sábado, 27 de julho de 2013

Nos Lugares celestiais

O evangelho anuncia a boa notícia de que Jesus Cristo morreu, ressuscitou e foi assentado à mão direita de Deus nos lugares celestiais. No entanto, a boa notícia não termina aí. O evangelho anuncia também que Jesus Cristo morreu por nós.
A frase «por nós» não só significa que Cristo morreu por nossa culpa, mas também que Jesus Cristo morreu em nosso lugar. Com efeito, ele foi o nosso substituto na cruz do Calvário. Ali nós deveríamos ter morrido, mas ele tomou o nosso lugar. Por isso, Paulo se atreve a dizer que «se um morreu por todos, logo todos morreram» (2ª Cor. 5:14).
Mas o Senhor Jesus Cristo não só morreu por nós, mas também ressuscitou por nós. Então, podemos acrescentar ao que Paulo disse que se um ressuscitou por todos, logo todos ressuscitaram. Isto, não obstante, não é algo que somente nos leva a deduzir das palavras de Paulo, mas está afirmado explicitamente por ele: «No qual (no batismo) foram também ressuscitados com ele (com Cristo)» (Col. 2:12). «E juntamente com ele nos ressuscitou» (Ef. 2:6ª). A boa notícia do evangelho é que não só Jesus Cristo ressuscitou; nele, nós também ressuscitamos. Ele foi o nosso substituto não só na morte, mas também na ressurreição.
Mas, quando vamos à carta de Paulo aos Efésios, descobrimos ainda algo mais: Que o nosso bendito Senhor Jesus também foi exaltado por nós. De maneira que aqui também podemos dizer, seguindo a sentença do apóstolo Paulo, que se um foi exaltado por todos, logo todos foram exaltados. E, com efeito, Paulo, em sua carta aos Efésios, mostrando a glória da igreja, declara que Deus «deste modo nos fez assentar nos lugares celestiais com Cristo Jesus» (2:6b). O nosso amado Senhor também foi o nosso substituto na exaltação. Não só Cristo morreu, nós também morremos; não só Cristo ressuscitou, nós também ressuscitamos; não só Cristo foi exaltado, nós também fomos. Nisto consiste a boa notícia do evangelho e a glória da igreja.
Uma nova posição
Mas qual significado tem para a igreja o fato de estarmos assentados nos lugares celestiais com Cristo Jesus? Como essa tão gloriosa verdade deveria nos afetar? Se, segundo Paulo, quando Deus nos deu vida juntamente com Cristo, mesmo estando nós mortos em pecados, esse fato significa para a igreja que somos salvos por graça (Ef. 2:5), qual será então a significação espiritual do fato de nossa exaltação com Cristo?
Para começar a responder estas perguntas, vamos recorrer primeiro à carta de Paulo aos colossenses. Ali Paulo, depois de anunciar a nossa ressurreição com Cristo (2:12), exorta assim aos irmãos: «Se, pois, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas de cima, onde Cristo está assentado à mão direita de Deus. Ponham a olhos nas coisas de cima, não nas coisas da terra» (3:1-2). «Buscai» e «ponham os olhos» nas coisas de cima é o ensino do apóstolo para os colossenses e para nós. Mas por que não devemos procurar e pôr os olhos nas coisas da terra? Por acaso não estamos na terra? Por acaso não estamos no mundo? Precisamente aqui está a questão. Os crentes estão assentados nos lugares celestiais com Cristo Jesus. E isso significa que mudaram drasticamente de posição. A posição da igreja já não é terrena, mas celestial. Embora ela prossiga aqui na terra, a sua cidadania está agora nos céus (Fil. 3:20). Estamos no mundo, mas não somos do mundo. Como disse Jesus: «Não são do mundo, como também eu não sou do mundo» (João 17:16).
Uma nova origem
Que o nosso Senhor declare que ele não é do mundo, é algo que todos entendemos; mas ele dizer que nós também não somos do mundo, é algo que requer uma explicação, ou melhor dizendo, requer revelação. Estar assentados com Cristo nos lugares celestiais significa que agora temos uma nova origem, um novo lugar de procedência. Quando Jesus disse a Nicodemus que «aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus» (João 3:3), o texto grego diz literalmente «nascer do alto» ou «nascer de cima». Irmãos! A igreja tem a sua origem nos céus, é celestial, nasceu de cima. Esta é a glória da igreja:«O segundo homem, que é o Senhor, é do céu. Qual o terreno, tais também os terrenos; e qual o celestial, tais também os celestiais» (1ª Cor. 15:47-48). Aleluia! Você consegue enxergar isto, irmão? Não procedemos da terra, procedemos do céu. A nossa origem está lá, a nossa posição é celestial. Qual o celestial – Cristo – tais também os celestiais.
