quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Sapato de Fogo (Andar com Deus)

O cristianismo é uma religião essencialmente prática. Suas doutrinas dão ênfase a vida diária de seus seguidores. Como está escrito “Se sabeis estas coisas, bem aventurados sois se as praticardes” Jo 13:17. Na Bíblia encontramos inúmeras referencias ao andar do genuíno cristão. E em Gênesis encontramos o primeiro testemunho: “Enoque andou com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus para si o tomou” Gen. 5:24. O andar do cristão deve ser um andar que agrada a Deus. Para que Abraão fosse abençoado por Deus teve que aceitar o grande desafio: “Anda em minha presença e sê perfeito” Gen. 17:1. Também a história dos reis de Israel e de Judá após a divisão do reino, mostra que os reis mais bem sucedidos em suas vida foram os que andaram com Deus. Jotão fez o que era reto diante do Senhor….Pecaías fez o que era mau aos olhos do Senhor. O novo testamento também está cheio de recomendações quanto ao viver do crente. O apóstolo João, apontando para o exemplo de Cristo, resume numa frase expressiva a responsabilidade do crente “Se dissermos que estamos nEle, devemos andar como Ele andou”. Infelizmente a palavra cristão, como tantas outras, está perdendo seu verdadeiro significado, estando quase que totalmente deturpada. Hoje quase todo brasileiro, por exemplo, se considera cristão. O católico se considera cristão, apesar de toda idolatria que é contrária ao ensino da bíblia, como tantas outras doutrinas, purgatório, salvação pelas obras, transubstanciação, etc. O espírita se considera cristão, apesar de ensinar contrario à bíblia; acreditam na reencarnação, comunicação com os mortos, salvação pelas obras, etc. Mas segundo o ensino bíblico, cristão é aquele que segue a Jesus Cristo. Cristão foi o apelido que receberam os primeiros crentes, eram pessoas obedientes ao evangelho de Jesus, pessoas submissas à sua vontade, que imitavam Jesus; eram pessoas que encarnavam Jesus e o refletiam através de uma vida santa. “E em Antioquia os discípulos pela primeira vez foram chamados de cristãos” Atos 11:26b. Cristão é aquele que anda como Cristo andou. Pedro declara que Cristo deixou-nos o exemplo para seguirmos as suas pisadas. “Porque para isso fostes chamados, porquanto também Cristo padeceu por vós, deixando-vos exemplo, para que sigais as suas pisadas” I Pedro 2:21. E o apóstolo Paulo aconselha; “Tende em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus” Filipenses 2:5. Temos um alvo: Andar como Cristo andou. Pensemos, portanto, na vida de Jesus. Como viveu? Vamos analisar alguns aspectos de seu viver.
I- Cristo viveu uma vida de renúncia. Somos pessoas livres e como crentes temos liberdade para fazer o que queremos, sabendo que teremos que prestar contas diante de Deus por nossas atitudes. Paulo aconselhou os Coríntios dizendo “Mas, vede que essa liberdade vossa não venha a ser motivo de tropeço para os fracos” I Cor. 8:9. Jesus em sua conduta nos ensina a renúncia. “Pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre, para que pela sua pobreza fôsseis enriquecidos” II Cor. 8:9. Jesus trocou a glória pela extrema humilhação, abandonou temporariamente a companhia dos anjos a fim de tornar-se amigo de publicanos e pecadores. Embora sendo Senhor de tudo, transformou-se no mais desprezível servo. E apresenta aos seus seguidores a condição indispensável para ser um cristão. “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” Mateus 16:24. E acentua em outra ocasião: “Quem deseja ser maior, faça-se servo de todos”. Negar-se a si mesmo é renunciar seu EGO, sua vontade e desejos, em favor da vontade de Deus. Não existe cristianismo sem renúncia. A falta de disposição para renunciar constitui-se na fraqueza do cristianismo deste século. Aqueles que não querem renunciar seus vícios, suas vidas mundanas, suas roupas indecentes, seus próprios pecados deveriam se envergonhar de usar o nome cristão. Precisamos nos preocupar com nosso testemunho, pois o andar do cristão é um andar de renuncia, e muitos nem sabem o que isso significa, por isso vivem aniquilados em suas vidas espirituais. “A maturidade do crente depende de sua capacidade de renúncia”
