segunda-feira, 18 de abril de 2011

A vida de Jó

Quadro Histórico

Jó é provavelmente o livro mais velho da Bíblia. O patriarca viveu, sem dúvida, antes de Moisés, pois que, em seu profundo conhecimento de Deus, ele nunca faz referência à lei ou ao povo de Israel. Certas indicações permitem-nos situar este relato após a época de Abraão (ver a menção de Teman, 2:11, em Gênesis 36:11), provavelmente durante a servidão dos filhos de Jacó no Egito. Ê possível que o autor deste primeiro livro poético tenha sido o terceiro filho de Issacar (Gênesis 46:13).

Jó e a ciência moderna

A riqueza de expressão desse livro encanta a todos os amantes de literatura; mas ele confunde também os sábios do século XX pelo nível elevado dos conhecimentos científicos de seu autor. Ainda que escrito há perto de 4.000 anos, o livro de Jó menciona em termos acessíveis todos os fenômenos naturais que têm sido objeto de estudos muito recentes: a pressão barométrica (28:24-27), a lei universal do movimento (38:7), a evaporação e a hidrometria (36:27), a re-fração da luz (38:12), a poeira cósmica em certas constatações (38:31:33), etc.

A mensagem central do livro de Jó

Mas o assunto principal desses 42 capítulos é o problema universal do sofrimento humano, que atinge a todos os indivíduos. Jó tornou-se alvo de ataques repetidos de Satanás (cap. 1-2) e foi afligido por inúmeras calamidades. Além disso foi ferido pela doença, mas através de todas as suas provações conservou sua fé e integridade. Mesmo quando sua mulher o incitou a maldizer a Deus, permaneceu firme (2:9-10), esperando dEle a solução do seu problema.

Os consoladores de Jó

Três de seus amigos, Elifaz, Bildade e Zofar, apiedaram-se de sua sorte e vieram consolá-lo. Para eles os males de Jó só podiam ser conseqüência de faltas morais. Através de longos discursos, acusaram acerbamente o amigo, tornando assim mais agudos seus sofrimentos. Não é de admirar que Jó os chamasse de "consoladores molestos" (16:2). Os moralistas nunca podem compreender os que sofrem; só quem está cheio do Espírito de Cristo pode trazer socorro espiritual aos que são provados.
A seguir chegou o jovem Eliú (cap. 32-37) que, embora sem propor a verdadeira solução ao patriarca aflito, soube pelo menos afirmar a perfeita justiça do Todo-Poderoso em Seus caminhos para com o homem.

O restabelecimento de Jó

A solução foi concedida a Jó pela revelação direta de Deus. O poder de Deus manifestado na natureza impeliu Jó a confessar sua fraqueza e incapacidade e depois sua total dependência do Senhor (42:1-6). Então Ele lhe restituiu a antiga prosperidade, de tal forma que Jó recebeu uma bênção dobrada em relação à que experimentara em sua juventude (42:10-17).

O ensino do livro de Jó

Pode-se considerar o problema do sofrimento de diversos ângulos. Para Jó, não havia outra saída senão submeter-se a ele com resignação. Para os três amigos, ele representava um castigo do Senhor. Para Eliú, tinha um papel educativo. Mas para Deus, o sofrimento é antes uma prova destinada a fortalecer a fé dos Seus filhos. Essa interpretação é muitas vezes retomada no Novo Testamento.
O cristão, quando provado, sabe que o Senhor tem uma finalidade ao permitir a aflição, da qual ele sairá fortalecido em Cristo e em Sua Palavra (confira 2 Coríntios 4:8-11; 6:4-10; 12:10; 2 Timóteo 2:3-6; 3:12; Hebreus 12:5-11; 1 Pedro 1:6-7; 4:12-13; 5:10; etc).

A pessoa de Cristo no livro de Jó

A esperança que enchia o coração de Jó ia bem além de suas circunstâncias imediatas. Como para todos os escritores sagrados, "investigando atentamente qual a ocasião ou quais as circunstâncias oportunas, indicadas pelo Espírito de Cristo, que neles estava, ao dar de antemão testemunho sobre os sofrimentos referentes a Cristo, e sobre as glórias que os seguiriam" (1 Pedro 1:11). "Já agora sabei que a minha testemunha está no céu, e nas altura Quem advoga a minha causa" (16:19). "Porque eu sei que o meu Redentor vive, e por fim Se levantará sobre a terra. Depois, revestido este meu corpo da minha pele, em minha carne verei a Deus. Vê-Io-ei por mim mesmo, os me olhos O verão, e não outros; de saudade me desfalece o coração dentro mim", Jó 19:25-27.

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