domingo, 28 de março de 2010

ENTRANDO NA FACA

"Ora, ouvindo todos os reis dos amorreus que habitavam o oeste do Jordão, e todos os reis dos cananeus que estavam ao lado do mar, que o Senhor tinha secado as águas do Jordão de diante dos filhos de Israel, até que passassem, derreteu-se-lhes o coração, e não houve mais ânimo neles, por causa dos filhos de Israel. Nesse tempo disse o Senhor a Josué: Faze facas de pederneira, e circuncidam segunda vez os filhos de Israel. Então Josué fez facas de pederneira, e circuncidou os filhos de Israel em Gibeate-Aralote. Acabando de circuncidar a toda a nação, ficaram no seu lugar no arraial, até que sararam. Então disse o Senhor a Josué: Hoje revolvi de sobre vós o opróbrio do Egito. Pelo que o nome daquele lugar se chamou Gilgal, até o dia de hoje" (Josué 5:1-3, 8-9).
Acredite se quiser, o que aconteceu a Israel em Gilgal - o grande dia de circuncisão - tem tudo a ver com a Igreja de Jesus Cristo hoje! "Pois tudo o que outrora foi escrito, para o nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança" (Romanos 15:4). "Tudo isso lhes aconteceu como exemplos, e estas coisas estão escritas para aviso (instrução) nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos" (I Coríntios 10:11).
O acontecimento de Gilgal serve como sermão vivamente ilustrado para os cristãos dos últimos dias. Ele nos mostra como quebrar o poder do pecado, para que possamos entrar na gloriosa liberdade de Jesus Cristo!
Primeiro, vejamos três grandes livramentos que aconteceram antes desse grande dia de circuncisão - acontecimentos que Deus realizou para Israel, para tirá-lo da escravidão do Egito e levá-lo para as bênçãos de Canaã.
O Sangue nas Ombreiras da Porta
"Tomarão do sangue e o porão em ambas as ombreiras, e na verga da porta, nas casas em que o comerem. Assim o comereis: os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão. Comê-los-eis apressadamente; esta é a páscoa do Senhor. Naquela noite passarei pela terra do Egito, e ferirei todos os primogênitos na terra do Egito, desde os homens até os animais; e sobre todos os deuses do Egito executarei juízo. Eu sou o Senhor. O sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; vendo o sangue, passarei por cima de vós, e não haverá entre vós praga destruidora, quando eu ferir a terra do Egito" (Êxodo 12:7, 11-13).
Exigiu-se dos filhos de Israel que oferecessem um sacrifício de sangue, e o cordeirinho sem defeito que eles mataram, era um símbolo de Cristo morrendo na cruz. O sangue do cordeiro nas ombreiras das portas protegia-os do juízo de Deus: "Vendo o sangue, passarei por cima de vós" (v. 13).
Hoje, "salvos pelo sangue" é o testemunho do povo de Deus em todo o mundo, com o sangue de Cristo aplicado ao nosso coração. Mas outros também reivindicam o sangue. Adúlteros, viciados e criminosos que estão na cadeia neste instante - todos vivendo em pecado grosseiro - dir-lhe-ão: "Deus não me julgará. Estou em baixo do sangue de Jesus! Há anos eu cri NELE." Outros dirão: "Obediência não salva. O que você pensa a respeito do sangue não salva. Só o que Deus pensa acerca do sangue é importante. Obtenha a proteção do sangue, e você estará salvo e seguro para sempre”.
É totalmente verdade que o sangue de Jesus proporciona proteção contra o juízo de Deus, mas somente quando acompanhado de um coração obediente!
Isso foi uma verdade em relação aos filhos de Israel. A fim de estarem seguros pelo sangue sacrificial, os israelitas tiveram de satisfazer certas condições de obediência. Primeiro, "que cada homem peça ao seu vizinho, jóias de prata e jóias de ouro...e roupas...O Senhor deu ao povo graça aos olhos dos egípcios, de modo que estes lhes davam o que pediam" (Êxodo 11:2, 12: 35-36). Fazer isto seria não só uma provisão para futuro, como também provaria que as pessoas criam que Deus iria libertá-los. Teriam de provar sua fé pelas obras.
