segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Providência Infinita

«Olhai os. . . lírios do campo», as flores silvestres que florescem espontâneas, a erva. Os estudiosos gastam muitas páginas tentando resolver com exatidão o significado de «lírio». Mas certamente Cristo se refere a flores comuns que cresciam nos campos da Palestina, e com as quais todos estavam bem familiarizados. Diz Ele: Olhai essas flores — considerai-as; não trabalham nem fiam, e contudo, olhai-as. Vede essa maravilha, essa beleza, essa perfeição. Pois nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer delas. A glória de Salomão era proverbial entre os judeus. Você pode ler no Antigo Testamento acerca de sua magnificência — o vestuário esplêndido e todas as maravilhosas vestes do rei e sua corte, os seus palácios de cedro com o mobiliário revestido de ouro e com incrustações de pedras preciosas. Todavia, diz nosso Senhor, tudo isso se torna pálida insignificância quando comparado com uma dessas flores. Há uma qualidade essencial nas flores, na forma, nos seus contornos, na sua contextura e substância, e no colorido, que o homem, com todo o seu engenho, jamais pôde imitar realmente.A mais humilde flor pode inspirar-me pensamentos que jazem tão profundos que as lágrimas não podem provocar-me.É isso que Cristo vê. Ele vê a mão de Deus; Ele vê a perfeita criação; Ele vê a glória do Todo-Poderoso. A pequenina flor talvez jamais notada durante toda a sua breve existência neste mundo, e que aparentemente «desperdiça o seu dulçor nos ares do deserto», é, contudo, vestida por Deus com perfeição. É um fato, não é? Assim sendo, faça a dedução pertinente: «Ora, se Deus veste assim a erva do campo. . . quanto mais a vós outros, homens de pequena fé?»Se Deus faz isso pelas flores do campo, quanto mais por você?
... Eis o argumento. . . Que poderoso argumento ele é! A erva do campo é transitória e passageira. Nos tempos antigos era costume cortá-la e usá-la como combustível. Era a velha maneira de assar pão. Primeiro o povo cortava a erva, deixava-a secar, e então a punha no forno e lhe deitava fogo. Gerava-se grande calor. Depois as pessoas retiravam as cinzas com um rastelo, e punha no forno o pão, que já estava preparado para ser assado. Essa fora uma prática generalizada, e ainda o era nos dias do nosso Senhor. Assim você percebe a força do argumento. Os lírios e a erva são efêmeros; não duram muito. Como estamos cientes disso! Não podemos fazer durar as nossas flores: assim que as colhemos, começam a morrer. Estão aqui hoje. com toda a sua delicada beleza e com toda a sua perfeição, mas amanhã nada resta. Estas belas coisas vêm e vão, e seu fim é esse. Você, contudo, é imortal; você não é simples criatura do tempo, mas pertence à eternidade. Não está certo dizer que hoje você está aqui e amanhã se vai; no sentido real. Deus «pôs a eternidade» no coração do homem; o homem não foi feito para morrer. «Es pó, e ao pó retomarás», não foi dito com respeito à alma. Você continua, e continua e continua. Não é só dignidade e grandeza moral que você tem; você possui também existência eterna, além da morte e do sepulcro. Quando você entende essa verdade, a respeito de sua pessoa, pode acreditar que Deus, que o fez e o destinou para aquilo, irá negligenciar seu corpo, enquanto você estiver nesta vida e neste mundo? Claro que não. «Se Deus veste assim a erva do campo. . .?»

Studies in the Sermon on the Mount, ii, p. 124

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