terça-feira, 5 de julho de 2016

A “Joie de Guerre”

“Tenho-vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” João 16.33

Homens, não hesitem em se engajar na batalha que está sendo travada em torno de vocês, a batalha que está ferindo os nossos filhos e as famílias, a batalha que distorce a dignidade de homens e mulheres. Esta batalha é muitas vezes escondida, mas é uma batalha real. É principalmente uma batalha espiritual, que está progressivamente matando os valores cristãos restantes em nossa sociedade e em nossa cultura, e até mesmo em nossas próprias casas.

Mas, a luta pela verdade e a moral, pela honra de sermos cristãos, não é somente um sacrifício que fazemos; coadjuvada pela graça divina, ela nos dá aquela alegria do guerreiro que luta pela causa justa. Na misericórdia e na verdade de Cristo, tornamo-nos fortes com sua força, corajosos com sua coragem, e podemos realmente experimentar a ‘joie de guerre’ [alegria da luta] de sermos soldados de Cristo. Essa “alegria da luta” enquanto soldados de Cristo é uma das mais puras e intensas alegrias que possamos gozar nesta Terra.

 Alegria e guerra são conceitos totalmente opostos. Segundo o dicionário, alegria significa prazer em viver, contentamento, satisfação. Enquanto guerra significa luta, conflito. Não há satisfação no conflito, não há contentamento na luta. E não há prazer em viver na guerra, pois geralmente a guerra deixa feridos e mortos. Como conciliar então estes dois conceitos? Seria possível fazê-lo?

Servir ao Senhor com alegria em tempo de paz é muito bom, e muito fácil. É fácil levantar as mãos para adorar, é fácil aplaudir, é fácil sorrir para todos os que estão ao nosso lado.

Porém, quem, em sua caminhada cristã, nunca passou por um período de guerra? – Todos já passaram, e muitas vezes, e ainda vão passar por muitas outras. A Bíblia é bem clara quanto a isso. Jesus poderia ter dito que no mundo nós nos divertiríamos, brincaríamos, faríamos tudo com facilidade. Mas Ele não nos enganou: “no mundo tereis aflições”, e é exatamente o que todos nós vivenciamos.

 A partir do momento em que aceitamos o desafio de seguir o Senhor, e de servir ao Senhor, de trabalhar em prol do reino, de ganhar almas, de adorá-Lo, de fazer tudo isso com alegria; a partir desse momento a nossa guerra começa. É a partir daí que se levantam as pessoas de sua família contra você, querendo te desestabilizar; levantam-se irmãos da Igreja, questionando o que você faz; levanta-se a inveja, a cobiça, o ciúme, a fofoca. Tudo isso parte das pessoas que estão com você, daquelas que você vê todos os dias, convive todos os dias. Porque se esses sentimentos partissem de pessoas distantes, que você não vê ou mal conhecem, então seria fácil vencer, seguir em frente. Mas para lidar com isso todos os dias? Como nós podemos servir ao Senhor com alegria se nós sentimos que falam de nós, que se incomodam com o que fazemos, se tentam nos derrubar? Como evitar que tudo isso aconteça? 
 
Nós temos duas opções: seguir em frente, ou desistir. Vejamos a primeira opção:

1)   Seguindo em Frente
Ora, se Deus nos chamou, é dever nosso obedecer. Ele nos chamou para servi-Lo, e nós precisamos servi-Lo com alegria. Mas como servir ao Senhor com alegria em tempos de guerra?

1.1). É preciso negar-se a si mesmo
Mateus 16.24: “Então, disse Jesus a seus discípulos: se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. ”

Nós somos membros do Corpo de Cristo. Então, não somos eu, você, ele e ele: somos nós. É preciso nos enxergarmos como um corpo. É preciso pensarmos como um só. Eu não posso ser egoísta, pensar somente no que me agrada, fazer apenas a minha vontade. É preciso ser um só corpo com todos os irmãos. Então, pensando desta forma, é mais fácil conceber a possibilidade de “negar-se a si mesmo”: relevar as ofensas, as discussões, as brigas e disputas. É fácil? Não. Mas é o que precisamos fazer para ir após Cristo. Jesus conhece nossos corações, nos sonda: clamando a Ele para que nos ajude, Ele nos ouve, e nos ajuda a superar todas essas barreiras. Ele nos ajuda nesse processo tão difícil de negarmos nossas vontades, nossos desejos, e enxergarmos como um só corpo.