Em seguida, ordenou-lhes "tomai um molho de hissopo, molhai-o no sangue que estiver na bacia, e marcai a verga da porta e as suas ombreiras" (Êxodo 12:22). Nenhum anjo executou esta tarefa para eles, nem Deus; e caso tivessem se recusado a fazê-lo, teriam morrido. Contudo, ainda mais foi exigido deles!
Nesta mesma noite suas casas deviam se transformar em casas de obediência. "Nenhum de vós saia da porta da sua casa até pela manhã" (Êxodo 12:22). Dentro de casa deveria comer o cordeiro da páscoa, assado no fogo. Não podia ficar cru ou ser cozido em água, e os israelitas deveriam comê-lo com pães asmos, sem fermento, e com ervas amargas. Deus lhes ordenou que o fizessem com lombos vestidos, sandálias nos pés e cajado na mão - e deveriam comê-lo às pressas.
Isso não se tratava de mera aceitação intelectual! Os israelitas era um povo obediente sobre quem havia caído o temor de Deus, e eles queriam ser libertos. Desejavam mais do que segurança - desejavam ficar livres das forças do Egito. Estavam famintos, ansiosos para obedecer! Veja o contraste disso, em relação a uma doutrina atual que declara que "o importante não é a obediência. Não vivemos em baixo da Lei. A nossa esperança está unicamente no sangue!" Este ensinamento afirma que se disser que a obediência é necessária, estamos tentando diminuir o poder do sangue. Todavia, foi a obediência explícita dos israelitas que provou que eles davam valor ao sangue!
A verdade é que você pode ficar seguro sob o sangue e ainda estar no Egito - ainda em escravidão, ainda no meio da fornalha de ferro, e ainda ao alcance do chicote do inimigo! O Senhor deseja que tenhamos mais do que proteção contra o juízo! Ele anseia nos tirar da prisão á escravidão do pecado - e levar-nos a um lugar de vitória total sobre a carne.
A Travessia do Mar Vermelho
"Então Moisés estendeu a mão sobre o mar, e o Senhor fez retirar-se o mar por um vento oriental toda aquela noite, e fez do mar terra seca. As águas foram divididas, e os filhos de Israel entraram pelo meio do mar em seco, e as águas lhes foram muro à sua direita e à sua esquerda. Os egípcios os perseguiram, e entraram atrás deles até o meio do mar, com todos os cavalos do Faraó, os seus carros e os seus cavaleiros. Então Moisés estendeu a mão sobre o mar e o mar retomou a sua força ao amanhecer. Os egípcios foram de encontro a ele, e o Senhor derrubou os egípcios no meio do mar. E quando Israel viu o grande poder que o Senhor mostrara aos egípcios, o povo temeu ao Senhor, e confiaram no Senhor e em Moisés, seu servo" (Êxodo 14:21-23; 27, 31).
A travessia do mar Vermelho é uma simbologia da vitória da cruz sobre todos os nossos inimigos. Todos os nossos inimigos espirituais - o pecado, o mundo e Satanás - perderam na cruz seu poder controlador sobre nós. Isto, também, foi o que os israelitas experimentaram! "Israel viu os egípcios mortos na praia do mar" (Êxodo 14:30). Depois deste acontecimento, o povo de Deus ficou livre - liberto da escravidão. Os chicotes que antes açoitavam suas costas cansadas, agora flutuavam sem rumo sobre a água.
O povo foi tirado fisicamente do Egito, e agora se regozijava: "Graças a Deus estamos livres! Acabou a escravidão - chega de ser forçado a fazer o que detestamos - ficamos livres para sempre!" Mas não demorou muito tempo para que descobrissem algo: muito embora estivessem fora do Egito, o Egito ainda estava neles!
À medida que foi ficando mais difícil enfrentar as provações no deserto, o povo começou a ter lembranças e desejos, sonhando com os prazeres da velha vida. Sim, eles tinham sido protegidos pelo sangue e estavam salvos do juízo de Deus; tinham sido libertos do poder deste mundo pecaminoso. Mas os seus corações não estavam plenamente postos no Senhor. Haviam saído - contudo, ainda não haviam entrado em um novo lugar!
