sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Por que o justo sofre

No âmago da mensagem do livro de Jó, acha-se a sabedoria que responde à questão a respeito de como Deus se envolve no problema do sofrimento humano. Em cada geração, surgem protestos, dizendo: “Se Deus é bom, não deveria haver dor, sofrimento e morte neste mundo”.
Com este protesto contra as coisas ruins que acontecem a pessoas boas, tem havido tentativas de criar um meio de calcular o sofrimento, pelo qual se pressupõe que o limite da aflição de uma pessoa é diretamente proporcional ao grau de culpa que ela possui ou pecados que comete.
No livro de Jó, o personagem é descrito como um homem justo; de fato, o mais justo que havia em toda a terra. Mas Satanás afirma que esse homem é justo somente porque recebe bênçãos de Deus. Deus o cercou e o abençoou acima de todos os mortais; e, como resultado disso, Satanás acusa Jó de servir a Deus somente por causa da generosa compensação que recebe de seu Criador.
Da parte do Maligno, surge o desafio para que Deus remova a proteção e veja que Jó começará a amaldiçoá-Lo. À medida que a história se desenrola, os sofrimentos de Jó aumentam rapidamente, de mal a pior. Seus sofrimentos se tornam tão intensos, que ele se vê assentado em cinzas, amaldiçoando o dia de seu nascimento e clamando com dores incessantes. O seu sofrimento é tão profundo, que até sua esposa o aconselha a amaldiçoar a Deus, para que morresse e ficasse livre de sua agonia. Na continuação da história, desdobram-se os conselhos que os amigos de Jó lhe deram — Elifaz, Bildade e Zofar. O testemunho deles mostra quão vazia e superficial era a sua lealdade a Jó e quão presunçosos eles eram em presumir que o sofrimento indescritível de Jó tinha de fundamentar-se numa degeneração radical do seu caráter.
Eliú fez discursos que traziam consigo alguns elementos da sabedoria bíblica. Todavia, a sabedoria final encontrada neste livro não provém dos amigos de Jó, nem de Eliú, e sim do próprio Deus. Quando Jó exige uma resposta de Deus, Este lhe responde com esta repreensão: “Quem é este que escurece os meus desígnios com palavras sem conhecimento? Cinge, pois, os lombos como homem, pois eu te perguntarei, e tu me farás saber” (Jó 38.2, 3). O que resulta desta repreensão é o mais vigoroso questionamento já feito pelo Criador a um ser humano. A princípio, pode parecer que Deus estava pressionando Jó, visto que Ele diz: “Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra?” (v. 4) Deus levanta uma pergunta após outra e, com suas perguntas, reitera a inferioridade e subordinação de Jó. Deus continua a fazer perguntas a respeito da habilidade de Jó em fazer coisas que lhe eram impossíveis, mas que Ele podia fazer. Por último, Jó confessa que isso era maravilhoso demais. Ele disse: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem. Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza” (42.5-6).
Neste drama, é digno observar que Deus não fala diretamente a Jó. Ele não diz: “Jó, a razão por que você está sofrendo é esta ou aquela”. Pelo contrário, no mistério deste profundo sofrimento, Deus responde a Jó revelando-se a Si mesmo. Esta é a sabedoria que responde à questão do sofrimento — a resposta não é por que tenho de sofrer deste modo particular, nesta época e circunstância específicas, e sim em que repousa a minha esperança em meio ao sofrimento. A resposta a essa questão provém claramente da sabedoria do livro de Jó: o temor do Senhor, o respeito e a reverência diante de Deus, é o princípio da sabedoria. Quando estamos desnorteados e confusos por coisas que não entendemos neste mundo, não devemos buscar respostas específicas para questões específicas, e sim buscar conhecer a Deus em sua santidade, em sua justiça e em sua misericórdia. Esta é a sabedoria de Deus que se acha no livro de Jó.

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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Metanoia: Mudança de Vida!

