terça-feira, 24 de maio de 2011

A Essência do Cristianismo

Uma grande preocupação entre os mais lúcidos cristãos, ao longo dos anos, foi a fatal tendência da igreja em retirar Jesus do centro, mesmo que se diga o contrário. Doutrinas, ensinos teológicos, apostilas, livros, pensamentos e tantas outras formas de expressar conclusões personalizadas de verdades, são oferecidos como alimento espiritual no lugar da pessoa de Jesus. O irmão e profeta A W Tozer, falecido em 1963, expressou esta preocupação em quase todos os seus escritos, tal como o texto abaixo, parte do livro “A Conquista Divina”:

“Sem dúvida sofremos a perda de muitos tesouros espirituais porque deixamos que se escapulisse a simples verdade de que o milagre da perpetuação da vida está em Deus. Ele não criou a vida e a arremessou para longe de Si como algum petulante artista desapontado com sua obra. Toda a vida está Nele e fora Dele, Dele fluindo e retornando a Ele, um mar móvel e indivisível cuja fonte é Ele. A vida eterna que estava com o Pai é agora posse dos crentes, e essa vida não é somente um dom de Deus, mas o seu próprio ser.”

E Tozer continuou dizendo, de forma lúcida:

“Seja o que mais for que ela abranja, a experiência cristã sempre deve incluir um genuíno encontro com Deus. Sem isto, a religião é apenas uma sombra, um reflexo da realidade, uma cópia barata de um original outrora desfrutado por outra pessoa de quem ouvimos falar. Só pode ser uma grande tragédia na vida de qualquer homem, viver numa igreja desde a meninice até avançada idade, e não conhecer nada mais real do que algum deus sintético, composto de teologia e lógica, mas sem olhos para ver, sem ouvidos para ouvir e sem coração para amar.”

A Bíblia é riquíssima em textos que tratam do alimento sólido que o cristão deve buscar, vejamos alguns textos:
Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.João 14:6

Aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória.
Colossenses 1:27

E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede.
João 6:35

Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá.
João 11:25

Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus.
Efésios 2: 5-6

Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele. E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência. Porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse.
Efésios 1: 16-19

Visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou pela sua glória e virtude; Pelas quais Ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo.
II Pedro 1: 3-4
Os textos acima transmitem uma verdade cristalina: A contante experiência pessoal com a pessoa de Jesus é que pode gerar e manter a vida. Se perdermos este fluxo de vida, vamos nos apegar a um complexo de doutrinas e empregar esforço humano exaustivo, até que o nosso cristianismo se transforme em debates de idéias e filosofias. E este é o quadro normal de nossos dias, quando a manifestação da vida de Cristo tornou-se algo distante na maioria. E ninguém pode afirmar que está livre de cair nesta armadilha das trevas.

A obra de Cristo no homem se direciona ao mais profundo de seu ser. O Senhor quer reinar em nossas intenções e pensamentos mais secretos. Ele quer dominar nossas motivações. Ele quer ser a origem de nossas reações e ações. Ao olharmos para o sermão do monte (Mateus 5 a 7), nos deparamos com algo impossível de ser realizado pela doutrina. Só a vida de Cristo em nós pode viver naquele nível sobrenatural, por isso o apóstolo Paulo escreveu: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.” (Gal. 2:20).

Um irmão, após longos anos servindo ao Senhor, chegou a seguinte conclusão:

“Um dia ao começar a vida cristã, achava que Deus havia me chamado para fazer alguma coisa pra Ele. Depois de muito esforço e quase nada feito, descobri que todo esforço de Deus era para fazer algo em mim pelo Espírito. Sua obra não necessita de mim, eu é que necessito Dele. Neste momento o sentimento é paradoxal, cessam-se os esforços e humanamente só preciso descer à casa do oleiro, então percebo que o trabalho de Deus de fato tem inicio em mim. A sensação é terrível: Perda de tempo, vergonha, desmoronamento... A impressão é que Deus está falando: Agora consegui te vencer, posso fazer tudo novo, um vaso, livre, como sempre sonhei. A gloria da cruz é a vitória de Deus sobre o que é humano.”

Podemos possuir um vasto conhecimento intelectual das escrituras, empregar métodos humanos e lograr êxito em uma liderança entre os cristãos, mas sem presença da vida. E tudo será inútil. A grande confusão que se instalou na cristandade é a distância entre os homens e Jesus. Muitos ensinos são aplicados para tentar fazer uma obra que somente o Espírito Santo pode fazer: revelar Jesus. Ele se tornou um grande desconhecido dos cristãos.

O irmão Watchman Nee anotou: “Se verificarmos nossa experiência, veremos que jamais alguma verdade nos libertou. Podemos Ter falado de doutrinas anos a fio, e, ainda assim não enxergarmos nada. Se nossas palavras se resumem a mera doutrina, estamos manuseando algo morto, tendo como resultado algo artificial, sem vida. A verdade não se refere a palavras a respeito de Cristo; Ele próprio é que é a Verdade. Freqüentemente, os cristãos consideram o ensino como verdades, embora a verdade seja uma pessoa e não algo mais.” Com isto podemos compreender claramente a palavra de Jesus: “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8:32).

Não pense que este texto é um ensino, e sim a agonia do autor em conquistar esta vida sobrenatural. O Senhor quer realizar sua obra em nós. Evidente que um homem em desobediência não poderá desfrutar nenhuma manifestação de Deus, mas quando estamos nos aproximando do Senhor, vamos enxergando e lamentando nossas misérias, pois elas vão ficando evidentes. E é neste momento que o Senhor vai eliminando o nosso ego e estabelecendo sua natureza em nós. O profeta Isaías, um homem temente a Deus, mas que ao se aproximar Dele, teve uma reação típica de qualquer um que tenha essa experiência: “Então disse eu: Ai de mim! Pois estou perdido; porque sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios; os meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos” (Is. 6:5).

Que o Senhor possa realizar em mim e em você sua completa obra. Abandonemos nossas resistências e deixemos que o Senhor liquide nosso ego, com todas suas manifestações pecaminosas, muitas das quais, ocultas aos homens, mas estampadas diante dos olhos de Deus. Que o Senhor consiga fazer em nós este ensino dado ao profeta Jeremias:

Levanta-te, e desce à casa do oleiro, e lá te farei ouvir as minhas palavras. E desci à casa do oleiro, e eis que ele estava fazendo a sua obra sobre as rodas, como o vaso, que ele fazia de barro, quebrou-se na mão do oleiro, tornou a fazer dele outro vaso, conforme o que pareceu bem aos olhos do oleiro fazer. Então veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo:

Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? diz o SENHOR. Eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel. Jeremias 1: 2-6

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