sábado, 15 de fevereiro de 2014

O Cristianismo e o Amor Platônico


Há uma música que diz: “Atire a primeira pedra aquele que nunca sofreu por amor” (Banda Magníficos).
E há aqueles que, como diz Benito de Paula: “meu coração nunca sofreu de amor”. Talvez porque não tenham se entregado a uma paixão, ou talvez, não quiseram aceitar em sua mente, o sonho de um amor que não foi totalmente correspondido, um sonho lindo e inocente, onde só se queria ser feliz, e por isso mesmo há uma rejeição em apagar da memória aquele amor que acabou sendo tão inconsequente. Um amor abusivo, uma armadilha ilusória, que acabou trazendo desprezo e dor.
Falar de amor é comum, está nos filmes, nos livros e nas canções.
Pensar em amor como simples sentimentos, ou como um momento a sois de dois corpos, também é comum.
Amor como uma relação afetuosa ou idealizada, onde se abstrai o elemento sexual, entre gêneros diferentes, como no caso de amizade entre duas pessoas é chamado de Amor Platônico.
Termo utilizado pela primeira vez no século XV, pelo filósofo Marsilio Ficino, como sinônimo de amor socrático.
O amor quando é codificado na mente e transportado para a vida como um amor impossível, difícil ou que não pode ser correspondido, assume uma característica de amor platônico.Muitas pessoas idealizam um amor focado na beleza do caráter e na inteligência de uma pessoa, deixando em segundo plano o aspecto físico.

Para Platão o amor é a raiz de todas as virtudes e da verdade. Algo essencialmente puro e desprovido de paixões. O amor platônico, não se fundamenta num interesse, e sim na virtude. 

Sonhar com um mundo perfeito, ter um grande amor pela lua, é viver no mundo das idéias que como dizia Platão “tudo é perfeito”. É vivenciar um amor platônico.
Sonhar em encontrar um homem perfeito ou uma mulher perfeita, uma amizade que não nos faça sofrer, desejar ter um caso com aquela atriz ou ator, um mundo perfeito, sem dores; e qualquer coisa do gênero, se refere a algo que não existe no mundo real, apenas no mundo das idéias. Torna-se assim um amor platônico.
Quando encontramos alguém amando a distância, sem coragem de aproximar, sem oportunidades de toque, sem a intenção de um envolvimento maior, estamos diante de alguém amando de forma platônica. Um amor idealizado, feito de fantasias, onde o objeto, ou pessoa do amor é considerado o ser perfeito, alguém que detém todas as boas qualidades e sem defeito.
Mas o que encontramos na Bíblia é uma advertência do apóstolo Paulo aos Romanos, para quem ele escreve: “Que o amor de vocês seja não fingido. Odeiem o mal e sigam o que é bom” (Rm. 12. 9).
Isso sugere que o amor não é apenas um sentimento, e que ele não está apenas no campo das idéias. E sim uma ação consciente em direção a pessoa que se ama.
Vimos anteriormente que amor platônico é qualquer tipo de relação afetuosa ou idealizada em que se abstrai o elemento sexual.
Ele pode acontecer entre vários gêneros diferentes, como em um caso de amizade pura, entre duas pessoas. Amor platônico também pode ser um amor impossível, difícil ou que não é correspondido.
Como no caso do amor de Raíres por Luan Santana, uma jovem que afirma ser ex-namorada do cantor. Ela afirma, acreditando mesmo, que estava noiva do cantor e demonstra estar com o coração quebrado depois de descobrir que ele tem outra namorada.
Seus amigos postaram na internet um vídeo onde mostram a reação dela ao saber dessa notícia e o vídeo conseguiu milhares de visualizações. Este é um dos muitos casos de amor platônico de fãs pelo seu ídolo.
No entanto, a Bíblia nos adverte para: “Que o amor de vocês não seja fingido” (Rm. 12. 9).
Quando o Velho Testamento fala de Amor, está falando de uma expressão mais profunda de intimidade nas relações com Deus e com o próximo. É algo que exige uma aproximação, e não uma relação à distância.
O significado de amor, como ágape, no Novo Testamento está ligado ao significado do Velho Testamento, embora o amor também seja, no grego, phileo, que significa uma profunda amizade pelo outro. Que é o sentido do texto de João: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”(Jo. 3.16).

O amor platônico é entendido como um amor à distância, que não se aproxima, não toca, não envolve, é feito de fantasias e de idealização, onde o objeto do amor é o ser perfeito, detentor de todas as boas qualidades e sem defeitos.
No sentido bíblico, o amor nunca é um sentimento, um desejo, mas uma decisão de agir em favor do outro, como quando Paulo, escrevendo aos Romanos diz: “Deus prova do seu amor para conosco, em que... Cristo morreu por nós” (Rm. 5. 5).
Quando se refere ao amor platônico, ou qualquer coisa platônica, se refere a algo que seja perfeito, mas que não existe no mundo real, apenas no mundo das ideias.
Isto também está contrário ao amor fraternal relacionado na Bíblia. O termo grego para amor fraternal é philadelphia, e se refere ao amor daqueles que estão unidos como comunidade fraterna, que tem um compromisso além do individual, se esforçando para um bem comum, para um bem comunitário. É o que Pedro ensina em sua segunda carta: “A essa devoção juntem a amizade cristã e à amizade cristã juntem o amor” (2 Pe. 1. 7).
No Novo Testamento, aqueles que professavam a mesma fé em Cristo Jesus eram exortados a estar junto em amor fraternal, aquele que não visa apenas seu próprio interesse, mas, também o do próximo, guardando o mandamento de amar ao próximo como a si mesmo.

http://www.espacoparafalarerefletir.blogspot.com.br

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