Este mesmo fato é um dos maiores problemas da igreja de nossos dias: cristãos cujos corpos permanecem na casa do Senhor, mas cujos corações e mentes estão sempre voltando à antiga vida. Podem testificar: "Graças a Deus fui liberto da prisão de Satanás! Recebi uma nova escritura de posse sobre a vida. É um milagre - não sou mais escravo do pecado. A cruz me libertou!" Mas sentem falta das festas, dos velhos prazeres, grandes momentos ("Só uma noite para lembrar os velhos tempos!").
Alguns que lêem esta mensagem reconhecem que muito embora tenham sido libertos do pecado, a vida em Cristo não é tão fácil como pensavam que fosse. As provações o atacam e Satanás despeja suas mentiras: "Lembra-se de como era bom? A diversão, as risadas, os amigos?" Mas a verdade é que não era divertido - era o inferno na terra.
Alguns voltariam ao Egito se não estivessem preocupados com a perda do respeito que conquistaram ou com a mágoa dos entes queridos. Em qualquer caso eles não permanecem fora do Egito por amor a Jesus, mas por medo. Só permanecem porque seria muito pior voltar, e não por causa da devoção Àquele que os tirou da escravidão.
A Última Travessia: o Rio Jordão
"Assim que a planta dos pés dos sacerdotes que levam a arca do Senhor, o Senhor de toda a terra, pousar nas águas do Jordão, serão elas cortadas; as águas que vêm de cima pararão, e se amontoarão. Partindo o povo das suas tendas, para passar o Jordão, levou os sacerdotes a arca da aliança adiante do povo. Os sacerdotes que levavam a arca da aliança do Senhor pararam firmes em seco no meio do Jordão, enquanto todo o Israel passou em seco, até que toda a nação acabou de atravessar o Jordão" (Josué 3: 13-14,17).
A travessia do Jordão é um símbolo da entrada para a liberdade em Cristo. Deus sempre nos tira de alguma situação, a fim de nos levar a Ele mesmo! Não basta simplesmente escapar dos poderes de Satanás, do presídio da escravidão; devemos, também, entrar na vida ressurrecta de Cristo. Aqui, Canaã não representa o céu, pois indica um lugar de guerra espiritual. Mas é um lugar onde Jesus quer que desfrutemos da excelência de Sua vitória - um lugar de júbilo, de alegria e plenitude.
Quando Israel chegou ao Jordão, o povo já não era guiado pela nuvem durante o dia e pela coluna de fogo à noite (veja Êxodo 13:21), mas pela arca da aliança. Vemos a arca - um símbolo de Jesus - descendo ao Jordão, imergindo na morte, dizendo: "Siga-me!" É Jesus nos convidando a ser batizados NELE.
Ao sair do Jordão, o povo de Israel entrou na Terra Prometida, que simboliza a permanência em Cristo. "O povo subiu do Jordão e se acampou em Gilgal" (Josué 4:19). A esta altura, eles estavam protegidos pelo sangue, livres do poder do inimigo e alçados à novidade de vida na terra de Deus, da qual mana leite e mel. Certamente estaria preparada para a batalha de Jericó, sua primeira prova em Canaã! O que mais poderiam necessitar? Para eles parecia ser a hora de marchar, de gritar e derrubar as fortalezas inimigas.
Mas na verdade, ainda não estavam prontos. O Espírito ainda precisava executar um trabalho. "Faze facas de pederneira, e circuncidam segunda vez os filhos de Israel. Então Josué fez facas de pederneira, e circuncidou os filhos de Israel em Gibeate-Aralote" (Josué 5: 2-3).
Circuncisão: a Remoção da Carne
Não vou levantar uma discussão teológica sobre a circuncisão - mas este antigo processo é muitíssimo significativo para a igreja de hoje. Que experiência dolorosa deve ter sido para os israelitas remover o prepúcio com uma faca afiada, como sinal para o mundo de que pertenciam a uma aliança fiel com Deus! Todas essas pessoas tinham nascido no deserto e nunca haviam sido circuncidadas - e depois deste evento, ficaram frágeis e enfraquecidos por alguns dias.
