sábado, 23 de fevereiro de 2013

Da Imitação de Cristo - Livro III - Cap. 57

Que o homem não se desanime em demasia, quando cai em algumas faltas 

1. Jesus: Filho, mais me agradam a paciência e humildade nos
reveses que a muita consolação e fervor nas prosperidades.
Por que te entristece uma coisinha que contra ti disseram?
Ainda que fosse maior, não te devias ter perturbado.
Deixa passar isso agora, não é novidade; não é a primeira vez,
nem será a última, se muito tempo viveres.
Mas valoroso és, enquanto te não sucede alguma adversidade.
Sabes até dar bons conselhos e acalentar os outros com tuas palavras; mas quando bate, de improviso, à tua porta a tribulação,
logo te falta conselho e fortaleza. Considera tua grande fraqueza,
que tantas vezes experimentas nas pequenas coisas; todavia,
é para tua salvação que isso e semelhantes coisas acontecem. 

2. Procura esquecer isso como melhor souberes, e,
se te impressionou, não te abale nem te perturbe muito tempo.
Sofre ao menos com paciência o que não podes sofrer com alegria.
Ainda que te custe ouvir esta ou a quela palavra e te sintas indignado, 
modera-te, e não deixes escapar da tua boca alguma expressão despropositada, 
com que os pequenos se poderiam escandalizar.
Logo se acalmará a tempestade em teu coração, 
e a dor se converterá em doçura, com a volta da graça.
Eu ainda vivo, diz o Senhor, pronto para te ajudar e consolar,
mais do que nunca, se em mim confiares e me invocares com fervor. 

3. Sê mais corajoso, e prepara-te para suportar coisas maiores.
Nem tudo está perdido por te sentires a miúdo tribulado e gravemente tentado.
Homem és e não Deus; carne és e não anjo.
Como poderás tu perseverar sempre no mesmo estado de virtude,
se tal não pôde o anjo no céu, nem o primeiro homem no paraíso?
Eu sou que levanto os aflitos e os salvo, elevo à minha divindade
os que conhecem as s uas fraquezas. 

4. A alma: Senhor, bendita seja a vossa palavra,
mais doce na minha boca que um favo de mel ( Sl 18,11; 118, 103).
Que seria de mim em tantas tribulações e angústias,
se vós me não confortásseis com vossas santas palavras?
Contanto que chegue afinal ao porto de salvação,
que importa o que e quanto tiver sofrido?
Concedei-me bom fim, ditoso trânsito deste mundo.
Lembrai-vos de mim, meu Deus, e conduzi-me
pelo caminho reto ao vosso reino! Amém.

Imitação de Cristo, cap. 57

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