segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Visão do Trono de Deus


“Do meio dessa nuvem saía a semelhança de quatro seres viventes, cuja aparência era esta: tinham a semelhança de homem... A forma de seus rostos era como o de homem; à direita os quatro tinham rosto de leão; à esquerda, rosto de boi; e também rosto de águia todos os quatro”(Ez.1,5.10).

A visão do profeta Ezequiel, onde lhe foi apresentada a figura exótica dos quatro seres viventes, tem um significado muito especial e esclarecedor para a igreja de Jesus destes dias.
O versículo 5 do texto que estamos estudando, diz que aqueles seres tinham a semelhança de homem. Creio que isto se refira ao fato significativo de que estes quatro seres viventes sejam características, traços e sinais da personalidade de Jesus e, sobretudo para nós, da personalidade da igreja que está aqui na terra representando-o. Os seres tinham aparência de homem, porque é necessário que nós, homens, tomemos sobre nossas vidas como igreja, a aparência semelhante de Jesus para que a humanidade inteira nos conheça por aquilo que ele é em nós.
O projeto de Deus é formar uma família de muitos filhos semelhantes a Jesus, que é o primogênito desta família. Portanto, vamos procurar compreender o que essas quatro faces podem nos ensinar sobre essa personalidade a ser encarnada por cada crente ao redor do planeta e das gerações que aguardam o retorno do Rei.
Outro fator importante neste texto também no verso 5 é que ele diz que os quatro seres saíam do meio da nuvem. Isso quer dizer que para que formemos essa personalidade divina que estaremos estudando, devemos nos aprofundar na nuvem da presença de Deus. Lá é o único lugar onde podemos ser influenciados e transformados por Deus e por sua natureza.

Vejamos os quatro seres:

Rosto como de homem: Antes de qualquer outra coisa, o rosto de Jesus foi, e o de sua Igreja deve ser o rosto do homem. Esta característica é fundamental, pois identifica a igreja com a humanidade. A igreja nunca deve perder sua humanidade, sua identificação com a sociedade. Isto quer dizer que não podemos nos tornar completamente angelicais a ponto de não haver compatibilidade com o mundo.
Muitos dentre nós perde a capacidade de se relacionar com o mundo em que vive, passando a habitar numa espécie de universo espiritual paralelo. Não foi isso p que o Senhor Jesus pediu ao Pai em sua oração por nós em João 17:15 onde Ele diz: “Não peço que os tires do mundo; e, sim, que os guardes do mal”.

Quando passamos a ter uma reação estranha ao mundo, o mundo não pode nos compreender. Não digo que devemos nos conformar com este mundo e suas práticas, nem tampouco, aceitar seus pecados e pior ainda, trazê-los (os pecados) para dentro de nosso convívio, mas que podemos abandonar um pouco de nossa linguagem “revista e atualizada” ameaçadora e muitas vezes incompreensível aos demais. Abandonar nossa mania de acusar, de julgar, de nos comportarmos com aquele ar arrogante de que “Não somos os donos do mundo, mas os filhos do Dono”. O Mundo não compreende isso e pior, interpreta como loucura, fanatismo e arrogância. Com tudo isso junto não seremos capazes de conquistar ninguém.
Para conquistarmos as pessoas, a linguagem mais adequada é a do amor e a da tolerância, lembrando-nos sempre de que Ele prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós sendo nós ainda pecadores, como o mundo ainda é.
Praticamente, devemos tornar a igreja atraente, usar do carisma (charme) que só o Espírito pode dar e nos infiltrar no mundo, sem permitir que sejamos influenciados, mas antes pelo contrário, influenciando. Isso é amar o mundo! João 3:16, diz que Deus amou o mundo. Isso cai como uma bomba em minha cabeça. Deus não amou somente a igreja, os judeus, os muçulmanos ou espíritas, Ele amou o mundo todo e nós, que nos dizemos seus filhos e representantes, devemos fazer como Ele, amar o mundo todo e amar com obras, com atitudes que comprovem esse amor, não somente de palavras, pois isso é pecado. Tiago nos diz que se guardamos toda a lei, mas tropeçamos em um só ponto nos tornamos culpados em todos os demais. E a Lei diz: Amarás o teu próximo como a ti mesmo! Leia lá: Tiago 2:8-10.
Esta é a igreja com cara de homem, a igreja que atrai as pessoas, que socializa, que tem o churrasco, os grupos celulares, as frentes de trabalho nas vilas e bairros, etc.
Pra completar essa característica de Jesus, podemos dizer também que o evangelho de Lucas o apresenta como o filho do homem, trazendo sua genealogia a partir de Adão, como todos os homens, e mostra também a sua infância, o que nenhum outro evangelho faz. Estes são detalhes importantes que apresentam Jesus como um homem igual a qualquer um de nós.

