terça-feira, 20 de março de 2012

Raiz de amargura




“Tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem” (Hb. 12,15).

Caríssimos, permita-me refletir hoje sobre raiz de amargura.

Se alguém se afastar da presença de Deus, privando certamente da Sua Graça, uma raiz brotará em seu coração, produzindo amargura e frutos venenosos, como fel e absinto. 

Afastamos da presença de Deus fazendo aquilo que mais ofende, fere e entristece Seu Espírito: A falta de confiança, a incredulidade. Foi assim que nossos primeiros pais se afastaram da presença do Criador. É assim que magoamos ao Espírito Santo. Isto é privar-se da graça de Deus; privar-se da presença de Deus. 

Amados irmãos em Cristo, não vamos sair da presença de Deus. Para que repetir os mesmos passos de Adão e Eva? As consequências daquele tempo foram tão desastrosas, que repercutem até ao dia de hoje. Já não bastam? Se não, vejamos.

Foi assim que Adão e Eva quebraram o relacionamento com Deus: Convenceram-se de que seu caminho era melhor que o de Deus; ficaram acanhados e se esconderam; e tentaram arrumar desculpas e defender a si mesmos. Deus não permitiu que o ato de pecar ficasse sem uma punição. Se as consequências do pecado de adão e Eva parecem extremas, lembre-se que o pecado deles colocou em ação a tendência do mundo de desobedecer a Deus. Por isso pecamos hoje: cada ser humano nascido, com exceção de Jesus, herda a natureza pecaminosa de Adão e Eva. 

A condenação atingiu os culpados nas suas atividades essenciais: a mulher como mãe e esposa, o homem como trabalhador. O pecado transtorna a ordem querida por Deus: em vez de ser a associada do homem e sua igual, a mulher se tornará a sedutora do homem, que a sujeitará para ter filhos; em vez de ser o jardineiro de Deus no Éden, o homem lutará contra um solo hostil. Mas o grande castigo será a perda da familiaridade com Deus. A punição de Adão e Eva reflete a seriedade da visão de Deus quanto a qualquer tipo de pecado. Trata-se de penas hereditárias.

Afinal, o que é o pecado, para que tão grande sacrifício fosse exigido para salvar a sua vítima? Acaso foi preciso todo esse amor, todo esse sofrimento, toda essa humilhação para que não perecêssemos, mas tivéssemos a vida eterna? O pecado provocou a cruz; justamente a morte de Cristo na cruz destruiu o pecado. Pecado: causa da cruz! Cruz: remédio para o pecado!

Deus nos adverte pela boca do Profeta Jeremias: “A tua malícia te castigará e as tuas apostasias te repreenderão: sabe, pois, e vê, que mau e quão amargo é deixares ao Senhor, teu Deus, e não teres o meu temor contigo, diz o Senhor JEOVÁ dos Exércitos” (Jr. 2,19).

Decidindo fazer o que sabemos ser errado, saímos da presença de Deus. Plantamos uma semente que cresce descontroladamente, gerando mágoas e dores. Como uma pequena raiz que cresce e se torna uma grande árvore, a amargura surge em nosso coração e obscurece até os nossos relacionamentos cristãos mais profundos. Uma raiz de amargura surge quando permitimos que a decepção se transforme em ressentimento ou quando alimentamos rancores relacionados a mágoas passadas. A amargura traz consigo o ciúme, a dissensão e a imoralidade. Porém, nós podemos impedir que tais sementes de pecado formem raízes, quando damos lugar ao Espírito Santo que nos enche, curando a mágoa que causa a amargura. Se cometemos algum erro, devemos confessar a Deus e aos outros, imediatamente. Quando a semente não encontra solo fértil, seu fruto amargo nunca amadurecerá. 

Para reconstruir o relacionamento com Deus, é necessário inverter os passos dados por Adão a Eva, quando quebraram a comunhão com Ele: Precisamos abandonar as desculpas e as autodefesas; precisamos parar de tentar nos esconder de Deus; e precisamos nos convencer de que os caminhos de Deus são melhores que os nossos.