Existem pessoas que gostam de fingir ser o que não são...hoje o que vejo são pessoas se escondendo em "fantasias", atrás de títulos eclesiásticos : "Sou o Pastor Triplo X", "Sou o diácono Missão impossível", "Sou a líder de adoração estelar"... vivem numa fantasia, vivem numa busca de poder espiritual/eclesiático, reconhecimento humano, longe da realidade do poder que vem de Deus...o apóstolo Paulo aprendeu com o próprio Deus :"O meu poder se aperfeiçoa nas suas fraquezas". Mas hoje o que vemos são estereótipos de "Super crentes" , "Super espirituais"...tantos espetáculos que vemos em muitas instituições religiosas e através da mídia , que transformam homens mortais em semi-deuses...("mamãe corre, vai começar o programa do Pastor triplo X !!!") perdeu-se a essência da simplicidade, perdeu-se o foco de ser gente como JESUS. Hoje querem ser "super pastor", antes "teleevangelistas" agora "Pastor popstar" , "popstar da música gospel" que posam hoje como o "super crente" e enganam a muitos. Tema complicado...é um desafio escrever sobre isso. Mas sou um profeta para essa geração (sou geração de João Batista), para denunciar o erro, o engano... Lembram-se do poderoso general Naamã? Poderoso, porém leproso, que escondia a realidade da sua lepra por baixo do seu uniforme prepotente de general e teve que se despir, parar de fingir ser algo que ele na verdade não era, se humilhar, se expor em sua fraqueza e mostrar na verdade o que ele era: Leproso (vergonha!!!). Mas só assim Naamã seria curado. Quero arriscar em dizer que não foi simplesmente os sete mergulhos no rio que curaram Naamã, mas sua atitude de se expor, reconhecer que não poderia mas fingir, mostrar-se dependente da ajuda, dependente de um milagre...
Vejo hoje muitos crentes assim, querendo ser um "falso herói", pensando que é "super homem", que não é de "carne e osso", fingindo, porque as vezes é mais fácil fingir e fugir , temporariamente , da vergonha das suas próprias fraquezas...vai para igreja com "máscaras de religiosidade", escondendo pecados, por ter medo de ser expor, de pedir ajuda e ser excluído. Aí o que vemos são igrejas cheias de "super crentes", "super espirituais", uma verdadeira liga da (in)justiça de falsos heróis, os "naamãs" da pós-modernidade...fazem poses de crentes perfeitos, cheios de uma "santidade", que não tem nada a ver com a santidade de Deus....muitos acham que santidade se prova na sua forma de se vestir (não se esqueça de Naamã, que escondia sua lepra debaixo do seu uniforme prepotente!).
Sabe, estou aprendendo a ser SUPER também...sim....é isso mesmo, estou aprendendo a ser "SUPER" também...calma gente, não se assustem... eu explico....estou aprendendo a ser "SUPER" rs rs rs.... SUPER DEPENDENTE DE DEUS.... gente sou alvo permanente da SUPERABUNDANTE GRAÇA DE DEUS.... quero confessar aqui em rede mundial, que sou um tremendo pecador, sensibilizado pelo Espírito de Deus, a viver com o coração em arrependimento... aceitei o esse desafio, sabe p q? Porque não quero ser o "Naamã" dos tempos atuais...quero ser super dependente de Deus e quero viver assim até Jesus voltar. Quero ser autêntico em minha forma de ser cristão ....quero ser autêntico com meu Deus (Ele merece isso e muito mais), quero ser autêntico com a sociedade onde estou inserido, mesmo que para isso eu seja excluído dela, por não me compactuar com os erros e pecados que nela são cometidos, como se fosse a coisa mais normal do mundo. Não quero alimentar "mito" de algo que não sou...quero ser sim referencial para minha geração, não pelas aparências (por aquilo que finjo ser), mas pela verdade de Deus em minha vida.
Superman foi uma obra cinematográfica e de estória em quadrinhos (ele nunca existiu de verdade)... o "super crente" nunca existirá.... agora, o SUPER DEPENDENTE DE DEUS, esse sim precisa ser real na minha vida e na sua, pois esse é o super herói preferido de Deus! Seja autêntico!

