segunda-feira, 4 de abril de 2011

A Volta do Filho Pródigo

Inspirado no texto bíblico de Lc 15, 11-32, o artista holandês Rembrandt pintou o quadro “A volta do Filho Pródigo”. Esta obra de arte, sendo analisada em seus detalhes, pode produzir uma reflexão que ajuda a compreender o que a parábola pretende ensinar.
A) A vida do pintor
Rembrandt nasceu em Leydem, em 1606, e morreu em Amsterdã, em 1669. Trata-se de um mestre da pintura que valorizou as cores em seu contraste claro-escuro. Sua vida passou por dois momentos fortes que determinaram sua produção artística. Na juventude era impetuoso, convencido, gastador, sensual e arrogante. Tinha grande preocupação com o dinheiro. Viveu um período de sucesso, no qual ganhou popularidade e riqueza, mas gastou muito e perdeu muito. Seguiu-se um período de muita infelicidade. Envolveu-se em longos processos judiciais e perdeu todos os seus bens em leilões para cobrir dívidas.
Aos cinqüenta anos de idade, tendo experimentado a prosperidade e o infortúnio, o pintor conseguiu uma certa paz. Nesta fase de sua vida, seus quadros expressam calor e interioridade e revelam que as provações não o deixaram amargurado. Ele passou a contemplar a natureza e a humanidade com maior profundidade, não mais pelas aparências. Tudo isso aparece, de forma marcante, no quadro “A volta do Filho Pródigo”.
B) Detalhes do quadro
“A volta do Filho Pródigo” é uma pintura que retrata um homem de barba branca, vestindo um manto vermelho e acolhendo carinhosamente um jovem, ajoelhado diante dele. A intimidade da cena é pintada com cores luminosas entre os dois personagens: o manto é vermelho cálido; a túnica do jovem é amarela dourada e, sobre os dois, paira uma luz misteriosa, que os envolve. O homem idoso toca os ombros do jovem, revelando o acolhimento do abraço de um pai para seu filho. O filho descansa a cabeça no peito do pai com uma paz visível.
Esta composição da cena bíblica fixa-se no ato de perdoar. O jovem, abraçado pelo pai, é um homem pobre. Ele pediu sua herança, deixou sua casa e resolveu viver sua vida longe do pai e da comunidade. O quadro retrata o momento em que o jovem volta para casa, sem saúde, sem dinheiro, sem reputação e nem amor próprio. Ele é pintado com a cabeça raspada, sinal claro de que está despojado de um dos traços de sua personalidade. Isto recorda a situação de um preso, de alguém que serve o exército ou mesmo de um calouro universitário.
Trata-se de tornar todos iguais, raspando o cabelo. O pai usa roupas de cor carmim, indicando nobreza, dignidade e status. O filho, ajoelhado, não tem agasalho, sua roupa é parda e mal cobre seu corpo. A sola dos seus pés indica que ele percorreu longo e penoso caminho. No pé esquerdo, a sandália está arrebentada, expressando seu sofrimento e sua miséria. O jovem não tem nada, somente uma espada, símbolo da dignidade que resta, porque é um emblema de sua nobreza. Apesar de toda degradação, a espada faz o mendigo refletir que ainda tem um pai e pode pensar em voltar para casa.
C) Conclusão
A parábola bíblica e o quadro de Rembrandt concordam em revelar o valor das escolhas humanas, da responsabilidade que elas exigem e do drama que significa a luta de cada pessoa diante de suas opções. É um convite para refletir sobre as decisões que tomamos na vida. Tudo depende de aceitar ou não o amor do pai.

2 comentários:

  1. Me fez repensar a passagem... num momento crucial de tomada de decisão.
    DEUS ABENÇOE!

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  2. Almir, devemos estar sempre voltando para casa. saudaçoes!

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