A palavra amargura vem do grego pikria, que significa acerbidade, ira, aspereza, descontentamento e irascibilidade. Amargura é resultado de frustração não resolvida causada por ira ou inveja. A palavra chave é frustração. Amargura não só destrói seu testemunho, mas também contamina outros! A palavra contaminar vem do grego miaino, que significa manchar ou macular, contaminar cerimonial ou moralmente. Torna a pessoa incapaz de manter comunhão com o Senhor, de adorar e servi-lo. Uma amargura começa como “raiz”. No início, é uma minúscula raiz, muito difícil de ser detectada. Não é grande nem fica na superfície onde possa ser facilmente identificada. Pelo contrário, como um câncer, realiza seu trabalho insidioso lá nas profundezas ocultas, na medula de seu organismo espiritual. Somente depois de espalhar suas metástases é que os sintomas aparecerão em palavras, pensamentos e ações amargas. A amargura está tomando conta das famílias, da sociedade e das igrejas. As crianças são amarguradas com seus pais. Os pais têm amargura com os filhos. Os divorciados têm amargura com os ex-cônjuges. Os filhos de casais separados estão amargurados porque os pais se divorciaram. Os irmãos têm amargura uns com os outros por rivalidades em questões de afeto ou preferência dos pais e de heranças. Muitas famílias, antes unidas em amor, já foram destruídas pela amargura que brotou depois da leitura de um testamento. Há amargura no trabalho. Empregados têm ressentimento uns com os outros e com os superiores. Há inveja entre a classe dos empregados e a classe dos empresários. Há amargura na igreja. Os membros têm amargura com o pastor. E, lastimavelmente, muitos pastores estão amargurados com suas ovelhas. Amargura entre cristãos por causa de palavras, ações ou atitudes que ferem estão matando e dividindo igrejas. Pior de tudo, alguns estão amargurados com Deus, com sua Palavra e sua Igreja. A amargura sempre acaba manifestando-se. Todo câncer, mais cedo ou mais tarde, virá à tona. Se tiver qualquer um desses sintomas, você tem – no mínimo – uma raiz de amargura! Alguém falou ou fez algo que o ofendeu? E, depois, você deixou de lidar com essa situação de acordo com as instruções das Escrituras (Mt 18.15-19)? A amargura começou a criar uma raiz em seu interior? Alguém recebeu (por mérito ou não) algo que você desejava ou achava que merecia? Alguém (um irmão ou uma irmã) está recebendo atenção ou afeto que você sente que merece, mas não recebe?


O curso da amargura

Você está sofrendo de uma raiz de amargura? Examine-se para ver se possui alguns ou todos os sintomas, os oito Sinais de Amargura.

Sinais de Amargura

Quando a pessoa que o ofendeu entra na mesma sala onde você está, como você reage?

1) Sente-se inundado por sentimentos negativos, fazendo com que seja obrigado a fingir que está feliz em vê-la?
2) Vira-se intencionalmente para ignorar e evitá-la?
3) A mera menção do nome dela deixa um “gosto amargo” em sua boca?
4) Ressente qualquer notícia de sucesso, qualquer relatório positivo a respeito dela?
5) Deseja secretamente que sofra fracasso ou infortúnio – ou algo pior?
6) Lembra-se constantemente dela?
7) Imagina diálogos com ela em que consegue humilhá-la, colocá-la em seu merecido lugar de derrota?
8) Tem a tendência de conversar com outras pessoas a respeito das falhas ou erros da pessoa que o ofendeu?

