passado tem seus benefícios, conforme argumentou Gary W. Burdick, Ph.D em Física pela Universidade do Texas, em seu capítulo do livro Mistérios da Criação.3 Burdick lembra que a humildade é fundamental no estudo das ciências e da Teologia. 
“Não devemos nos surpreender se as tentativas de conciliar a ciência com a Teologia nos levarem a mais perguntas sem resposta. Isso não quer dizer que a ciência e a Teologia estejam em guerra ou que um lado deva ser o vencedor; e o outro, o derrotado. Ao contrário, isso nos dá mais uma indicação de que Deus e a realidade são maiores do que nossa compreensão”, argumenta, insistindo que a pesquisa em ambas as áreas deve continuar. 
Mas, Burdick lembra que talvez algumas questões nunca serão respondidas pela ciência, nem pela teologia. Para essas perguntas, os cristãos parecem levar mais uma vantagem. A mensagem central do evangelho é a salvação e não as explicações sobre a realidade que nos cerca. Logo, ainda que o homem não mate suas curiosidades intelectuais, a solução para suas necessidades existenciais já existe e está disponível. Quem acredita no relato da Bíblia sobre a Pré-História, tem uma visão antecipada do quadro completo e não se desespera quando uma peça ou outra parece não se encaixar. 
Referências
1 Kennedy, Elaine. “A Busca dos Ancestrais de Adão”, Diálogo Universitário 8(1), 12-15, 34.
2 R. E. Green et al., “A Draft Sequence of the Neandertal Genome”, Science 328 (2010): 710-722
3 Gibson, L. James e Rasi, Humberto M. (orgs.), Mistérios da Criação (CPB, 2013).

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