Andreé Veríssimo

Jardim Fechado

O livro de Cantares de Salomão o Espírito Santo emprega a linguagem do Esposo para com a Esposa e vice-versa para mostrar a verdadeira comunhão e intimidade que deve existir entre Ele e a Sua Igreja ou entre Ele e uma alma redimida.
Uma das frases que o Senhor usa para com a alma redimida é «Jardim fechado és tu...» uma coisa em que o Senhor acha prazer, e certamente foi uma das razões principais de o Senhor nos salvar sermos para o Seu prazer. Não veremos nesse jardim a história da nossa alma? Antes de ser jardim era apenas um pedaço de terreno inculto, mato talvez, inútil, produzindo apenas vegetação bravia que gozava constantemente a vida da terra, desfrutava o sol e a chuva e nenhum fruto dava.
Creio que a nossa vida era assim outrora; por quantos anos não recebemos o sol do amor de Deus, a chuva dos seus cuidados, a própria vida d'Ele proveniente sem nada darmos em troca? Tudo quanto recebíamos era para nós, para gastarmos em nosso proveito ou para dissipar no mundo. As raízes das «ervas daninhas» do pecado e perversidade ganhavam cada vez mais força e estendiam-se cada vez mais; onde devia crescer o amor brotava o ódio, onde devia florescer a paz reinava a perturbação, em lugar da benignidade, a maldade, e em vez de produzir alegria as raízes de tristeza e amargura eram cada vez mais e abundantes. O terreno do coração humano sempre produz com abundância, é muito fértil tanto para coisas bravas como para as coisas boas, nunca é árido, sempre produz alguma coisa.
Também aquele terreno antes de ser um jardim fechado podia ser calcado por toda a gente; não havia muro ou vedação alguma, quem quisesse passar por ele podia fazê-lo; era calcado por todos!
O Senhor Jesus na parábola do Semeador falou de semente que caiu ao pé do caminho, onde o terreno estava bem calcado; o coração do incrédulo é um caminho aberto para os pés de todos os vícios mundanos todos têm passagem por tal coração; daí o endurecimento de tantos; estão tão calcados que difícil é para a semente da Palavra de Deus crescer nele.
Mas chegou o dia quando o dono deste jardim fechado o comprou; escolheu aquele pedaço de terreno, mediu-o, pagou o preço exigido e era dele. O crente nunca se esquece do preço com que foi comprado pelo Salvador preço de sangue, a Sua própria vida dada para poder possuir este pedaço de terra dos nossos corações O preço foi grande, nós não compreendemos porque é que Ele estava pronto a pagar assim tão caro por uma coisa tão inútil; está nisso o Seu grande e infinito amor e a Sua glória. Aquele terreno não podia escolher a sua sorte depois, nem podia deixar de se entregar Àquele que o tinha comprado, mas o crente pode recusar entregar ao Senhor o que Lhe pertence; pode não deixar o Senhor do «jardim» fazer o que este dono fez!
Este era um jardim fechado; quer dizer que o dono tratou logo de edificar um muro em volta, separando-o para si só. Agora ninguém podia passar por aquele jardim, estava guardado, ele tinha a chave do portão e só ele tinha o direito de entrar. Creio que a santificação é simplesmente isso o Senhor separa a nossa vida para Ele só, põe urna divisão dentre ela e o mundo de pecado, toma para si o direito de fechá-la contra tudo o que não seja da Sua vontade. Ele só permite que passe por ela o que não faça mal ao «terreno» do coração; é uma questão daquilo que Ele quer e não daquilo que nós achamos lícito.
Há um muro em volta das vossas vidas? Tem o Senhor a chave da porta? É Ele o porteiro ou tendes vós a chave para a abrirdes a tudo quanto vos agrada?
Só depois de ser cercado de um muro começou o verdadeiro trabalho naquele jardim, o trabalho de cavar, arrancar, limpar de pedras, erva, etc. Não valia a pena principiar essa obra antes de haver muro, pois daí a pouco estaria no mesmo estado. Foi o erro daquela pessoa da qual saiu o espírito mau; disse o Senhor que, depois de algum tempo, o espírito voltou e achou a casa realmente limpamas vazia ou sem dono; tinha sido liberta do mau mestre mas não se tinha entregado ao Bom Mestre. Pouco valerá a santificação sem a purificação ou a purificação sem a santificação; uma depende da outra para se ter um resultado prático na vida.
Crentes há que se queixam de que as suas vidas continuam no mesmo estado depois de terem pedido que o Senhor as santifique; deixaram que Ele também as purificasse? E impossível manter essa pureza sem o «muro».
O dono deste jardim trabalhou até não haver nem pedras nem ervas daninhas nem nenhuma coisa brava;
queria o terreno preparado para outras coisas; ele bem sabia o perigo de deixar tais coisas, pois brotariam, sem dúvida, entre as plantas que ia semear, estrangulando-as.
Como era um jardim fechado, tudo quanto havia lá dentro seria para aquele que tivesse a chave e pudesse entrar para gozar daquela deliciosa fragrância.
“Vem tu, vento norte, e vem tu, vento sul e assopra no meu jardim para que se derramem os aromas”. Desse jardim levavam os aromas das especiarias para outros se de deleitarem neles, O que é que levam da nossa vida? O que é que sai de nós quando estamos abatidos por esses ventos?
Podemos dizer como o apostolo:”Graças a Deus que sempre nos faz triunfar em Cristo”?