Você permitiu que uma semente amarga germinasse em seu coração e espírito? Está afetando você fisicamente, causando sintomas como pressão alta, insônia, indigestão? (Observação: é claro que nem toda hipertensão é causada por amargura, mas está por trás de uma parcela muito maior de ocorrências do que imaginamos!) Sua família está sofrendo por causa de sua amargura? Outros estão se contaminando por sua causa? Seus filhos já foram infectados? Será que a amargura e rebeldia deles originaram-se de sua amargura? É verdade que você ceifará o que semeou! Pastores amargurados geram ovelhas amargas. Cônjuges amargurados produzem casamentos amargos. Pais amargurados criam filhos amargos. Filhos amargos destroem e contaminam famílias. Será que você não contaminou outros, involuntariamente, com essa insidiosa doença espiritual? Não se engane: quando a amargura cria raízes, muitos são contaminados! Corações, lares e igrejas já foram destruídos por ela. Precisamos de uma cura! Podemos encontrá-la na Palavra.

A cura da amargura

1. Examine a si mesmo: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno.” (Sl 139.23,24.) Nas palavras de um grande pregador: “Não há dúvida alguma! Se há amargura, o problema está em você”. Ou você errou em palavra, pensamento ou ação – ou errou em sua reação à pessoa que o ofendeu. Você já pediu a Deus para sondá-lo e purificá-lo do pecado de amargura? Eu lutei com amargura em relação a algumas pessoas na minha igreja. Cinco famílias deixaram nossa comunhão em 1983. Fiquei muito amargurado com elas. Essa raiz de amargura foi crescendo dentro de mim. Havia vários Sinais de Amargura em minha vida. Em 1985, meu apêndice rompeu e tive peritonite – infecção generalizada no abdômen. Os médicos removeram o veneno do meu corpo, e o Senhor usou a experiência para remover o veneno do meu espírito. Se julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados.

2. Confesse: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” (1Jo 1.9.) Se o médico lhe dissesse que uma verruga de aparência benigna em seu braço era, de fato, um melanoma – a forma mais maligna de câncer de pele –, capaz de espalhar-se para seu fígado, pulmões ou cérebro, você diria: “Ah, deixe ficar e crescer mais um pouco?” Ou você pediria que a removesse imediatamente? E por que você permitiria que uma pequena raiz de amargura permanecesse em seu espírito? “Porque se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados.” (1Co 11.31.)

3. Confronte: “Se teu irmão pecar contra ti, vai argui-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão.” (Mt 18.15.) Depois de examinar a SI MESMO e depois de confessar SEU pecado, então – e somente então – é que você pode confrontar com compaixão, no espírito de Cristo, aquele ou aqueles que o ofenderam. Converse com ele (ou eles) em particular. Muitos cristãos nunca perceberam que ofenderam alguém com palavras ou ações. Você já feriu alguém sem perceber o que fez? Eu já. Portanto, converse com quem o ofendeu, dando-lhe esse desconto, acreditando que podem nem ter percebido o que fizeram. É assim que Jesus agiria, e é isso que ele espera de nós!

4. Fique em paz: “Se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens.” (Rm 12.18.)

Observe que Mateus 18.15 diz: “Se ele te ouvir…” Algumas pessoas não se arrependem. Se não agiram corretamente, e você fez tudo o que deveria ter feito, então você pode ficar em paz. Não há mais nada que possa fazer. Não se aflija. Agora, é problema do ofensor.

5. Seja semelhante a Jesus: “Antes sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus em Cristo vos perdoou.” (Ef 4.32.) Perdoe – a fim de ser perdoado. Perdoe como Cristo perdoaria. Ame como Cristo amaria. Ande como Jesus. Converse como Jesus. Jesus abrigaria uma raiz de amargura em sua vida? E por que você o faria? Você é cristão? Que Deus purifique toda raiz de amargura de nossa vida! Lagoinha.com

Aceite a Jesus, o caminho, a verdade e a vida.


 

2 comentários:

  1. Graça a paz Maurício,

    Longe do Senhor, não há sossego. Bem aventurado Aquele que O busca e obedece, há perdão, há cura nos braços do Senhor.

    Melhor tomar a cruz e seguir a Cristo, que carregar amargura e outros males que tornam a vida um pesadelo, não é mesmo?

    Deus o abençoe, amado irmão.

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