II- Cristo viveu uma vida de pureza. Cristo se constitui modelo de absoluta retidão e perfeita santidade. Foi de conduta irrepreensível, separando-se de todo mal; jamais cometeu um deslize, uma falha, uma transgressão. Idêntica devia ser a nossa experiência normal. Mas para que atinjamos tão sublime ideal, precisamos obedecer aos conselhos de Deus. Precisamos nos separar de pessoas impuras. “Como é santo aquele que vos chamou; sede vós também santos em toda vossa maneira de viver” I Pedro 1:15. Ser cristão implica em mudança de vida, em transformação de conduta: “Noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz” Efésios 5:8. A pureza faz parte do andar do verdadeiro cristão. “Mas também tens em Sardes algumas pessoas que não contaminaram as suas vestes e comigo andarão vestidas de branco, porquanto são dignas. O que vencer será assim vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei seu nome do livro da vida; antes, confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos” Apoc. 3:4,5.
III- Cristo viveu uma vida de submissão. Jesus declarou que não realizava o seu próprio querer. Em tudo era inteiramente submisso ao Pai que o enviara ao mundo: “Minha comida é fazer a vontade do Pai e realizar a sua obra” João 4:34. Em todos os passos executava o programa que Deus lhe traçara. Aos 12 anos já estava cuidando dos negócios do seu Pai e pela vida afora, foi sempre esta a sua santa ocupação. Dava assim pleno cumprimento à predição do Salmista: “Deleito-me em fazer a tua vontade” Salmos 40:8. Jesus tinha prazer em fazer a vontade do Pai. Quantos de nós, poderia dizer honestamente que tem prazer em fazer a vontade de Deus? Quando temos prazer na lei do Senhor, lemos a bíblia e oramos voluntariamente e corremos para o templo nos dias de culto. Temos prazer em participar das atividades da Igreja e damos nossa contribuição para que o trabalho de Deus avance. Precisamos ser submissos à vontade de Deus e deixar que nos use para fazer Sua vontade. Falta de submissão ou disposição para fazer Sua vontade é característica de não cristãos.
IV- Cristo viveu uma vida de Oração. Cristo viveu uma vida de constante Oração. Em todas as circunstancias o evangelho no-lo apresenta buscando a presença de Deus. Nas mais variadas ocasiões o contemplamos de joelhos. Orou no batismo, na tentação, na escolha dos apóstolos, no ministério público, nas grandes decisões, no getsêmani, na cruz, etc. “Não deixamos lugar para a fé se esperamos que Deus cumpra imediatamente o que prometeu” J. Calvinno. Oração era o segredo glorioso da Igreja primitiva. Apesar de poucos, humildes, iletrados e perseguidos; os crentes dos tempos apostólicos alcançaram constantes triunfos; se transformaram numa força invencível que influenciou todo império Romano. No livro de ATOS encontramos a causa desse fenômeno: “Todos estes perseveravam unânimes em oração e suplicas” 1:14. “E perseveravam nas orações” 2:42. “tendo orado, moveu-se o ligar onde estavam reunidos” 4:31. Por falta de oração é que o povo de Deus tem falhado no cumprimento de sua missão; tem caído diante das tentações; têm desanimado diante dos perigos; e falta a unção do Espírito Santo. A oração que funciona é a que sai de um coração obediente. Precisamos desenvolver em nós a pratica da oração. Oração é mais uma característica do cristão. Do seguidor de Cristo.
Conclusão. Andar como Cristo andou é a medida de um varão perfeito que a Bíblia nos apresenta. Que seja, portanto, nosso ideal seguir as suas pegadas e imitar o seu exemplo. Resolutos prossigamos para o alvo da suprema vocação de Deus em Cristo Jesus. Desse modo viveremos a experiência de cristão verdadeiro: “Como tristes mas sempre alegres; como pobres, mas enriquecendo a muitos; como nada tendo, mas possuindo tudo. Em outras palavras: “Andar como Cristo andou”. Isso fará do crente uma pessoa completa, feliz e sempre abundante na graça de Deus. Viver fora desse principio não vale a pena, enoja a própria pessoa e todos os que estão ao seu redor. Andemos, portanto, como Cristo andou.

Pr. Cirino Refosco

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