1.2). É preciso tomar a sua cruz

Mateus 16.24: “Então, disse Jesus a seus discípulos: se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me”
O fardo de Jesus é leve, mas ele existe. A vida cristã é trabalhosa. A vida na Igreja para aqueles que trabalham também. Porque aqueles que não fazem nada em prol do reino não dão trabalho para o inimigo, então não há motivos para perturbá-los. Mas aqueles que trabalham, independente do que façam (Deus conhece o coração de cada um, o trabalho de cada um, seja orando, intercedendo, pregando, cantando: Deus conhece e sabe o que cada um faz, e reconhece os frutos desse trabalho, seja ele qual for); os que trabalham têm sua cruz para carregar, cada um. E pode ter certeza que é mais fácil estar em qualquer outro lugar. Se na escola te incomodam, você pode trocar de escola numa boa; se no trabalham pegam no seu pé, você pode trocar, ou aturar tudo o que fazem por causa do salário. Mas da Igreja, não dá para sair por qualquer problema que surja. A sua cruz é a sua cruz, e você vai carregá-la em qualquer lugar que você esteja. Se implicam com o ritmo que você toca aqui, vão implicar também em outra Igreja. Pode não ser com o ritmo, mas vão implicar. Não tem como fugir disso. Os problemas estão em todos os lugares. O que muda é o endereço, e os rostos. O resto é igual. Se você faz o que faz bem, faz em nome do Senhor, alguém vai se levantar para tentar te ferir. É isso que o inimigo faz. Se você joga tudo para o alto, então o inimigo ganha. Quem quer servir ao Senhor com alegria, precisa carregar sua cruz, dia após dia.

1.3). É preciso fartar-se de afronta
Lamentações 3.30: “Dê a face ao que fere; farte-se de afronta”
Como servir ao Senhor com alegria cheio de afronta? Poderiam haver milhões de respostas para esta pergunta. Mateus 5,3.
“Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós”. Regozijai-vos e exultai – é dessa forma que servimos ao Senhor com alegria, fartos de afronta. Grande é o nosso galardão nos céus.

1.4). É preciso amar o outro
João 13.34-35: “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amos uns com os outros.
Na guerra não existe amor; existe ódio, rancor, ira. Se alguém se levanta contra você, e você responde com amor, você já venceu. Se alguém é rude, e nós somos educados, a pessoa rude fica sem graça, e até pede desculpas. Então se nós respondemos com bem a quem nos trata mal; se nós respondemos com amor, já não há mais guerra, porque o amor não dá espaço para guerras. Se levantaram contra você, contra seu ministério? Ore por essas pessoas. Não entre na briga, você não ganhar nada. Ore. Ame. E a vitória é certa.

Mas a quem devemos amor? A todos. Ame seu amigo, seu pai, seu irmão, seu inimigo, aquele que te rouba, que mente, que dissimula: Jesus morreu por todos. Ele não escolheu por quem morrer, morreu por todos. Não podemos escolher quem amar. Devemos amar a todos. E se nós amamos, nós vencemos a guerra, nós servimos ao Senhor com alegria, independente do que esteja acontecendo. A nossa alegria nunca morre porque nós amamos, e o amor de Deus em nossas vidas faz isso: renova nossa alegria, mesmo em tempos de guerra.

1.5). É preciso perdoar
Lucas 23.34a: “Contudo, Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”
Mateus 6.14-15: “Porque se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens (as suas ofensas) tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas”

Quem ama, perdoa.

É impossível servir ao Senhor com alegria tendo no coração mágoa contra alguém. E quando nós nos colocamos diante de Deus, dispostos a perdoar, mesmo que seja a pior afronta de todas, nós somos capazes de perdoar. Porque o poder de Deus é incrível. Não há nada que Ele não seja capaz de fazer. A dificuldade é amar um irmão? Entregar o dízimo, perdoar? Peça à Deus! Ele verdadeiramente transforma nossos corações. Como Ele faz isso? Não faço a menor ideia. Mas querido, Ele faz. Faz você se sentir uma nova criatura de novo. E renovado de novo. E quantas vezes mais forem necessárias. Ele não se canse de nos ajudar!

