segunda-feira, 15 de março de 2010

Palavra de Deus ou do Homem?

Que saudade dos tempos dos profetas, nos quais, os homens de Deus diziam: “Assim diz o Senhor”! Parece que a visão atual é tão diferente disso, pois hoje é muito comum presenciar grandes discussões dos servos de Deus, que muitas vezes culminam até em divisão entre o povo do Senhor, por causa de opiniões pessoais, ou seja , por quererem dar um veredicto sobre aquilo que Deus não disse, estão dispostos a sacrificar até a comunhão dos filhos de Deus. Deus é contra isso (Jr 23:31).
As igrejas locais estão precisando de homens que tenham humildade para reconhecer como Paulo: “digo eu, não o Senhor”(I Co 7:12) , que significa dizer: “por não ter uma revelação clara da Palavra de Deus sobre tal assunto, não obrigo os irmãos a pensarem exatamente como eu penso.” Entretanto, há quem prefira dizer: “A Bíblia não diz claramente, mas....o que vão dizer as igrejas co-irmãs? E o irmão Fulano?” Dessa forma, no caso da igreja, a tão proclamada autonomia fica fadada à aprovação de outros, cujas opiniões, para muitos, são consideradas canônicas. Dominados por essa preocupação excessiva com o pensamento do outro irmão, deixamos de crescer, de estudar a Palavra de Deus de forma mais sistemática, de fortalecer as nossas convicções, e de despir-nos das idéias pré-concebidas, para apreendermos o que o Espírito nos diz.
Um dos problemas é que ao depararmo-nos com situações novas, ou verdades novas para nós , via de regra, nos concentramos nas opiniões já prontas e não no que a Bíblia quer realmente dizer. Certamente aqueles que se esmeram no estudo da Palavra, merecem ser ouvidos e respeitados, mas eles não têm a palavra final sobre aquilo que Deus não disse, são humanos, por isso podem falhar, e além disso, a opinião pessoal deles não é a da Bíblia, e nem tem o mesmo valor das Escrituras.
Não é próprio do comportamento cristão, fingir ser o que não é; encobrir a verdade com disfarces; agir com hipocrisia, baseados não no que cremos, mas na preocupação com a opinião dos outros. Isso é dissimulação. Qualquer cristão pode cair num mal como este, por preocupar-se mais com a opinião do homem do que com a vontade de Deus. Foi por este motivo que Paulo repreendeu o próprio Pedro em Gálatas 2:11-14, o qual, por medo da opinião dos judeus, afastou-se dos gentios, num vergonhoso ato de dissimulação.
O medo da opinião dos outros levou Nicodemos a procurar Jesus de noite; e também fez com que a mulher samaritana estranhasse que Jesus, sendo judeu, conversasse com ela; e ainda, levou o apóstolo Pedro a negar que conhecia Jesus quando pressionado por uma criada.
O nosso Salvador, o maior homem que já pisou nessa Terra, não agiu assim. Comeu com os pecadores, andou abertamente com os discípulos que comiam sem lavar as mãos, e não desceu da cruz, apesar das opiniões contrárias de todos, inclusive dos líderes religiosos. Seu compromisso era realizar a vontade do Pai. Ele tinha a consciência tranqüila, suas convicções eram firmes, Ele sabia que o Pai a tudo vê, e que todas as coisas estão nuas e patentes diante dEle. Por isso, não se afastou quando conversava com a samaritana, também não fugiu da companhia dos publicanos, nem evitou tocar num leproso, ou curar no Sábado. Ele era autêntico, original, espontâneo, e honesto. Nenhuma tradição poderia nortear seu comportamento, apenas a vontade de Deus.
Ele mesmo afirmou que o Espírito Santo nos guiaria em toda a verdade (Jo 16:13). Isso não se refere à verdade não revelada, mas às Escrituras, as quais correspondem ao registro completo da revelação de Deus, o que não se pode contestar. No entanto, quando a opinião pessoal de um servo de Deus, torna-se para a igreja como se fosse uma doutrina incontestável, a verdade está em perigo. É preciso que se tenha uma noção de que se a Bíblia não diz abertamente sobre certo assunto, isso não quer dizer que Deus está dizendo não, pelo contrário, pode significar que Ele considerou o assunto irrelevante para sua igreja, o que sugere certa tolerância. Vale lembrar, que aquele que ensina, tem o direito de ter a sua opinião pessoal sobre aquilo que a Bíblia não diz, mas forçar para que sua opinião seja aceita como a única verdade, é meramente uma vaidade carnal.
Em nome da simplicidade, impõe-se ao povo de Deus idéias sobre as quais a Bíblia se omite, gerando um extremismo intolerante, que só aceita como irmãos os que compartilham do mesmo pensamento “extra Bíblico” dos líderes. Entretanto, esquece-se que a verdadeira comunhão se manifesta na diversidade, e que a cordialidade é algo tanto ético quanto espiritual.
O que fazer então diante dessas coisas? A resposta é simples. Precisamos defender com convicção e afinco as verdades reveladas claramente pela Palavra de Deus, e ser honestos para tolerar opiniões diferentes naquilo que a Bíblia não fala. Esse era o desejo do apóstolo ao dizer aos Coríntios: “Rogo-vos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais a mesma coisa, e que não haja entre vós divisões, para que sejais unidos, no mesmo sentimento e no mesmo parecer” (I Co 1:10).

Sérgio R. Ferreira - Vigiai e Orai

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