quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Vales: Lugar da Glória de Deus!



Quem nunca quis subir a um monte e ficar lá? Avista-se tudo ao redor: campos, vales, rios, montanhas... Casinhas. Todos querem subir e ficar ali. Sente-se mais seguro, mais protegido. É prazeroso estar em cima, no alto, e ver tudo e todos a nossos pés.

E no vale, quem se habilita? Seu lugar é baixo, entre montanhas, na companhia de um grande rio. Ninguém gosta. Um vale normalmente é um espaço compreendido entre dois montes e nem sempre é um lugar onde se queira estar. Às vezes há alagamentos, em outras, escuridão. Quem não se lembra do Vale da sombra da morte? Sombra? Morte? Não me lembro! Em alguns vales, o caminho é estreito demais e quase não se pode passar.

A vida cristã é do mesmo modo, como num relevo geográfico. Ora em cima nos montes, ora abaixo, no vale. A vida é uma roda-gigante, dos Parques de diversão. Sirvo-me aqui de um alerta para aqueles que se gabam estar sempre por cima da carne seca. Cuidado! Amanhã é outro dia e você poderá estar do lado de baixo.  Nesse mesmo parque também existe a gangorra com os seus dois assentos: o do orgulho de um lado e da humildade do outro.

Aprendemos pelas Escrituras Sagradas que toda honra é precedida pela humildade; qualquer que a si mesmo se exaltar, será humilhado. Humildade é virtude divina; humilhação é do diabo.

Quando Deus quis tratar com o profeta Jeremias, disse-lhe: _ Desce à casa do Oleiro. E Jeremias desceu! Assim é conosco; quando precisamos de direção divina, é necessário descer. A casa do oleiro fica no vale. Importa-vos descer ao vale.

Em I Cron. 4,23, lemos “Estes foram oleiros, e habitavam nas hortas e nos cerrados: estes ficaram ali com o Rei na sua obra”. Como é bom estar na presença do Rei. Como é bom viver no vale, a serviço, do Rei! A maior honra que Deus pode fazer a uma alma, não é dar-lhe muito, mas pedir-lhe muito! Vá trabalhar na vinha do Senhor.

Vale é um lugar onde somos provados e moldados por Deus. Vale não é o fim, e sim, o começo. É um lugar que Deus nos mostra que a nossa própria força não vale nada. É um lugar onde conquistamos as mais belas vitórias da nossa vida.

São tantos os vales: Vale da união. Vale da Glória de Deus. Vale da experiência. Vale da decisão. Vale escuro, vale da morte. Vale dos ossos secos. Vale é um lugar de nenhuma visão, é um lugar de desconforto, de sofrimento, de angústias e de problemas.

Vale é um lugar onde nos sentimos fracos e impotentes, onde não bate nenhuma brisa, onde facilmente nos desanimamos. Vale é um lugar de árduas batalhas da nossa vida. Vale é um lugar onde somos atacados constantemente pelos inimigos, somos atacados de todas as maneiras e de todos os lados. É onde muitas vezes nos sentimos encurralados. Quando não é problema financeiro, é enfermidade; quando não é enfermidade, é problema de relacionamentos; quando não é de relacionamentos, é problema em nosso próprio coração; quando não é em nosso coração, é problema com algum ente querido. Vale é um lugar de sofrimento. Todos os momentos somos encurralados e nos sentimos, às vezes, até desamparados, parece que Deus não está agindo, não está fazendo nada por nós. Quando estamos nos vales da vida, a nossa visão é limitada e parece que o nosso futuro está escondido ou incerto.

Mas, quando se está no vale, a tendência é olhar para cima! Os vales são os primeiros a se encherem de águas. Os vales são os lugares mais férteis da terra! Vales nos fazem frutificar. Podemos esperar por uma colheita de virtudes quando Deus habita conosco nos vales. Os vales também são feitos por Deus. Deus está ali. Deus habita ali.

Quando estamos no topo do monte da nossa experiência cristã, podemos ver com clareza o nosso futuro, temos perspectiva e confiança; mas a vida cristã não é só contemplar a maravilha da presença divina no monte. Ela é também o serviço no vale, onde estão as pessoas em sofrimento, em dúvida, em opressão.

O Deus que nós servimos, é Deus dos montes, mas também Deus dos Vales: E levantei-me, e saí ao vale, e eis que a Glória do Senhor estava ali, como a Glória que vi junto ao rio Quebar; e caí sobre o meu rosto. (Ez.3,23).





Pb.Maurício

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