sábado, 20 de março de 2010

Usos, costumes e tradição evangélica

“Por que transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos? pois não lavam as mãos quando comem pão.” (Mateus 15 : 2)
Usos e costumes são vistos de diversas formas na igreja evangélica brasileira, alguns os vêem como bons costumes, outros como uma nova lei dada aos crentes, outros como costumes escravizantes e outros como forma de manter a “identidade” da denominação.
Quando eu era membro ativo da Assembléia de Deus, vez ou outra ouvia algum irmão dizer que sabia que os usos e costumes não influenciavam na salvação, porém ainda os achava bons, alegando que eles evitavam que a pessoa viesse a praticar certos pecados reais.
Muitas vezes, embora a pessoa dissesse em alguns momentos que costumes eram só “bons”, demonstrava outras coisas no seu modo de viver e conversar , como se os usos e costumes fossem realmente mandamentos necessários de serem seguidos, implicando sim na salvação.
Eu era um dos que pensavam assim, pois desde novo convertido foi condicionado a esse pensamento, porém, depois de muito tempo de estudo bíblico e meditação, percebi que tais coisas não tinham importância (primeiro cri com a razão, depois de um bom tempo que fui crer com as emoções).
Há aproximadamente dois anos atrás, fiquei sabendo por uma de minhas irmãs que uma das moças da igreja estava passando frio na escola, pois mesmo nas manhãs mais frias continuava indo de saia para a aula (caso alguém não saiba, algumas denominações proíbem mulheres de usar calças, alegando serem “roupa de homem”).
Como na época eu já entendia que costumes não salvam e até incomodam, embora entendesse a igreja continuar em uso deles, disse a ela que pusesse a calça se necessário, pois eu assumiria a responsabilidade caso o pastor não gostasse.
Porém o pai dessa moça era rígido e não permitia, pois pensava ser pecado mesmo e, como imaginei que meus argumentos não fossem adiantar com ele, resolvi falar com o pastor para que avisasse as irmãs da igreja que poderiam usar calças ao menos naquela época fria, de modo que o pai dela pelo menos ouvisse o pastor-guru e assim deixasse sua filha se agasalhar em paz.
Porém quando falei com o pastor a sua resposta foi que, embora ele não fosse achar ruim dela usar calça, ele não diria isso à igreja, pois se “liberasse” agora teria de “liberar” sempre, depois disse que se as irmãs do passado agüentaram o frio, ela também poderia agüentar…
Esse é um típico exemplo de quando alguém acha o costume tão “bom” que justifica até o sofrimento alheio ao ter de cumpri-lo.
Quando para se cumprir um costume tem de se perder a misericórdia para com os outros tal costume não é bom, é maligno.
“Mas, se vós soubésseis o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício, não condenaríeis os inocentes.” (Mateus 12 : 7)
“E assim invalidastes, pela vossa tradição, o mandamento de Deus.” (Mateus 15 : 6)
Além do mais, recebemos de Deus uma consciência para que possamos examinar o que nos convém ou não, de modo que ser obrigado a seguir costumes denominacionais vai contra a liberdade que nos foi dada, sendo algo totalmente retrógrado e imaturo para um cristão.
Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; (Colossenses 2:20-22)
(Blog do Roberto Soares)

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