sábado, 25 de junho de 2011

Peregrinos para a Jerusalém Celestial

Todo o que ao princípio de uma viagem toma um caminho que não conhece, é, sem dúvida, um errante cujos esforços para a tornar proveitosa são infrutíferos, não passando de perda de tempo e energias.
Há, pois, que distinguir dentre os viajantes quais são os que andam acertadamente. Não se pode seguir a qualquer que anda, porque um cego, às apalpadelas, anda, o que dá passos para trás, também anda, e o caranguejo anda também, mas para qualquer lado. Assim pode ser na viagem para a Eternidade.
Todos nós, desde o nascimento, estamos fazendo através do mundo como estrangeiros, essa viagem, «porque somos estranhos e peregrinos como todos os nossos antepassados: como a sombra são os nossos dias sobre a terra» (1 Cron. 29:15).
Ora, por consequência, cada indivíduo deve examinar o caminho que trilha, para ver se ele conduz à felicidade eterna, porque o que segue uma coisa sem a ter examinado, arrisca-se a seguir o erro sem saber. Visto que do exame surge a possibilidade de escolha, também o segredo do acerto depende da escolha que se fizer. É preciso cuidado e não ajuizar pelas aparências, pois «há caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele é a morte» Prov. 4:12).
Há quem pense que, seguindo pelo caminho das suas boas obras e intenções, nunca se perderá; mas, aos tais, antes que dêem mais um passo no caminho errado que os afasta cada vez mais da realidade, diz nosso Senhor Jesus Cristo: «Eu sou o caminho, e a verdade e a vida». Ninguém vem ao Pai, senão por mim» (João 14:6).
Em virtude da Palavra de Deus confirmar que, no sentido espiritual, somos peregrinos, analisemos algo da vida do peregrino, para melhor prosseguirmos na estrada da vida. Não pode haver verdadeiro peregrino sem causa. O peregrino, por saber que está longe do que profundamente deseja, é que deixa o conforto do lar, e se põe a caminho daquilo que à distancia se torna para ele o único alvo.
É interessante notar a maneira como o peregrino começa a sua carreira. Com o fim de estar sempre desembaraçado na viagem, não leva consigo os volumosos e pesados objectos que em casa poderia ter; pois que estes seriam um estorvo tornando-lhe a jornada difícil e morosa. Por isso leva somente o indispensável e não superior às suas forças. O grande peregrino, Paulo, falando para nós outros, diz: «Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm: todas as coisas me são lícitas; mas eu não me deixarei dominar por nenhuma. Mas uma coisa faço: é que esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prémio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.» (1 Cor. 6:12; Filip. 3:13,14). Quanto mais ligados estivermos aos haveres materiais mais custoso se torna aproximarmo-nos das coisas espirituais.
Durante a sua carreira, nas terras por onde passa, o peregrino vê muitos e diversos costumes; porém, o seu costume se mantém inalterável. Vê muitos, mas nenhum é como o seu. Ele, como autêntico cosmopolita, sempre que acampa, põe em prática os seus intrínsecos costumes sem tentar aprender os da terra em que peregrina. E, uma vez terminado o prazo de permanência que lhe haja sido concedido, recomeça a sua marcha, sem dali levar costume algum. A razão de tal procedimento está em ele reconhecer que todos os costumes que vê são incompatíveis com os do lugar que procura. Quando o crente se torna um incauto, e se esquece que está caminhando na terra corrompida, deixa de manter o seu carácter integralmente cristão e familiariza-se com o mundo até ao ponto de se confundir com ele.
É certo que somos propensos a nos deixarmos prender por aquilo que nos rodeia, mas se ponderarmos de onde viemos, onde estamos e para onde vamos, e nos voltarmos para o Guia dos peregrinos, ouvi-lo-emos dizer: «Levantai-vos, e andai, porque não será aqui o vosso descanso; por causa da corrupção que destrói, sim, que destrói, grandemente» (Miqueias 2:10)
E o peregrino, continuando a andar, a ninguém tem de dizer que é estrangeiro.
Assim, quanto a nós, diz o Senhor «Porque não sois do mundo, antes buscai primeiro o reino de Deus, e a sua  justiça. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos se vos amardes uns aos outros» Portanto, nós, como verdadeiros peregrinos podemos às vezes, ser alvo de censura e zomba ria; mas então digamos: vós julgais ter no mundo a vossa habitação permanente «Mas a nossa cidade está nos céus. Não temos aqui cidade mas buscamos a futura». (Filp. 3:20; Heb. 13:14). E, cônscios da nossa fraqueza, voltemo-nos para o nosso Guia e digamos_ «dirige os meus passos nos Teus caminhos para que as minhas pernas não vacilem.
Ele, que nunca falhou, dir-nos-á indubitavelmente: Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e apertado o caminho que leva à vida e poucos há que a encontrem» (Mat. 7:13:14).
Visto que o caminho é apertado, não amontoemos coisas com que não possamos passar por ele e para mais livre e velozmente podermos correr, a que ouçamos dizer: «servo bom e fiel, sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu Senhor». 

Autoria: José Fontoura

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