domingo, 11 de janeiro de 2015

Que importam os outros?

“Vendo Pedro a João, disse a Jesus: Senhor, e deste que será? Disse-lhe Jesus: Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti? Segue-me tu. Jo. 21:21-22

O que é que Jesus quer dizer com isto? Que importam os outros? Segue-me tu!

E sabem, nós importamo-nos. Nós importamo-nos porque somos pessoas. É suposto que as pessoas se importem. Eu importo-me com o que dizem de mim, com o que pensam de mim... E será que isso é errado?

Deus tinha prazer em Jesus porque este O seguia. A Jesus não importava o que os outros diziam de si, mas não deixava de os ouvir e de retirar de cada conversa, de cada situação, algo de bom para si e para os outros. Tentem pensar em Jesus como o homem, o ser humano, que Ele era. Acham que nunca houve sentimentos contraditórios dentro Dele? Eu acho que houve (recordem-se das palavras de Jesus no Getsêmani, em Mateus 26:39, quando Ele diz "Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice"), mas Ele todos os dias partilhava o que sentia, o que vivia, com o Pai, que O renovava e purificava. Em oração Jesus entregava a Deus o seu caminho e diariamente renovava o Seu compromisso de O seguir até ao dia em que voltassem a encontrar-se.

A Jesus importava-lhe aquilo que o Seu Pai pensava, aquilo que o Seu Pai desejava, Ele amava o que o Seu Pai amava e Ele queria fazer somente a Sua vontade.

Somos nós filhos de Deus? Então o nosso Pai deseja que o sigamos, que façamos a Sua vontade, que amemos o que Ele ama, independentemente do que os outros façam, digam, pensem sobre nós. Deus quer poder dizer "olha ali vai a Maria, o Francisco, o Pedro, os filhos que eu tanto amo e de quem me agrado muito, tenho orgulho deles".

Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me. Porque qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas, qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará. Pois, que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma? (Lucas 9:23-25)

Vemos Pedro muito preocupado com a vida do condiscípulo João. Morreria? Ficaria muito mais tempo? Sofreria no seu ministério ou seria livre de todo o sofrimento?
É sempre assim. Ficamos preocupados com o que não é importante e deixamos passar ao lado o que, de fato, é valioso. Não é importante que Deus satisfaça os nossos desejos, mas que cumpra a Sua vontade. Não é importante que tenhamos vida longa ou curta, mas, sim, que vivamos na Sua dependência. Não é importante que percorramos este ou aquele circuito (do sofrimento, da alegria, da vitória pessoal, etc.), mas, sim, que Cristo seja glorificado em nós, pela vida ou na morte. Não é tão importante o que as outras pessoas pensam de nós, mas, sim, o que Deus vê em nós.
O que é que é importante para você? As aparências, o supérfluo ou o concreto e objetivo? O que é importante para você? Saber quando vai morrer ou se vai morrer salvo e preparado para a vida eterna feliz?
É pertinente que no início do próximo ano saiba o que é importante para você e faça as melhores escolhas. É importante que busque a Jesus e o aceite como Salvador e Senhor e, logo, todas as outras coisas lhe serão acrescentadas.

Este tem sido o grande problema do cristianismo histórico. Ele nos ensinou e nos viciou a examinarmos, constante e diariamente, a vida do próximo. Por esta razão, as perseguições, as cruzadas e as inquisições em nome de Deus. Este é o mal de “igreja local”. Já percebeu? Quase cem por cento dos problemas nas igrejas locais relacionam-se com o policiamento da vida do irmão. Fofocas, facções, invejas, julgamentos, calúnias, inimizades, competições, ódio, amargura, etc. Todas estas coisas têm no âmago das questões o policiamento da vida alheia.
Esta é a razão da não unidade da igreja. Este é o motivo da dispersão dos discípulos. Esta é a causa da infantilidade dos crentes no Caminho.

O contexto desta fala de Jesus é aquele em que ele acaba de tratar do presente e do futuro de Pedro. Cura-o do trauma interior de culpa com a pergunta: “Tu me amas?” e prepara-o para o ministério ordenando-o: “Apascenta as minhas ovelhas”. Entretanto, a atenção de Pedro se volta para o que será da vida, do destino e do futuro de João. Ou seja: ao invés de tratar do seu próprio caminho no Caminho do discipulado, ele volta a sua atenção para o caminho de João.
A resposta de Jesus é um grande “fora” divino em Pedro. Ao tempo que uma lição claríssima que no Caminho, que é Jesus, cada discípulo caminhante faz o seu caminho. E quanto ao tipo de caminho que cada caminhante faz, só diz respeito a quem faz o caminho e a quem o caminhante prestará contas naquele dia.

Quando é que aprenderemos a “examinarmo-nos a nós mesmos” e não aos outros? Quando é que aprenderemos que “cada um dará conta de si mesmo a Deus”? Quando é que ouviremos Paulo dizendo: “Tem cuidado de ti mesmo...”?

O processo é simples. Quando cada um cuidar de si mesmo, todos estarão bem cuidados. Ele – Jesus – está à porta e bate, mas espera que alguém, o que indica ação individual e pessoal; não coletiva, abra a porta.

Portanto, quanto ao seu irmão: “Que te importa? Segue-me tu!” – disse Jesus. Deixemos que cada um faça o seu caminho no Caminho em direção ao alvo que é Cristo.
Não era para Pedro se preocupar com isso. A pergunta era curiosa, imprópria e impertinente; ele devia se preocupar apenas com o que dizia respeito a si mesmo, e tinha sido exortado a fazer.

“Que te importa? Segue-me tu”, disse Jesus. Não seremos chamados a prestar contas de nada além de nossas próprias ações e do que fizemos de nossas vidas. E quem é que consegue viver enquanto olha para o outro?

Quando aprendermos que cada um dará contas de si mesmo a Deus, estenderemos as mãos ao Senhor para que ele nos leve aonde Ele queira, mesmo que nós não queiramos. Estenderemos as mãos e seremos levados a viver no meio do vale de ossos secos, mesmo querendo estar no jardim do Éden. Quando aprendermos a seguir a Jesus, ficaremos indignados com nossas próprias falhas e teremos fé de que Deus cuidará de Seu povo.

“Segue-me tu, e não se preocupe com quem não quer me seguir”.

Só assim correremos com paciência a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, o autor e consumador da nossa fé (Hb 12.1,2).

Só assim combateremos o bom combate, acabaremos a corrida e guardaremos a fé (2 Tm 4.7).


Só assim não seremos gente que volta atrás e se perde (Hb 10.39).

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