Se isto te parecer assombroso e maravilhoso, espere porque ainda tem mais. Jesus disse também a Nicodemus: «Ninguém subiu ao céu, a não ser o que desceu do céu; o Filho do Homem, que está no céu»(João 3:13). Jesus estava física e geograficamente na terra; no entanto, declarou que simultaneamente estava no céu. O nosso Senhor viveu a sua vida aqui na terra, mas do céu. Ele era um celestial entre os terrenos. Da mesma maneira nós, fomos enviados ao mundo (João 17:18). Irmãos! Os crentes não são pessoas que vão para o céu. Não, somos pessoas que voltarão para o céu. Somos pessoas que desceram do céu e que foi enviada ao mundo, igual ao nosso Senhor. E quando um dia chegarmos ao céu, não será outra coisa senão a nossa volta para casa. Como disse Jesus: «Saí do Pai, e vim ao mundo; outra vez deixo o mundo, e vou para o Pai» (João 16:28).
Uma nova identidade
A igreja tem, pois, uma nova origem, uma nova posição. Esta posição não é em Adão, mas em Cristo; não é terrena, mas celestial. No entanto, isto não é algo que funciona automaticamente; funciona por meio da fé. Por isso o imperativo paulino de pôr os olhos nas coisas celestiais e buscá-las. Paulo, depois de dizer que não devemos pôr os olhos nas coisas da terra, afirma a razão disso: «Porque morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus» (Col. 3:3). Com respeito a nossa vida passada, adâmica, morremos. Agora, a nossa vida é Cristo (Col. 3:4). Quando Paulo declara que a nossa nova vida «está escondida com Cristo em Deus», isto nos chama a atenção. Por que tal expressão? Qual é a causa dela? Porque a nossa nova vida está escondida em Deus nos lugares celestiais. Temos, pois, que entrar nestas habitações celestiais e descobri-la. Temos que descobrir a nossa nova identidade e o que ela significa. Ali o Senhor nos dará a comer do maná «escondido» (Apoc. 2:17). Ali nos será revelado o nosso novo e verdadeiro pai, o Pai celestial; ali temos que descobrir o nosso irmão mais velho, o Senhor Jesus Cristo; ali nos dará a conhecer a nossa nova família, a família de Deus; e ali deveremos assumir a nossa nova identidade de filhos de Deus.
Os lugares celestiais em Efésios
Voltemos agora para Efésios para completar as respostas às perguntas que foram expostas anteriormente. Cabe observar que em Efésios a expressão «lugares celestiais» aparece cinco vezes em toda a epístola.
Em primeiro lugar, em Efésios 1:3, quando diz que Deus «nos abençoou com toda bênção espiritual nos lugares celestiais em Cristo». Em Cristo – que está exaltado em lugares celestiais – o Pai nos abençoou (tempo passado) com toda bênção espiritual.
Convém enfatizar que as bênçãos são de caráter espiritual. Digo isto, porque a nossa mente carnal tende permanentemente a interpretar as bênçãos de Deus em termos materiais e terrenos. Mas as bênçãos que nos foram dadas nas despensas celestiais são espirituais, porque estas são as verdadeiras e as eternas. As coisas materiais, ao contrário, são passageiras e temporais. Portanto, se entrarmos nas despensas celestiais não encontraremos automóveis, nem casas, nem fama. O que você irá encontrar são jóias de um valor imensamente maior, como estas: «Como também nos escolheu em Cristo antes da fundação do mundo» (Ef. 1:4); «Em amor nos predestinou para sermos filhos de adoção por meio de Jesus Cristo»(Ef. 1:5); «Em quem temos a redenção por seu sangue, o perdão dos pecados» (Ef. 1:7). «Dando-nos a conhecer o mistério da sua vontade» (Ef. 1:9); «Nele, digo, em quem também fomos feito herança» (Ef. 1:11); «Tendo crido nele, fostes selados com o Espírito Santo da promessa» (Ef. 1:13b); «O Espírito Santo da promessa, que é o penhor da nossa herança» (Ef. 1:14a).
Em segundo lugar, em 1:20, quando Paulo declara que a força do poder de Deus «operou em Cristo, ressuscitando-o dos mortos e fazendo-o assentar-se à sua mão direita nos lugares celestiais». Em seguida, em Ef. 2:6, a expressão que é objeto deste estudo: «E deste modo nos fez assentar nos lugares celestiais com Cristo Jesus». Em 1:20 é Cristo o que foi assentado; agora, em 2:6 nós é que fomos assentados juntamente com ele.
