terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Teófilo - Destinatário do Evangelho de Lucas

Ambos os escritos, tanto o evangelho de Lucas quanto os Atos dos Apóstolos, foram dedicados à mesma pessoa. Considerando que em Lc 1.3 Teófilo é considerado e interpelado como “excelentíssimo Teófilo” (o título “excelentíssimo” era usado naquele tempo para senadores e cavaleiros - clarissimus -, como os procuradores romanos Félix, em At 23.26; 24.3, e Festo, em At 26.25), ele parece ter sido um homem renomado.
O teólogo Zahn traduz a interpelação com “excelência”. A dedicatória a Teófilo evidentemente não exclui a possibilidade de que esses livros desde já visassem um grande círculo de leitores. Assim como hoje, também na Antigüidade dedicava-se livros a determinadas pessoas.
Onde vivia Teófilo? O país em que devemos localizar Teófilo depreende-se da percepção de que Lucas considera necessário explicar lugares, costumes e peculiaridades palestinas, cretenses, atenienses e macedônias, enquanto pressupõe como conhecidas todas as localidades na Sicília e na Itália (At 28 - particularmente o centro-sul da Itália, até Roma), até mesmo pequenos vilarejos (At 28.15). Talvez por isso devamos situar Teófilo na Itália. Contudo, a familiaridade também é pressuposta no caso das viagens de Antioquia para Chipre e pela Ásia Menor até Trôade (At 13.4-14,26; 15.40-16.11).
As recognitiones (atestações) clementinas, de meados do século II, relatam que, após a pregação de Pedro, Teófilo, detentor da posição máxima entre todos os cidadãos proeminentes de Antioquia, teria cedido o grande pórtico (salão ou colunata) de sua casa para as reuniões de culto a Deus.
A visão histórica abrangente dada em Lc 3.1s, bem como a característica de todo o escrito, demonstram que Lucas escreveu a um amplo círculo de leitores de origem grega, cujo representante ele considerava ser Teófilo.
Além disto, essa dedicatória não significava mera questão de honra. Até o surgimento da imprensa, a edição de um livro era algo muito dispendioso. Por essa razão, os autores costumavam dedicar suas obras a uma personalidade abastada que, caso aceitasse a dedicatória, era considerada, por assim dizer, “patronus libri”, padrinho do escrito. Esse patronus libri encarregava-se de abrir caminho na opinião pública para a nova obra. Para isto ele criava oportunidades para que o autor apresentasse textos de sua obra perante um círculo seleto. Igualmente encomendava por sua conta as primeiras cópias.
A redação do evangelho de Lucas geralmente é situada no período entre 63 e 66 depois de Cristo.

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