domingo, 28 de março de 2010

Savonarola, o incendiário do Renascimento

Girolamo Savonarola foi um padre dominicano nascido em 21 de setembro de 1452 cujas idéias religiosas radicais e cujas propostas de reforma da moral e dos costumes granjearam-lhe o apoio necessário para governar por um curto período a cidade-estado de Florença, na Itália. Após a derrubada dos Médici, em 1494, Savonarola tornou-se o único líder de Florença e organizou uma república democrática definida como "cristã e religiosa". Inimigo do renascimento artístico e cultural estimulou a destruição de livros e obras-de-arte, incluindo trabalhos de Botticelli, de inestimável valor. Proibiu o jogo, a bebida, as festas e elevou a sodomia, até então punida com multa, a crime capital, punível com a pena de morte.
Sua ortodoxia religiosa não era apoiada pelo papa Alexandre VI, que chegou a emitir várias censuras contra Savonarola. O fanático líder florentino simplesmente ignorou-as e continuou seu trabalho de limpeza moral, cujo ápice ocorreu em 1497, com a organização da famosa Fogueira das Vaidades: emissários do ditador recolheram por toda a cidade todos os objetos que pudessem caracterizar alguma forma de frouxidão moral, como espelhos, tabuleiros de jogos, cartas, vestidos luxuosos, livros sobre temas pagãos, cosméticos, perfumes, quadros mostrando figuras nuas e objetos semelhantes. De tudo isso resultou uma enorme pilha, incendiada em praça pública no centro de Florença.
Os desmandos de Savonarola foram tantos que em 4 de maio de 1497 explode a revolta popular, comandada por bandos de jovens. Numa atitude de provocação aberta, o povo reabriu tavernas e promoveu a jogatina em locais públicos. A família Médici foi reconduzida ao poder enquanto Savonarola, preso e excomungado pelo papa, acabou executado em 23 de Maio de 1498 (foi sucessivamente enforcado e queimado) na mesma praça onde morreram muitas de suas vítimas.

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