Rosto como de leão: Já no evangelho de Mateus Jesus é apresentado como o filho de Davi, ou seja, o Leão da Tribo de Judá. Jesus era da tribo de Judá, descendente do rei Davi, o símbolo da tribo de Judá era o leão. A bandeira de Jerusalém possui o Leão de Judá. Há uma promessa feita a Davi em Jeremias 33 onde Deus garante que levantaria a partir da raiz de Davi um Renovo de justiça que executaria o seu juízo. Este é Jesus, sem dúvida!
Esta face demonstra a autoridade espiritual de Jesus como Filho de Davi, Filho do Rei, Filho de Deus. Da mesma forma, a Igreja possui esta realeza em si. Uma autoridade espiritual poderosa outorgada pelo Rei dos reis. Jesus já conquistou seu lugar sobre principados e potestades espirituais, sobre nomes e impérios físicos, Ele é o Senhor. Hoje, temos a missão de confirmar esse senhorio de Jesus em nossa geração. Os principados e potestades já estão derrotados, mas ainda estão soltos visto que não foram lançados no lago de fogo reservado para os inimigos de Deus, portanto, eles estão aí, influenciando pessoas, sociedades e o mundo inteiro com um sistema baseado na injustiça e no pecado, afastando os homens de Deus. Para que possamos fazer algo, é necessário reconhecermos quem somos em Cristo e após isso, exercer autoridade para que possamos libertar os cativos e levá-los á condição de nova criatura como filhos de Deus.
Em Efésios 1:15-23, o apóstolo Paulo faz uma oração para que a igreja conheça sua posição e poder diante nas regiões celestiais. Veja o que ele diz a partir do versículo 18: “iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos, e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder; o qual exerceu ele em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais, acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que possa referir não só no presente século, mas também no vindouro. E pôs todas as coisas debaixo dos seus pés e, pra ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas”.
A Igreja, segundo este texto, é a plenitude de Jesus na terra e diz o versículo 22 que o Senhor pôs todas as coisas debaixo de seus pés e deu autoridade à igreja, para que ela faça o mesmo em cada geração. O que devemos fazer nestes dias, é dominar Satanás e seus demônios com a autoridade que Jesus nos outorgou.
Esta é a igreja que tem a cara de leão, que investe nos seminários de Batalha Espiritual, que ora, jejua, realiza atos proféticos e expulsa os demônios.

O rosto como de boi: O boi é o símbolo do servo que trabalha incessantemente, sem reclamar, sem contestar. Jesus disse que não veio a este mundo para ser servido e sim para servir aos homens. Se o mestre serviu, quanto mais nós devemos seguir seu exemplo.
O serviço de Jesus consistiu em curar os homens, realizar milagres, gerar novos sonhos e perspectivas nos cansados de alma, consistiu também em lavar os pés de seus discípulos, servir-lhes alimento, enfim, Jesus os serviu com tudo o que tinha em sua vida. Ele não só morreu por nós, mas também viveu por nós. Ele foi um modelo em tudo como filho de Deus orando e abençoando aos que o seguiram de perto e também a todos os que o seguiram no decorrer da história até os dias de hoje.
Esta é a principal revelação da palavra ministério: serviço!
Nossa vida deve ser vivida completamente para o exercício dessa obra. Devemos compartilhar nossa existência, nossos bens, nossas virtudes e dons com as pessoas. Se Deus te deu um ministério musical saiba que não foi para que você ficasse rico com a venda de CD´s mas para que servisse ao corpo de Cristo como instrumento profético, de ensino e de louvor. Se você tem o dom de curar, isso não deve ser usado para sua autopromoção, nunca faça isso, pois não foi pra isso que Deus lhe deu tal coisa. Da mesma forma, se você possui bens dessa terra, precisa olhar para as pessoas que estão em condição de privação e ajudá-las. Qualquer tipo de talento, de condição não está em você à toa, mas para que você possa ser um instrumento nas mãos de Deus a fim de ajudar e abençoar pessoas em nome Dele. É para isso que servem os dons, para servir.
Isso se estendeàs obras sociais que trazem alento aos pobres, ajudam viciados a saírem de sua condição de prisão do álcool e das drogas, e quaisquer outras formas de manifestação de apoio e ajuda à humanidade. Isto também é ser cristão, mostrar a face do servo, a face do boi.

