domingo, 13 de novembro de 2011

Viver pela carne ou pelo Espírito

"...não que por nós mesmos sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus, o qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata mas o espírito vivifica...” II Co. 3:5-11
Muitos ministérios hodiernos têm como bandeira o realizar. Crescem de maneira assustadora. Estão na mídia televisiva, nas rádios e jornais. Com os seus métodos mercadológicos, no dizer de um irmão, se expandem cada vez mais.

Olhando para o texto acima vemos o ministério do apóstolo Paulo, quando ele diz com simplicidade que não era capaz de pensar alguma coisa como se partisse dele, mas pelo contrário, a sua suficiência vinha de Deus.

É possível que muitos líderes estejam vivendo na dependência da velha aliança sem ter consciência. Todos cristãos, não só os líderes, podem cair na armadilha de satanás de viver na dependência da carne e não na do Espírito. Qualquer ser humano onde quer que esteja só vive e age ou pela velha aliança ou pela nova aliança. Não há outra maneira de se viver. Paulo diz em Romanos 2 que até o homem primitivo tem a lei de Moisés, numa certa medida, gravada no coração, pois de algum modo está relacionado com a lei da sua consciência.

Assim sendo, todo homem que não nasceu de novo só vive na carne, não tem como viver no Espírito, pois não tem ainda a natureza divina plantada nele. Tudo que produz é fruto da carne. Qualquer bem que faça não passa de uma imitação do verdadeiro bem e resulta de um esforço inútil para cumprir a lei de Deus. À vista de Deus todo bem praticado no esforço da carne é mal disfarçado de bem.

Evidentemente, aqueles que nasceram de novo, que aceitaram a Cristo como Senhor e Salvador, são verdadeiros cristãos que podem viver no Espírito, mas não significa necessariamente que vivam no Espírito. Vejamos alguns contrastes entre a vida na carne e a vida no Espírito.

Morte ou vida. A carne produz morte, mas o Espírito produz vida. A letra mata, o Espírito vivifica. Diz Paulo: uma é o ministério da morte, outra, o ministério da vida. Se o homem depender de si mesmo às exigências da lei o resultado será morte, se depender de tudo que vem de Deus, o resultado será vida.

Morte no texto é um termo negativo que significa ausência de vida. Quando um médico examina uma pessoa ferida, ele não procura sinais de morte, mas sim sinais de vida, não encontrando tais sinais conclui que ela está morta.

A vida no Espírito tem também as suas características distintivas tais como: satisfação, propósito, sentido, valor, realização, alegria, amor, paz, amizade – tudo isso são aspectos da vida. Quando Jesus disse: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundancia” era isso que Ele queria dizer, vida no Espírito. Uma vida que demonstra amor, gozo, paz, mansidão, bondade, fé, benignidade, domínio próprio. Isso sim é vida no Espírito.

Por outro lado a morte é a ausência dessas qualidades ou o seu oposto. A ausência do amor é o ódio; a ausência do gozo é a infelicidade. O medo, a frustração, o enfado, a preocupação, o ciúme, a solidão, a depressão, a auto-piedade e a malícia, são algumas características da ausência de vida, portanto são formas de morte.

Não é preciso morrer fisicamente para experimentar tais coisas, elas estão presentes na experiência dos seres humanos. Popularmente se diz é um morto vivo.

De onde procedem as características da morte que repentinamente aparecem na vida do cristão quando ele menos espera? Jesus dá a resposta: Em Mateus 7:16-17 diz: “colhem uvas dos espinheiros? Figos dos abrolhos? Assim toda árvore boa produz bons frutos e toda árvore má produz frutos maus”

Por vezes se pensa que uma explosão de raiva é resultado de mau humor ou mudanças de circunstâncias, mas não é, segundo Jesus, elas procedem de algo mais profundo, elas vêm da dependência da velha aliança, árvore má que não pode dar fruto bom. Agindo assim o cristão está consciente ou inconscientemente dependendo da velha aliança e não de algo que vem de Deus.

Inúmeras vezes a depressão é causada por alguma forma de autopiedade. Quando a pessoa é rejeitada ou decepcionada, ela começa a ter pena de si mesmo. De um modo geral as pessoas querem ser tidas em alta conta e quando isso não acontece ficam deprimidas.

A solidão vem de onde? Em grande parte de uma preocupação consigo mesmo. O fato de cuidar apenas de si mesmo. A solução para o problema de solidão que as pessoas enfrentam é o que Jesus disse: “Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só, mas se morrer produz muitos frutos”. A conseqüência da solidão é não querer morrer para si mesmo. A presença dessas características de morte no cristão é indicio de que a velha aliança está em ação.

