sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Endividamento e Agiotagem

Um assunto não tão mencionado, mas de suma importância para a vida do cristão, é o controle financeiro. Afinal, a nossa vida deve ser de culto, louvor e adoração a Deus em todos os sentidos. Tudo o que fazemos deve refletir Cristo em nós. Assim sendo, não devemos ser malvistos para não causar escândalos, mas, ao contrário, ser exemplo a ser seguido
Para que não venhamos a causar escândalo a outrem nem problemas a nós mesmos, torna-se necessário que façamos orçamento de nossos gastos e daquilo que planejamos fazer. Jesus, em Lucas 14:28 diz: “Pois qual de vós, pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para a concluir?” Esse ensinamento pode ser aplicado à nossa vida diária e ao que pretendemos adquirir. Se vamos comprar algum bem, devemos, primeiramente, analisar quanto temos, quanto ganhamos bem como nossos compromissos já assumidos e, somente após isso, adquirir aquilo que nos interessa ou de que precisamos.
Fazer dívidas pode se tornar como qualquer vício. Há quem passe a vida inteira devendo. Mal saem do aperto de uma dívida entram em outra. Ou, pior ainda, há aqueles que acumulam dívidas sobre dívidas e, depois, não têm como pagá-las. Isso reflete mal contra seu conceito e até contra sua igreja, embora ela não tenha culpa.
O apóstolo Paulo adverte, em carta aos Romanos, cap. 13, verso 8: “A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor com que vos ameis uns aos outros”. Está escrito isso na Bíblia? Então deve ser observado.
Dívidas trazem problemas tanto em casa quanto na rua. Os pais devem ser espelho para os filhos, mas há aqueles que, acostumados a dever a todo o mundo, acabam lhes dando mau exemplo, pois eles poderão crescer achando ser o endividamento uma coisa normal. Casos temos ouvido de pessoas que até pedem a crianças para falar aos cobradores que eles, pais, não estão em casa. Além de não estarem cumprindo com seus deveres, também ensinam os filhos a usar uma arma maléfica: a mentira, que tem como pai o próprio diabo (João 8.44). O lamentável é que ensinam os filhos a mentir, porém quando estes, depois, lhes mentem são punidos e chamados de mentirosos.
Se você é cristão, e está sempre endividado, coloque-se perante Deus e ore para que ele lhe dê forças para que abandone esse vício. Só faça dívidas ou apanhe dinheiro emprestado em caso de real necessidade, mesmo assim dentro de suas possibilidades, dentro daquilo que você ganha, em prestações que não irão prejudicá-lo. Com isso você evitará cobradores à sua porta. Se estes vão até você é porque você não foi a eles, como deveria ter feito. Isso acontecendo sempre, podemos concluir duas coisas: ou você não está mesmo em condições de pagar suas dívidas ou se tornou um mau pagador e já não se importa de ser cobrado. Se você não está tendo condições, passará vergonha e ficará dando desculpas ao cobrador, alegando que “amanhã irá acertar seu débito” com ele, o que nem sempre é verdade, mas uma forma de ganhar tempo.
É bom que você saiba que o cobrador – o qual muitas vezes é apenas um simples empregado – passa a ter vergonha de retornar à sua casa ou empresa várias vezes, já sabendo que irá ouvir novas desculpas, mas é obrigado a ir lá assim mesmo, a mandado do patrão.
Evite endividar-se. Procure abandonar o costume de comprar tudo o que vê. Se não se trata de alguma coisa realmente necessária, não a adquiria se, para tanto, necessitar contrair dívidas. Faça-o apenas se estiver estritamente dentro de seu orçamento, para que, depois, em momentos de desespero, não recorra a agiotas e, com isso, uma dívida às vezes pequena se transforme numa verdadeira bola de neve, ou seja, impagável. Se não está em condições de pagar, pois o que deve é superior às suas reais possibilidades, não espere ser cobrado. Vá você mesmo a seus credores, seja humilde, explique-lhes sua situação e negocie uma forma de pagamento em várias prestações, com juros baixos. Ou então, o que costuma ser mais aconselhável, recorra a uma instituição bancária para um empréstimo em longo prazo, pesquisando, primeiro, qual a que cobra menos juros. Conseguindo-o, e se sentindo, em vista disso, mais folgado financeiramente, não entre em novas dívidas, senão esse seu parcelamento acabará sendo uma dívida a mais. Em nenhuma hipótese recorra a agiotas.
Mas, se alertamos sobre dívidas, também devemos chamar a atenção de cristãos que se dedicam a emprestar dinheiro com o fim de ganhar juros, de ter uma renda a mais à custa da dificuldade alheia. Em Deuteronômio 23.19 está escrito: “A teu irmão não emprestarás com juros, seja dinheiro, seja comida ou qualquer coisa que é costume se emprestar com juros.”
Há quem alegue que o errado é apenas emprestar com juros altos, extorsivos, pois em Ezequiel 18.13 existe a condenação de se emprestar com usura (e receber juros). Usura significa, segundo os dicionários, “juro de capital; contrato de empréstimo com a cláusula em que o devedor se obriga ao pagamento de juros; juro excessivo, exorbitante”, mas a definição mais comum é de que usura seja empréstimo com juros muito altos.
Acontece que o cristão deve seguir, além das leis de Deus, também as leis de seu País. Torna-se motivo de comentários e de escândalo um cristão ser processado por ato ilícito. A agiotagem é considerada prática criminosa. Mas o que é agiotagem? Seria apenas a cobrança de juros altos, abusivos? Não. Como as encarregadas de emprestar dinheiro são instituições financeiras, qualquer pessoa que se dedique a fazê-lo sem autorização do Banco Central, como um meio de vida, como um complemento à sua profissão ou mesmo como uma profissão é considerada agiota ainda que cobre juros baixos. “No suor do rosto comerás o teu pão” (Gênesis 3.19), disse Deus.
Portanto, procure controlar sua vida evitando dívidas desnecessárias ou não-planejadas dentro de seu ganho. E se você é cristão, não seja um agiota, não seja um desrespeitador da lei. E Deus o abençoará por sua obediência.

Autor: Roosevelt Silveira

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