O rosto como de águia: O evangelho de João mostra Jesus em sua face transfigurada, a face que vigora no sobrenatural. A Bíblia diz em Isaías 52:7: “Que formosos são sobre os montes os pés do que anuncia as boas novas...”. Aquele que anuncia a Palavra do Evangelho deve ter seus pés sobre os montes, ou seja, nos lugares altos, onde Deus habita. Quem está em cima possui uma visão amplificada, quem tem a visão da águia, sabe quem é sem precisar da aprovação dos homens. Quem tem a visão da águia enxerga as coisas deste mundo com a visão do sobrenatural e não vê como os demais homens, mas enxerga da parte de Deus. A águia é o símbolo da visão de Deus, e da visão dos que estão em Deus, assentados nas regiões celestiais com Cristo.

Jesus não dependia dos elogios e da aprovação dos religiosos, pois ele sabia o que Deus pensava sobre ele. O Senhor tampouco hesitou em enfrentar a Cruz, pois estava firmado naquilo que o Pai havia lhe dito em cima do monte, onde a visão é aguçada e a voz de Deus é clara.
Nós não podemos abrir mão da visão. Está escrito que um cego não pode guiar outro cego, senão ambos cairão. Por isso, para que possamos conduzir pessoas a Deus, devemos ter a visão da águia, a face da águia deve ser assumida em cada crente.
A adoração, a busca da face do Senhor em oração, a meditação na Palavra, os jejuns para a mortificação da natureza carnal, todas essas coisas são elementos que nos auxiliam na busca dessa face, para que possuamos uma visão altaneira e não fiquemos restritos à mediocridade daquilo que outros já fizeram, mas tenhamos uma nova e exclusiva visão da parte de Deus naquilo que Ele tem reservado para nós.

Conclusão: Segundo um pastor amigo, a Bíblia é um livro de extremos para que possamos alcançar o equilíbrio, ou seja, precisamos de bom senso, de revelação e de sabedoria para que não sejamos vítimas dos extremismos. Em algumas igrejas é notória a manifestação do Espírito Santo nos cultos, pois todos voam altamente como as águias, em outras os demônios batem em retirada, em vista da presença da autoridade do leão, outras ainda, são movidas pelo social, células, jogos de futebol, festas, enfim, koinonia pura sendo profundamente marcadas pela face do homem, outras por último, são igrejas que servem, são verdadeiras instituições sociais, verdadeiras ONG´s de Jesus, pois possuem a face do boi tatuadas em sua vida.
Todas estas são faces do ministério de Jesus e o que Deus quer que façamos nestes dias é que encontremos o equilíbrio entre cada um desses quatro pilares que devem nortear e embasar a vida e atuação da igreja.

Não é raro vermos pessoas procurando o avivamento dizendo “quero mais de Deus”, se embrenhando numa busca pelo Senhor subindo os altos montes da adoração, transfigurando suas vidas em pura manifestação metafísica, sendo, contudo tão transcendentais que passam a ser incompreendidos e taxados de loucos ou santos demais. Tal excesso não aproxima, só repele. Ao mesmo tempo, numa igreja onde o sobrenatural é deixado de lado corre-se o risco de se adotar o humanismo como doutrina.
Enfim, esses apenas exemplos que devem nos levar a buscar esse equilíbrio já dito, para que possamos ter em nossas igrejas todas as características de Jesus, pois se pregamos uma só face do Senhor, não estamos fazendo-o conhecido como Ele é, e sim como interpretamos que Ele seja e isso não é real, verdadeiro. A pregação do evangelho deve conter Jesus, Sua palavra e a de seus apóstolos, baseados na Bíblia Sagrada e nos dons do Espírito, que atestam e revelam o Senhor com a face compreensível a cada geração. Este tempo é o tempo da plenitude, onde Jesus se fará conhecido por completo. Nós somos essa plenitude, a Igreja desta geração.
Creia nisso, faça a sua parte, persevere na doutrina dos apóstolos, os quais estão entre nós até os dias de hoje, seja obediente aos seus líderes e busque no Senhor o equilíbrio que fará com que sua igreja alcance a todos os povos da terra.

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