A quarta vez que aparece em Efésios a expressão «lugares celestiais», é no versículo 3:10: «Para que a multiforme sabedoria de Deus seja agora dada a conhecer por meio da igreja aos principados e potestades nos lugares celestiais». A mensagem da igreja não é só para os homens, é também para o mundo angelical. A mensagem é dada a conhecer aos homens na terra; mas, aos anjos, a sabedoria de Deus lhes é dada a conhecer nos lugares celestiais.
O apóstolo Pedro revela que estas coisas celestiais que a igreja desfruta, são objetos do olhar dos anjos. Pedro diz assim: «Coisas nas quais os anjos desejam olhar» (1ª P. 1:12). Eles podem olhá-las, mas não podem participar delas. Eles as olham com desejo, mas não as podem experimentar. As coisas celestiais são a herança da igreja, não dos anjos. Esta é a sua glória, igreja! Paulo diz que a obra que Deus tem feito na igreja, em Cristo, tem por finalidade «mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça em sua bondade para conosco em Cristo Jesus» (Ef. 2:7). A esta palavra da escritura podemos acrescentar: «mostrar» aos homens nos lugares terrenos e «mostrar» aos principados e potestades nos lugares celestiais.
Também, em sua carta aos coríntios, falando dos apóstolos e, e extensivo, aos ministros em geral, Paulo diz: «Parece-me às vezes que Deus colocou a nós os apóstolos ao final da fila, como réus que marcham ao cadafalso (patíbulo, guilhotina) detrás de um desfile triunfal, para que o mundo, os anjos e os homens nos contemplem» (1ª Cor. 4:9: «A Bíblia ao Dia»). O termo «contemplem» em grego é a palavra «teatro», quer dizer, um lugar para ser vistos pelos outros; neste caso, para ser vistos pelos anjos. Mas o que eles vêem? Do que somos feitos espetáculo? De que ele nos venceu e agora somos dele. De que a nossa vida lhe pertence e que em nosso serviço ao Senhor, somos pessoas que caminham para dar a vida por ele, como se caminhássemos ao patíbulo.
Inimigos nos lugares celestiais
A quinta e última vez que aparece a expressão «lugares celestiais» em Efésios, é o 6:12: «Porque não temos que lutar contra sangue e carne, mas contra principados, contra potestades, contra os governadores das trevas deste século, contra hostes espirituais da maldade nas regiões celestes».
A expressão «regiões celestes» é a mesma coisa que «lugares celestiais». Com efeito, o termo grego é o mesmo em ambos os casos: «Epouranios». Para falar a verdade, tanto a palavra «lugares» como o termo «regiões» são palavras existentes em espanhol (ou português). «Epouranios» significa simplesmente «céus», ou «as celestiais» (referidas a coisas celestiais). O interessante deste texto é que afirma que a nossa vida nos lugares celestiais tem inimigos. Nossa nova vida não só está escondida com Cristo em Deus, mas também enfrenta inimigos espirituais que atentam contra a nossa busca e de tomar posse dela.
O Antigo Testamento nos mostra uma figura exata e preciosa para ilustrar isto. Qual? A posse por parte de Israel da terra prometida. Ela era a herança do povo de Deus, mas a posse da terra foi resistida pelos inimigos que ali se encontravam. O povo de Israel devia entrar e tomar posse da sua herança, antes disso deveria desalojar os seus inimigos.
Da mesma maneira a igreja, embora tenha a sua herança nos lugares celestiais em Cristo, deve não obstante manter firme a sua posição celestial contra todo inimigo espiritual. Notem que esta batalha se trava nas regiões celestes, não na terra. Paulo é claro ao afirmar que a nossa luta não é contra carne e sangue, quer dizer, não é contra as pessoas. Nossos inimigos não se encontram aqui na terra, mas nos lugares celestiais, e não são de carne e ossos, mas inimigos espirituais.
Mas a boa notícia do evangelho é que Deus tem provido a igreja de uma armadura divina para enfrentar esta batalha e, assim, nos manter firmes contra as armadilhas do diabo (Ef. 6:11). O apóstolo, seguindo a figura do soldado romano de sua época, ilustra então que os crentes devem se vestir com a verdade como cinturão, com a justiça como couraça, com a disposição de proclamar o evangelho da paz como um calçado, com a fé como escudo, com a salvação como capacete e com a palavra de Deus como espada (Ef. 6:14-17). Assim vestidos, poderemos nos manter firmes em nossa posição celestial. Esta é sua glória, igreja! 

Rubén Chacón

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