Pedras ou corações.Esse contraste está associado ao primeiro. Paulo refere a nova aliança dizendo: “ escrita não com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivente, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, nos corações”. Ele enfatiza como a velha aliança veio ao homem – gravado em tábuas de pedra. A lei foi escrita em pedras quando dada a Moisés no Monte Sinai. Moisés teve o seu rosto resplandecente, não podendo o povo olhar para ele, foi preciso colocar um véu para que ninguém ficasse cego ao olhar o brilho da sua face.

Evidentemente que a velha aliança se relaciona com coisas, ou seja, tábuas de pedra; entretanto a nova aliança se relaciona com pessoas, isto é, com corações.
O cristianismo baseado na velha aliança, ou seja, vivendo no esforço da carne, preocupa-se com rituais, cerimônias, templos, torres, métodos certos e outros do gênero, dando-se mais importância a coisas do que as pessoas.

No entanto, o cristianismo baseado na nova aliança prioriza as pessoas, sendo as coisas e as regras instrumentos para auxiliar na ajuda. Os discípulos de Jesus colheram espigas no sábado e Jesus não os condenou como os fariseus.O homem vê o exterior, mas Deus vê o interior. A vida no Espírito tem estreita relação com pessoas e não com coisas.

Condenação ou justiça. Uma outra característica da velha aliança em ação é a condenação. É o senso de culpa que perturba o homem diante de Deus. É a luta de produzir alguma coisa para ser aceito por Deus. É a perturbação causada por um sentimento que leva ao ativismo. Precisa fazer, produzir, realizar e agir.

A base da atividade cristã está na própria força, depende de si mesmo. Depende da personalidade, força de vontade, talentos, coragem, dinheiro, visão e outros mais que tem como fonte a velha aliança.

Indubitavelmente não há como escapar da condenação e da culpa, pois nunca poderá ter certeza de que se fez o suficiente para agradar a Deus. Muitos confundem cristianismo com ativismo frenético. Tem que ter programas, atividades, projetos, metas, aos moldes de uma grande empresa. Se isso não existir, não é igreja.

Há cristãos que se tirarem deles as tarefas que fazem se sentirão inúteis e não freqüentarão mais as reuniões e os cultos da igreja. Alguns medem a sua espiritualidade pelo número de trabalhos e atividades a que se dedicam.

Muitos ficarão chocados ao saber que aos olhos de Deus uma igreja pode ter atividades todas as noites da semana, ensinar as doutrinas certas, fazer tudo que é certo e ao mesmo tempo constituir-se num verdadeiro fracasso. Por outro lado, uma igreja que não se reúna todos os dias da semana, mas quando dispersa por vários lugares, seus membros individualmente, onde quer que estejam têm como fonte o Espírito, essa é bem sucedida aos olhos de Deus. Vive a nova aliança.

Conseqüentemente a sensação de justiça que a nova aliança produz é algo maravilhoso e fantástico. A maioria das pessoas pensa que definição de justiça é fazer o que é certo, mas na verdade é ser o que é certo. Uma pessoa faz o que é justo porque ela é justa, esse é o conceito bíblico de justiça.

Portanto, justiça é a qualidade de quem é aceitável e é aceito totalmente por Deus, sem nenhuma reserva. O homem justificado por Deus é aquele que não se acha perturbado por problemas de culpa, incapacidade ou hostilidade. Não precisa lutar consigo para produzir qualquer coisa, pois sabe que já foi aceito por Deus. Viver na dependência de que tudo vem de Deus e nada de si mesmo.

Sem dúvida, a atividade da carne produz uma certa glória que atrai muitas pessoas. Ela confere um certo senso de valor próprio, um tipo de auto-aprovação, no entanto essa glória se desvanece, passa, é frágil e efêmera, como a de Moisés que desvanecia.

A nova aliança a exemplo de Paulo confere ao cristão a liberdade, levando-o a preocupa-se com o que Deus pensa e não com o que os homens pensam. Essa glória sim é permanente. É a glória do rosto de Cristo que nunca muda. É ser livre para amar, perdoar, doar, alegrar, criar, trabalhar, enfim, livre para fazer algo bom, fazer as boas obras, amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Precisamos aprender a viver com base na nova aliança. É da Fonte de Águas vivas que podemos tirar o vigor e a vitalidade para enfrentar a sequidão do deserto que por vezes passamos. Ir à Fonte das Águas. Ir a Jesus que é a nossa Fonte. Saciar a nossa fome com a Palavra e meditar constantemente nos seus ensinos. Pense sempre nisto: estou vivendo na carne ou no Espírito?

Que Deus nos ajude. Amém.


Rev. Washington Paulo Emrich

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