terça-feira, 16 de março de 2010

SALMO 137

Este poema melancólico é uma das composições mais encantadoras de todo o Livro dos Salmos, justamente por seu poder poético. Se não fosse inspirado, mesmo assim ocuparia um lugar importante no gênero, especialmente a primeira parte dele, que é muito terno e patriótico. Nos versos posteriores (Sl 137.7-9), temos expressões de indignação abrasadora contra os principais adversários de Israel - uma indignação tão justa quanto fervorosa. Que o critiquem aqueles que nunca viram seu templo incendiado, sua cidade arruinada, suas esposas violadas, e depois crianças assassinadas; poderiam não se exprimir, quem sabe, de modo tão aveludado se tivessem sofrido desta maneira. Uma coisa é falar do sentimento de amargura que perturbou os israelitas cativos na Babilônia, e outra bem diferente é sermos prisioneiros nós mesmos, oprimidos por um poder selvagem e desapiedado. Esse canto poderia muito bem ser cantado no muro de lamentações dos judeus. É um fruto do cativeiro na Babilônia, e muitas vezes já serviu como expressão de tristezas que de outra maneira teriam sido impossíveis de exprimir. É um salmo opalescente, cujo brilho brando irradia um fogo que impressiona quem o olha com admiração.
DICAS PARA O PREGADOR
VERS. 1.
1. Uma obrigação que já foi a fonte de alegria: "lembrar-se de Sião".
2. Circunstâncias que tornam a lembrança triste.
3. Pessoas específicas que sentem essa alegria ou tristeza: "nós".
VERS. 1.
1. A cidade de Sião esquecida na prosperidade. Seus cultos negligenciados; seus sacerdotes desmoralizados; o culto de Baal e Astarote preferidos ao culto do verdadeiro Deus.
2. Sião lembrado na adversidade. Na Babilônia, mais do que em Jerusalém; nas margens do Eufrates mais do que nas margens do Jordão; com lágrimas quando poderiam ter-se lembrado dele com alegria: "Eu lhe falei na tua prosperidade, e tu disseste, eu não ouvirei". "Senhor, na tribulação eu te visitei. Eles derramaram uma prece quando tua disciplina estava sobre eles" (G. R.).
VERS. 2.
1. Harpas - ou capacidade de louvor.
2. Harpas em salgueiros, ou canção suspensa.
3. Harpas devolvidas, ou alegrias a chegarem.
VERS. 2.
1. Uma confissão de alegria mudada em tristeza: "penduramos". Os gemidos de suas harpas nos salgueiros combinavam melhor com suas emoções do que quaisquer melodias que antes costumassem tocar.
2. O outeiro das lágrimas sendo transformado em alegria. Levaram suas harpas consigo ao cativeiro, e penduraram-nas para uso futuro (G. J.).
VERS. 2. Penduramos as nossas harpas.
1. Em lembrança de alegrias perdidas. Suas harpas estavam associadas a um passado glorioso. Não podiam esquecer esse passado. Conservavam o velho bom costume. Há sempre à mão os meios de recordar.
2. Em manifestação de tristeza atual. Não podiam tocar por causa de:
(a) Sua pecaminosidade.
(b) Suas circunstâncias.
(c) Seu lar.
3. Em antecipação de bênção futura. Não despedaçaram suas harpas. O tempo de exílio era limitado. A volta foi predita expressamente. Vamos querer nossas harpas nos tempos bons que virão. Pecadores tocam suas harpas agora, mas logo vão precisar colocá-las de lado para sempre (W. J.).
VERS. 3 (última cláusula). Tirado do contexto, este é um pedido muito agradável e digno de louvor. Por que desejamos uma canção assim?
1. É claro que será puro.
2. Certamente vai elevar nosso espírito.
3. Provavelmente será alegre.
4. Servirá de consolo e nos animará.
5. Irá ajudar-nos a expressar nossa gratidão.
VERS. 3-4.
1. A exigência cruel.
(a) Um canto quando estamos aprisionados.
(b) Um canto para agradar nossos adversários.
(c) Um canto santo para propósitos nada santos.
2. A razão, o motivo dele. Às vezes ridicularizar meramente; outras vezes, seria uma bondade equivocada, procurando por veemência despertar-nos de desânimo depressivo; muitas vezes é mera leviandade.
3. A resposta a isso: "Como poderíamos?".
VERS. 3-4.
1. Quando Deus pede alegria não devemos ficar entristecidos. As canções de Sião deveriam ser cantadas em Sião. Isto era:
(a) Um testemunho marcante do caráter alegre do culto a Jeová. Mesmo os pagãos tinham ouvido sobre "as canções de Sião".
(b) Um teste severo da fidelidade do Israel cativo. Poderia ter sido vantagem terem concordado com o pedido.
(c) Um escárnio cruel pela condição triste e desanimada dos cativos.
2. A recusa indignada. "Como poderíamos cantar as canções do Senhor numa terra estrangeira?" Não há como serem cantadas essas canções por israelitas verdadeiros.
(a) Não quando o coração está fora de sintonia, como necessariamente estaria quando estão "em terra estranha".
(b) Em sociedade destoante - entre estranhos insensíveis.
(c) Para propósitos nada santos - para fazerem graça para os pagãos. Muitos concertos chamados sacros ofendem cristãos devotos tanto quanto a exigência de cantar a canção ali ofendeu os israelitas piedosos. A música do Senhor deve ser cantada só "para o Senhor" (W. H. J. P.).
VERS. 3-4. O nível ridículo de coisas santas.
1. Os servos de Deus estão em um mundo insensível.
2. A exigência é que haja coisa interessante e entretenimento. Cantos religiosos para passar uma hora inativa! Tal é a demanda popular no dia de hoje. Os homens querem que nós façamos da religião um espetáculo para diverti-los.
3. A resposta justamente indignada de todas as pessoas verdadeiras: "Como é possível isso?" Obreiros cristãos têm uma agenda mais séria, ainda que menos popular (W. B. H.).
VERS. 5. A pessoa que se lembra; a coisa lembrada; a jura solene.
VERS. 5. Nenhuma harpa a não ser para Jesus.
1. A harpa consagrada. Na própria conversão.
"Uma espada, ao menos, teus direitos guardará,
Uma harpa fiel te louvará".
2. A harpa silenciosa:
"Teus cantos foram feitos para os bravos e os livres,
Nunca as cordas soarão na infame escravidão".
3. A harpa encordoada lá no céu:
"E eu ouvi a voz de harpistas,
Tocando com suas harpas no além" (W. B. H.).
VERS. 5-6.
1. Alegrar-se com o mundo é esquecer a igreja.
2. Para amar a igreja, temos que preferi-la a tudo mais.
3. Para servi-la, temos que estar dispostos a qualquer sofrimento.
VERS. 7. O ódio dos ímpios pela religião verdadeira.
1. Sua causa.
2. Sua extensão. "Arrasem-na".
3. Seu tempo de aparecer: "Quando Jerusalém foi destruída" - aflições.
4. Sua recompensa: "Lembra-te, Senhor".
(Charles H. Spurgeon)

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