domingo, 28 de fevereiro de 2010

Submissão Conjugal

A maioria de nós sabe que o apóstolo Paulo chama o marido de cabeça de sua mulher e conclama as mulheres a submeterem-se aos seus maridos. Na prática, porém, muitos de nós as tratamos como iguais. Quando somos pressionados, admitimos não existir substituto para o amor e respeito mútuo.
Há um rompimento entre o nosso mundo e aquele do Novo Testamento?
Sabemos que as palavras do apóstolo significavam algo diferente para os leitores gregos, romanos e judeus no primeiro século, do que significam para nós hoje. Nos dias de Paulo, os homens governavam seus lares e as mulheres eram vistas como propriedade.
As mudanças ocorridas entre aquela época e hoje exigem que consideremos cuidadosamente não só a época que os apóstolos viveram, mas o significado de suas palavras. Mais importante ainda, precisamos ler suas cartas à luz da história completa da Bíblia.
No início, Deus criou o homem e a mulher “à nossa imagem” para que “tenha ele domínio” sobre o mundo (Gênesis 1:26-27).
Apesar de ambos terem recebido esta responsabilidade, o segundo capítulo afirma que Deus fez o homem do pó da terra antes de criar Eva de uma das costelas de Adão. Desde então, a maravilha da distinção entre o masculino e feminino inspirou incontáveis romances, conflitos e novos começos. Mas porque Deus caracterizou Eva como uma “auxiliadora” (Gênesis 2:18), muitos concluíram que a mulher foi feita para ser uma secretária ou assistente do homem.
Na língua hebraica, no entanto, a palavra auxiliadora não subentende necessariamente subordinação. O Antigo Testamento usa a mesma palavra em mais de 15 outras oportunidades para designar o próprio Deus como o nosso auxiliador e libertador (Salmo 70:5).
Portanto, em que momento, surgiu a ideia de que Deus deu a responsabilidade ao marido de governar sobre sua esposa?
Depois da queda. A primeira indicação que encontramos na Bíblia, de que o marido deveria governar sua esposa surge com as vaticinações de ervas daninhas no jardim, dores de parto e a maldição de sua própria morte (Gênesis 3:16-19). Foi neste contexto de maldição e suas consequências que Deus disse a Eva, “…o teu desejo será para o teu marido, e ele te governará” (v.16).
Alguns de nós lemos estas palavras como se elas dessem aos maridos o direito de governar sobre suas esposas. No entanto, não lemos o resto da maldição da mesma maneira. Nós lutamos com as ervas daninhas em nossos quintais e colheitas. Fazemos todo o possível para diminuir a dor de parto na mulher. Usamos a prevenção, os medicamentos e cirurgias para retardar uma morte antecipada (Gênesis 3:16-19).
Aceitar esta maldição como se os maridos tivessem o direito de impor suas vontades sobre suas esposas tem contribuído para o contínuo abuso e incompreensão.
Com a vinda de Jesus, entretanto, podemos perceber o plano óbvio que muitos de nós deixamos de perceber.
O ensinamento e exemplo de Jesus: Ao ensinar os Seus discípulos a, dar uns aos outros, a consideração que gostariam de ter para si mesmos (Mateus 22:39), Jesus nos deu um princípio que está no âmago de um casamento saudável.
Quando Ele acrescentou em Seu reino “…o maior entre vós seja como o menor; e aquele que dirige seja como o que serve” (Lucas 22:25-27). Ele deu aos Seus seguidores um valor aplicável a todos os relacionamentos.
Com poucas palavras e com o poder do Seu próprio exemplo, Jesus nos deu razões não somente para dar aos outros a consideração que gostaríamos para nós mesmos, mas Ele também nos ofereceu uma maneira de entender as palavras que os Seus apóstolos deram aos maridos e mulheres.
A resposta de Pedro e Paulo para uma ordem social do primeiro século: Na sociedade grega, romana e judaica do primeiro século esperava-se que os maridos governassem os seus lares. Naquela circunstância, Paulo usou a figura de linguagem de uma cabeça e corpo para ilustrar a natureza complementar do relacionamento conjugal.
A analogia de uma só carne, cabeça e corpo deram a Paulo a oportunidade de enfatizar, como Jesus o fez, de que no reino de Deus, aqueles que governam são como aqueles que servem (Efésios 5:21-25,28). Ele lembrou aos maridos que Jesus amou a igreja como seu próprio corpo (v.23), ao invés de, governar sobre ela. Utilizando o próprio exemplo de Jesus, Paulo conclamou os maridos que queriam seguir a Cristo a cuidar de suas esposas, da mesma maneira que cuidavam e protegiam os seus próprios corpos, diariamente.
Paulo e Pedro usaram a mesma abordagem para aconselhar as esposas. Eles começaram a explicar a submissão conjugal no primeiro século, cuja ideia as mulheres compreendiam bem. Em seguida deram um novo sentido para aquela obrigação social. Em vez de simplesmente encorajar as esposas a sujeitarem-se a seus maridos para obterem unidade conjugal, os apóstolos a encorajaram a reagir de maneira que refletissem bem a reputação de Cristo (1 Timóteo 5:14; Tito 2:5; 1 Pedro 3:1).
O significado da submissão: Através dos anos, muitas pessoas chamaram a atenção ao fato de que a palavra submissão usada pelos apóstolos, também era usada pelos soldados que estavam em serviço “para colocarem-se sob o comando de um líder”. No entanto, o casamento não é um relacionamento militar.
Em contextos não-militares, a palavra para submissão envolve “ceder voluntariamente, cooperar, aceitar responsabilidade, e levar um fardo” Greek Lexicon (Léxico Grego de Thayer e Smith). Tal submissão complementa a responsabilidade de um marido, de quem se requer o sacrifício de seus próprios interesses pela vida e bem-estar de sua esposa.
O sacrifício conjugal e a submissão, portanto, significa que nem maridos nem esposas têm autoridade para exigir, impor, coagir, ou controlar um ao outro. Pelo contrário, ambos são responsáveis e devem dar contas a Deus daquilo que Ele lhes deu para o bem, para honra, e para alegria de ambos
Mart De Haan

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