Frank Smith





Escola de Santidade

O sangue de Cristo, ao mesmo tempo que revela a grandeza do amor do Pai, manifesta também como o homem é precioso aos olhos de Deus e quão inestimável seja o valor de sua vida.
Paremos para refletir, neste dia, quantos não foram os momentos de dor em nossas vidas, em que pensamos: 'Eu não vou suportar',
'Eu não mereço este sofrimento', 'Por que tenho de passar por isso?', 'O que fiz de errado?', 'Isso parece um castigo'...
Irmãos, que não sejamos 'engolidos' pela atual mentalidade do mundo, que se baseia no materialismo prático, na busca do prazer, do ter, e no individualismo. As contradições, tribulações e constrangimentos por que passamos em nossa vida, são assumidos plenamente por Jesus:
'Sendo rico, fez-se pobre por vós, a fim de vos enriquecer pela pobreza' (2Cor 8,9)
No sofrimento, Jesus realiza plenamente o sentido da nossa existência, porque ninguém como Ele assumiu para Si todas as nossas dores, salvando-nos para a vida eterna.
Descobrir o mistério do sofrimento é nos abrirmos para um bem maior: o dom de irmos até o outro, de vencermos nossos preconceitos e de amarmos e valorizarmos a vida!
O sofrimento é uma escola de santidade; é experimentar a misericórdia de Deus, a dignidade e a força salvíficas, que Lhe são próprias.



A iniquidade das coisas santas

“E estará sobre a testa de Arão, para que Arão leve a iniqüidade concernente às coisas santas que os filhos de Israel consagrarem em todas as ofertas de suas coisas santas; sempre estará sobre a testa de Arão, para que eles sejam aceitos perante o SENHOR” (Êxodo 28:38)
Que véu é levantado por estas palavras, e que revelação! Será humilhante, mas proveitoso para nós, fazer uma pausa por alguns instantes e observar este triste espetáculo. As iniqüidades da nossa adoração pública: sua hipocrisia, formalidade, indiferença, irreverência, inconstância de coração, e o esquecimento da parte de Deus - que boa medida nós termos aí! Nosso serviço para o Senhor, sua ambição, egoísmo, descuido, desleixo, descrença - quanta mácula! Nossa devoção particular, sua debilidade, frieza, negligência, sonolência, e vaidade - que monte de terra improdutiva! Se olhássemos mais cuidadosamente, perceberíamos que esta iniqüidade é muito maior do que aparenta ser à primeira vista. Dr. Payson, escrevendo a seu irmão, diz, “Minha paróquia, assim como meu coração, muito se assemelha ao jardim de um preguiçoso; e o que é pior, acho que grande parte dos meus desejos para a melhoria de ambos, procedem ou do orgulho e vaidade, ou da indolência. Vejo as ervas daninhas que cobrem meu jardim, e espiro um ardente desejo de que elas fossem erradicadas. Mas, por que? O que move esse desejo? Talvez eu saia e diga a mim mesmo: ‘que bela ordem mantenho em meu jardim'! Isto é orgulho . Ou pode ser que meus vizinhos olhem por cima do muro e digam: ‘Como seu jardim está florido!' Isto é vaidade . Ou talvez eu deseje a destruição das ervas daninhas porque estou cansado de arrancá-las. Isto é indolência .” De modo que, mesmo nossos desejos de santidade podem estar contaminados por motivos vis. Os vermes se escondem sob os gramados mais verdejantes; não precisamos observar por muito tempo para descobri-los. Que encorajador é o pensamento de que, quando o Sumo Sacerdote suportou a iniquidade das coisas santas, ele colocou em sua testa as palavras “SANTIDADE AO SENHOR”: e mesmo assim, enquanto Jesus sustenta nosso pecado, Ele apresenta diante da face do Pai não a nossa santidade, mas a sua própria. Oh! quanta graça por ver o nosso grande Sumo Sacerdote pelos olhos da fé!

Charles Haddon Spurgeon