Entrar na faca hoje significa submeter-se ao corte agudo da palavra de Deus! "Pois a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante que qualquer espada de dois gumes" (Hebreus 4:12). A palavra verdadeiramente corta: "Ouvindo eles isto, se enfureceram" (Atos 5:33). Quando Estevão pregava, "enfureciam-se em seus corações, e rangiam os dentes contra ele" (Atos 7:54).
A Bíblia diz que a palavra de Deus circuncidou nossos corações. "Circuncisão a que é do coração, no espírito, não na letra, e cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus" (Romanos 2:29). Há uma circuncisão "não feita por mãos no despojar do corpo da carne, a saber, a circuncisão de Cristo" (Colossenses 2:11).
Cada um de nós tem dentro de si o "opróbrio do Egito" que deve ser removido - tudo o que é de nossa carne. E há uma operação na qual o Espírito de Deus corta fora todas essas paixões e domínios do mal: quando a palavra de Deus é pregada pelos ungidos de Deus no poder e manifestação do Espírito Santo, ela se transforma naquela faca afiada! Deus tem hoje os seus Josués, e lhes ordenou que pegassem estas pessoas protegidas pelo sangue, libertas, remidas, e as pusessem sob a faca de Sua palavra para remover todos os vestígios de idolatria e de concessões.
Lamentavelmente muitos pastores se recusam a trazer o seu povo sob a faca afiada da repreensão e da correção. É possível que um pastor "em amor, leve o seu povo direto para o inferno", ao protegê-lo do chamamento ao arrependimento e do pranto dos profetas. Tenho exposto meu coração em algumas igrejas, advertindo-as do juízo, clamando contra a idolatria, rogando aos santos que despertem e invoquem a Deus pedindo purificação. Porém os pastores ficam sentados, imóveis, sem ao menos dizer um "Amém." A congregação parece entediada. Ouvem meu clamor entristecido contra a televisão, e sorriem de maneira condescendente, como dizendo "Muito engraçado". Protegidos pelo sangue, redimidos, batizados em Cristo. Sim, escolhidos - mas congelados!
Depois de pregar, fiquei me sentindo derrotado, como se tivesse desperdiçado meu tempo. Eu acreditava que tinha a palavra de Deus para eles, contudo não tinham respondido. Uma vez, depois de trazer tal mensagem, o pastor me levou para fazer uma refeição. Falou-me de como sua congregação era maravilhosa - como contribuía sacrificialmente, como faziam tudo que lhes pedia. Disse que seu povo era o mais amável, o mais carinhoso, o mais atencioso do país - sustentavam com entusiasmo o programa de construção, participavam com fidelidade do coro e da orquestra - todos eram obreiros incansáveis! "Nesta igreja simplesmente deixamos que o Espírito Santo cuide destes assuntos. Somos amadurecidos!"
Então fiquei pensando: "É isso aí! Eles eram bons demais para uma mensagem assim tão forte. Puxa, eu errei!"
Assim foi, até que mais tarde orando em meu quarto de hotel, Deus me disse: "Você não errou! De todas, aquelas pessoas eram as que mais precisavam da mensagem! Naquela igreja elas têm uma sociedade de admiração recíproca - e isso as poderá destruir, cegar; lhes custar tudo!"
Compreendo que estas pessoas podem realmente ser maduras, mas são apóstatas! Estão se esfriando - presas numa armadilha de falso amor!
Josué não lisonjeou sua congregação. Deus lhe revelou que o povo ainda tinha o opróbrio do Egito apegado a eles - e obedeceu à ordem de Deus de fazer facas e cortar de vez as coisas da carne.
O opróbrio é qualquer coisa que substitua o Senhor em nosso coração, qualquer tipo de pecado ou de idolatria que desvie de Deus o nosso coração. À semelhança de alguns pastores modernos, Josué poderia ter dito: "Deus, essa gente tem sofrido tanto, tem enfrentado adversidades incríveis - chegaram agora ao seu limite. Não posso deixar que passem agora por um processo tão doloroso." Mas na verdade, o lugar mais perigoso onde os cristãos podem estar é sob o ensino de um pastor que os proteja da repreensão e os lisonjeia, levando-os a achar que tudo vai bem. "O homem que lisonjeia o seu próximo, arma uma rede aos seus passos" (Provérbios 29:5).