E a Palavra de Deus é clara: quem não perdoar não será perdoado. O que seria de nós sem o perdão de Deus? Não precisaríamos nem estar aqui, porque nada do que fizéssemos seria aceito diante dEle. E mais, maior exemplo de perdão do que a declaração de Jesus para aqueles que o humilharam não existe: “Pai, perdoa-lhes” Nenhum de nós sofreu um décimo do que Jesus sofreu, e nos recusamos a perdoar. Tem gente que pisa na bola, e muitas vezes, é verdade. Mas sem perdão, não há alegria no nosso servir.

Se você tenta fazer algo estando irritado com alguém, você não consegue fazer direito. Se você vai trabalhar brigado com sua esposa, você vai ficar pensando naquilo. Ou na briga, ou na hora de chegar em casa, e ter que encará-la. De repente achando que tem razão, e ela está errada, já pensando em passar direto sem nem dar um “oi”, e aí dela se falar alguma coisa com você, vai virar briga de novo! As coisas são assim, em casa, no trabalho, na escola, na Igreja. Se ninguém der o primeiro passo rumo ao diálogo, a birra vai permanecer, o mau clima continua. E imagina vir louvar a Deus dessa forma! Ele não vai receber e ainda ficará triste com nossa atitude. É preciso perdoar.
Para servir ao Senhor com alegria em tempos de guerra é preciso:

1     - negar-se a si mesmo;
2     - tomar a sua cruz;
3     - fartar-se de afronta;
4     - amar o outro;
5     – perdoar.

Vejamos agora a segunda opção:

2)   desistindo

Deus nos chamou, mas nós temos sim a opção de negar o chamado de Deus, ignorá-lo, fingir que não é conosco. Podemos até aceitar e desistir no meio do caminho. Mas se eu, se você desistirmos, a obra não vai parar.

Lucas 19.10: “Mas Jesus lhes respondeu: Asseguro-vos que, se eles se calarem, as próprias pedras clamarão”

Seu irmão é chato? Está disposto a te tirar do sério? Inventando histórias, fazendo fofoca, ou nem fala mais com você? São armadilhas de o inimigo para o trabalho não continuar. Deus vê tudo o que acontece, e Ele é quem vai julgar seu irmão. Lembre-se de que tudo acontece com a permissão de Deus. Então, se o irmão se levanta contra você, Deus está vendo e sabe.

Quer desistir?  Toda a dor de cabeça com ministérios, e trabalho na casa de Deus, e até as intrigas que os seus familiares inventam: tudo vai desaparecer. Você não vai ter mais preocupações. Mas o trabalho de Deus não vai parar. Você é importante, sim. Mas se você não falar, Deus levantará as pedras. Deus levantará outro que esteja disposto a fazer a obra no seu lugar. Deus levantará outro que esteja disposto a negar-se a si mesmo, a carregar sua cruz, a fartar-se de afronta, a amar, a perdoar. Deus levantará outro que esteja disposta a obedecer ao seu chamado, com todas as suas implicações. Porque no mundo, tereis aflições. Deus levantará aquele que tem bom animo, porque com bom animo, Jesus venceu o mundo, e assim farão aqueles que não desistirem em meio às guerras.

Deus não depende de você. Ele te ama, e quer te ver fazendo a obra. Mas se você não quiser obedecer, Ele vai levantar outro. Foi assim com Saul, que não obedeceu ao Senhor, e perdeu seu trono para Davi. Por que seria diferente conosco? A obra é grande. E não vai parar.


Quem desiste não recebe o prêmio, não recebe o galardão que está preparado. Não existe alegria na derrota. Não dá para servir ao Senhor com alegria desistindo no meio do caminho. As guerras vêm, mas que nos regozijemos e exultemos, porque é grande o nosso galardão nos céus. As guerras vêm, porque no mundo temos aflições, mas que tenhamos bom animo, porque Jesus venceu o mundo.

Dom Thomas J. Olmsted - Helen Lúcia

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