Paulo também se recusou a lisonjear o povo de Deus. "Como bem sabeis, nunca usamos de palavras lisonjeiras, nem de intuitos gananciosos; Deus é testemunha" (I Tessal. 2:5). "Pelo contrário, como fomos aprovados por Deus para que o evangelho nos fosse confiado, assim falamos, não como para agradar aos homens, mas a Deus" (verso 4). O resultado do ensino de Paulo era obediência na vida dos tessalonicenses. "deixando os ídolos , vos convertestes a Deus, para servirdes o Deus vivo e verdadeiro" (I Tessal. 1:9).
João era pastor de sete igrejas da Ásia, e por meio de revelação Jesus lhe apareceu e mostrou os pecados ocultos do povo. João se dirigiu a esses amados como filhos de Deus, amados, libertos dos pecados pelo sangue de Jesus: "Àquele que nos ama, e, pelo seu sangue, nos libertou dos nossos pecados" (Apocalipse 1:5). Eram "reino e sacerdotes para o seu Deus" (versículo 6). Mas num certo dia, o Espírito de Deus veio sobre João e ele ouviu a palavra de Deus ressoando como trombeta: "Eu fui arrebatado em espírito no dia do Senhor, e ouvi atrás de mim uma grande voz, como de trombeta" (v. 10). Jesus lhe apareceu e "da sua boca saía uma afiada espada de dois gumes" (v. 16).
A uma igreja amada, lavada pelo sangue, apareceu uma espada afiada! E a despeito da bondade, do trabalho duro ou do amor, Deus os achou em falta.
Em Apocalipse 2, João descreve uma congregação maravilhosa em Éfeso. Eram pacientes e esforçados, detestavam as obras más - mas estavam se esfriando. Tinha perdido aquele seu amor incandescente por Jesus; tinham caído na letargia. Jesus grita: "Arrepende-te! Volta rápido, ou removerei o teu candelabro (tu não serás ungido)." Em Pérgamo havia uma congregação que conservava o Seu nome, não negava a fé, havendo alguns dispostos a morrer. Mas havia algo muito errado: falsos ensinamentos estavam se infiltrando; doutrinas de demônios estavam tomando pé. Jesus disse: "Arrepende-te, pois! Se não em breve virei a ti, e contra eles batalharei com a espada da minha boca”.
Um espírito de Jezabel havia se infiltrado na congregação de Tiatira, apesar de o povo ali ser caridoso, cheio de fé, de paciência e boas obras. A essa igreja Jesus disse:
"Lançá-la-ei ...em grande tribulação...caso não se arrependam das obras que ela incita" (Apoc. 2: 22).
A congregação que estava em Sardes tinha fama de ser uma igreja viva. Mas Jesus disse: "Tens nome de que vives, mas estás morto" (Apocalipse 3:1). Não havia sobrado muita espiritualidade para eles porque seus corações não eram perfeitos para com o Senhor. Contudo, à semelhança de muitas igrejas de hoje em dia, eles se viam como estando cheios de vida. Só os que andavam no Espírito sabiam que, na realidade, estavam mortos.
Jesus surgiu com uma faca afiada e colocou todas estas igrejas sob Sua palavra cortante. Isso é o verdadeiro amor!
Removendo o Opróbrio do Egito
O que significa de fato "entrar na faca"? Em Josué 5, Israel estava no auge da glória e do poder, experimentando milagres incríveis. As pessoas eram amadas e protegidas, o coração do inimigo se derreteu, "e não houve mais ânimo neles, por causa dos filhos de Israel" (Josué 5:1). Foi naquele período, diz o versículo 2 - isto é, num tempo de vitória, bênção, orientação e favor, quando estavam prestes a entrar e possuir a terra - que Deus disse, na verdade: "Parem tudo! Este é o fim da linha. Estamos com um problema. Tudo parece estar indo bem - maiores vitórias deverão ser alcançadas - mas uma questão não foi resolvida. O opróbrio do Egito ainda continua nos seus corações, e ele precisa ser cortado, eliminado”.
É como se Deus dissesse ao Seu povo: "Pacientemente tenho tolerado sua apostasia, suas reclamações, sua lascívia sem fim e constante. Dez vezes os seus pais me provocaram no deserto, e perdoei tudo. Eu os encontrei definhando nas fornalhas de ferro do Egito. Eu os lavei e protegi com sangue, livrei-os dos inimigos. Mas o tempo todo vocês têm guardado pecado secreto no coração. Vocês se recusam a derrubar um ídolo que tem uma fortaleza nos seus corações”.
O profeta Amós confirma que Israel trazia esta idolatria no coração: "Ofereceste-me vós sacrifícios e oblações no deserto por quarenta anos, ó casa de Israel? Levou a tenda de vosso rei, e o altar de vossos ídolos, a estrela do vosso deus, que fizestes para vós mesmos?" (Amós 5: 25-26). Aqui estava o opróbrio: o tempo todo, a despeito do amor, da proteção, da bênção e orientação de Deus, os israelitas vinham trazendo algo secreto em seus corações. Até quanto cantavam louvores ao Senhor, outro deus controlava sua motivação interior.
Haviam escondido os ídolos de seus pais na bagagem! Nem mesmo a terrível voz de um Deus santo e temível pôde conseguir que eles abandonassem as caixas de objetos sagrados, as imagens de ouro do Egito. Queriam prosseguir e servir a Deus, ao mesmo tempo em que se apegava aos ídolos. O Senhor tinha sido paciente até aquele ponto, mas agora lhes dava um ultimato: "Vou mover-Me apenas com um povo santo. Há um mundo de alegria e de paz, vitória sobre vitória mais adiante - mas vocês não podem trazer o opróbrio com vocês. Cortem-no! Afiem as facas! Daqui para frente, chega de carne. Chega de idolatria, chega de lascívia que se prende a vocês, chega de opróbrio escondido”!
"O Pecado é o Opróbrio dos Povos" (Provérbios 14:34)
Essas "boas" pessoas tinham corações manchados pelo pecado. E porque eram tão cegas e de dura cerviz, Deus exigiu que cortassem o prepúcio, na tentativa de lhes mostrar o que Ele esperava interiormente - o corte de todo pecado. Duvido que tenham entendido isto enquanto faziam fila para ser circuncidados e se submeter à faca. Deus estava dizendo: "Dá-me o teu coração. Derrube os ídolos”.
Mas isso foi escrito muito mais para nós - para nossa instrução. Hoje Deus está nos dando Seu ultimato final: "Se vocês se submeterem à minha palavra e Me deixarem cortar todo o pecado e idolatria, Eu os levarei para uma terra boa - derrubarei todas as fortalezas e os saciarei com leite e mel trazidos do céu. Caso contrário, se não se submeterem a Mim e clamarem para que lhes tire todo o pecado, então vão ficar sozinhos e minha presença não irá com vocês. Submetam-se à minha faca, ou sigam o seu próprio caminho”!
Será que é séria esta questão de entrar na faca? Vemo-la de maneira clara exemplificada na vida de Moisés, quando "estando Moisés, encontrou-o o Senhor, e o quis matar. Então Zípora tomou uma pedra aguda, circuncidou o prepúcio de seu filho...Assim o Senhor o deixou" (Êxodo 4:24-26). É bem provável que Moisés permitira que sua esposa Zípora o dissuadisse de fazer o que era certo. E Deus estava dizendo-lhe: "Escolha, Moisés. Ouça à tua esposa, ou obedeça a Mim”!
É uma questão de vida ou morte! E o Senhor vem a você hoje do mesmo modo, clamando: "Já, submeta-se à minha circuncisão - corte fora a carne - entregue o seu pecado secreto à faca!" Então, só então, você poderá entrar na abundância das riquezas de Jesus Cristo!

David Wilkerson

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